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Alimentação Macrobiótica – Yin e Yang

No Informativo “Alimentação Macrobiótica” do Major Intendente Suzeney de Figueiredo Neves da Academia da Forca Aérea, adquirido em 1987, que reproduzimos abaixo, temos:

“Apresentação – As informações aqui representadas, foram extraídas do livro “Alternativas de Alimentação” de Paulo Eiró Gonçalves, médico conceituado e estudioso na área da alimentação.

Este livro é prefaciado pelo Dr. J. E. Dutra de Oliveira, professor Titular de Clinica Médica e Chefe da Disciplina Nutrição da Faculdade de Medicina da USP no “Campus” de Ribeirão Preto, e Presidente eleito da União Internacional da Ciência da Nutrição (Associação mundial mais importante nesta área).

Uma das alternativas apresentada neste livro é a Alimentação Macrobiótica. Para escrever sobre Macrobiótica o Dr. Eiró Gonçalves, sabiamente escolheu o Dr. Henrique Smith. O Dr. Henrique Smith é médico em cirurgia Geral e Ginecologia, professor universitário, com um “curriculum vitae” bastante extenso, realizou como cirurgião mais de 30.000 operações, e é macrobiótico há ais de 20 anos.

O Dr. Smith, aos 55 anos, tivera três infartos e, após visitar países da Europa em busca de sua cura, sem conseguir, passou a adotar o regime macrobiótico. Com a primeira dieta de dez dias comendo exclusivamente arroz integral verificou que seu estado estava aliviado e promissor. Prosseguindo na dieta Macrobiótica, salvou-se.

E desde então, passou a receitar alimentos ao invés de medicamentos que ele próprio alcançou. Concretizando assim os ensinamentos de Hipocrates, o pai da medicina : “Faça do Alimento o teu Remédio e um Remédio do teu Alimento”.

O Dr. Henrique Smith alia assim, seus conhecimentos e sua experiência em medicina ao conhecimento do valor dos cereais integrais, à relação sódio-potássio no metabolismo e ao equilíbrio alimentar na desintoxicação e na cura do indivíduo.

Ele, hoje, pode apresentar fichas de centenas de pessoas que estiveram doentes e se curaram de câncer, artrite reumatoide, artrose reumatoide, lepra, cegueira, diabete, mal de Parkinson, mal de Chagas, mal de Hodkings, catarata, Síndrome de Joingrin, ictiose e outras doenças não curadas pela via medicamentosa. Dr. Smith merece ser visitado por médicos e consulentes em seu consultório em São Paulo, na rua Itapeva nº 518, 8º andar, telefone 288.4364. Suzeney de Figueiredo Neves Maj Int ERA.

ALIMENTAÇÃO MACROBIÓTICA – Henrique Smith.

Introdução

Macrobiótica é, no dizer do Dr. George Ohsawa, o introdutor dessa filosofia no Ocidente, a “arte de longevidade e do rejuvenescimento”. Vem de macro – maior e bio – vida. Essa filosofia milenar, baseia-se na dualidade dos opostos, dos contrários, dos antagônicos; dita a filosofia do Principio Único: duas forças iguais repelem-se e contrárias se atraem. Não nos move o intuito de fazer proselitismo e sim conscientizar aqueles que por curiosidade procura, os seus ensinamentos.

A Macrobiótica é para uma elite que pensa e que se aprofunda pelo estudo. Há os que se dizem macrobióticos só porque usam e comem os produtos integrais e macrobióticos. Só serão verdadeiramente iniciados nessa filosofia os que se aprofundam na filosofia do Principio Único. Sendo ela um sistema de vida, não poderão classifica-la como uma alternativa de alimentação e sim, uma filosofia, pois é preciso aprender como dormir, como acordar, como se vestir, qual o banho que deverá tomar, como deverá ser a primeira refeição matinal, o que deverá comer no almoço e jantar, quais os líquidos a ingerir etc.

Classificam-se como alternativa de alimentação o vegetarianismo, o naturismo e as alimentações tradicionais. É aconselhável aos que pretendem seguir a Macrobiótica procurar ler o mais possível os livros básicos que encontrarão as bibliografia registrada no final deste trabalho, e então concluir se devem ou não adotá-la, pois a Macrobiótica é um sistema permanente e não temporário. Existem muitas maneiras de iniciá-la de acordo com o estado geral do indivíduo, estado esse físico, psíquico ou mental.

