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Cultivo da Macaúba – Do Plantio a Produção

A  CULTURA  DA  MACAÚBA – Implantação e manejo – Eng° Agrônomo Sergio Yoshimitsu Motike  e Outros.

macaúba

A partir daí, diversos estudos foram realizados nas áreas de fisiologia, propagação, nutrição mineral, adubação, colheita, pós-colheita, pragas e doenças. Nesta obra, os autores apresentam as primeiras recomendações técnicas com base nesses estudos para o cultivo racional da macaúba.

INTRODUÇÃO

A macaúba (Acrocomia aculeata) é uma palmeira ocorrente nas savanas (cerrados) e florestas abertas da América Tropical. No Brasil, é considerada uma das palmeiras de maior dispersão, sendo encontrada em praticamente todas as regiões do país. Possui varias denominações populares, que variam de acordo com a região de distribuição da espécie, como: mbocayá (Argentina), totai (Bolívia), corozo (Colômbia , Venezuela); tamaco (Colômbia); coyol (Costa Rica, Honduras, Mexico); rosse (Haiti): bocaiúva, chiclete-de-baiano, coco-baboso, coco-de-catarro, coco de espinho, macacaúba, macaíba, macaibeira, macajuba, macaúba, macaúva, macaia, macaja e mucajaba (Brasil).

Esta palmeira se destaca pela sua rusticidade e produtividade, constituindo–se numa promissora fonte de óleo vegetal para a indústria de combustíveis, cosmética, e alimentícia. Além do óleo, o processamento dos frutos da macaúba gera co-produtos de grande valor agregado. Os farelos da polpa (mesocarpo) e da amêndoa (semente) podem ser utilizados na indústria alimentícia humana e animal, e o endocarpo pode ser empregado na fabricação de carvão vegetal.

Outra vantagem do cultivo desta espécie é a possibilidade de utilizá-la em serviços ambientais. Dentre esses se configuram a recuperação de pastagens degradadas, plantios consorciados e sistemas agrossilvipastoris, proporcionando uma atividade com sustentabilidade econômica e ambiental. Além disso, considerando a sua tolerância à seca e a baixas temperaturas, a macaúba é uma espécie de grande potencial para o cultivo em regiões onde o clima é muito frio e seco para o cultivo do dendê (Elaeis guineensis Jacq).

Apresentação

A macaúba é uma palmeira oleaginosa originária da America Tropical e abundantemente encontrada em quatro ecossistemas brasileiros: Cerrado, Mata Atlântica, Floresta Amazônica e Pantanal. Com longa história de exploração extrativista no país, o valor econômico desta palmeira é representado pela sua grande produtividade e pelas amplas possibilidades de aproveitamento de seu fruto, que pode derivar diferentes produtos, como azeites, tortas e carvão vegetal.

Considerada grande produtora de azeite de qualidade, a macaúba é uma das espécies mais promissoras para produção de biodiesel na atualidade. Seu plantio racional teve inicio em 2009, com o desenvolvimento de tecnologia para a quebra da dormência de suas sementes pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), o que possibilitou a produção de mudas em grande escala, considerada até então o gargalo para o desenvolvimento de plantios organizados dessa palmeira.

Atualmente a macaúba é explorada de forma extrativista, aproveitando os seus povoamentos nativos. Entretanto, para viabilizar a exploração industrial é necessária a substituição da atividade extrativista por cultivos racionais e sustentáveis. Em Minas Gerais, existe legislação especifica para alavancar esta cadeia produtiva: Lei n. 19485, que institui a política estadual de incentivo à pesquisa, ao cultivo, à industrialização e à comercialização da macaúba – PRÓ-MACAÚBA (MINAS GERAIS, 2011).

Embora macaúba tenha grande potencial produtivo e sua utilização econômica de forma extrativa seja uma atividade consolidada, esta palmeira não é ainda explorada racionalmente devido a pouca informação disponível sobre o seu cultivo. Assim, a proposta desta publicação é reunir informações técnicas geradas nos últimos anos pela pesquisa brasileira, de forma a nortear agentes de extensão e agricultores quanto ao plantio e manejo desta cultura, bem como auxiliar agentes públicos e privados na tomada de decisão quanto ao investimento na exploração racional da macaúba.

