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Cafés Especiais – Produzidos Pelas Elites Empresariais (2006)

Os dicionários definem ELITE como sendo sinônimo de escol, fina-flor, nata, aristocracia. Elite representa o que há de melhor na sociedade ou num grupo. Minoria prestigiada ou dominante no grupo, constituída de indivíduos mais aptos e/ou mais poderosos.

NOVIDADES NA CAFEICULTURA: Produção por Elites Empresariais do país. Café parecido vinho. A revista Exame de 05-07-06 na p. 56/58 trouxe importante reportagem sobre novas tecnologias empregadas para obtenção de cafés especiais que resolvemos reproduzir, visando nossos cafeicultores tomarem conhecimento destes avanços extraordinários na qualidade desta preciosa e popular bebida.

São empresários brasileiros, de varias categorias, que estão contribuindo para elevar o consumo do café no mundo inteiro pela obtenção de novos sabores, frutos de pesquisas na cafeicultura por homens da Elite Empresarial do jornalismo, do setor bancário, da indústria, etc. Vejamos:

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“Negócios/Agricultura. É Café, mas parece vinho. Fazendeiros apostam em novos sistemas de plantio e tecnologia para transformar o café numa indústria tão lucrativa como a dos grandes vinhos franceses. Daniel Hessel Teich.

A Fazenda Sertãozinho, do presidente das Organizações Globo, Roberto Irineu Marinho, em Botelhos, no Sul de Minas Gerais, acumula alguns tesouros. A igreja da propriedade, dedicada a São Francisco, tem altar e teto do século a da região.

O haras de cavalos lusitanos – uma das paixões do empresário – é enfeitado com uma porta chinesa de carvalho de mais de 500 anos, comprada em um leilão da Sotheby’s. No entanto, é no cafezal plantado nas montanhas que circundam a fazenda que está a grande atração da Sertãozinho.

O sistemas de produção de café adotado na propriedade não é, em nada, parecido com o que se vê nas fazendas convencionais. Ali se produz o melhor café torrado e moído brasileiro, um modelo de produção que mistura tecnologia e novas técnicas de plantio. O café da Sertãozinho, batizado de Orfeu”, é resultado de uma visão de Marinho.

Ele decidiu cria-lo quando saboreava um vinho da região francesa de Bordeaux, a mesma dos renomados châteaux Latour, Mouton… O empresário queria um café tão especial que reproduzisse as qualidades do vinho Château Pichon…, uma bebida elegante, encorpada e de aroma floral. Conseguiu.

O caminho para que a visão do empresário se torna-se realidade exigiu investimentos de 10 milhões de reais e mudanças drásticas na maneira de produzir o café. Comandada por José Renato Gonçalves Dias, geneticista e homem de confiança de Marinho, a fazenda tem se empenhado continuamente em reformular a maneira como o café é plantado, colhido e processado – uma inovação em se tratando de uma cultura tão tradicional e conservadora.

Cada lote do produto é catalogado por variedade de planta., tamanho e coloração do grão, e teor de açúcar do fruto no momento da colheita. Em seu jipe, Dias costuma percorrer a plantação com um pequeno aparelho chamado refratômetro, em que consegue identificar de imediato e na própria planta o teor de açúcar dos frutos do café nos diferentes estágios de maturação.

Esse aparelho é muito usado nas plantações de cana, mas no café ninguém usa, afirma Dias. O índice de grãos defeituosos é praticamente zero, uma vez que o processo de seleção é manual. Além disso, a seleção por cor é feita em uma máquina através de um sistema foto-eletrônico – o grão passa por um facho de luz e os que estão fora do padrão são expelidos por um jato de ar.

Membro de uma família de produz café há sete gerações, Dias aplica na fazenda técnicas heterodoxas e experimentais. Uma delas é manter em produção cafeeiros plantados há mais de 50 anos.

O lote mais antigo da fazenda data de 1948, e se estivesse em uma fazenda comum já teria sido arrancado e substituído por novas plantas. “Preservar uma planta antiga dá trabalho, requer podas e cuidados que não valem a pena em fazendas que estão preocupadas com produção em grande escala”, diz ele. “No entanto, pela nossa experiência, percebemos que são esses cafeeiros que produzem os melhores cafés, como acontece com as parreiras e oliveiras”.

O segmento de cafés especiais, do qual o Orfeu e outras marcas como Spress e Astro fazem parte, é considerado hoje o mais promissor da cafeicultura. Segundo cálculos da Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), é produzido no país 1 milhão de sacas de cafés especiais, das quais 85% são destinadas à exportação.

A produção brasileira corresponde a aproximadamente um terço da produção mundial, o que a torna líder nesse tipo de produto. Mas o mais interessante é que existe muito espaço para o crescimento. Dos 200.000 cafeicultores do país, apenas 0,1% – ou seja, 200 – produz cafés mais refinados. E dos cerca de 15 milhões de sacas consumidas no país, apenas 150.000 são de cafés especiais.

“O consumo de café tradicional cresce num ritmo de 4% ao ano, e o de café nobres cresce 20%”, diz Nathan Herszkowicz, diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic). A diferença de faturamento também é gritante. Enquanto o quilo de um café tradicional custo 9 reais no supermercado, o especial pode atingir até 100 reais”.