Os nutricionistas, em sua totalidade, dão importância a valor nutritivo, calorias etc, enquanto que os macrobióticos valorizam o poder energético dos alimentos, baseados na lei imutável do chamado Principio Único, lei do Yin e Yang, que se concretiza, no final, no Zen que é o equilíbrio. O exclusivismo é totalmente banido da filosofia da Macrobiótica; nada é proibido – sua finalidade é desligar-se dos alimentos em si; comer o que menos mal possa fazer. Pode-se, (não se deve) consumir carnes se se julgar necessário, mas é mau fazê-lo numa alimentação cotidiana.

Um verdadeiro macrobiótico é, afinal, totalmente livre; deve poder viver e se alimentar, não importa em que condições ele transmita sua conveniência pelas técnicas apropriadas dos alimentos mais contrários. Isso não deve fazê-lo esquecer-se de que a pequena quantidade é muito eficaz em fisiologia e que uma pequena dose cada dia, de um alimento destruidor, arruína a saúde mais certamente que o almoço ou jantar gastronômico de um dia de festa, que não causa mais do que um problema passageiro.

“Ouvimos muitas vezes ser a Macrobiótica um regime de emagrecimento; erroneamente, interpreta-se isso por causa do emagrecimento que se processa pela perda de peso no inicio, pois a primeira fase é o da espoliação, retirada do organismos das substâncias tóxicas e químicas.

Já foi dito que ela não é um regime alimentar; no começo ela, a alimentação, é estrita, por um tempo definido, até estabelecer uma fase equilibrada da saúde, ou pelo tempo necessário para a cura de determinada doença e nesse caso seria um regime específico, e a partir desse momento cada um é seu próprio médico – juiz, pois tudo se estabelece numa norma- alimentação, saúde e julgamento, para se chegar ao estado satisfatório e a felicidade interior.

Em primeiro lugar de importância, situamos a cozinha, que é o laboratório da vida; é simples e a mais eficaz, mas a estabilidade da saúde e o julgamento não se garantem senão pelo esforço sobre si mesmo, através dos altos e baixos da experiência de cada um.

Resumindo, segundo Ohsawa, interpretado por Jane Bouquet: “A Macrobiótica é uma filosofia, prática da liberdade fundada na Ordem do Universo, que não se manifesta nesse mundo nem em nós mesmos, senão pela dialética antagônica e paradoxal do Yin-yang”.

FASES E PERÍODOS NA MACROBIÓTICA 

Comumente ouvem-se afirmação de indivíduos que, por estarem comendo arroz e produtos naturais, afirmam serem macrobióticos. Verdadeiramente macrobiótico é aquele que, baseado ao Principio Único, chega à fase da cura biológica, não antes. Durante esse período de tempo, aprenderá como comer, como se equilibrar, como se defender e como se curar.

Nos dez primeiros dias, sob uma dieta dita dos dez dias de arroz, instala-se a fase espoliativa (período das reações de início). Nessa fase tem início a eliminação dos produtos tóxicos e químicos contidos na corrente sanguínea, e, concomitantemente, a perda de peso, que pode variar de acordo com o volume de líquidos retidos no organismo. Ainda nessa fase haverá a mudança parcial do total dos glóbulos sanguíneos e então algumas doenças gastrointestinais etc. ; é a fase indicada como a “cura a curto prazo”.

A segunda fase completa o seu curso num período que medeia de três a quatro meses. È o período Regenerativo, pois nessa fase haverá a mudança das células do aparelho hematopoético, do aparelho regenerador dos glóbulos vermelhos (a medula dos ossos chatos – externo, costelas – e dos longos – fêmur, rádio, cúbito e úmero – mucosa gástrica e intestinal). É a fase da “cura a médio prazo”. Outras síndromes patológicas desaparecem, como o reumatismo, artritismo, gota, etc.

A terceira fase é a da cura a longo prazo, também denominada de cura biológica, que se processa até o fim do terceiro ano. Todas as doenças que não desapareceram na primeira e segunda fases deverão ter o seu término nessa fase, com exceção das síndromes neurológicas e cerebrais (yins) que deverão pacientemente esperar pela cura total que se completara em sete anos.