ASPECTOS ECOLÓGICOS 

P. 10 – Populações naturais de macaúba ocorrem naturalmente em áreas de vegetação aberta com alta incidência solar e solo de textura média. Contudo, sua ampla distribuição no continente sul americano denota sua elevada adaptabilidade a condições edafo-climáticas diversas.

CLIMA

A macaúba é nativa de regiões com temperaturas médias anuais variando de 16,5 °C a 29 °C, podendo ser encontrada tanto em áreas de clima tropical úmido, com a floresta amazônica quanto em regiões onde há marcada sazonalidade na precipitação pluviométrica, por exemplo no cerrado e na transição do cerrado-caatinga.

No Brasil, maciços naturais de macaúba ocorrem desde o Pará até o Estado do Paraná, principalmente nas áreas de cerrado e em ambientes de floresta sub-caducifólia . Atualmente, esses maciços são mais expressivos nos Estados de Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Onde predominam condições climáticas características do bioma Cerrado.

No Estado de Minas Gerais, as maiores concentrações naturais de macaúba estão localizadas em três grandes regiões: Alto Paranaíba, Centro e Norte. Contudo, maciços da espécie também ocorrem na Região Sul, Zona da Mata e no Triângulo Mineiro. No passado, ela era também abundante em São Paulo, mas as populações naturais foram sistematicamente substituídas pelas áreas de lavoura.

As informações sobre as características climáticas das áreas de ocorrência natural da macaúba indicam que esta espécie pode ser cultivada em praticamente todas as regiões do Brasil, sendo possível predizer as condições adequadas para se cultivo racional. Precipitações entre 1.000 mm/ano e 1.500 mm/ano são ideais para o bom desenvolvimento da macaúba.

Em precipitações inferiores a 1.000 mm/ano recomenda-se a prática de irrigação nos meses de estiagem, principalmente em fase inicial de plantio no campo, quando as plantas ainda não possuem sistema radicular capaz de buscar água em profundidade. Outra pratica recomendada nessas regiões é a utilização de gel, que é colocado na cova durante o plantio das mudas. O gel é um polímero que retém água. Agindo assim como uma reserva de água para as plantas, o que possibilita o aumento do intervalo entre irrigações. P. 11

Existe condições desta cultura ser introduzida e implantada em nossa região de Minas Gerais, nas imediações de Realeza no cruzamento das Rodovias BR-262 com BR-116. Ponto ideal para uma grande indústria de óleo desta oleaginosa que se pretende desenvolver no Brasil, visando o Biodiesel e principalmente o Bioquerosene própria para a aviação.

SOLO

A macaúba está presente nos mais diversos biomas brasileiros, o que demonstra sua ampla capacidade de adaptação a diferentes tipos de solo. Sua ocorrência natural esta associada principalmente a solos eutróficos, de textura media a argilosa, com pH médio de 5,5 e saturação das bases de 60%. No entanto, pode ser encontrada também em solos arenosos e com baixa fertilidade natural. De modo geral, observa-se que a macaúba esta associada às áreas de pastagens degradadas, evidenciando a capacidade da planta em resistir à condições adversas.

Para que a planta atinja seu potencial produtivo, na escolha da área para plantio, deve-se dar preferência a solos de textura média a argilosa. Evitar solos pedregosos, com impedimentos físicos e sujeitos a encharcamento. Uma vez que as plantas possuem um sistema radicular profundo, devem-se evitar solos rasos, sendo necessário profundidade mínima de 1 metro. O plantio da macaúba em solos arenosos requer cuidados quanto a manutenção da umidade do solo durante os meses de estiagem, principalmente na fase de formação do plantio.

EXIGÊNCIA NUTRICIONAL

(P.12) Apesar da macaúba ser conhecida pela sua rusticidade e estar presente em áreas de pastagens degradadas, sabe-se que as plantas localizadas em áreas de solo com maior fertilidade apresentam produtividade. Assim, para que a planta expresse seu máximo potencial produtivo é fundamental o conhecimento de suas exigências nutricionais.

