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Agrossilvicultura – Café com Madeira de Lei

No 21º Congresso Brasileiro de Pesquisas Cafeeiras, em 1995 -Caxambu-MG, foi apresentado um plano de pesquisas por técnicos do IAC -Campinas (SP) visando estudar o comportamento da exploração consorciada do café com espécies de madeiras de lei. Café com reflorestamento. Reflorestamento no meio do cafezal.

Uma exploração denominada Agrossilvicultura ou Permacultura, representada por culturas permanentes, consorciadas. Culturas de espécies diferentes, umas ao lado das outras, na mesma área de cultivo.

Esta pesquisa teve origem na observação ocasional, ocorrida em antigas propriedades cafeeiras, com restos de lavouras abandonadas. Para surpresa, foram encontradas moitas de cafeeiros verdejantes e produtivos que permaneceram vivos debaixo e ao redor de vários tipos de árvores correspondente a espécies de grande valor econômico, fornecedoras de madeiras de lei, que haviam sido deixadas aqui e acolá quando da formação das lavouras.

Onde não teve a sombra protetora das árvores os cafeeiros tinham sido totalmente abandonados e extintos, por se tornarem antieconômicos.

Somente permaneceram intactos e produtivos os pés de café que protegidos pelas árvores, representavam ilhas de verde num deserto sem cultura permanente, exploradas com cereais.

Nestas antigas lavouras, somente restaram como cafeeiros produtivos, aqueles debaixo de árvores esquecidas ou preservadas como relíquias no meio da cultura. Este fato muito interessante e importante foi filmado, documentado e projetado para os participantes do congresso, mostrando que muitos tipos de vegetais de grande importância econômica, podem conviver com o cafeeiro de uma maneira harmoniosa e benéfica para a conservação e boa produção da cultura do café.

Verificaram que os cafeeiros próximos das árvores tinham sido protegidos e preservados pela sombra e pelo húmus da decomposição das folhas, flores, frutos e galhos que caem anualmente de toda árvore, e tornando benéficos à cultura naquele ponto, local de sua influencia positiva.

Uma espécie protegendo a outra. Plantas amigas, que se completam, umas auxiliando as outras, numa convivência pacifica e vantajosa para a ecologia, contribuindo para a conservação do meio ambiente e da fertilidade do solo.

Em Manhumirim-MG, na fazenda “Dias “do Dr. Rubens José Dias, cafeicultor com experimento em agrossivicultura, no caso consorciando café com seringueira (cinco mil com dez anos), já produzindo e comercializando o látex da borracha, tem uma conclusão; no espaçamento usado o resultado tem sido negativo para a produtividade do café, tornando-se antieconômico esse tipo de consorciação.

O café, pelo excesso de sombreamento da seringueira, está com baixa produção. Dr. Rubens, no Congresso em Caxambu, prestou importante depoimento, esclarecendo também sobre o inicio do plantio de outras espécies florestais no cafezal, com espaçamento largo entre as árvores e bom desenvolvimento das mesmas, sem prejudicar o desenvolvimento do cafeeiro.

Assim, resolveu expandir o consorciamento do café com espécies de madeiras de lei; mogno, jequitibá-rosa, vinhático e outras, em alguns locais do cafezal. Experimentalmente, vem usando diversos espaçamentos entre as árvores, como; 5×5 m (25 m2/unidade) e 10 x 10 m (100 m2/unidade).

Na cultura adensada do café com espaçamento de 2 x 1 m (2 m2/pé), cada árvore corresponde respectivamente a 12,5 (25/2) e 50 cafeeiros (100/2).

O imóvel, situado nas margens do asfalto, na Rodovia MG-108 a 5 km da cidade, tem sido motivo de visitação por cafeicultores de diversos municípios, em caravana organizada por técnicos da EMATER, IEF, IBAMA, SINDICATOS RURAIS, etc., demonstrando o interesse despertado por esse novo modelo de exploração da agrossilvicultura, representada pelo consorciamento do café com madeiras de lei.

Variando o espaçamento entre árvores de; 5×5 m = 25 m2, 5×8= 40 m2, 5×10=50 m2, 8×10= 80 m2 ou 10×10 m = 100 metros quadrados por unidade, temos respectivamente 12,5, 20, 25, 40 ou 50 cafeeiros por cada árvore usada nestes diversos espaçamentos. Qual o melhor? entre carreiras e de pé a pé nas fileiras? Somente a pesquisa vai determinar o mais vantajoso.

Pode variar de região em função do clima local, da topografia, do tipo de solo, da espécie usada (em função da altura do fuste e do diâmetro da copa da arvore), tendo sempre como base não prejudicar a produtividade do cafeeiro. Uma determinada espécie pode ser benéfica para um determinado local e prejudicial noutro.

Ou ter bom desenvolvimento num local e péssimo em outro, em função do clima e tipo de solo. Em alguns climas, somente funcionará usando a irrigação, como já praticado no sr. Geraldo Siqueira, em Mutum-MG, na cultura do café conilon e seringueira.

(10/08/1999) Ruy Gripp

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