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Café – A Importância Da Análise Foliar

No 23º Congresso Brasileiro de Pesquisas Cafeeiras, ocorrido em Manhuaçu entre 28 a 31/10/97, foram apresentados muitos trabalhos de grande interesse para nossa região cafeeira. Resultados de uma pesquisa com o título “Uso do DRIS na avaliação do estado nutricional do café arábica na região serrana do Estado do Espírito Santo” dos pesquisadores da EMCAPA, A.N. da Costa e L.C. Prezotti envolvendo municípios capixabas com características climáticas de altitude e precipitação bem semelhante à de nossa região do Caparaó nos trás boas informações práticas para o aperfeiçoamento das técnicas de adubação visando alta produtividade do café, permitindo corrigir deficiências de determinados nutrientes por pulverizações ou adubação no solo, em função da análise foliar. Vejamos:

Introdução

O Estado do Espirito Santo vem se destacando como o segundo maior produtor nacional de café, sendo esta cultura, a maior fonte de renda agrícola do Estado.

O cultivo do café arábica ocorre, muitas vezes em solos com baixa fertilidade natural, em que as recomendações de adubação são baseadas em tabelas elaboradas a partir de curvas de calibração realizadas para alguns nutrientes e, também, embasadas em experiências de campo de técnicos e produtores, destacando-se, desse modo, a necessidade da avaliação do equilíbrio entre nutrientes, de modo a otimizar, cada vez mais, o uso de adubos.

O equilíbrio entre nutrientes é crítico, principalmente, para os altos níveis de produção, e nesse contexto, o adubo é considerado o insumo que, isoladamente, mais contribui para o aumento da produtividade e qualidade do cafeeiro.

O uso da diagnose foliar vem se demonstrando bastante eficaz na avaliação do estado nutricional das culturas, por considerar as folhas como centro das atividades fisiológicas nas plantas; fato esse fundamental para a utilização da análise foliar como critério de diagnóstico, tomando -se a premissa de existir uma relação significativa entre o suprimento de nutrientes e seus teores na planta.

O Sistema Integrado de Diagnose e Recomendação (DRIS) foi desenvolvido originalmente com propósitos amplos de diagnosticar as causas primárias e secundárias que afetam a produtividade das culturas, e atualmente o DRIS está popularizando-se como método de avaliação do estado nutricional das plantas, e vem sendo ampliado com sucesso em várias culturas em que as normas de referência ou padrão nutricional têm sido publicadas para seringueira, soja, cana-de-açúcar, laranja, milho, cereja, café conilon e mamão.

folha-de-cafe-para-analise-foliarOs resultados preliminares da análise química para os teores dos nutrientes N, P, K, Ca, Mg, Fe, Zn, B e Cu nas folhas do cafeeiro coletadas no terceiro par de folha em ramos produtivos em 87 lavouras representativas da região produtora no Estado do Espirito Santo foram analisadas pelo Sistema Integrado de Diagnose e Recomendação (DRIS) identificando-se a influência das relações dos nutrientes na produtividade do cafeeiro.

Padrão de Referência para uso do DRIS (Sistema Integrado de Diagnose e Recomendação) na avaliação nutricional do café arábica: A importância do equilíbrio nutricional, durante todo o ciclo do cafeeiro é fundamental para a obtenção de alta produtividade e, para isso, cada nutriente deve estar disponível na solução do solo em quantidades e proporções adequadas.

A existência do nutriente no solo, mesmo que supostamente em quantidades disponíveis, não garante o suprimento às plantas, em razão da influência dos vários fatores no processo de absorção.

A diagnose foliar vem mostrando-se bastante útil na quantificação do estado nutricional das culturas e nas recomendações de adubação, em que, o teor do nutriente na planta é resultante da ação e interação dos fatores que afetam sua disponibilidade no solo e a absorção pela planta.

O sistema de diagnose e recomendação (DRIS) é um método de diagnose do estado nutricional de plantas que se baseia no cálculo de índices para cada nutriente, considerando sua relação com os demais, e comparando cada relação com as relações médias de uma população de referência.