A lentidão das palmáceas na resposta à adubação é bem conhecida, porém isso não é sinônimo de baixa exigência nutricional. Em cultivos comerciais de dendê e coqueiro, observa-se que uma adubação subestimada, ou um déficit hídrico acentuado, apresenta reflexo na produção do segundo ano após a ocorrência do estresse. Isso evidencia que tais plantas apresentam uma resposta lenta, porém, são altamente sensíveis quanto a exigência nutricional. Em macaúba, observou-se que plantas subnutridas mostram retardo na idade fisiológica, tanto em condições de viveiro quanto de campo, e seguem a mesma tendência das palmáceas cultivadas (dendê e coqueiro).

Quanto a produção de mudas de macaúba, observa-se que a resposta da planta a adubação é lenta e só começa a ser percebida a partir do sexto mês de idade. Porém, após esta fase, as plantas com maiores doses de nutrientes se destacam, apresentando maior precocidade na emissão das folhas definitivas e melhores características agronômicas (produção de matéria seca de folhas e raízes, altura, número de folhas, diâmetro do coleto, etc).

Em nível de campo, nota-se comportamento similar a partir do segundo ano de plantio. Outro ponto a ser considerado é que a macaúba é muito responsiva à adubação orgânica. Esta resposta se dá em razão da melhoria da qualidade físico-quimica do solo (retenção de água, aumento da capacidade de troca catiônica e redução da densidade).

Observa-se que são plantas tolerantes à acidez do solo; no entanto, para obterem plantios produtivos é necessário proceder a praticas de correção da acidez do solo. A aplicação de calcário e, ou, gesso promove a neutralização do alumínio eleva o pH do solo, proporcionando aumento nos teores de cálcio e magnésio do solo disponíveis para as plantas.

Adubação

Quanto a recomendação de adubação, é preciso observar duas ferramentas básicas: conhecimento do solo e da planta em questão. No que se refere ao solo, e necessário analisá-lo (in loco e ao nível de laboratório) para conhecer suas características físico-químicas. E, assim, poder corrigir suas deficiências para propiciar um ambiente favorável ao desenvolvimento da cultura em questão. Em relação à planta, é preciso que haja conhecimento agronômico para aferir se o seus desenvolvimento resta sendo satisfatório ou não.

Visualmente, os sintomas de deficiência mineral ajudam a calibrar as adubações. Entretanto, quando estes são manifestados nas folhas, o dano econômico pode ser grande e a produção correspondente geralmente estará comprometida. Para culturas perenes, como a macaúba, este dano pode ser minimizado, uma vez que a planta possui ciclo produtivo longo e haverá possibilidade de recuperação. Assim, a analises foliar pode indicar sintoma de deficiência mineral antes que esta se torne aparente, propiciando uma adubação equilibrada e evitando maiores prejuízos. A seguir tem-se um comparativo dos teores de nutrientes nos tecidos foliares da macaúba e de outras palmáceas cultivadas sob condições adequadas de nutrição (Tabela 1). …

ASPECTOS BOTÂNICOS

(P. 20) Por ser uma espécie silvestre, com ampla distribuição geográfica em regiões com diferentes características edafoclimáticas, a macaúba apresenta grande variabilidade morfológica entre as populações nativas. Essas diferenças fenotípicas dificultam a classificação taxonômica dessa planta. Relata-se a ocorrência de apenas duas espécies, a Acrocomia aculeata e Acrocomia hassleri (Barb. Rodr.) W.J. Hahn… sendo as demais apenas sinonímias de A. aculeata. No entanto, mais recentemente, passou-s e a considerar a ocorrência de seis espécies , A. aculeata, A hassleri, A .totai Mart., A. intumes Drude, A. emensis (Toledo) Lorenzi e A. glaucescens Lorenzi, reabrindo o debate entre os pesquisadores da área.