“Um sinal do crescimento do setor de cafés especiais é o interesse que ele tem despertado em empresários e investidores com pouca afinidade com o setor cafeeiros. Um dos melhores cafés do país é produzido na cidade de Patrocínio, no cerrado mineiro, na fazenda DaTerra, pelo empresário Luiz Noberto Pascoal, da rede de serviços automotivos DPaschoal.

Pascoal começou a produzir seus cafés há cerca de dez anos e se tornou um dos principais fornecedores da prestigiada marca italiana Illy. No dia 3 de maio, a Gávea Investimentos, do ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, formalizou a compra de 35% das ações da Ipanema, a maior produtora de café especiais do Brasil., com faturamento anual de 25 milhões de dólares. Sediada em Alfenas, também no sul de Minas, a Ipanema é a única fornecedora brasileira para da Starbucks.

“A Gávea representa investidores internacionais interessados e a Ipanema foi escolhida justamente porque tem boa visibilidade no exterior como fornecedora da Starbucks”, diz Washington Luís Alves Rodrigues, presidente da empresa. Diferentemente da Sertãozinho – onde a produção, de 15.000 sacas, tem características quase artesanais -, a Ipanema é uma grande operação cafeeira, com produção anual média de 100.000 sacas, das quais 85.000 são exportadas.

O café é um marco na história do capitalismo brasileiro. Foi o grande produto de exportação do país no inicio do século passado e as riquezas acumuladas com seu cultivo lançaram as bases do crescimento industrial brasileiro.

No entanto, nas últimas décadas o país perdeu espaço para os outros produtores como a Colômbia, quando se levava em consideração a qualidade. O café brasileiro se tornou sinônimo de produto ruim e que servia apenas para fazer volume em misturas com cafés de outras procedências”, diz o presidente da BSCA, Alexandre Frossard Nogueira, cafeicultor na região de Franca, interior de São Paulo. Essa situação começou a mudar no início dos anos 90, quando a extinção do Instituto Brasileiro do Café (IBC) pelo governo Collor forçou as empresas a buscar seus clientes no exterior. Antes o IBC tinha o monopólio da compra e da exportação do café.

Os exportadores tiveram de procurar diferenciais de qualidade para conseguir se estabelecer em um mercado que já caminhava para o conceito de cafés especiais e de alta qualidade:, diz Nogueira.

Produzir cafés especiais significa agregar pelo menos 30% de valor ao preço internacional do produto. Em alguns casos, como o do café produzido pela fazenda de Roberto Irineu Marinho, o aumento pode chegar a 80%. No entanto, se o produto ganhar prêmios em concursos e for vendido em leilões, a margem multiplica-se exponencialmente – mesmo que em número limitado de sacas.

Foi o que aconteceu com as 12 sacas de café tipo Bourbon produzidas pela fazenda Santa Inês, no município de Carmo de Minas, no sul de Minas Gerais. O lote foi premiado no fim do ano passado no concurso Cup of Excellence, promovido pela BSCA, um dos mais prestigiados do país.

Como é de praxe, o lote foi a leilão e as sacas, cujo padrão de preço é da ordem de 200 dólares, saíram por 6.500 dólares cada uma. O lote foi arrematado pela canadense Caffe Artigiano e pela australiana Michels Espresso.

Uma saca ficou no Brasil, comprada pela Santo Grão, cafeteria de São Paulo, onde cada xícara do café nobre é vendida por 9 reais. “Ë o preço mais alto já pago por uma saca de café na história”, diz Nogueira, da BSCA. É por esse motivo que José Renato Dias, o criador do café Orfeu, aguarda ansiosamente o dia 20 de julho.

Nessa data será leiloado o lote de 20 sacas do bourbon da fazenda Sertãozinho premiado no Concurso de Cafés Naturais do Brasil – Late Harvest, também da BSCA. Aí, sim, ele poderá avaliar um café inspirado nos grandes vinhos franceses”. Da revista citada.

Neste texto reproduzido da revista Exame, sobre novidades na cafeicultura nacional, inclusive medindo o teor de açucares nos frutos do café para avaliar a época correta da colheita, como na cana, na laranja e outras frutas no Brasil, visando maior rendimento e melhor qualidade do produto, vemos que temos muito ainda a aprender no setor do café.

No livro Café no Brasil, vol. I e II de Rogério Camargo e Adalberto de Queiroz Telles Jr, editado em 1953, p. 464 encontramos: “Operação de despolpamento. A coisa mais fácil é descascar o café cereja antes da seca, retirando cerca de 40% da água que sai com a casca, diminuindo o tempo e gasto com secagem e melhorando o produto, pois uma mais rápida seca evita a fermentação e decomposição do produto, piorando a qualidade”.

Na p. 492 encontramos: “Dados e cálculos relativos à secagem – O café cereja, para efeitos dos cálculos de desidratação, foi sempre considerado com seu máximo de água a eliminar. Geralmente, ele contém 64% (casca e semente). Uma vez despolpado, o trabalho físico-mecânico para a sua desidratação se reduz à metade, uma vez que o seu peso de umidade fica reduzido à metade”. 

Portanto, precisamos investir no Cereja Descascado, visando diminuir o custo e o tempo de secagem do café, mas principalmente visando com esta operação obter melhor qualidade em tipo e bebida, produzindo um café de elite para as elites do Brasil e do mundo.

(26/07/2006) Ruy Gripp

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