A seleção da população de referência é de grande importância para o sucesso do DRIS, por considerar o equilíbrio nutricional com base em padrões de referência para a cultura.

O equilíbrio nutricional é por sua vez, particularmente, importante em altos níveis de produção, por ser o fator mais importante e critico na produtividade do cafeeiro.

Objetivando estabelecer o padrão de referência para o uso do DRIS no café arábica foram selecionadas 87 lavouras representativas da região produtora de café arábica no estado o Espirito Santo, para amostragem foliar e análise química para os teores dos nutrientes N, P, K, Ca, Mg, FE, Zn, B e Cu.

As lavouras com produtividade superiores a 30 sacas benef./ha foram consideradas de alta produtividade e, portanto denominadas de lavoura padrão para o cálculo da média desvio-padrão e coeficiente de variação (Padrão de Referência para Uso do DRIS).

Os resultados preliminares para os teores nutricionais e suas relações, dois a dois, são mostrados no Quadro I, de maneira resumida, sendo: Teor, Média, para os elementos nutricionais: N (nitrogênio)-3,0l; P (fósforo) – 0,14; K (potássio)- 1,89; Ca (cálcio)- 1,22; Mg (magnésio) – 0,35; Fe (ferro)- 331,9; Zn (zinco)- 18,8; Mn (manganês) – 267,45; B (boro)- 53,10; Cu (cobre) – 53,20; Relação entre os nutrientes: N/P = 22,16; N/K= 1,69; N/Ca = 2,54; N/Mg = 9,16; N/Zn = 0,21; N/B = 0,06; N/Cu = 0,15; P/K = 0,08; P/Ca = 0,12; p/Mg = 0,43; K/Ca = 1,62; K/Mg = 5,85; K/Zn = 0,13; Ca/Mg = 3,61; Ca/K = 9,04; Zn/B = 0,36;”

Os dados acima foram reproduzidos de “Trabalhos Apresentados – 23º Congresso Brasileiro de Pesquisas Cafeeiras”, pag. 190. Portanto hoje, para se obter alta produtividade nas lavouras de café além da analises do solo é necessário também analisar os nutrientes existentes na seiva das folhas, para suplementação adequada em pulverizações folheares ou adubação do solo, visando obter o teor necessário de cada elemento químico, levando em consideração também a relação e proporção ótima entre um e o outro adubo.

Kits em computador permitem ao técnico especializado analisar os resultados e fazer a recomendação para cada lavoura de cada propriedade, visando médias de produção elevadas, acima de 30 sacas por hectare.

Sempre somos questionados a informar o número de xícaras de café (cafezinho, xícaras de 60 ml obtidas por cada saca de café beneficiado).

Em artigos diversos em jornais e revistas encontramos esta relação, como também em palestras nos vários simpósios e congressos de café, analisando o resultado final obtido na cadeia final do consumo do café nas casas especializadas na venda do cafezinho, nos bares, etc.

Por ter consultado dezenas de livros e revistas que possuo sobre a cultura do café, somente encontrado a resposta para um nosso amigo cafeicultor que voltou a nos perguntar depois desta mesma consulta a cerca de 2 a 3 anos antes, resolvemos a fazer o calculo baseado nas informações de nossa esposa, e conferindo as informações na hora de fazer o café em nossa residência.

Pesamos e medimos por varias vezes, repetindo as medidas e pesadas, conferindo as anotações anteriores, verificando erros nas avaliações, e chegados às seguintes conclusões para o café feito em nossa casa, para a concentração de nosso café diário consumido em nossa residência, que acreditamos ser aproximadamente a média do obtido no Brasil, com pouca variação para mais ou para menos.

Chegamos a conclusão que cada quilo de pó de café corresponde a 40 litros de café. Um quilo de café em pó = 40 litros café pronto. Daí partimos para ver a correspondência do resultado em uma saca de 60 kg de café em grãos, antes de ser torrado. Sabemos que o rendimento de cada saca de café (60 kg) é de 48 kg do produto torrado.

