alimentacao-rica-em-fibras-frutas-hortalicasArtigos de Livros

Dieta do Organismo Sábio – Mudanças Perigosas Na Alimentação

A D I E T A DO ORGANISMO SÁBIO . No livro “A Dieta para um pequeno Planeta” de Frances Moore Lappé, Ed. Ground, 1975, com a 1º Edição Brasileira em 1985 temos na contra capa:

“Por maiores que sejam os avanços da ciência, parece que a Humanidade não conseguiu impedir que se alastre pelo mundo um de seus maiores terrores: a FOME. A população mundial encontra-se atualmente ao redor dos 4 bilhões e 200 milhões de habitantes e no ano 2.000, estará ao redor dos 8 bilhões. Será que nosso pequeno planeta terá condições de produzir alimento capaz de saciar a fome de tantos indivíduos? Essa fome miserável que degrada o ser humano, já ronda nossa década: são milhares e milhares de pessoas morrendo de fome na Etiópia e em toda a África, na Ásia Central, nas Filipinas e, por que não assumimos, em nosso próprio país. As imagens da fome nos chegam via satélite, nas ruas , nos jornais. E, contudo, continuamos vivendo nossa vidinha, porque nos achamos simplesmente incapazes de mudar a situação vigente. Porém, Francés Moore Lappé nos prova que se há realmente alguém que pode mudar tal situação esse alguém somos nós, os habitantes do planeta Terra, cidadãos comuns, os consumidores neste nosso sistema econômico…. tomou conhecimento do modo pelo qual as verdadeiras potencias econômicas, as multinacionais, manipulam nosso consumismo, levando-nos cada vez mais em direção à miséria. A publicação do seu livro Dieta para um Pequeno Planeta teve tanta repercussão, que levou-a a publica outros e a estabelecer o Instituto for Food and Development Policy, juntamente com outras pessoas, um centro de pesquisas e educação em alimentação. Seu trabalho, que expõe as raízes da fome desnecessária e de como devemos agir para impedi-la, é extremamente sério e merecedor de toda a nossa atenção e aplauso.

Aos olhos do consumidor comum, preocupado com a crise econômica e com a manutenção da qualidade de sua alimentação, mas que não vê saída para o problema, Dieta para um Pequeno Planeta é um livro surpreendente e revelador, pois além de mostrar como somos diariamente manipulados por uma política econômica que visa apenas o lucro de alguns poucos, nos indica o caminho que devemos seguir, se quisermos realmente tomar nas mãos as rédeas de nossas vida.

bife-americano

UM SÍMBOLO e UM SINTOMA – p 30 – Quanto mais aprendo, mais percebo que esse tipo de alimento não é a causa da dependência, do desperdício e destruição de riquezas naturais. A “Religião do Grande Bife Americano” é, ao mesmo tempo, um símbolo e um sintoma da lógica subjacente de nosso sistema de produção – uma lógica autodestrutiva.

Nossa economia agrícola é alimentada por um imperativo cego de produção. Uma vez que os fazendeiros encontram-se espremidos entre a elevação dos custos de produção e a queda dos preços de suas colheitas, seus lucros por acre caem invariavelmente – em 1979, atingiram metade dos lucros obtidos em 1945 (ajustando-se os índices de inflação). Assim, apenas para manter o mesmo lucro, os fazendeiros precisam aumentar constantemente a produção – plantando mais acres e ganhando mais, sem olhar para as consequências ecológicas.

E precisam procurar constantemente novos mercados capazes de absorver sua produção crescente. Mas já que pessoas famintas, tanto nos Estados Unidos como no Terceiro Mundo, não têm dinheiro para comprar esses cereais, o que se pode fazer com eles?

Uma das respostas é utilizar cerca de 200 milhões de toneladas de cereais, derivados da soja e outros, para alimentar o gado. Outra, especialmente nos últimos dez anos, é exportar. Enquanto a grande maioria dos americanos acredita que nossas exportações “alimentam o mundo faminto”, dois terços de nossas exportações agrícolas realmente são utilizadas para alimentar gado. – e o mundo faminto não se pode dar o luxo de comer carne. O problema é que, dentro desse sistema que tomamos por correto, tudo isso parece lógico. Talvez esteja na hora de pararmos um pouco e perguntamos: quem está sendo prejudicado agora e o será no futuro? Nesse livro, procuro começar a responder tais questões.

A DIETA DO ORGANISMO SÁBIO -P.32 – Uma das boas novas deste livro é que aquilo que é bom para a Terra retorna a nós. Gradualmente os cientistas de todo mundo, ligados ao campo da saúde, recomendam um alimentação centrada nos vegetais. Relatam que seis entre dez fatores causadores de morte na América estão ligados a uma alimentação rica em gorduras e açucares e pobre em fibras, personificada na Religião do Grande Bife Americano (Ver Parte III, Capitulo 1).

