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Cultivo do Abacate – Valores Nutritivos

Do livro “Frutas do Brasil” por Eurico Teixeira da Fonseca publicado em 1954 pelo Instituto Nacional do Livro, do Ministério da Educação e Cultura reproduzimos:

ABACATE

– (P.25) Fruta do abacateiro, planta nativa da América Tropical, posto lhe atribuam igualmente origem diversa, de 5 até 8 metros de altura, sempre verde, tronco não muito grosso, copa não muito irregular, com folhas semelhantes às do loureiro, flores pequenas, aparecendo às pontas de galhos, produzindo ao cabo do sexto ano e continuando a frutificar, ás vezes, além de meio século. Árvores há que dão mais de 800 frutos. Já o nome, de origem estrangeira, indica que não é indígena do Brasil.

Entretanto, De Candolle refere: “Encontrou-se a espécie nas florestas às margens dos rios e do mar, desde o México e Antilhas até a região do Amazonas”.

Paul Standley e Salvador Calderón dizem que se acredita originário do Norte da America do Sul. Pensa Huber que o abacateiro primitivamente indígena do México, era cultivado desde tempos imemoriais, tendo tal cultura invadido a América Central até o Perú, e só mais tarde o Brasil, parecendo-lhe duvidosa a afirmação de De Candolle, pois que em Suiranam essa planta era ainda recente no século XVII e Ph. Firmin acredita que os espanhóis para ali a tivessem levado.

Divorciando – se das informações comuns sobre a origem do abacateiro Barbosa Rodrigues refere que o chefe de divisão Luiz de Abreu Vieira e Silva trouxe de Caiena o abacateiro. Colin relata a melhor história dessa planta em seu folheto “Abacateiro – a melhor fruta dos trópicos para salada”.

É extraordinária a vida desse vegetal, pois tanto dá bons frutos em climas frios, como S. Paulo e Sul de Minas onde se registram geadas, como na baixa fluminense, como na baixada fluminense onde o clima é quente e nunca por ali houve notícia daquela precipitação atmosférica.

O abacate é semelhante a uma pêra grande, ás vezes, com um longo pescoço; outras vezes, quase esférico; é por uns considerado baga, por outro, uma drupa piriforme. Tem a casca verde ou roxa, mesmo madura.

Come-se a polpa amarelo esverdeada, ou verde clara, quase banca butirácea, mole, quando bem madura, desmanchando-se na boca à pressão da língua no véu palatino, como manteiga, donde aqueles nomes vulgares no México e mesmo nas Antilhas. É de sabor muito especial. Varia grandemente o modo de preparo para comer o abacate e para nós brasileiros, chega a ser de assombro saber como certos povos o comem.

Durante largo tempo, entretanto, após noticias espalhafatosas de que era fruta indigesta, diminuiu seu consumo, mas vindo as análises demonstrar o contrário e as boas qualidades do produto, voltou a ter insistente procura. Come-se ao natural, mas é bom lembrar que só se pode saborear quando bem maduro; verde, trava na garganta por causa do tanino que contém. Usa-se também com açúcar, em fatias; ou esmigalhado, reduzido a massa fluida. Neste caso, costuma-se juntar suco de limão ou kirch, licor ou kumel russo.

Ainda ao natural, come-se espalhado sobre pão ou torradas, pulverizando-se um pouco de sal à superfície, passando, assim, por manteiga vegetal. Clusius diz que se come com sal e banana assada, próprio para refeição. Ruyz e Pavón referem que o modo mais comum de comer abacate é adicionando-lhe algum sal; todavia é muito comum comer com mel e não é para menosprezar em salada.

Roig y Mesa diz que se come na sopa, em salada guacanole ou simplesmente em talhadas cobertas com sal ousem ele, acompanhando o alimento. Efetivamente, muitos fazem do abacate uma salada, como nós o fazemos com o pepino: sal, azeite, vinagre, cebola, tomate, pimenta-do-reino (parece que deve ser intragável): outros , apenas com sal e pimenta–do-reino.

O valor alimentício do abacate

O valor alimentício do abacate e sua ação inofensiva,quando maduro, estão demonstrados pelas análises. Análise da polpa, segundo Pecklt citado por Lourenço Granato revelou: Abacate: Fresco – Maduro: Umidade = 80.670; óleo gorduros= 8.5000 e 43.973; amido =1.877 e 9.710; glicose = 3.175 e 16.425; Subst. Albuminóides= 1.635 e 8.450; perseita cristalizada= 0.783 e 4.050; ácido málico = 0.040 e 232; ácido tártarico = 0.081 e 424; subst. Extrativa = 2.766 e 11.662; sais inorgânicos = 0.980 e 5.069 e azoto = 0.262 e 1.353.

