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História do Dólar – Como Surgiu

Sabemos que o OURO representava o lastro, a base, o alicerce, o fundamento das reservas de riquezas, de dinheiro, de opulência, de esplendor, cada país. Lastro- Depósito em ouro que serve de garantia ao papel-moeda. Bem recente, o lastro em ouro foi substituído pelo Dólar, moeda americana que tornou popular no mundo inteiro. Em 23/04/2005 o jornal O Estado de São Paulo publicou interessante artigo do economista e articulista político, de nome reconhecido nacionalmente – Celso Ming – sobre o DÓLAR que resolvemos reproduzi-lo, pela curiosidade e importância histórica que representa, como abaixo transcrito:

“E assim foi criado o dólar” – Celso Ming. A leitora Tereza Cardoso Vianna pergunta se é verdade que o dólar nasceu na Europa e não nos Estados Unidos. Ela quer saber como tudo começou e qual a relação do dólar americano com o dólar europeu.

Dona Tereza deve ter ouvido a história certa. O dólar nasceu na Boêmia, hoje região da Republica Checa, no tempo em que era parte do Sacro Império Romano. Curiosamente, tem vínculos com a descoberta do rádio e com os primórdios da bomba atômica.

Em 1516, na aldeia de Jáchymov, na Boêmia, foi descoberta uma mina de prata. Foi quando o conde Schlick, proprietário daquele chão, deu um jeito de contornar as leis e tratou de cunhar moedas de prata a que chamou Grochen (“grosso”, em alemão).

Groschen foi nome de muitas moedas. A primeira foi o Pragen-groschen (groschen de Praga) emitida por Venceslau II, rei da Boêmia. Houve o Bauerngroschen, o Lowen-groschen, o Kaisergroschen, o Mariengroschen – a lista é enorme. Enfim, para distinguir um do outro, era preciso dar-lhes sobrenome. Logo, o groschen cunhado pelo conde Schlick passou a ser chamado Joachimsthalergroschen, ou grosso do Vale Joaquim. Esse vale é a região/ onde estão incrustradas a aldeia de Jáchymov e a mina de prata lá encontrada.

Repare no palavrão ”joachimsthalergroschen” e logo você será capaz de identificar o ovo do dólar, que é o ”thaler”, depois taler, metido bem no meio dele. Significado vale” ou procedente do vale.

É evidente que um nome tão comprido não era prático para uma moeda com ampla circulação. Tanto que o povo se encarregou de encurta-lo para ”taler”. Entre 1529 e 1545, foram colocadas em circulação cerca de 5 milhões desses talers de prata. Ás vésperas do século seguinte, já eram 12 milhões, conta o antropólogo Jack Weatherford, autor do livro A história do dinheiro (Negócio Editora).

Como continham prata de reconhecida qualidade, os talers tiveram curso generalizado. Cada país traduziu o nome como melhor convinha ao idioma. Italianos chamavam de tallero (pronuncia-se tálero); dinamarqueses e suecos, daler; holandeses, daaler; na Etiópia, talari; e na Escócia dollar – e estamos chegando lá.

Aqui entra uma pinimba histórica. Como havia milênios que os escoceses viviam às turras com os ingleses, que não admitiam outra moeda que não fosse a libra (pound) e sua família (shilling e penny, plural pence), a adoção do dollar pelos escoceses teve conotação de resistência às imposições dos vizinhos mais poderosos. A MOEDA ESCOCESA CONTESTADORA FOI USADA COMO MARCA DE INDEPENDÊNCIA.

E houve a Revolução Americana. Em 1792, dezenove anos depois da Festa do Chá (destruição de carregamentos ingleses de chá), o rompimento do cordão umbilical das colônias ingleses, o Congresso dos Estados Unidos criou a Casa da Moeda, com prerrogativa de emitir o dólar americano, cuja o valor intrínseco era 371 ¼ grãos de prata pura (o grão equivale a 0,0648 gramas).

Como tudo precisava marcar independência, a moeda americana não poderia mesmo lembrar qualquer unidade inglesa. Dessa maneira o dollar contestador dos escoceses veio a calhar.

Mas, antes, em 1776, a moeda de maior circulação nas colônias inglesas da América era o pillar dollar, cunhado na Espanha. Esse pillar eram duas barras paralelas que simbolizavam as Colunas de Hércules (rochedos do lado espanhol do Estreito de Gibraltar).

Mais um pormenor: o dólar cunhado nos Estados Unidos passou a ser conhecido como silver dollar (dólar de prata), os mesmos que apareciam nos filmes de faroeste e que tanto tiroteio provocou por aquelas bandas.

Faltou explicar por que a relação com o dólar e a bomba atômica. É que a descobridora do rádio, Marie Curei, foi buscar amostras do metal na mina de prata de Jáchymov. E foi lá, também, que os nazista foram buscar urânio para seu projeto de construção de uma bomba atômica. Mas não tiveram tempo para isso por que os russos tomaram a mina. E foi lá também, que eles abasteceram de urânio para tocar seu próprio programa nuclear”.

Nota  – Transcrito da coluna de Celso Ming, do jornal “O Estado de São Paulo” de 23/04/05, visando dar oportunidade aos leitores desta coluna conhecer o histórico da origem do Dólar.

(05/09.2005) Ruy Gripp

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