Para mim, viver sob uma dieta para um pequeno planeta significa aumento da vitalidade física. E as centenas de cartas que tenho recebido atestam que minha experiência não é única.

ALÉM DA BATALHA PELA NUTRIÇÃO – P.39 Quando comecei a experimentar, verifiquei que toda minha atitude em relação à alimentação mudara. Eu e os alimentos vivemos até então, em guerra constante, a ponto de pesar cerca de 5 kg a mais do que realmente gostaria. Para manter a linha, tinha de contar calorias e sentia-me culpada por aquilo que não poderia comer. Mas, quando comecei a estudar nutrição, apreciando a incrível variedade de alimentos que anteriormente não conhecia e comendo mais alimentos não processados, parei de lutar. Deixei de me sentir culpada. Tinha apenas uma regra: se me sentisse faminta, comeria.; se não estivesse com fome, não o faria. Não demorei muito a tomar a decisão de deixar de comer baseada apenas em coisas externas a mim.

Minha alimentação foi mudando. Minha opinião sobre mim mesma também. Ao mesmo tempo, procurava aprender mais sobre “o mundo e seus problemas nutricionais”. Logo comecei a ler tudo o que pudesse encontrar sobre alimentação e fome. Alguma coisa me dizia que, pelo fato da nutrição ser tão fundamental para todos nós, se pudéssemos compreender as causas da fome, limparíamos o caminho para uma compreensão maior da economia e política, que domina e paralisa a tantos.

SEGUINDO MEU NARIZ – Li muito; tomei notas. Fiz cursos desde ciência do solo até agricultura tropical. E descobri um pequeno ninho de estudos ideal, na biblioteca agrícola, em Berkeley. Naqueles corredores ninguém me perturbava. Ninguém me perguntava o que estava estudando. Os bibliotecários eram amigáveis e prestativos.

Lá aprendi a “seguir o meu nariz” – uma pesquisa técnica que tem me servido muito nos últimos doze anos. Para mim esse tipo de pesquisa significa não ter um esquema predeterminado, não saber exatamente onde procurar. Ao invés disso, era sensível a toda e qualquer informação, que me levasse a outras questões.

Acima de tudo queria encontrar sozinha o porque de estarmos tão próximos dos limites da capacidade alimentadora da Terra. Queria encontrar por mim mesma as causas da fome. Queria achar quais eram as perguntas importantes que deveria fazer.Então, no fim de 1969, em minha base escondida na biblioteca, soube alguns fatos sobre a agricultura americana, que mudaram minha vida. Mudaram sobretudo a maneira pela qual estava formulando minhas questões.

Primeiro, como já contei no Capitulo I, aprendi que, nos Estados Unidos, mais da metade da colheita destina-se a alimentar gado e apenas uma fração mínima da mesma chega até nós sob forma de carne. Aprendi que a maioria dos americanos come duas vezes mais proteínas do que seus organismos podem utilizar. Finalmente, aprendi que, através da combinação de vegetais, pode-se criar proteínas da mesma “qualidade” daquela proteína animal. P. 41

Quando juntei todos os fatos, senti-me como o garotinho do conto de fadas, que gritava “O rei está sem roupa”. Nem podia acreditar no que estava lendo, pois era um insulto completo à sabedoria convencional. O mais importante de tudo é que vi que as perguntas feitas pelos experts, tomados por mim como guias, eram perguntas erradas.

As manchetes de jornais e os livros diziam-me que tínhamos atingido os limites da capacidade da Terra em nos alimentar. A fome é inevitável, diziam (e ainda dizem). Minha modesta pesquisa mostrou-me que, em meu próprio país, o sistema nutricional estava muito bem projetado para se livrar de uma abundância tremenda de cereais, criada por um implacável movimento em direção ao aumento da produção. Uma vez que as pessoas famintas do mundo inteiro não podem comprar esse cereal, ele serve para alimentar o gado, que fornece mais carne àquelas pessoas já bem alimentadas.

“De repente percebi que as perguntas sobre as raízes da fome desnecessária focavam-se não no simples limite físico do planeta, mas em forças políticas e econômicas, que determinam o que deve ser plantado e quem deve comer. Percebi que aquele foco único, existente na mente dos experts, sobre uma produção maior como solução para a fome mundial estava errado. Pode-se ter mais alimento e ainda continuar a existir fome.