A FILOSOFIA DO PRINCÍPIO ÚNICO YIN E YANG

O Yin e o Yang são duas forças antagônicas, opostas , contrarias, que se completam por serem complementares. Como para o principiante a compreensão se torna difícil, ensina-se que o yin é negativo e o Yang é positivo.

Com a sequência dos ensinamentos, cai-se na verdadeira posição desses dois vocabulários, pois o positivo e o negativo são duas forças estáticas enquanto que o yin e o yang são forças dinâmicas, pois uma atrai a outra e vice-versa, uma se transmuta na outra e uma produz a outra e vice-versa.

Ao se aprofundar um pouco mais na filosofia , observa-se que num dado momento em que a força é yin, logo em seguida ela é yang, porque o yin é yin em comparação ao yang, e o yang é yang em comparação ao yin. – Isso vai se aprendendo gradativamente.

Para o oriental, essa lei não tem segredo, ao passo que para o ocidental a dificuldade está no sistema de compreensão. Nós somos condicionados a compreender as coisas na base de uma definição, de um conceito, emitindo sinônimos, enquanto que o oriental já nasce com a mentalidade do Principio Único (yin é yin, e yang é yang).

O yin e o yang não podem ser percebidos senão através dos estados comparados e das transformações – são duas faces de um plano: verso e reverso – direito e esquerdo, alto e baixo, quente e frio. Enquanto yin sobe, alarga-se, dilata-se, é expansivo (os gases são yin pois que sua lei é ocupar todo o espaço possível), yang desce, contrai-se, etc.

Todo corpo físico é yin no exterior e yang no interior; yin é centrifugo e yang, centrípeto. Todo estado sólido é yang e o liquido yin. Yang é diferenciado, formal, definido, visível, pesado e mensurável; yin tende para a homogeneidade informal e móvel, leve, cada vez mais sutil, incomensurável. Yang é alaranjado, vermelho, infravermelho, amarelo, (cores quentes) onda longa e baixa frequência.

O homem é yang assim como todo macho do reino animal, ao passo que a fêmea e a mulher são yin. A luz é yin , o calor é yang. O óvulo, o grosso, o redondo, o dinâmico é yang. ; o espermatozoide rápido, filiforme é yin. No nosso clima o verão é yang, e nos países frios, é yin. O número par é yin, o impar é yang. O positivo, é yang assim como o ativo, ao passo que o passivo , negativo é yin – a saúde é yang e a doença yin.”

“Não há análise possível para o Yin e Yang, pois quando o yin atinge o ponto máximo, transforma-se em yang, e quando o yang atinge o ponto máximo, transforma-se em yin. O desenrolar dos fatos, mas não são jamais problemas isolados ou experiências especialmente preparadas que se observam, são os fatos da natureza e da vida – grandes ou pequenos e cotidianos, com todo o seu contexto?

Cada um os estuda com seu próprio julgamento, que ele próprio deve criticar, sem auxilio de ninguém ou instrumentos especiais. A autocrítica e a intercrítica fazem dos seguidores os instrutores uns dos outros, sob a orientação muito discreta do orientador-mestre.

Todas as maneira de ver são toleradas e confrontadas, para que cada um descubra seu erro e por fim, todos juntos, a verdade. È importante saber que a estabilidade é ilusória, que toda pesquisa unilateral termina no seu oposto. É esse o espírito da Macrobiótica; o seu paradoxo é que malgrado ela pode realizar a paz e a felicidade.

O símbolo que representa a Macrobiótica lustra na figura perfeita que nada é 100% yin ou 100% yang. São duas baleias acasalando-se, a fêmea (yin), em preto (yin) com o olho banco (yang) e o macho (yang), em branco (yang) com o olho em preto (yin).

ELIMINAÇÃO – São características de yin todas as eliminações a saber: Suor, lagrimas, sialorréia (excesso de saliva), disenteria, polaciúria ( micções frequentes), menstruação, caspa.