No Brasil, do ponto de vista agronômico, há consenso entre os pesquisadores de que há pelo menos três populações de macaúba com característica morfológicas distintas (Figura l2). As plantas que crescem principalmente na Região Centro-Oeste e Norte e, que apresentam menos espinhos, são referidas como A. totai; as encontradas nos estados nordestinos, que são de porte menor e com dilatação em sua estipe, são referidas com A. intumescens e as detectadas no Sudeste, principalmente no Estado de Minas Gerais, que tem mais espinhos, frutos maiores e maior teor de óleo, o qual pode alcançar até 62% na matéria seca da popa. Essas plantas assemelham à caracterização definida para A. aculeata ou sinonímia mais comum, A. sclerocarpa.

Apesar do potencial agronômico da macaúba, não se dispõe ainda de cultivares registrados. No entanto, de acordo com estudos, para a instalação de lavouras comerciais, com o objetivo de explorar a característica oleífera da macaúba, deve-se optar por sementes oriundas de frutos provenientes de Minas Gerais, encontrados em grandes maciços nativos nas regiões de Mirabela, Luz, Santa Luzia, Jaboticabudas, Jequitibá, Igarapé e Patos de Minas, os quais apresentam excelente produtividade e qualidade.

“Por se tratar de uma espécie de recente interesse comercial e em processo de domesticação, ainda não se dispõe de campos de produção de sementes em atividade. O primeiro campo para a produção de sementes da espécie foi implantado em novembro de 2011, na Universidade Federal de Viçosa, no Campus de Florestal, localizado na cidade de Florestal-MG. As plantas que compõem este campo são provenientes de matrizes nativas selecionadas nos principais maciços de Minas Gerais. P. 21 .

ASPECTOS SILVICULTURAIS

(P.22) Para alcançar o sucesso nos cultivos comerciais de macaúba é necessária a adoção de práticas agrícolas que envolvem desde a escolha das sementes, cuidados no viveiro, implantação e tratos culturais das plantas no campo e a colheita dos frutos.

A utilização de sementes de qualidade é primordial para a obtenção de uma germinação satisfatória e produção uniforme de mudas vigorosas , com reflexos diretos na produtividade do cultivo. Para tanto, a coleta das sementes deve ocorrer preferencialmente em maciços nativos selecionados com base em parâmetros de produtividade e qualidade dos frutos. Os frutos utilizados para extrair as sementes devem ser colhidos e armazenados em locais cobertos e arejados para manter a viabilidade destas.

A extração das sementes acontece após o processo de secagem natural dos frutos, quando o endocarpo é rompido mecanicamente e a semente extraída sem danos (Figura 13, p. 22).

PRODUÇÃO DE MUDAS

(P. 23) Devido a baixa germinação natural da espécie , a produção comercial de mudas é realizada por meio de plantios de sementes pré germinadas em laboratório. Esta produção é feita em duas etapas: produção de semente pré-germinadas e produção de mudas em pré-viveiro e viveiro.

PRODUÇÃO DE SEMENTRES PRÉGERMINADAS

As sementes são extraídas das frutas de macaúbas e submetidas a tratamento de quebra de dormência, para iniciarem o processo de germinação, produzindo assim as semente pré-germinadas. (Fig. 14). A quebra de dormência de sementes de macaúba consiste basicamente de desínfestação seguida da fase de embebição em peróxido de hidrogênio (H202), por um período de três a sete dias. Após esta etapa, é realizada uma escarificação mecânica. As semente são, então, tratadas com ácido giberélico e, em seguida semeadas em substrato de germinação em laboratório. Este protocolo de superação de dormência foi desenvolvido por Motoike et al. (2007) (registro de patente número P10703180-7), o sucesso da germinação é de 80-90 % em um período de 28 dias.

PRODUÇÃO DE MUDAS: PRÉ-VIVEIRO E VIVEIRO

(P. 24) Pré-viveiro – As semente pré-germinadas são estrutura delicadas, sendo necessária inicialmente a utilização do pré-viveiro para o seu estabelecimento, antes de seu plantio no viveiro. O pré-viveiro é a fase preparatória onde as mudas são climatizadas e ganham vigor para resistir às condições ambientais do viveiro propriamente dito.