Esta percepção, além de ser a força motriz que originou Dieta Para Um Pequeno Planeta, foi meu primeiro passo em direção à desmistificação dos experts – aqueles cientistas e acadêmicos credenciados, que respondiam a tudo por nós. Pensei que se pudesse expor os fatos sobre como a terra e os cereais são desperdiçados, através de sua fixação na produção de carne, poderia demonstrar que há alternativas deliciosas, poderia levar as pessoas a questionar as regras econômicas que criaram tais padrões irracionais de uso de nossas riquezas.

CONVIVENDO COM EXPERTS – P. 44 – Este foi o segundo estágio no crescimento da percepção que começou a se formar no inicio de meu trabalho. Lentamente percebi que aqueles indivíduos formados para dirigir instituições poderosas, que controlavam nosso sistema econômico, eram forçados a aceitar e trabalhar dentro do sistema gerador da fome desnecessária. Beneficiários de tais instruções, tornaram-se incapazes de olhar para além de suas fronteiras. Ao invés de prepara-los para encontrar soluções, seu treinamento impediu-os de formular questões, que pudessem de alguma forma leva-los às soluções. Aquelas supostas autoridades reunidas em Roma, em 1974, continuavam a promover a crença de que um aumento de produção resolveria o problema da fome. Mas eu sabia que se pode ser uma produção fantástica – e eu vivo no país de maior abundância de alimentos de toda a História – e ainda existir fome e desnutrição.

Alimentação Experimental da América – P. 135 – Comer a típica alimentação americana é participar da maior experiência sobre nutrição humana jamais realizada no mundo. E as cobaias não estão assim tão bem alimentadas! Apesar da grande porcentagem de nosso PNB gasta com cuidados médicos (maior que em qualquer outro país industrializado) e após notáveis progresso na medicina, a expectativa de vida de um homem americano de 40 anos, em 1980, era de aproximadamente seis anos mais do que em 1900.

Porque nossa riqueza e avanços científicos não fizeram mais por nossa saúde? Anualmente, as autoridades médicas acreditam que grande parte da resposta pode ser encontrada na nova alimentação americana – rica em gordura e açúcares e pobre em fibras – atualmente associada a 6 das 10 principais causas de morte no país.

As duas primeiras edições deste livro contêm inúmeras receitas que não incluem carne, exatamente como esta edição. Mas, em minha discussão sobre nutrição, dediquei-me ao debate sobre proteínas, porque queria demonstrar que não precisamos de tanta carne (e mesmo de nenhuma), para que nossos organismos tenham as proteínas necessárias. Agora, acho que cometi um engano, pois a mensagem de Dieta Para Um Pequeno Planeta não pode se restringir à carne. O seu básico é: como podemos escolher uma alimentação que possa ser sustentada pelos recursos naturais e que possa sustentar melhor nossos organismos? Para responder essa pergunta, tive de pesquisar outros alimentos.

Enquanto pesquisava uma mudança radical na alimentação americana, surpreendi-me com nosso elevado consumo de carne. Durante toda minha vida, vi o consumo de carne bovina dobrar e o de aves triplicar. O que não conseguia entender era o quanto toda nossa alimentação foi transformada. Nos “Dietary Goals for the United States”, de 1977, as autoridades sanitárias, resumindo todas as informações coletadas pela Comissão do Senado para Saúde e Nutrição, concluiu que os americanos estão ingerindo mais gorduras, açúcares e sal, mas menos fibras e muito mais calorias. Dezesseis comissões de especialistas da área da saúde, nacionais e internacionais, concordam que, atualmente, a cada uma dessas alterações está associado um alto risco de doenças. Muitas outras pessoas estão convencidas de que os aditivos e resíduos de pesticidas, que ingerimos, também trazem prejuízos à saúde.

“O mais surpreendente é que cada uma dessas alterações dietéticas, que ameaçam a saúde, é realmente um subproduto de outras duas subjacentes: mais alimentos de origem animal e mais alimentos processados. O termo “processado” significa simplesmente que entre o solo e nossas bocas algumas coisas são retiradas do alimento e outras são adicionadas – e nem sempre essas últimas são boas para nossa saúde. O problema não é o fato de os americanos adicionarem mais açúcar e sal às suas receitas ou de estarem cozinhando com mais gordura: o problema é que estão sendo adicionados para nós. Tudo o que temos de fazer é pegar na geladeira o bife bem gorduroso, produzido por cereais, e o pacote de batatas fritas no armário.

COMER O SEU PRÓPRIO RISCO – P. 137 Você já deve ter notado que, quando os cientistas falam de alimentação e doenças, tomam cuidado ao dizer que tal ou tal hábito alimentar afeta o “risco” de se contrair uma doença particular. Isso acontece porque é quase impossível provar que a alimentação causa uma certa doença. Por exemplo: não se pode provar que o ataque cardíaco sofrido por uma pessoa foi causado por pressão alta, que, por sua vez, foi pelo alto teor de sal da alimentação.