REFERÊNCIAS YIN YANG

Sexo                      Feminino                          Masculino

Tendência           Passiva                               Ativa

Dilatação            Contração

Posição física     Externa                              Interna

Estrutura             Espaço                               Tempo

Direção                Ascendente                       Descendente

Cores                   Violeta, azul, preto           Vermelho,Amarelo

Nuances              Escuro                                 Claro

Temperatura      Frio                                     Quente

Peso                     Leve                                     Pesado

Elemento            Água                                    Fogo

Partícula             Elétron                                Próton

Material             Potássio (K)                         Sódio (Na)

Biologia               Reino Vegetal                    R. Animal

Agricultura         Leguminosas                    Cereais

Estações              Inverno                              Verão

Gosto, Paladar   Ácido, picante                   Doce, Salgado

Vitaminas            C e B                                   K, D, A

Clima de Origem Calor úmido                   Frio seco

Atitude                 Negativa                           Positiva

Trabalho              Intelectual                        Físico

Trabalho              Cerebral                           Muscular

Vibrações             Ondas curtas                  Ondas longas

Intelectual            Ilógico                             Lógico

Nível ideológico Filosófico religioso         Dialético

Comprimento      Longo                               Curto

Higidez                 Doença                             Saúde

Lateralidade        Esquerda                         Direita

Cume                     Base

Extremidades       Ext. cefálica                    Ext. podálica

Discernimento      Falso                                Verdadeiro

Temporariedade   Efêmero                          Eterno

Estimulação           Deprimente                    Estimulante

Equilíbrio                Irritado                          Sereno

Astros                       Lua                                 Sol

 

COMO COMER, O QUE COMER – O ARROZ INTEGRAL

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– p.7 “O homem é aquilo que ele come”, esse aforisma é verdadeiro. (Aforismo – sentença moral breve e conceituosa). A filosofia macrobiótica olha o indivíduo como um todo, não separando o espírito da matéria. Os dois estão sempre ligados na profundidade interna dos alimentos, nutrindo ao mesmo tempo corpo e alma. Já foi dito anteriormente que o dinamismo yin-yang é o que tem valor nutritivo e não as calorias.

De todos os alimentos usados na face da terra o único produto equilibrado é o Arroz Integral pois o sódio e o potássio, dois elementos de primordial valor no metabolismo humano, que necessita de um de sódio e para cinco de potássio, são encontrados nesse produto.”

“Existem proporções definidas para todos os elementos figurados no sangue, urina, líquor cefalorraquidiano, etc, e, a não ser o arroz integral, todos os outros alimentos, em sua totalidade, são desequilibrados para mais (yangs) e para menos (yins), ao passo que no arroz integral, o sódio (yang) e o potássio (yin) apresentam–se no equilíbrio da proporção ideal.

Por isso, o arroz integral, nesse sistema filosófico, apresenta-se como o alimento básico e incontestável para se conseguir o equilíbrio. Mas, mais importante que o arroz integral é a mastigação, pois se não for triturado convenientemente, ou se for deglutido sem ser mastigado, o seu valor nutritivo tornar-se-á nulo, pois será eliminado da mesma maneira como foi ingerido.

MASTIGAÇÃO

É um processo mecânico, o mais simples na compreensão da macrobiótica, onde os alimentos são submetidos à dissociação das partículas, permitindo assim a unificação, lubrificação e distribuição dos constituintes salivares por toda a massa alimentar.

Não importa o que se coma, o importante é reduzir o produto da mastigação até chegar ao estado líquido ou semi – líquido. Buda dizia “comer os líquidos e beber os sólidos”. A técnica a seguir é usar a mastigação em movimento de maneira espiraliforme, tendo em vista que o auxilio da língua ajude a fazer circular a comida e misturá-la com a saliva. O ideal, a perfeição da mastigação, é que quando se deglute, não se sente o alimento passar pela garganta. Essa é a forma correta de Mastigar.

O Prof. Luiz Kervran de Paris, em sua obra – As Transformações Biológicas – transmite como se processa todo o trabalho da digestão, a respiração celular. A ciência clássica não aceita e nem reconhece todo esse trabalho, a não ser no nível eletrônico, ao passo que os estudos do Prof. Kervran vêm, dia a dia, aumentando os seus seguidores. É preciso reconhecer que a juventude de hoje não está aceitando mais os padrões tradicionais, exigindo mudança radical nos princípios por nós todos julgados como fundamentais, em todos os setores científicos, biológicos, morais e físicos.