O pré-viveiro de ter cobertura de sombrite, de forma a proporcionar redução de 50% da radiação solar incidente e filme plástico. Deve ser equipado com um sistema de irrigação por microaspersão. Recomenda-se utilizar viveiros suspensos nesta fse, ou seja, as bancadas com acomodação das bandejas com tubetes devem ser suspensa a altura ideal para o manejo (Figura 15). Este tipo de pré-viveiro, além de facilitar o manejo, protege as mudas do ataque de roedores, os quais são atraídos pelas semente pré-germinadas, devido a alta qualidade nutricional e palatabilídade de sua amêndoa.

As sementes pré-germinadas são acondicionadas em tubetes com capacidade de 180 cm3 (63 mm de diâmetro e 130 mm de comprimento e oito estrias) contendo substrato comercial para produção de mudas acrescido de 3 kg de superfosfato simples por m3 de substrato. O plantio da semente deve ser feito o mais rápido possível após o recebimento desta. Com o substrato levemente úmido , deve-se realizar uma abertura de uma cavidade para acomodar a semente pré-germinada, tomando-se o cuidado para não danificar a radícula ou destacar a plântula da semente. Após este procedimento, cobrir a semente com substrato. (Figura 16). (P. 25)

Durante a fase de pré-viveiro, a irrigação devera ser realizada diariamente ou em intervalos propícios á manutenção da umidade do substrato. O sistema de irrigação dever ser dimensionado para aplicar uma quantidade de água de 7 mm/dia. Geralmente divide-se a irrigação em duas aplicações diárias,a primeira pela manha e a segunda a tarde.

As sementes pré-germinadas de macaúba devem ser mantidas em pré-viveiro durante dois meses, quando a muda apresenta a primeira folha aberta e já possui 10 a 15 cm de altura (Figura 17). Seguindo estas recomendações, garante-se na fase de pré-viveiro estabelecimento de pelo menos 90% das sementes germinadas. No mês que antecede o transplantio das mudas para o viveiro é necessário aclimatá-las, com redução gradativa do sombreamento. O sombrinte do pré-viveiro deve ser retirada nos período de menor intensidade luminosa, ou seja, de manha até as 11 horas e ao final da tarde, após ás 16 horas.

Viveiro

Após 60 dias no pré-viveiro, as mudas são transportadas para sacolas de polietileno com capacidade de aproximadamente 6 litros (36 cm em altura e 17 m em largura x 8 cm em laterais). O substrato compõe-se de solo, areia e fonte de matéria orgânica (esterco de curral), na proporção de 2: 1: 1, enriquecido com 1 kg /m3 de calcário dolomítico, 6 kg/m3 de superfosfato simples, 1 kg /m3 de sulfato de amônio e 03 kg /m3 de cloreto de potássio. Durante o transplantio evite danificar o torrão que abriga o sistema radicular das plântulas (Figura 18). Para realizar essa operação utiliza-se um bastão de madeira, batendo-o na borda superior do tubete, até a soltura total do substrato. (Figura 18).

O viveiro deve se instalado em terreno plano, bem drenado, com insolação uniforme e de fácil acesso à água para irrigação. As sacolas devem ser colocadas em fileiras. Sendo duas a quatro por fileiras, deixando-se um corredor para o transito de pelo menos 70 cm. Durante a fase de viveiro, deve-se irrigar diariamente ou em intervalos propícios à manutenção da umidade no substrato. O sistema de irrigação deve ser dimensionado para aplicar uma quantidade de água de 7 mm/dia . No primeiro mês após o transplantio das mudas, as irrigações devem ser diárias. Após o primeiro mês, estas podem ser reduzidas e realizadas em intervalos de dois dias.

Nos dois meses que antecedem o plantio das mudas no campo, é necessário fazer uma rustificação das mudas, com uma redução gradativa da irrigação para intervalos de três a quatro dias.