Segundo Trabut, da Algéria, citada por L. Granato, revela: Água= 82%; proteína = 1,0%; substancia gordurosa= 10,0%;hidrato de carbono = 6,9%; cinzas =0,1%. O dr.Betancourt (S José da Costa Rica) achou que a polpa contém um óleo que encerra estearina, margarina, clorofila, ácido málico, glicose, amido, ácido acético e sais. Esse óleo é muito delicado, fino e verde, motivo porque a fruta é tida por oleaginosas, rescendendo a bergamota.

Valor alimentício: média – Calorias= 187, 94; relação nutritiva= 1,24; proteína = 84; gordura= 91; carboidratros= 93. Das analises se verifica que é uma fruta suculenta, com elevada porcentagem de água, e comparativamente a outras frutas o abacate tem realmente relativa quantidade de substâncias graxas. As análises de 28 diferentes qualidades feitas na Califórnia por E. Jaffa revelaram uma seriação de corpos gordurosos de 9,8% a 29,1%, com uma média de 20,1%”. A única fruta comparável ao abacate a este respeito é a azeitona”. Em alguns lugares a porcentagem de óleo (gordura) na polpa varia de 27 a 30.

Se o óleo da polpa do abacate pode substituir o de oliva, segundo Peckolt, e se a azeitona, com menor porcentagem de óleo, 28%, permite extração econômica, parece certo que o abacate, de melhor modo o pode permitir, não só por causa da maior porcentagem, como porque o abacate é de mais fácil extração.

O óleo de abacate poderia substituir muitos outros óleos alimentares que usamos. Esse óleo ao lado das vantagens que oferece para afecções do fígado, como cálculos biliares, etc., serve para sabão, sabonete, glicerina, lubrificação, etc. Da torta ainda se obtém um produto com proteína, que junto no chá, mate, leite, é um alimento reparador de grande proveito, servindo ainda para animais domésticos, vacas, aves, etc.

Em Notas Agrícolas, da Secretaria de Agricultura de S. Paulo, se diz: “Rico o abacate em matéria graxa, às vezes mais de 20%, é um alimento próprio para a estação fria. Contendo mais proteína do que o comum dos frutos e pequena quantidade de hidratos de carbono, é aplicável ao regime dietético dos diabéticos. Tem substâncias minerais em proporções muito equilibradas em relação às necessidades do organismo humano. Encerra vitaminas de A a E.

Com a adição de limão, junta-se a vitamina C. O valor alimentar reside em sua riqueza em matérias graxas (perseita), cuja presença lhe dá grande produção de caloria. É de fácil digestão em virtude da pequena quantidade de fibra. Pela pouca quantidade de açúcar e em vista da fácil solubilidade dos hidrocarbonados, é ótimo para diabéticos.”

“Bastante cultivados no Brasil, abandonado em alguns lugares à exclusiva ação da natureza, produz, contudo, grande quantidade de frutos, não constando que dele se faça exportação, apesar de aguentar 15 dias em frigoríficos, se tirados de vez e bem acondicionados.

No Brasil é abacate, puramente abacate. Se por qualquer modo se distingue um de outro, o é por fato espontâneo da mãe natureza. Temos o roxo, porque tem a casca roxa e das modificações que oferece quanto à forma, entre a quase esférica e a alongada com um comprido pescoço, não conhecemos termo vulgar para tão ótima fruta.

Sua classificação botânica é “Persea Persea (Ln) Cockerelli. Família das Lauráceas. Da página 25 a 31 do livro por Eurico Teixeira da Fonseca, do Ministério da Educação e Cultura.

abacateiro-cultivoAinda sobre o abacate, transcrevemos do livro Fruticultura, do Eng.Agr. Shizuto Maurayama da P. 152 no capitulo A Cultura do Abacateiro – Importância o seguinte: O abacateiro vem dia a dia adquirindo maior aceitação em várias regiões do mundo, graças ao interesse que os consumidores por ele demonstram à medida que tomam conhecimento das excepcionais qualidades alimentícias de seus frutos. Nos Estados Unidos da América, onde o abacate é uma das frutas mais apreciadas, sendo até considerada de luxo e, onde se baseia uma formidável indústria, não pode a sua cultura expandir-se por falta de condições ecológicas.

Cuba, Guatemala e Porto Rico, além de apresentarem bons mercados internos, exportam-no em escala sensível para os Estados Unidos, de modo a auferirem uma fonte apreciável de dólares. Outras nações, apesar de possuírem abacateiros em estado nativo ou subespontâneo, não souberam até hoje lançar mão desta riqueza agrícola. As variedades mexicanas (com folhas cheirando a anis), guatemaleses (com frutos de casca dura) e híbridas só muito recentemente, após 1925, foram introduzidas em nosso País

Botânica

– Propenoe (1924) foi o primeiro estudioso a reconhecer e agrupar racional, as diversas variedades, por várias caracteres em comum, considerando –as como raças. Assim estabeleceu três raças: 1- Raça mexicana – folhas com odor de anis; casca do fruto fina, raramente maior de 1 mm; maturação do fruto no verão. 2- Raça antilhana –– folhas sem odor de anis e de cor verde clara, frutos com casca de espessura média e que amadurecem no verão e outono. 3- Raça guatemalense –folhas também sem odor de anis, de cor verde escura; frutos com casca grossa e rugosa cujo amadurecimento se dá no inverno e primavera.