Os cientistas precisam confiar amplamente na “culpa por associação”. Comparando populações diferentes, podem observar que a alimentação está associada a alguns tipos de doenças. Mas comparar sociedades diferentes com tipos diferentes de alimentação é pouco convincente, uma vez que há sempre a possibilidade de diferenças genéticas entre as populações e também outros fatores ambientais desempenham papel importante. Assim, as melhores observações são aquelas feitas com uma única população, que altera, de alguma forma sua alimentação. Eis uma amostra de tal evidência: P. 138

1.- A alimentação tradicional japonesa contém pouca gordura animal e quase nenhum derivado do leite. Os japoneses que imigraram para os Estados Unidos e passaram a ingerir a típica alimentação americana, apresentam uma incidência dramaticamente alta de câncer do cólon e da mama.

2.- Durante a Primeira Guerra Mundial, os dinamarqueses foram forçados a reduzir em 30% sua ingestão de produtos de origem animal, pois o país encontrava-se bloqueado. Nesse mesmo período, a taxa de mortalidade do país reduziu-se em 30%, atingindo seu índice mais baixo em 20 anos. A experiência da Dinamarca não foi única: as populações de vários países europeus, durante a Segunda Guerra Mundial, foram forçados a ingerir menos gorduras, colesterol e calorias. E, durante esse período, nesses países, a taxa de ocorrência de doenças cardíacas reduziu-se.

3.- Em alguns países do Terceiro Mundo, uma pequena classe de pessoas adotou a nova alimentação americana nos últimos 20 anos. Atualmente, as doenças das coronárias ocorrem com frequência cada vez maior em alguns desses países: Siri Lanka, Coreia do Sul, Malásia e Filipinas, segundo relatório da Organização Mundial de Saúde.

Outra evidência provém de diferentes padrões de alimentação e doenças em populações, que são semelhantes em muitos aspectos. Por exemplo: um estudo realizado com 24.000 Adventistas do Sétimo Dia, domiciliados na Califórnia, mostrou que os adventistas não vegetarianos apresentam um risco de doenças cardíacas três vezes maior do que aqueles que ingeriam apenas alimentos vegetais.

Com seu livro fascinante, A Herança de Jack Sprat (Richard Marek, 1981), Patricia Hausman convenceu-me de que praticamente todas as autoridades sanitárias do mundo concordam ser a alimentação tipicamente americana uma alimentação de alto risco. O “debate” sobre os riscos associados a essa nova alimentação é perpetuado pela mídia e interesses investidos pelas indústrias de carne, derivados do leite e ovos, que gastam milhões de dólares tentando negar publicamente tais riscos, apesar da esmagadora evidência em contrário.

“OITO ALTERAÇÕES RADICAIS na ALIMENTAÇÃO dos AMERICANOS. P. 139 Discutirei cada mudança separadamente, mas, como sabiamente observou a nutricionista Dra. Joan Gussow, nosso organismo não experimenta tais mudanças isoladamente. Diz a Dra. Gussow que “Uma das dificuldades encontradas na maioria das investigações “cientificas” sobre o impacto da alimentação dietética, é que cada uma delas é estudada de maneira isolada, considerando que talvez, o maior perigo seja seu impacto cumulativo” Assim, vamos avaliar tudo.

MUDANÇA PERIGOSA nº 1: Proteína Animal ao Invés de Vegetal. Ao contrario do que pensava, a mudança dramática não é nosso consumo de proteínas. Na verdade, ele variou muito pouco nos últimos 65 anos, flutuando entre 88 e 104 gramas diárias por pessoas (aproximadamente duas vezes mais do que o nosso organismo pode utilizar). A mudança ocorreu na origem de nossa proteína. Há sessenta e cinco anos atrás, cerca de 40% das proteínas provinha dos cereais, do pão e outros vegetais. Atualmente, apenas 17% das proteínas que ingerimos são provenientes dessas fontes. Em seu lugar, os produtos os produtos de origem animal, que naquela época eram responsáveis por 59% das proteínas ingeridas, contribuem agora com dois terços.

O consumo de produtos de origem animal, nos Estados Unidos, começou a aumentar após a Segunda Guerra Mundial, sendo que o consumo de carne bovina praticamente dobrou e o consumo de aves triplicou no final da década de 70.

OS RISCOS – P. 140 – Não há qualquer consenso médico sobre os riscos de uma alimentação rica em proteínas ou, mais especificamente, rica em proteína animal. (Há um acordo geral sobre os riscos resultantes deste novo “empacotamento” de proteínas – mais gorduras e menos fibras. Mas tratarei desses riscos posteriormente.) Enquanto não surge esse consenso, há alguns sinas de alarme bastante intrigantes.