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Para se ter uma ideia, transcreverei resumidamente as conclusões do Prof. Kervran sobre o assunto: “É preciso mastigar muitas vezes, conscientemente, até que o alimento se torne liquido. Muito sumariamente considerado, todo o trabalho da digestão e da respiração celular continua a decompor a glicose, nosso alimento e combustível fundamental, com o oxigênio como comburente, para dele tirar a energia. Esta última é transportada pelo trifosfato de adenosina (ATP) ou construída e estocada em glicogênio no fígado.

O ATP leva energia para onde ela é necessária. É uma molécula de proteína e de açúcar que arrasta consigo, como um pequeno trem, três moléculas de ácido fosfórico. É a última dessas moléculas que rompendo seu laço de oxigênio (yin) – fósforo (yang) libera a energia justamente chamada “ligação” que é uma outra denominação de expansão infinita.” O ATP, torna-se então um (difosfato de adenosina) descarregado, que vai retomar a energia , ao se unir novamente ao fósforo. Tudo isso se passas num meio orgânico (vivo) extremamente ativo.

Todos os elementos que conhecemos, neutros de ordinário, são assim ionizados, em permutação constante de sinal, decompostos e recompostos em elementos temporários, todo o trabalho é dividido, especializado ao extremo. As enzimas são muito numerosas, e agem como que uma grande empresa que é governado pelos sistemas nervoso e endócrino. É um trabalho que se faz sem ruído, sem violência, nem grandes dispêndios de energia.

Mas, mais importante que o arroz integral é a mastigação, pois se não for triturado convenientemente, ou se for deglutido sem ser mastigado, o seu valor nutritivo torna-se nulo, pois será eliminado da mesma maneira como foi ingerido. E mais importante que o arroz integral é a saliva. De inúmeras observações em alguns anos de experiência, chegamos à conclusão de que: sem saliva não há Macrobiótica (H.S).

A observação mais marcante foi a cura do Mal de Hansen (feita por George Oshawa): 18 leprosos procuraram a macrobiótica e 17 em pouco tempo estavam clínica e laboratorialmente curados. O 18º não conseguiu sua cura por não possuir saliva. No fim de três anos observamos que havia obtido a sua cura , pois o paciente, nesse espaço de tempo, havia seguido conscientemente o que lhe era ministrado, chegando a mastigar mais de duzentas vezes arroz integral cru, duas a três vezes por dia, antes das refeições, e usando os métodos científico-macrobióticos de excitação do simpático e paras-simpático (yin e yang).

Ao completar os três anos, tempo que Oshawa preconizou para a cura biológica, o paciente voltou para confirmar a sua cura, pois as glândulas salivares haviam voltado a secretar saliva. Esse doente não abandonou a macrobiótica, porque viu sua esposa e um cunhado, também leprosos, ficarem curados e creio que teria abandonado a macrobiótica se não fosse o exemplo dos familiares. Toda vez que se tem um caso renitente é preciso ter a paciência de esperar a cura biológica (3 anos).

ARROZ INTEGRAL

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Qual a diferença entre o arroz branco e o integral escuro?

O arroz branco, largamente consumido, não tem valor nutritivo e pode causar danos ao organismo. Na sua manipulação para uso, uma vez retirada a casca, sofre o processo de decorticação da película que é aproveitada para a engorda de porcos. Continuando o tratamento para torna-lo saboroso, usa-se um produto químico a base do glucoside, que é toxico, e para preservá-lo da umidade é envolvido em parafina e por último, para dar boa aparência antes de lançá-lo no mercado, dá-se o brilho com talco.

Sua composição e de amido, que só serve para enchimento, mas chega ao consumo agregado de glucoside, parafina e talco. O talco, dizem as cozinheiras, sai na lavagem, na água branca que se observa, e a parafina sai na fervura. Engano, a parafina só entra em fusão depois de mais de 120ºC e o talco fica incrustado na parafina. Existem trabalhos norte-americanos revelando distúrbios e lesões neurológicas em crianças, causadas pelo uso de arroz branco, brilhante.

O arroz integral tem em sua composição elementos necessários à vida, tais como: vitaminas (complexo B), sais minerais e proteínas. Sendo hipoprotéico, a macrobiótica acrescenta-lhe no momento de ser usado, pequena quantidade de gersal, que é uma mistura de gergelim (altamente proteico) mais sal.