Descrição da planta

É um árvore de crescimento rápido, que alcança, geralmente, a altura de 8 a l2 metros. As plantas de pé franco são comumente maiores que as enxertadas. As folhas são persistentes, embora certas variedades elas caiam e as árvores se apresentam despidas por breve períodos, durante a estação de florescimento. Seu tamanho varia de 10 a 30 centímetros.

As flores são numerosíssimas, de tamanho pequeno, cerca de 1 cm. de diâmetro , de coloração verde amarelada, nascendo em racimos terminais. São completas, isto é, possuem cálice, corola, androceu e gineceu Apesar disso as flores do abacateiro se comportam com se fossem unissexuais. Apresentam o fenômeno chamado dicogamia protogínica. Isto significa que os órgãos femininos (pistilo) estão maduros ante que o masculino (androceu) esteja. É importante o conhecimento da biologia floral do abacateiro para que se obtenha uma produção boa no pomar.

Existem dois grupos de variedades que se comportam diferentemente. São eles chamados da A e B. As variedades do grupo A são aquelas que , no florescimento, todas as manhas, um grupo de flores se abre com o pistilo maduro, pronto pare receber o pólen. Cerca de meio dia, este grupo de flores se fecha, só se abrindo novamente à tarde do dia seguinte, agora porém , com os estames soltando pólen (masculinas). Por ocasião dessa segunda abertura, o pistilo se apresenta murcho, não tendo assim nenhuma função. Como todas as manhãs um novo grupo de flores se abre, teremos, diariamente , flores pela manha femininas e ouro grupo, a tarde, abertas pela segunda vez, porém , agora, masculinas.

As variedades que compreendem o grupo B abrem suas flores pela primeira vez à tarde (femininas). Fecham-se à tardinha voltando a abrir-se no estágio masculino na manhã do dia seguinte. Permanecem elas abertas até cerca do meio dia. Observa-se então que se plantarmos árvores isoladas do grupo A ou B, dificilmente poderá haver possibilidade para autopolinização. Daí a necessidade de, para garantir boa polinização das flores formar pomares com variedades pertencentes aos dois grupos. Assim, pela manha, as flores da variedade do grupo A receberão pólen das do grupo B. Pela tarde dar-se-á o contrário.

Os frutos são extremamente variáveis em tamanho, forma, cor outros caracteres. Há variedades da raça mexicana, cujos frutos não alcançam mais de 100 gramas,enquanto há outros das raças guatemalense e antilhanas que chegam atingir 1,5 quilos.

Quanto á forma eles podem ser redondos, ovais, piriformes e de pescoço; sua cor varia, podendo ser verde-amarelada, verde escura, castanha, roxo-avermelhada e roxo-escura.

A polpa, parte comestível, situada entre a casca e a semente, é de consistência de manteiga, de cor creme para amarelo – ovo e comumente esverdeada junto à casca. Contém ela uma percentagem de óleo que varia geralmente entre 5 a 35% .

Clima

As exigências climáticas do abacateiro diferem de acordo com as variedades: de um modo geral requerem elas um clima tropical ou subtropical, quente e úmido. Temperatura: Reunindo os abacateiro nas três raças existentes (mexicana, guatemallense e antilhana), podemos ver que cada uma delas possui exigências que estão de acordo com o clima de sua região de origem.

Assim, a raça mexicana, originária das altas montanhas do México, se adapta melhor às regiões elevadas com invernos mais frios. Compreende ela variedades de elevada resistência às geadas. A raça guatemalense é originária das montanhas da América Central e por isso exigem também invernos com baixas temperaturas, embora não seja tão resistente às geadas como as variedades da raça mexicana. A raça antilhana, originária que é das terras de baixa altitude da América Central é a mais sensível às baixas temperaturas. Na prática podemos comparar a resistência às geadas da raça mexicana à laranjeira, enquanto que a antilhana em a mesma sensibilidade que o limoeiro galego.

Nota

Assim reproduzimos dos dois autores: Eurico Teixeira da Fonseca (Frutas do Brasil) e Shizuto Murayama (Fruticultura) estas importantes informações práticas sobre esta importante fruta que precisa ser mais divulgada, mais produzida e mais consumida pelo povo brasileiro. Existe variedade que amadurece em janeiro/ fevereiro, outras em março/abril, etc e assim até novembro/dezembro. Podemos ter no sitio abacate para o ano todo. Comercialmente analisar o período que o comercio tem menos oferta e o preço é maior, melhor, mais vantajoso.

Ruy Gripp

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