A Comissão do Senado assinala: “Varias pesquisas verificaram que as dietas, cujas proteínas são derivadas de fontes animais, elevam os níveis de colesterol do plasma sanguíneo numa proporção muito maior do que o fazem aquelas dietas, cujas proteínas são de origem vegetal. Outra linha de pesquisa demonstrou que, em quase todos os casos, dietas ricas em proteínas causam mais arteriosclerose do que aquelas pobres em proteínas” ( A arteriosclerose é o endurecimento das artérias causado por depósitos de gordura ao longo das paredes das mesmas)

Em algumas pesquisas, as dietas ricas em proteínas também estão associadas à osteoporose, um enfraquecimento do esqueleto. O resultado disso: dores, fraturas e até o colapso de parte da coluna vertebral. Devido ao fato de que, sob uma dieta rica em proteínas, o organismo elimina mais cálcio através da urina, esse tipo de alimentação pode promover a osteoporose. (Aparentemente, ingerir mais cálcio não resolve o problema.) Contudo, uma pesquisa recente verificou que a proteína da carne não contribui para o aumento da excreção de cálcio. Assim, há ainda muitos fatos relativos ao consumo de proteínas que não são completamente compreendidos.

alimentos-gordorusos

MUDANÇA PERIGOSA Nº 2: MAIS GORDURA. P.141 – Os americanos hoje ingerem 27% mais gordura do que seus avós, no inicio do século, e mais de um terço desse aumento ocorreu nos últimos dez anos. Como consequência, a contribuição das gorduras para a ingestão total de calorias aumentou de 32 para 42%, embora haja sinais de que essa média esta diminuindo.

OS RISCOS – Parece que os riscos residem na grande ingestão total de gorduras. Na grande ingestão de gorduras saturadas e de colesterol. As gorduras saturadas, encontrados nos alimentos de origem animal e em alguns de origem vegetal (especialmente óleo de coco e semente de palmeira) e o colesterol, encontrado nos alimentos de origem animal (especialmente nos ovos, alguns frutos do mar e alguns órgãos animais), geralmente aumentam o nível de colesterol do sangue. As gorduras saturadas elevam mais esse nível do que o próprio colesterol.

“Como explicou Patrícia Hausman, em A Herança de Jack Sorat, quanto mais alto o nível sanguíneo do colesterol, maior a taxa de depósitos de gorduras, que endurecem as artérias. Quanto maior o número desses depósitos, maior o risco de doenças cardíacas, derrames e outras complicações derivadas da arteriosclerose.Contudo, uma boa noticia: comer gorduras insaturadas (dos óleos de girassol, milho ou soja) realmente reduz os níveis sanguíneos do colesterol e, assim, essas gorduras ajudam a controlar a hipertensão. Portanto, recomenda-se que, ao mesmo tempo em que devemos reduzir a ingestão de gorduras, devemos substituir as de origem animal por aquelas de origem vegetal poli-insaturadas (exceto as do óleo de coco e de semente de palmeira).

alimentos-com-muito-acucar

MUDANÇA PERIGOSA Nº 3: MUITO AÇÚCAR. – p.144- Desde a virada do século, os americanos dobraram sua ingestão diária de açúcar. A partir de 1960, o aumento foi de 25%. Hoje cada indivíduo (homem, mulher ou criança) consome cerca de 150 g de açúcar diariamente.

OS RISCOS – Há dois problemas associados com o açúcar: o primeiro é o que ele nos causa, e o segundo é o que ele substitui. A ligação entre o açúcar e a cárie dentária já há muito tempo está bem estabelecida. Em praticamente todas as sociedades estudadas, há incidência de cárie dentária com o aumento da ingestão de açúcar. Metade da população dos Estados Unidos não tem dentes na boca ao atingir a idade de 55 anos.

O açúcar também nos recheia de calorias, mas não nos fornece nenhum outro tipo de nutriente ou fibras. Abarrotados com calorias do açúcar, inevitavelmente deixamos de ingerir outros alimentos ricos em diversos nutrientes, tais como pães, cereais, frutas e verduras. Infelizmente, o açúcar nos torna cada vez mais necessitados dos nutrientes desses alimentos. Por exemplo: o açúcar aumenta a necessidade orgânica de tiamina e talvez também de cromo mineral, segundo nos informam os estudos do Dr. Jean Mayer.

alimentos-com-muito-sal

MUDANÇA PERIGOSA N º 4 – MUITO SAL –P.145- Os americanos ingerem atualmente de 6 a 18 g de sal (cloreto de sódio) por dia – 10 a 30 vezes a necessidade humana média e três vezes o nível recomendado. Os Dietary Goals for the Unitede States recomendam que a ingestão de sal não ultrapasse uma colher de chá (5 gramas) diária (cerca de 2.000 mg de sódio). Uma vez que a exigência humana média é provavelmente um vigésimo do máximo recomendado (uma colher de chá), não há praticamente o perigo da insuficiência de sal, mesmo que nunca se acrescente sal a qualquer alimento.

