Cafeicultura

Diversificação na Cafeicultura

Atualmente, com a superprodução do CAFÉ, o produto que tem um custo médio de produção acima de R$120,00 por saca beneficiada, esta sendo comercializado por preço médio entre R$80,00 a R$ 100,00/saca. Quanto maior a produção de uma propriedade maior o prejuízo, mais elevado o rendimento negativo, crescendo as dívidas. A quebradeira dos cafeicultores não será generalizada porque o Governo ouviu o justo clamor da classe. Houve movimento junto à Bancada Ruralista do Congresso Nacional e das Assembleias Legislativas Estaduais. As autoridades do setor atenderam as reivindicações. Está havendo a prorrogação dos contratos de financiamento agrícola junto ao Banco do Brasil, adiando os problemas da insolvência imediata para alguns anos à frente, se não houver reação positiva nas cotações com melhoria dos preços atuais.

Qual a solução para a problemática da crise internacional do café, com uma produção mundial media em torno de 110 milhões de sacas, para um consumo também médio em torno de 105 milhões, nestes últimos anos? Portanto, um excedente anual de cerca de 5 milhões e um excedente acumulado superior a 15 milhões de sacas. A cultura é perene e o produto não é perecível; conserva por cinco até 10 anos, facilmente, sendo estocados em armazéns apropriados. Assim, as grandes indústrias internacionais de torrefação e distribuição dos maiores países consumidores se abastecem, estocando o café adquirido no período de preços baixos, podendo manter as cotações em valores deprimidos e aviltantes por anos seguidos, com grandes prejuízos para os países produtores. A solução natural será o abandono parcial das lavouras e das infraestruturas de alto custo representados por terreiros, tulhas, despolpadores, secadores, veículos e maquinários em geral, agora sujeitos à depreciação e a danos consideráveis. O dilema para as regiões cafeeiras, geralmente montanhosas como da região do Caparaó, na divisas de MG/ES é penoso, aflitivo e merece estudo com rigoroso e profundo planejamento dos setores do Governo e das Universidades do país, para evitar outras crises semelhantes, em futuro próximo. Precisamos encontrar soluções bem planejadas, para uma correta diversificação dentro da realidade de nossa topografia muito acidentada, mas com ótimos solos, clima compatível para uma grande variedade de culturas permanentes e de hortigranjeiros, abundantes recursos de água para irrigação, boa situação geográfica em relação aos grandes centros consumidores e relativamente próximo dos excelentes portos de exportação, situados em Vitória –ES. Graças a Deus, nestes últimos três anos o Brasil está despertando para conquistar os mercados mundiais com variados potenciais de produtos agrícolas. A vaca louca despertou o Brasil para exportar carne e outros produtos que o país tem potencial extraordinário de produção, como frutas tropicais.

A solução natural para esta crise da cafeicultura, que nos parece mais lógica, menos traumática será:

 a) Abandonar as lavouras mais velhas, menos produtivas, situadas nas maiores inclinações. Procurar nestas áreas abandonadas não abandonar o solo às intempéries danosos da erosão. Plantar nestas áreas uma ou varias das dezenas de leguminosas protetoras da fertilidade do solo, fixadoras e incorporadoras do NITROGÊNIO do ar na terra;. Assim o terreno estará a cada dia mais enriquecido de matéria orgânica e húmus, no lugar de seu empobrecimento pelo danoso processo da erosão que desgasta o solo e polui as águas dos rios, formam as enchentes, transtornam nossas cidades com prejuízos incalculáveis, invadindo casas residenciais e lojas comerciais;

 b) Podar parte das lavouras de boa produtividade; conduzindo estas áreas podadas dentro da técnica, visando economizar gastos com adubações e tratos culturais, para depois colher um produto deficitário. A adubação dos cafeeiros podados é mínima, podendo e sendo recomendado ainda ser cultivados feijão e outras culturas consorciadas, no período de renovação e recuperação do cafeeiro. Assim, diminui parcial e temporariamente os excedentes das grandes produções que causaram a superprodução exagerada, responsável pelos baixos preços atuais. A oferta do café no Comércio será diminuída, contribuindo significativamente para normalizar as cotações.