Na antiguidade, os monges budistas reverenciavam o arroz como uma divindade. O macrobiótico deverá saber escolher o seu arroz, pois é grande a variedade desse cereal. O Dr. A. da Silva Mello deixou-nos farta literatura sobre suas pesquisas no campo da alimentação, num dos seus trabalhos, deixou descrita a sua participação num congresso levado a efeito no Ceilão, onde foram apresentados mais de mil tipos de arroz.

O arroz é classificado, assim como todos os cereais, em alimento principal, não devendo, a não ser em casos especiais, ser consumido de mistura com outros alimentos. Sendo o arroz o produto alimentar equilibrado nunca leva-lo a boca para mastigá-lo com outros alimentos e no seu cozimento não usar outro tempero senão o sal, que deverá ser adicionado somente quando iniciar a sua secagem depois de cozido. O arroz é rico em hidrato de carbono. Bem mastigado sente-se que ele se torna adocicado, pois sabe-se que seis moléculas de hidrato de carbono formam uma de açúcar.

SALIVA

P. 11 – Corpore no agunt nise soluta – Os corpos não se dissolvem sem água. Sem saliva não haverá macrobiótica (H.S). Os livros e trabalho de cientistas dão uma série de hipóteses e pesquisas para justificar a sede. Todas as teorias caem por terra em vista da nossa experiência na macrobiótica.

Frequentes goles de água são quase essenciais para oradores, para os quais, como um resultado da evaporação da boca durante um discursos, a suplência é insuficiente. No macrobiótico, quanto mais fala, mais saliva vem à boca.

Dá-se o nome de saliva à secreção proveniente das glândulas salivares, que por seus condutos, deságuam na boca, a qual tem uma importância capital no metabolismo animal. Essas glândulas são em grande número, mas, de valor anátomo – fisiológico, apenas três pares são objeto de atenção: as parótidas, as submaxilares e sublinguais.

A quantidade de secreção salivar varia de 500 a 1.000 cm3 em duas horas. A sua ação é umidificante e lubrificante. Cada par de glândulas secreta substâncias de composição especial. Compõe-se de água, sais, gases, substâncias orgânicas e materiais inorgânicos.

SAIS

Sódio e cloreto de potássio, bicarbonato de sódio, fosfato de sódio, ácido e alcalino, carbonato de cálcio, e succinato de potássio. SUBSTÂNCIAS ORGÂNICAS – Consistem de enzimas, muco-proteínas, ptialina, amilase, maltase, lisozima, e soro albumina globulina.

MATERIAIS INORGÂNICOS

São aqueles que são comuns aos líquidos do organismo, na mesma proporção daqueles que ocorrem ao plasma sanguíneo: ureia, ácido úrico, creatina e ácidos minerais.

GASES

Dióxido de carbono, oxigênio e nitrogênio. Todas as enzimas são de natureza proteica. A secreção de substâncias orgânicas pela saliva implica em vasta síntese proteica. A lisozima é uma substância orgânica de ação bactericida por exercer uma ação destruidora sobre os microrganismos como os estafilococos, estreptococos, meningococos e outros.

A mucina e fermentos são secretados pelas glândulas subaxilares e sublinguais . Conclui-se, pelo exposto, que deverá haver um isocronismo no funcionamento de todas as glândulas salivares para que a saliva apresente o complexo perfeito para uma ótima digestão bucal. Pela ação da saliva, o amido transmuta-se em maltose.

No inicio da macrobiótica os líquidos a serem ingeridos não deverão ultrapassar de 600 cc diariamente, estando afastada a ingestão de água, que é substituída pelos diversos chás. Os chás serão usado longe da alimentação, a não ser em casos especiais.

A lisozima é uma substância orgânica de ação bactericida por exercer uma ação destruidora sobre os microrganismos como os estafilococos, estreptococos, meningococos e outros. A mucina e fermentos são secretados pelas glândulas submaxilares e sublinguais. Conclui-se, pelo exposto, que deverá haver um isocronismo no funcionamento de todas as glândulas salivares para que a saliva apresente o complexo perfeito para uma ótima digestão bucal. P. 12

Pela ação da saliva, o amido transmuta-se em maltose.