 OS RISCOS –Os cientistas da área da saúde concordam amplamente que a alta ingestão de sal aumenta notavelmente o risco de hipertensão ou pressão alta. , e estimam que 40% dos velhos dos Estados Unidos são suscetíveis à hipertensão. A pressão alta aumenta o risco de ataques cardíacos e derrames cerebrais. Dietas ricas em sal também causam edema (retenção de água) em algumas pessoas.

ONDE ENCONTRAMOS O SAL EM NOSSA ALIMENTAÇÃO? – Novamente aqui o problema não se situa no aumento do consumo de sal pela adição do mesmo aos alimentos preparados em casa..O problema é que muitos americanos ingerem duas a três vezes a quantidade recomendada, sem ao menos ver um grãozinho de sal. Por exemplo: num jantar apenas, do Kentucky Fried Chicken, consome-se uma colher de chá de sal – quantidade recomendada para todo um dia.

Não só as refeições rápidas, já preparadas, contém elevada quantidade de sal; muitos alimentos processados também. Vinte e oito gramas de queijo suíço processado – menos do que se poderia colocar num sanduíche – contêm quase um quarto de colher de chá de sal. O queijo suíço natural contém um sexto. Um bife congelado contém quase uma colher de chá cheia: 20 vezes mais do que um hambúrguer sem sal. Dos cachorros-quentes lhe fornecerão meia colher de chá, como uma xícara de sopa de Campbell’s. P. 146

Quase todos os vegetais enlatados contêm grandes quantidades de sal. O milho fresco ou congelado, por exemplo, quase não contém sal mas uma xícara de milho enlatado apresenta 20% da quantidade recomendada de sal para todo um dia. Mesmo aqueles alimentos processados, que parecem doces, são realmente salgados. Um pedaço de bolo feito com misturas já preparadas contém tanto sal quanto um saquinho de batatas fritas de 42 g.

Outros alimentos ricos em sal são as carnes defumadas, tais como bacon, carne seca, carne enlatada e os picles, que os americanos adoram colocar sobre os hambúrgueres. Além do sal invisível nos alimentos processados, atualmente ingere-se cada vez mais lanches salgados. Em 1980, os americanos gastaram quase 4 bilhões de dólares em batatas fritas, amendoins, salgados de milho e pipoca.

MUDANÇA PERIGOSA Nº 5: POUCAS FIBRAS – P. 148. Até muito recentemente, muitas pessoas não sabiam que a ausência de fibras na dieta constitui um risco; muitas nem sequer sabiam o que é fibra. Os cientistas definem a fibra alimentar como sendo o esqueleto de celulose das células vegetais, que não é digerido pelas enzimas de nosso organismo.

A “revolução das fibras” é tão significativa quanto qualquer outra mudança na alimentação humana nos últimos 20.000 anos. A alimentação de nossos ancestrais continha 10 vezes mais fibras do que a dieta contemporânea. Nosso longo trato digestivo indubitavelmente evoluiu para que pudesse trabalhar com essa dieta rica em fibras. A revolução anti-fibra adquiriu sua forma mais extrema nos Estados Unidos, onde hoje 70% das calorias ingeridas provêm de alimentos com baixíssimo ou nenhum teor de fibras.

As fibras das frutas, cereais, leguminosas, sementes e outros vegetais diferem entre si e servem a diferentes funções benéficas ao organismo. Algumas, por exemplo diminuem o tempo de permanência dos alimentos no intestinos; outras promovem o crescimento de bactérias úteis na transformação de substâncias potencialmente prejudiciais à saúde. Assim, é importante ingerir uma boa variedade dessas fibras.

OS RISCOS – De todas as conexões doença-alimentação, a regra da fibra alimentar talvez seja a mais difícil de se cumprir, uma vez que o conteúdo de fibras de nossa dieta não apresenta qualquer efeito bioquímico direto, mas promove mudanças físicas e fisiológicas secundárias. Contudo, as dietas pobres em fibras estão implicadas na elevação do risco de câncer do intestino e de outras doenças intestinais. Segundo a Dra. Sharon Fleming, do Departamento de Ciências Nutricionais,da Universidade da Califórnia, em Berkely, “as fibras alimentares parecem atuar na redução do inicio e da incidência de diabete, doenças cardiovasculares, diverticulose, câncer do cólon e do reto, e hemorroidas”. Os cientistas acreditam que as fibras da alimentação estão mais fortemente associadas à redução dos níveis de colesterol sanguíneo do que a própria redução do consumo de gorduras. Outro problema associado à ausência de fibras é a velha constipação intestinal. 