c) Diversificação das regiões cafeeiras. Esta é uma questão básica, fundamental. Merece estudo profundo e com planejamento adequado. A cafeicultura em nossa região montanhosa da Zona da Mata de MG e ES está implantada em áreas muito inclinadas, de declividade muito acentuada. Maior percentagem, em pequenas propriedades exploradas familiarmente, na atual monocultura do café como única e exclusiva fonte da renda. Por serem montanhosa, e com pequenas áreas, não se pode pensar em culturas de cereais, por excelência mecanizáveis. A pecuária de leite e de corte somente é econômica nas maiores propriedades. A diversificação tecnicamente aconselhável será com produtos HORTIGRANJEIROS, (legumes, verduras e frutas), e o REFLORESTAMENTO com eucalipto e espécies de nativas que forem indicadas. Para todas estas atividades em substituição ao café, precisamos organizar o mercado comprador para escoar a produção. A organização de CEASAS em pontos estratégicos, num raio entre 30 a 50 km do agricultor é fundamental. No entorno da Serra do Caparaó, duas CEASAS são necessárias; a) uma em Espera Feliz, em Minas, ou Dores do Rio Preto, no E. Santo, ou Varre Sai-RJ, que atenderia os municípios destes três Estados; MG, ES e RJ; b) outra em Realeza, ou Manhuaçu, ou Manhumirim, ou Martins Soares, em Minas, ou em Pequiá, no E. Santo que atenderia os municípios de MG e ES na região norte do Parque Nacional do Caparaó.

Para o café, ao longo dos anos, foi montado uma vasta e eficiente rede de compradores, situados próximos dos produtores, que compra o produto e o transporta do imóvel até seu armazém, onde se realiza a estocagem, classificação, padronização e posterior expedição para as firmas de torrefação, no plano de consumo interno ou para os portos de exportação, visando o mercado internacional. Estrutura semelhante já existe para a produção de leite, atividade quase totalmente abandonada pela maioria das propriedades cafeeiras. Estrutura igualmente semelhante necessita ser organizada, visando outras produções em substituição parcial ao café e ao leite. O café naturalmente sempre será o carro chefe de nossa economia regional. Não podemos e nem devemos pensar em abandona-lo totalmente. Apenas precisamos complementa-lo numa sábia e planejada diversificação, para que a região não dependa exclusivamente de um único produto sujeito periodicamente a crises profundas, como a atual. Esta não foi a primeira e nem será a última. Está agravada pela superprodução mundial, com grande produção oriunda de países que somente recentemente começaram a produzir esta bebida nobre e popular, apreciada pelos povos mais cultos do mundo, consumido igualmente no palácio suntuoso do papa e na humilde choupana do pobre (afirmativa do sr. Álvaro Dias, afamado produtor e defensor do café, em Lajinha-MG, falecido recentemente). O preço do café esta baixo para o produtor mas continua o mesmo para o consumidor final. Quem naturalmente leva vantagem com a superprodução é o poderoso intermediário do segmento industrial das grandes torrefadoras internacionais e distribuidoras mundiais do produto.

Algumas soluções de mercado para novos produtos agrícolas estão surgindo. Em Guaçuí-ES, na 5º Feira, 13/12/2001 realizou-se importante reunião com técnicos especializados em fruticultura do E. Santo, com palestras para cerca de 300 agricultores do entorno do Caparaó, para apresentarem um programa de exploração de fruticultura e horticultura para a região, com mercado baseado numa grande indústria para processamento de polpa de frutas, visando o consumo interno e a exportação. Em Venda Nova –ES já funciona uma destas indústrias de polpa, inaugurada a cerca de três anos. A Aracruz Celulose está reativando o convênio com a COOCAFÉ da região de Lajinha-MG, para prosseguir num plano de financiamento do plantio de eucalipto. O teste inicial, perfeitamente vitorioso, foi executado no período de 1991 a 1994, quando foram implantados cerca de quatro mil hectares de eucaliptos, atualmente já em fase de colheita, visando a polpa de celulose. Segundo informações dos representantes da ARACRUZ na região, existe plano de expansão da área de plantio para outros municípios, inicialmente não contemplados na primeira etapa. A reativação das nossas ferrovias é ponto estratégico para o reflorestamento, pois segundo técnicos da CENIBRA, a distância máxima econômica para o transporte rodoviário do eucalipto para indústria de celulose esta na faixa de 150 km. Manhumirim está a 200 km da CENIBRA e a 300 km da ARACRUZ CELULOSE. A distância inviabiliza o lucro do agricultor. O custo do transporte por ferrovia é 50% do rodoviário, viabilizando a atividade florestal, maior vocação de toda região muito montanhosa..

CEASAS, INDÚSTRIAS DE POLPA PARA FRUTAS, REFLORESTAMENTO E REATIVAÇÃO DE NOSSAS FERROVIAS SÃO FUNDAMENTAIS PARA A DIVERSIFICAÇÃO DE NOSSA AGRICULTURA.

(15/12/2001) Ruy Gripp

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