No inicio da macrobiótica os líquidos a serem ingeridos não deverão ultrapassar de 600 calorias diariamente, estando afastada a ingestão de água,que é substituída pelos diversos chás. Os chás serão usados longe da alimentação, a não ser em casos especiais.

Os não macrobióticos ingerem líquidos sem controle, ao bel-prazer; depois de iniciada a dieta, o condicionamento psíquico leva o indivíduo a sofrer sede, que poderá ser mitigada com aumento de maior quantidade de chá, devendo ingeri-lo em pequenos goles, tendo antes bochechado ou gargarejado com água, sem imprudentemente engoli-la.

Eis a linha de conduta para aumentar a secreção salivar e reeducar o funcionamento das glândulas salivares:

a) mastigar arroz tostado com uma pitada de sal no momento de sede;

b) manter o caroço da ameixa umeboshi o maior tempo possível depois de degluti-la, e de eliminá–lo, partir e mastigar bem a amêndoa;

c) colocar na boca uma pedrinha de sal marinho;

d) mastigar os alimentos de 70 a 100 vezes cada bocado. Conta-se que na guerra dos Estados Unidos e Japão, os moradores americanos da Ilha de Bantan foram obrigados pelo comando japonês a fazer a celebre “Caminhada da Morte” que consistia caminhar em volta da ilha, passando por caminhos longe de qualquer ponto onde houvesse água. Sob o sol escaldante iam caindo e morrendo de desidratação homens, mulheres e crianças. Os que sobreviveram, foram aqueles que mastigavam pedacinhos de galhos de árvore que apanhavam pelo caminho.

FUNDAMENTOS DA ALIMENTAÇÃO SEGUNDO A MACROBIÓTICA

P. 13 – Os hábitos alimentares possuem raízes múltiplas e emaranhadas: sensoriais, emotivas, familiares, sociais, intelectuais, culturais etc. As necessidades energéticas do organismo são supridas pelo alimento que é consumido e eliminado. O excesso de peso adquirido, está na proporção do alimento que se consome, não havendo variações do consumo de energia. A perda de peso consiste na diminuição do valor energético do alimento assimilado.

O equilíbrio entre a ingestão de alimentos e a produção de energia é mantido pela regulação de ambos. Poucos indivíduos admitem a relação alimentação- saúde. Dependendo de uma alimentação correta, teremos um julgamento condicionado a expressão saúde.

Saúde é um estado positivo, experimentado-se uma felicidade, uma leveza, uma liberdade e um estado de paz interior. A alimentação é a chave para uma grande mudança, pois, pouco a pouco o corpo se restabelece, mudando o comportamento, o temperamento e consequência, o meio e toda a sociedade.

Ao ser procurado para iniciar a Macrobiótica, o orientador deverá ter um diálogo com o paciente para saber e aquilatar até onde vão os seus conhecimentos, no que se propõe fazer, assim como julgar, se psicologicamente está preparado, no sentido de compreender ser a Macrobiótica um sistema permanente e não temporário.

O jejum absoluto não interessa à Macrobiótica, senão como penitência a um deslize ou pecado contra o equilíbrio orgânico. Quanto maior for o pecado, maior deverá ser a penitência – A uma grande infração, castigar com jejum de um, dois ou três dias para eliminar os produtos ingeridos, assim como fazer com sua consciência, pois instala-se um complexo culposo, pela falta de força de vontade, que o levou à gula. Esse julgamento é feito pelo infrator e nunca pelo orientador que fica ignorando a falha, por falta de coragem do transgressor em confessar o delito.

Depois do jejum, comer a dieta de arroz por dias, de acordo com o deslize, passando após a uma dieta normal. A dieta macrobiótica é de grande simplicidade, mas chega a parecer complicada quando após certo tempo se impõe os conhecimentos básicos da Filosofia do Principio Único, a lei do yin – yang.

A alimentação macrobiótica, na sua essência, nada mais é que comer arroz, outro vegetal, uma verdura e dois ou três legumes, acrescidos de um produto animal (optativo) um dia por semana.

Essa é a alimentação normal. Para os casos de indivíduos enfermos, serão usados outros alimentos secundários (pois os cereais são os alimentos principais) aumentados com os específicos, que são os alimentos e medicamentos que para cada aparelho ou sistema orgânico tem o seu especifico.