alimentos-ricos-em-fibras

POR QUE HÁ TÃO POUCAS FIBRAS EM NOSSA ALIMENTAÇÃO? P.149: Os cereais integrais, verduras e leguminosas (ervilhas, feijões e lentilhas) são fontes de fibras. Mas atualmente estamos ingerindo menos alimentos ricos em fibras e mito mais alimentos de baixa quantidade das mesmas. Por exemplo: comemos menos da metade da farinha e cereais do que nossos avós, em 1910, e os produtos refinados, derivados de cereais, que ingerimos atualmente, são destituídos de fibras. Uma fatia de pão branco contem apenas um oitavo das fibras contidas numa fatia de pão feito com farinha de trigo integral. Desde 1930, reduzimos nosso consumo de frutas frescas para um terço. A quantidade de leguminosas de nossa alimentação reduziu-se também para um terço, desde seu pico de consumo nos anos 30. As verduras frescas constituem, dos alimentos ricos em fibras, os únicos vegetais cujo consumo não diminuiu.

Como a gordura, as verdadeiras razões da ausência de fibras na alimentação americana são o aumento no consumo de alimentos de origem animal (que ,para começar, não apresenta qualquer tipo de fibra vegetal) e o aumento do consumo de alimentos processados (cujas fibras foram removidas).

excesso-de-alcool-no-organismo

MUDANÇA PERIGOSA Nº 6: MUITO ÁLCOOL P. 149 – Desde a Lei Seca, os americanos estão bebendo mais álcool. Em 1975, beberam o equivalente a 10 litros de álcool puro por pessoa: 25% mais do que no período 1961-65. Obviamente esses dados são enganosos, pois , enquanto muitas pessoas bebem pouco ou nenhum álcool, outros ingerem muito mais do que a fatia que lhes coube na média assinalada acima. A bebida que apresentou o maior aumento de consumo foi o vinho, com cerca de 1855 milhões de litros vendido em 1979; em seguida vem a cerveja que passou de 82 milhões de barris vendidos em 1950 para 175 milhões de barris em 1979. (Cerca de 25% do cereal diretamente consumido nos estados Unidos são usados para o preparo de bebidas alcoólicas).

As bebidas alcoólicas nos oferecem poucos nutrientes, mas grande quantidade de calorias – 210 calorias por dia na alimentação de um adulto, em 1975. (Novamente aqui os dados são enganosos, uma vez que muitos americanos não ingerem bebidas alcoólicas, outros precisam ingerir, para que essa média seja obtida, 500 ou até 1.000 calorias por dia a partir das bebidas alcoólicas.)

OS RISCOS – O álcool leva o fígado à cirrose, a sexta causa líder de morte nos Estados Unidos. . Pode também causar defeitos congênitos e câncer da boca. Mais mortal ainda é o efeito do álcool nos acidentes de trânsito: metade de todos os acidentes de trânsito envolvem motoristas bêbados. Além disso, o álcool destrói – de maneira mais lenta as vidas de milhões de americanos a cada ano.

Apesar dos perigos, as vendas de bebidas alcoólicas ultrapassam os 45 bilhões de dólares por ano. A Anheuser Bush, que controla 26% do mercado de cerveja, gasta 120 milhões de dólares em propaganda e as indústrias de bebidas alcoólicas têm enorme poder político.

aditivos-corantes-alimentos

MUDANÇA PERIGOSA Nº 7: MAIS ADITIVOS, RESÍDUOS DE ANTIBIÓTICOS E PESTICIDAS –P.150 – Aditivos: segundo Letitia Brewster e Nchael Jacobson, “é impossível saber exatamente quantos quilos de corantes, flavorizantes e preservativos artificiais ingerimos anualmente”.

OS RISCOS – Cotina o debate sobre os riscos do uso de aditivos nos alimentos. O Centro de Ciência Aplicada ao Interesse Público, cofundado por Jacobson, passou dez anos estudando estes riscos. O primeiro livro de Jacobson , Eater’r Digest (Doubleday, 1972) é uma valiosa enciclopédia dos aditivos e seus riscos. Mas há centenas de aditivos comuns”, disse eu a Michel Jacobson, numa conversa telefônica recente. “O que você recomenda às pessoas?” Ele respondeu com uma lista de cinco aditivos a respeito dos quais acredita que haja evidência suficiente para causar preocupação. Eis sua sugestão: “Leia os rótulos e evite esses aditivos. Não é assim tão fácil. Se basicamente evitar os alimentos enlatados, estará evitando a maioria deles.

