Cafeicultura

Considerações Sobre Financiamentos a Custeios e Investimentos aos Agricultores

Considerando a necessidade e a importância de verba permanente e sem limitações para os tradicionais financiamentos de custeio das lavouras de café e investimentos na infraestrutura para a melhoria da qualidade do tipo e da bebida, como também da estocagem do produto em coco e beneficiado, na propriedade;

Considerando que nos últimos anos o Banco do Brasil, nesta região do Leste Mineiro, não tem contado com verba suficiente e disponível permanentemente para o financiamento das diversas atividades cafeeiras, a não ser pelo sistema de comercialização em futuro, na Bolsa de Mercadoria, que é altamente perigoso, dado as incertezas e oscilações do mercado, além de juros altos;

Considerando ainda, que até recentemente a venda a futuro somente se fazia com o tipo de bebida dura para melhor, mas que a maioria produz apenas a bebida rio, porque principalmente os pequenos produtores ainda não tiveram condições financeiras de investir em lavadores, secadores, despolpadores e tulhas, condições fundamentais para preparar produtos de alta qualidade de bebida, face os baixos preços do cafés nas últimas safras, aliado a escassez de financiamento;

Considerando a necessidade urgente da melhoria da bebida com o despolpamento ou com o cereja descascado, ou pelo menos com os atuais lavadores/separadores do boia, cereja e verde, processando a secagem nos atuais terreiros mistos, conjugando simultaneamente a energia solar, com secadores modernos o com fornalhas a carvão vegetal – para funcionamento permanente, dia e noite, mesmo com chuva para evitar fermentação no terreiro, assim conseguindo bebida de qualidade, exigência atual do mercado externo e interno;

Considerando que após a superprodução da safra 2002 com 48 milhões de sacas, quando a cotação do produto esteve muito abaixo do custo de produção e que teve frustração das safras seguintes (2003 e 2004) com pequena recuperação dos preços para os cafés bebida rio, face a aumento do custos dos insumos em geral; motivo porque muitos ainda não conseguiram liquidar seus custeios vencidos; e que aqueles que liquidaram em dia seus compromissos, estão sendo penalizados, não obtendo novos custeios por falta de verba para os financiamentos;

Considerando que a região sempre foi tradicionalmente cafeeira, tendo sua base econômica quase que exclusivamente no café, sem opções até o presente para outras atividades devido sua topografia excessivamente acidentada, mas com grande potencial de clima e solo para a produção de cafés finos de montanha, plenamente comprovado nestes últimos anos, mas processo exigente em tecnologia dependente de incentivos com financiamento.

(22/06/2004) Ruy Gripp

Posts Relacionados

Deixe uma resposta