O Dr. G. Ohsawa, em suas observações, chegou a conclusões de que, para nos alimentarmos convenientemente teríamos que seguir uma tabela que denominou de “as 10 maneiras de se conseguir o caminho da saúde “ e por conseguinte o equilíbrio e o que a humanidade procura sem encontrar: A FELICIDADE.

Mesmo sem compreender o Princípio Único, ou mesmo sem se interessar por essa filosofia , apenas observando e seguindo a tabela II-1, poder-se-á tornar-se macrobiótico, pois todos os alimentos são ordenados dentro do critério yin-yang. P 14

Tabela  II-1

Dietas             Cereais           Vegetais          Sopas   Carnes           Saladas     Sobre-mesa           Bebidas             (%)                        (%)                 (%)       (%)                 (%)                      (%)

7                      100                  –                      –           –                     –                      –                      0

6                        90                  10                    –                                  –                      –               Menos Possivel

5                        80                  20                    –           –                      –                      –                      Idem

4                        70                  20                    10        –                      –                      –                      Idem

3                      60                    30                    10        –                      –                      –                      Idem

2                      50                    30                    10        10                    –                      –                      Idem

1                      40                    30                    10        20                    –                      –                      Idem

-1                    30                    30                    10        20                    10                    –                      Idem

-2                    20                    30                    10        25                    10                    5                      Idem

-3                    10                    30                    10        30                    15                    5                      Idem

O regime 7 recomenda o uso de cereais classificado como Produtos Principais. E a Lina de conduta inicial, para os indivíduos que apresentam distúrbios orgânicos de origem metabólica. Os resultados, conforme o caso, serão surpreendentes. Classificam-se os alimentos como: Principais, Secundários, Específicos e Especiais.

Os alimentos principais são os que estão dentro da categoria dos cereais, a saber: arroz, trigo, trigo sarraceno (mourisco, cachá, sobá), centeio, cevada, cevadinha, aveia, milho e painço.

Os produtos principais deverão ser consumidos, utilizados, em todas as refeições, diariamente e sempre em primeiro lugar, isto é , antes dos alimentos secundários . São alimentos secundários os classificados como: algas marinhas (Nore-Wakame-Hiziki-Kombu e inúmeras outras) – verduras, legumes, leguminosas, queijo de soja (tofu).

CONDIÇÕES ESSENCIAIS DA SAÚDE

P.15 O Dr. George Ohsawa preconizou sete condições para aquilatar o estado de saúde. Antes de iniciar o regime macrobiótico, registrar se existe fadiga, cansaço, se o apetite é bom; se o sono é tranquilo, profundo, se tem boa memória, bom humor, se tem rapidez e dinamismo de raciocínio e de execução e finalmente , a ótima : natureza da justiça.

Acrescentamos mais duas a saber: a) Tem nictúria? Isto é, acorda durante o sono para urinar? B) A evacuação é normal? Diariamente? Dependendo de uma alimentação correta teremos um julgamento condicionado na expressão saúde.

Saúde, pois, é um estado positivo, experimentando-se uma leveza, uma liberdade e um estado de paz. Saúde traduz-se pela sensação maravilhosa de uma tranquilidade, a alegria interior. Quando se adota a macrobiótica como regime ou uma receita de saúde, sem que se compreenda sua filosofia (Principio Único), estar-se-á caminhando em sentido oposto.

1) Cansaço-fadiga – Não deverá apresentar-se num corpo saudável. Os resfriados constantes indicam que o organismos encontra-se desequilibrado para yin. A fadiga é um sinal positivo de que o organismo está em descontrole. Corrige-se com facilidade, praticando-se corretamente o sistema do rejuvenescimento e longevidade.

2) Bom apetite – A ojeriza pelo arroz, que é o alimento ideal, e o mais importante, indica estar o organismo altamente enfermo. Com o passar dos dias, essa sensação de desconforto desaparece e o prazer que substitui essa fase negativa dá lugar a um estado de euforia.

3) Sono tranquilo – Se em poucos minutos, depois de deitado, o sono não se instalar, é sinal de que sua mente está preocupada com problemas que não deverão acompanhá-lo ao leito. O sono agitado, pesadelos, falar durante o sono, significa que ele não é profundo e bom.

Ruy Gripp

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