ANTIBIÓTICOS – O gado doméstico consome aproximadamente metade das 11 mil toneladas de antibióticos produzidos nos Estados Unidos a cada ano,uma produção que cresceu 400% nos últimos vinte anos. O gado ingere a maioria desses antibióticos através da alimentação, que contém doses baixas dos mesmos para garantir o crescimento e evitar as doenças. Os antibióticos mais comumente empregados são a penicilina e a tetraciclina.

A explosão do antibiótico é apenas mais um aspecto desse destruidor imperativo de produção. Uma vez que os produtores de aves, ao utilizarem os antibióticos, podem fazer com que suas aves ganham 12% em peso com a mesma quantidade de alimentos, sentem que não têm escolha, do ponto de vista econômico. Os antibióticos também reduzem a doença e a morte,problemas enormemente exacerbados pela produção em larga escala e de alta densidade, encorajada por nossa economia.

MUDANÇA PERIGOSA Nº 8: MUITAS CALORIAS. P. 155 – Não tenho aqui de apresentar evidências convincentes de uma das principais consequências da nova alimentação americana. Um estudo do governo confirma o que nossas balanças nos informam constantemente: no início da década de 70, o homem médio americano adulto apresentava um peso superior em cerca de 2,5 kg e a mulher cerca de 3 kg do que o mesmo padrão de indivíduos há 15 anos atrás. Vinte por cento de todos os americanos são considerados clinicamente portadores de um excesso de peso ou verdadeiramente obesos.

OS RISCOS: O excesso de peso pode agravar a hipertensão e as doenças cardíacas. (Uma redução de apenas 10% no peso pode reduzir significativamente a pressão sanguínea, conforme verificou uma pesquisa recente). Mas porque os americanos estão engordando?

Não estamos ingerindo mais calorias, mas estamos queimando uma quantidade menor das mesmas, devido à vida sedentária. Além disso, com nossa típica alimentação rica em gorduras e açúcares e pobre em fibras, pode-se ingerir uma enorme quantidade de calorias sem que se coma um volume muito grande de alimentos. Um grama de gordura encerra duas vezes mais calorias do que um grama de carboidratos. Isso significa que, em termos calóricos, um naco de manteiga ou duas mordidas num hambúrguer equivalem a uma xícara cheia de pipoca, uma fatia de pão, uma batata pequena, uma xícara de morangos ou um pé inteiro de alface.

Ingerir alimentos de origem vegetal e menos de origem animal permitiu não apenas eliminar os 4,5 kg extras de meu peso normal (objetivo nunca alcançado durante minha fase de regime crônico), como também manter o peso nos últimos dez anos. E essa experiência não é um caso isolado. Segundo o Journal of The American Diettic Association, “as pessoas que anteriormente eram omnívoras e tornaram-se vegetarianas na vida adulta, emagrecem mais do que engordam”. Esse periódico sugere também que o aumento da atividade física pode desempenhar um papel importante nesse processo. Isso aconteceu comigo. Mas, o mais importante disso tudo, é que livrei-me da constante preocupação com o peso, uma das piores pragas da vida americana.

A BOA NOVA –P. 156 A mensagem colateral deste capítulo – que muitas doenças estão relacionados com os alimentos que ingerimos – é a boa nova: podemos reduzir o índice de ocorrência de tais doenças, se controlarmos o que ingerimos. E é fácil. Não temos de devorar um livro de tabelas nem ir ao supermercado com uma calculadora de bolso, somando gramas de gorduras, sal e açúcar. Uma vez que as oito ameaças à nossa saúde derivam principalmente dos alimentos de origem animal e processados, para ter uma alimentação saudável é preciso apenas que sigamos alguns poucos passos: reduzir nosso consumo de alimentos de origem animal (limitando a 3 o número de ovos por semana e cortando os produtos derivados do leite integral), consumir mais produtos de origem vegetal integrais e usar óleos de soja, de semente de girassol, milho ou açafrão. Lembre-se de que as autoridades médicas recomendam hoje não é um novo estilo alimentar,que exige um conhecimento de doutor. O que recomendam é um padrão nutricional que sustente a vida humana por milhares de anos.

A lição é clara e simples: quanto mais deixamos a indústria de alimentos criar aquilo que ingerimos, mais estaremos expostos ao risco. Quanto mais controlarmos nossa alimentação, mais seremos capazes de reduzir tais riscos. Os americanos estão começando a modificar seus hábitos alimentares, em parte por razões de nutrição e saúde. Muitas pessoas já eliminaram o consumo de carne gordurosa, ovos e óleos e passaram a ingerir mais frutas e hortaliças.

alimentacao-rica-em-fibras-frutas-hortalicas

 Ruy Gripp – 15-04-2014

Posts Relacionados

Deixe uma resposta