Abaixo vamos dar os passos obtidos, para cada pessoa poder conferir em sua casa, tendo interesse em verificar os resultados naquele café que ele toma diariamente. Para isso temos saber a relação de cada medida.

Temos que ter uma balança, destas caseiras que toda família deve ter para conferir as receitas de bolo e doces feitas em casa. Como base saber que cada litro de água corresponde a 1 quilo e se diz que cada volume de um litro tem o volume de 1.000 ml (ml= 1 mililitro) e um quilo corresponde ao peso de 1.000 gramas.

Portanto, 1 ml de água = 1 grama de água. Outros líquidos possuem peso diferente para cada litro, dependendo da densidade de cada um. Assim, o mel já maduro, pesa em média 1.300 gramas por cada litro e o álcool apenas 800 gramas por cada volume de l litro.

A densidade de cada produto é seu peso por unidade de volume, geralmente expresso em gramas/ ml ou kg/litro ou toneladas/m3. Portanto, 1g/ml corresponde também a 1kg/litro ou 1 ton/m³.

Assim, verificamos que:

1) 1 saco de café beneficiado de 60 kg corresponde a 48 kg de café torrado:

2) 1 copo vazio pesou 100 gramas e com água foi 280 gramas, portando o copo usado teve o volume de 180 gramas ou 180 ml (280-100);

3) 1 xícara tipo media, pesou 160 gramas vazio e cheio de água pesou 330 gramas, com volume de (330 – 160) 170 ml;

4) Cada copo de 180 ml correspondeu a 3 xícaras tipo cafezinho e cada xícara tipo media de 170 ml. correspondeu a 2,5 xícaras tipo cafezinho; então cada xícara tipo cafezinho correspondeu em média a 60 ml. de volume, sendo (180 ¸3) = 60 ou (170 ¸2,5) = 56,66 ± 60. Sabemos que cada copo ou cada xícara que usamos tem medida diferente, daí a necessidade de conferir o seu volume na hora dos cálculos;

5) Gilda, minha esposa, mede 7 copos de água para cada 3 colheres bem cheia do pó de café; verificamos as 3 colheres de café = 30 gramas, portanto cada colher igual 10 gramas do pó usado (30 ¸3);

6) Com 30 gramas de pó o rendimento foi de 1,2 litros de café (7 x 170 =1,190) ou 400 ml por caca 10 gramas de pó (1 colher=10 gramas) ou cada quilo igual 40 litros de café pronto para tomar;

7) Conclusão 1 saco de café beneficiado = 48 kg de café torrado; 48 kg x 40 l= 1.920 litros de café ou aproximadamente 2.000 litros de café pronto;

8) Cada xícara tipo média corresponde ao volume de 3 xícaras tipo cafezinho, portanto o volume de 150¸ 3 = 50 ml;

9) 2.000.000 ¸50 = 40.000 xícaras por cada saca de café beneficiado de 60 kg ou 13.333 xícara tipo média de 150 ml.

Em Café no Brasil, vol. II de Rogério de Camargo e Adalberto de Queiroz Telles Jr, no capítulo Torração e Moagem, encontramos:

Quantidade de pó

P. 568 “Um bom café deve ser bem encorpado e rico, sem todavia atingir os limites dos exageros. Um bom café de sol, conhecido por café de terreiro, comum ano de descanso, costuma dar 80 xícaras por quilo de pó, enquanto que um café de sombra, c om um ano de descanso, costuma dar 140 xícaras.

Sabendo-se que uma xícara mede, termo médio, 60 cent. Cúbicos, concluímos que um quilo de pó, dando para 80 xícaras, corresponde a 4.800 cc., o que equivale a 1: 4,8 litros. Se considerarmos um café melhor com capacidade de oferecer um infuso à base de 100 xícaras por quilo, sabemos que esta quantidade dará 6 litros, e que sua relação é de 1: 6.

Sabemos, também, que uma xícara em tais condições, exige 10 gramas de pó, ou sejam, 14,2 por cento para a infusão. Segundo análises conhecidas, uma xícara em tais condições terá aproximadamente: cafeína: 0,12% e Óleo aromático: 0,05%.”.  P. 568/569

Valor nutritivo e calorias

P. 629 “Ora, com um quilo do produto industrializado, pode-se preparar de 4 a 7 litros de infusão, dependendo o total, naturalmente de diversos fatores, entre os quais, principalmente, a concentração do liquido e a origem do produto.

