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Adubação do Café – Relação Cálcio e Magnésio no Solo

Em Recomendações de Adubação e Calagem para o Estado de São Paulo – Boletim Técnico 100 – Instituto Agronômico de Campinas – SP – 1996, 2º Edição, aborda esclarecendo o polêmico assunto da relação Ca/Mg no solo, que até pouco tempo se afirmava ideal existir no estreito limite da proporção de 3 a 5 partes de cálcio para cada parte de magnésio.

Hoje já interpretado como válido na amplitude de até 30; 1 como veremos desta publicação oficial do IAC. Esta 2º Edição, revista e atualizada após 10 anos, relaciona as recomendações de adubação química em função da analise do solo para mais de 100 espécies diferentes; cereais = 10; especiarias, aromáticas e medicinais = 13; estimulantes = 4 (cacau, café, chá e fumo); fibrosas=8; frutíferas = l4; hortaliças = 20; leguminosas= 10; ornamentais e flores = 10; raízes e tubérculos = 6 (araruta, batata, batata-doce e cará, inhame, mandioca e mandioquinha); outras industriais = 3 (cana de açúcar, pupunha e seringueira); contém uma relação de 62 colaboradores sendo para o café l3 e para os citros 10 especialistas, de diversos setores como: CATI, COPERSUR, EMBRAPA, ESALQ, IAC, USP, IZ, MA/PRÓ-CAFÉ, etc. Dado a importância e a atualidade destas Recomendações, vamos transcrever trechos, como abaixo:

Apresentação

O solo, substrato onde as plantas se desenvolvem, nem sempre assegura o pleno fornecimento dos minerais e outras substâncias de que elas necessitam, nem lhes garante a expressão de seu potencial produtivo. Altamente complexo, podendo até ser considerado como um organismo vivo, o solo, fornecedor de nutrientes às plantas, é fator de produção tecnicamente de fácil modificação e ajuste. Conhecer os limites desses ajustes, as suas relações com a produção e com a qualidade do produto e do ambiente é fundamental ao exercício da arte da agricultura, ou da agricultura como arte.”

“O Instituto Agronômico (IAC) tem desempenhado, na área da nutrição das plantas e da adubação e correção do solo, um extenso, continuado e profícuo trabalho de definição de como, quanto e quando modificar o solo para o alcance dos objetivos produtivos.”

Conversão de unidades

As representações antigas podem ser convertidas nas novas, considerando as relações indicadas no quadro 3.1. Nos casos de porcentagem (%) e de partes por milhão (ppm), percebe-se como essas representações não têm significado preciso, podendo ser diferentes, conforme a base de representação. Já no sistema novo, a representação é explícita e não deixa margem de dúvidas.

Também fica claro que o miliequivalente (meq) só mudou de nome, passando a ser conhecido como milimol de carga (mmolc). O fator de conserção 10, deve-se à mudança da base de representação, de 100 para 1.000, da mesma maneira como foi feito para a porcentagem.

Fatores para conversão de unidades antigas em unidades do Sistema Internacional de Unidades; Unidade antiga (A); Unidade nova (N), (N= A x F); Fator de conversão (F). l- (A)%, (N) g/kg, g/dm3, g/L, F= 10; 2- (A) ppm, (N) mg/kg, mg/dm3, mg/L, F= 1; 3- (A)/100 cm3, (N) mmolc/dm3, F =10; 4- (A) meq/100 g, (N) mmolc/kg, =10; 5- (A) meq/L, (N) mmolc/L, F= 1; 6- (A) P205, (N) P, F =0,437; 7 -(A) K20, (N) k, F =0,830; 8- (A) Ca0, (N) Ca, F= 0,7l5; 9- (A) Mg0, (N) Mg, F =0,602; 10- (A) mmho/cm, (N) dS/m, F= l.; P. 8.

Um assunto que tem ocasionado polêmica é a necessidade de estabelecer, no solo, uma determinada relação Ca/Mg. Há abundante informação na literatura, a qual mostra que as produções de culturas não são afetadas por essa relação entre valores que variam de um mínimo ao redor de 0,5 até valores acima de 30, desde que nenhum dos dois elementos esteja presente em teores deficientes. P. 12

Cálcio e Magnésio

Além de corrigir a acidez, a calagem deve garantir teores suficientes de magnésio no solo, admitidos com 5 mmolc/dm3 para a maioria das culturas e 9 mmolc/dm3 de Mg-2+ para culturas muito adubadas com potássio. O cálcio é, normalmente, suprido em quantidades suficientes pela calagem, já que os teores necessários são baixos, conforme explicado no capítulo 4.

Dessas considerações resulta que a relação Cálcio/Magnésio também não é um fator que precisa ser levado em conta na calagem, desde que seja garantido um teor adequado de Mg.

A importância do equilíbrio entre as bases no solo para a produção das culturas tem sido muito discutida, nos últimos anos, no País. Existem recomendações técnicas para se ajustar a relação Cálcio/Magnésio para valores entre 3 a 4, sem nenhuma sustentação experimental.

Ao contrário, os resultados experimentais sobre este assunto, tanto nacionais como internacionais, têm demonstrado que a relação Ca/Mg tem pouca importância para a produção das culturas dentro de um amplo intervalo de 0,5 até 30; 1, desde que os teores desses nutrientes no solo não estejam próximos aos limites de deficiência. P. 16.(Boletim Técnico 100 – IAC)

Conclusão

Portanto, a reprodução acima esclarece sobre este importante ponto polêmico em relação à calagem e adubação química em geral, referentes a estes dois importantes elementos fornecidos ao solo pelo calcário; o cálcio (Ca) e o magnésio (Mg).

(14/04/1998) Ruy Gripp

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