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Ano 2000 visto de 1965

Fritz Baade em seu livro “A Corrida para o Ano 2.000” publicado em 1965, fez previsões importantes do que seria o mundo daí a 35 anos. Sempre baseados em fatos científicos. Afirmou que a população estaria entre 6 a 6,5 bilhões de habitantes naquela época cuja população era de 3 bilhões citando que a terra poderia produzir de 15 a 19 bilhões de toneladas de grãos, alimento suficiente para 30 a 38 bilhões de seres humanos, tomando como base o consumo de 1 tonelada para alimentar 2 habitantes / ano = 500 quilos per capta.

Seus argumentos, baseados na lógica das pesquisas e de produtividades plenamente comprovadas, revelando o grande aumento da produção de grãos com o incipiente emprego de fertilizantes químicos e do recente início da mecanização do solo, na exploração agrícola, que naquela época somente eram aplicados em poucos países mais evoluídos do mundo, mas que atestavam a possibilidade de multiplicar os rendimentos das colheitas por 3 a 5 vezes em cada área cultivada.

Assim, considerando a disponibilidade de áreas já exploradas no cultivo da agricultura e pecuária, somando com a estimativa das potencialmente aptas para o cultivo, ainda em florestas ou campos incultos e inexplorados em cada pais, em todos os continentes, estimou o potencial de produção de alimentos para o ano 2.000.

Fritz Baade afirmou, todavia, que em muitos países, milhares de pessoas ainda iam continuar morrendo de fome no ano 2.000, não por falta do mundo poder produzir os alimentos, mas pela pobreza daqueles países, que por excesso de população, não tinham condições econômicas ou financeiras de produzir ou adquirir os alimentos suficientes para a sua população. Previu que os países pobres, superpovoados e atrasados culturalmente iriam sempre ter problema para superar

Vejamos na página 49: “Sobre uma superfície arável de 4 bilhões de hectares, usando técnicas adequadas de lavoura, sementes escolhidas, irrigação e controle climático, será possível obter a produção e 3 ou 4 toneladas por hectare. Talvez esse cálculo possa ser considerado como demasiado cauteloso. O rendimento de trigo, em algumas regiões da Europa atinge a mais de 3 toneladas por hectare.

O Japão produz 5 toneladas de arroz por hectare, a Itália 5, sendo que alguns cultivadores da Itália Meridional atingiram a média de 8 toneladas por hectare. Os agricultores da zona de milho dos Estados Unidos (cornbelt) obtêm facilmente 3,5 toneladas por hectare. Agricultores adiantados atingiram a média de 6 a 8 toneladas e já se registraram colheitas de 12 toneladas por hectare.

A irrigação combinada com o uso de fertilizantes pode permitir, em certos climas mais de uma colheita de arroz por ano. Na China já se produz uma média de colheita e meia anual, sendo o alvo do planejamento agrícola duas colheitas por ano. Assim, uma estimativa de 3 a 4 toneladas por hectare para o conjunto da agricultura mundial parece ser bastante modesta. 5 toneladas por hectare refletiriam as possibilidades futuras mais acuradamente.

Para as pradarias tomemos uma produção de 1,5 toneladas por hectare, embora existam campos onde a amenidade do clima, combinada com irrigação e adubagem elevam a colheita a 3 toneladas de forragem por hectare. Por outro lado, existem regiões pobres e áridas, dentro das quais está uma boa parte dos 2 bilhões de hectares acima mencionados.

Contentemos-nos, pois, com a média de 1,5 toneladas por hectare. Resumamos: a superfície arável de 4 bilhões de hectares produzirá de 12 a 16 bilhões de toneladas de grão, às quais deveremos acrescentar os 2 bilhões de hectares de pastagens com rendimento de 1,5 toneladas por hectare, isto é, 3 bilhões de toneladas o que nos dará um total geral de 12 a 19 bilhões de toneladas.

Quantas pessoas poderemos nutrir com uma tonelada de cereais? A resposta será muito diferente, conforme os povos. Os indianos se consideram felizes quando dispõe de 0,25 toneladas anuais per capta, incluindo o grão necessário para a semeadura. assim, podem nutrir-se quanto pessoas com um tonelada de grão, embora próximos da fome, com dieta adequada , com excesso de carboidratos e alta de proteínas.

Na Republica Federal Alemã o consumo é de 0,3 toneladas per capta. Nos Estados Unidos sobre a 0,8 toneladas, o que reflete o desperdício que se verifica na alimentação de galinhas, porcos e até de bovinos, com cereais. O gado vacum consome dez calorias vegetais para produzir uma caloria para a alimentação humana. Galinhas e porcos consomem apenas cinco. Não é desejável, nem provável, que um tal desperdício se faça em escala mundial. A dieta proteica, que protege contra moléstias e assegura a nutrição correta, deve ser melhorada. Para isso deve ser aumentada a produção de leite e explorada a imensa riqueza dos mares. p. 50.

Ruy Gripp

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