Para os nossos hábitos e pela matéria prima de que dispomos correntemente, costuma-se avaliar essa quantidade em um termo médio de 5 litros.

Deste modo, pode-se preparar, com um quilo de café industrializado, cerca de 100 xícaras das pequenas, uma vez que é de 60 cc a capacidade das habitualmente utilizadas no Brasil e que, por isso, contêm mais ou menos 50 cc de infusão.

Pelo padrão brasileiro, uma xícara das grandes para o café com leite, ou seja, a nossa conhecida média, oferece uma capacidade de 150 cc. Habitualmente, seus dois terços são cheios com leite, acrescidos de um quinto à metade de açúcar e, ainda, do volume aproximado da xícara pequena de infusão de café.

O valor calórico desta mistura alimentícia é aproximadamente de: infusão de café: 10 calorias; 100 g. de leite: 73 calorias; 30 g de açúcar: 116 calorias; total = 199 calorias.

Esse total representa cerca de 7 por cento da necessidade calórica diária, e que são ingeridas em consequência da associação com o café, porque, dificilmente, uma pessoa tomaria continuamente uma xícara de leite puro com açúcar.

Não se deve ser esquecido o valor para a nutrição que representam os sais minerais contidos no infuso de café. Não expressão nenhum valor calórico, mas são indispensáveis à vida humana, ainda que em doses mínimas.

Segundo os dados acima, uma xícara pequena de café contém cerca de 0,40 a 5,57 g de sais minerais, entre os quais predominam o potássio, o ferro, o magnésio e o cálcio.” P. 629/630 do livro citado.

Do exposto acima concluímos que com um quilo de café industrializado se obtém tanto as 100 xícaras pequenas do café simples de 50 cc, como 100 xícaras médias de café com leite, de 150 cc cada.

Sabemos que cada saca de café beneficiados de 60 kg rendem 48 kg de café torrado; portanto 48 kg x 100 xícaras = 4.800 xícaras de 50 cc ou 4.800 xícaras de café com leite. Se tomarmos como base:

a) um mínimo citado de 4 litros do infuso por quilo, temos: 48 x 80 xícaras = 3.840 xícaras;

b) o máximo de 7 litros de rendimento do infuso, temos 48 x 140 xícaras = 6.720 xícaras; a média de rendimento entre estes dois extremos será: (a + b) ¸2 ou (3.840 + 6.720) ¸ 2 = 10.560 ¸2 = 5.280 xícaras. Para facilitar a memorização, podemos arredondar para 5.000 xícaras por saca de café beneficiados de 60 kg que correspondem a 48 kg de café industrializado.

Conclusão

Contudo cada interessado pode facilmente calcular o rendimento em sua própria casa, de uma maneira fácil e rápida. Sabemos que o volume de cada litro corresponde a 20 xícaras de 50 cc (1.000 ¸50 = 20) (1 ml = 1 cc = 1 cm³).

O padrão de volume de nossas garrafas térmicas para café correspondem a 1 litros ou 20 xícaras de 50 cc. Na hora de fazer o café em sua residência, contando e pesando as colheres de pó usadas para cada litro de café, facilmente se obtém quantas gramas usou por litro de café, quantos litros por cada quilo de pó e quantas xícaras pelos 48 quilos de café torrado que representa também o rendimento por cada saca de café beneficiado de 60 kg.

Quem toma café muito ralo, fraquinho mesmo, talvez obtenha até mesmo 10.000 xícaras por saca. Mas guardemos na memória: média de 5.000 xícaras de 500 cc de café por saca beneficiada de 60 kg que também corresponde a 5.000 xícaras medias de café com leite de 150 cc cada. Cada média contém 3 xícaras pequenas, mas na mistura café com leite e açúcar, usa-se 1 xícara de 50 cc do infuso café.

Ruy Gripp

 

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