adubacao-das-aguas-para-producao-de-planctonPiscicultura

Adubação das Águas para Produção de Plâncton

Nos livros de Fernando Kubitza “Qualidade da Água no cultivo de peixes e camarões” P. 152 e “A Tilápia” P. 64 encontramos um quadro explicativo da Quantidade de fertilizantes necessária para aplicar 20 kg de N (nitrogênio) e 2 kg de P (fósforo) por hectare.

Recomenda que se aplique uma formula contendo a relação de N : P = 10 : 1 na quantidade de 2 kg de N e 200 g. de fósforo por dia para cada hectare de lamina d’água. O adubo inorgânico ou químico deve ser aplicado semanalmente ou de 15 em quinze dias.

Exemplo: todo sábado ou em cada 2ª feira; se o plano for quinzenal, aplicar todo dia 1º e 15 de cada mês. Depois de 15 dias normalmente o adubo já foi consumido, necessitando de nova aplicação.

Das varias formulas apresentadas, a mais viável de encontrar em nossa região, como exemplo que fornece 20 kg de N e 2 kg de P, temos: 45 kg de ureia, que contem 20 kg de N (nitrogênio) e 24 kg de Super simples que fornece 2 kg de P (fósforo). A ureia tem 45% de N e o super fosfato de cálcio contem 8,4 % P.

Esta mistura corresponde a dois sacos de ureia para cada saco de super fosfato ou 2 partes de ureia para cada parte do super simples. Acontece que 45 + 24 = 69 ou aproximando 70 kg da mistura para fornecer 20 kg de nitrogênio (N) e 2 Kg de fósforo (P).

Se adotarmos um plano de adubação química semanal num dia certo para cada semana, chegamos a conclusão de aplicar por hectare (10.000 m2) 50 kg da mistura de 2 sacos de ureia com 1 sacos de super fosfato simples; corresponde a cinco quilos semanais para cada 1.000 m2 de lamina d’água ou 500 gramas para cada viveiro de peixe de 100 m2 (10 x 10 m).

Assim também, 200 m2= 2 x 500 g = 1 kg; 300 m2 = 3 x 500 g = 1,5 kg; 400 m2 (20 x 20 metros= 4 x 500 g= 2 kg da formula composta de 2 sacos de ureia para cada saco de super simples nome do super fosfato de cálcio, um dos adubos químicos mais importante existente.

Contém em sua composição 8,4 % de fósforo ou 20% de P205; 10% de enxofre (S); além de cálcio (40% de gesso que é o sulfato de cálcio), e vários outros elementos menores como Manganês, Boro, Iodo, Cobre, e Zinco, provenientes das impurezas contidas nos fosfatos naturais tratados com acido sulfúrico.

Como aplicar o adubo químico? Colocar a quantidade para cada viveiro em uma garrafa de plástico de 2 litros, arrolhada, mas com alguns furos na lateral do fundo para penetrar a água e dissolver e espalhar lentamente os fertilizantes na superfície da água. O plástico com o adubo flutua.

Com um arame ou barbante amarrado no gargalho da garrafa prender em um ponto fixo na margem do viveiro, visando retirá-lo semanalmente e reabastecer novamente com a mesma dosagem do adubo.

O cordel deve ser bem comprido para permitir as ondas distribuir o fertilizante que irá dissolver na água que penetra na garrafa, saindo lentamente pelos pequenos furos feitos no plástico.

O adubo químico lançado diretamente na superfície da água tende a ir para o fundo, se fixar no lodo, reagindo com os detritos e se tornar insolúvel, não proporcionando as funções desejadas de abastecer o plâncton – fitoplâncton e zooplâncton – produzidos na água pela foto síntese da energia solar, gerando e fornecendo oxigênio (02) ao sistema aquático e sintetizando os alimentos representados pelas algas e outros vegetais unicelulares, base primordial da alimentação do zooplâncton e dos peixes.

É necessário semanalmente monitorar a profundidade da área limite da transparência e turbidez (área sombria, escura, turva, embaçado), mantendo-a na média de 40 cm (30 a 50 cm). Para esta medição importante usa-se o disco de Secchi, aparelho simples e eficaz fácil de ser construído e manejado por qualquer pessoa.

A transparência da água estando acima de 50 cm representa falta de adubo corretamente aplicado; Transparência menor que 30 cm representa perigo dos peixes morrerem, afogado na água por excesso de matéria orgânica e deficiência de O2 (oxigênio) . Transparência apenas com 20 cm representa grande risco de baixo oxigênio; transparência com 30 cm indica necessidade de suspender a adubação e diminuir a alimentação.

O disco de Secchi, necessário em cada piscicultura, se constrói com um prato de ágate ou esmaltado que normalmente é branco, dividido em quatro setores iguais e opostos, cruzando duas linhas perpendiculares passando pelo seu centro. Dois quartos opostos devem permanecer da cor branca e as outras dois pintadas de preta. O disco assim colorido de preto e branco é então pregado pelo seu centro na extremidade de uma haste de madeira (cabo de vassoura).

Esta haste ou suporte, também pintado de preto e branco a cada cinco centímetros funciona como uma régua, para medição da profundidade ou altura limite da área transparente com a turva ou escura que queremos conhecer.

Usa introduzindo o aparelho que tem o nome de seu idealizador “Secchi” no corpo da água em sentido vertical, anotamos a transparência dada em centimetros. Na área transparente é onde se processa o fenômeno da geração, formação e , multiplicação das algas que necessitam dos elementos químicos dissolvidos na água em proporções ideais para maior produtividade.

Assim foi verificado que a relação de 10 parte de Nitrogênio para 1 parte de Fósforo : 10 N : 1 P corresponde a melhor e maior produtividade dos alimentos para os peixes nos viveiros de piscicultura de água doce, conforme o professor Fernando Kubitza relata em seus livros.

Naturalmente já tendo sido corrigido a acidez da água para pH = 7 a 8, procurando manter em torno pH 7,5 com aplicação do calcário.

Este pode ser lançado bem espalhado antes de encher o açude ou viveiro ou em qualquer época que verificar a necessidade, estando abaixo de 7, também facilmente medido com tiras do papel de tornassol, com a mudança de tonalidade das cores para cada pH. Sem estas praticas e correções não se consegue produtividade e rentabilidade na piscicultura.

Ruy Gripp – 30-10-2010

Posts Relacionados

Anúncios

Deixe uma resposta