No viveiro, os tratos culturais envolvem o monitoramento e controle de plantas invasoras, pragas e doenças. Devem ser realizadas adubações de cobertura, preferencialmente por fertirrigações, em intervalos bimestrais. (P. 28)

As mudas estão aptas para o plantio no campo quando apresentarem uma folha definitiva expandida, o que ocorre a partir do sexto mês em viveiro. (Figura 20) A implantação da cultura de mudas com idade inferior a seis meses pode ser realizada atendo-se a um manejo mais cuidadoso com relação ao combate a pragas (roedores e formigas), doenças e plantas invasoras, além da manutenção da umidade do solo. Já em situações de plantio adversos (plantios tardios, pastagens degradadas, solos arenosos etc) recomenda-se a utilização de mudas com no mínimo um ano de idade.

No caso de o produtor optar pela compra das mudas, adquiri-las sempre em viveiros comerciais idôneos, registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e que apresentem o certificado de origem. As mudas devem ser eretas e ter pelo menos uma folha definitiva expandida, com idade superior a seis meses. Além disso, devem apresentar bom aspecto nutricional e ausência de pragas ou doenças.

IMPLANTAÇÃO DA CULTURA

(P.30) – A implantação de uma cultura perene envolve varias etapas que devem ser seguidas para garantir seu sucesso. No planejamento do plantio devem-se considerar a escolha e a época de plantio, o sistema de produção e densidade, as operações de plantio e os tratos culturais.

ÉPOCA DE PLANTIO

A melhor época para o plantio da macaúba é no inicio da estação chuvosa. Caso haja possibilidade de irrigação, pode ser realizado em qualquer mês do ano.

SISTEMA DE PRODUÇÃO E DENSIDADE DE PLANTIO

Uma das vantagens da macaúba é que a arquitetura da planta possibilita a adoção de diferentes sistemas de produção, como: cultivo solteiro, cultivo consorciado, sistema silvipastoril e sistema agrossivipastoril. A densidade de plantio depende do sistema de produção adotado. Por se tratar de uma cultura em processo de experimentação das práticas agronômicas para o cultivo racional, varias densidades de plantio estão sendo estudadas, como 4,5 x 4,5 m; 4,0 x 5,0 m ; 4,0 x 6,0 m; 4,0 x 7,0 m; 4,0 x 8,0 m ; 5 x 5 m; e 5 x 5 m em quincôncio.

Caso opte pelo plantio solteiro podem ser utilizados espaçamentos de 5 x 5 m; 4 x 6 m e 5 x 5 metros, com plantas dispostas em triangulo equilátero, resultando numa densidade de 400 a 461 plantas por hectare (Figura 21). Este mesmo espaçamento pode ser adotado se houver interesse em fazer o consórcio com culturas alimentares e, ou , oleaginosas durante a fase juvenil da cultura. O consórcio pode ser realizado com feijão, soja, amendoim, ou seja, culturas de porte baixo que não provocam sombreamento nas plantas de macaúba (Figura 22) P. 31.

O consórcio , além de propiciar renda adicional ao produtor rural, minimizando os gastos de implantação e manejo dos primeiros anos de plantio da macaúba, favorece o desenvolvimento das palmeiras pelo enriquecimento do solo com a adubação e a deposição de matéria orgânica resultante da cultura intercalar.

No cultivo consorciada da macaúba com pastagem, sistema silvipastorial, recomenda-se o espaçamento de 4×8 m, resultando num estande de 312 plantas por hectare. Para que as plantas não sejam danificadas, a introdução dos animais deve ocorrer a partir do terceiro ano de plantio (Figura 23).

A inserção da macaúba nas regiões de pastagem permite melhor aproveitamento da área, além de melhora as condições de desenvolvimento das pastagens, como aumento da fertilidade dos solos, maior retenção da umidade e também por proporcionar sombra e conforto térmico aos animais em pastejo, o que resulta em maior ganho de peso/animal , maximizando assim a renda do produtor.

Outra opção para o cultivo da macaúba é a inserção em sistemas agrossilvipastoris. Nesse sistema de integração lavoura-pecuária-macaúba o uso da terra combina a utilização da macaúba, culturas alimentares e, ou, oleaginosas e criação de animais numa mesma área escalonada no tempo. O espaçamento adotado é o mesmo do sistema silvipastoril (4 x 8 m). Até o terceiro ano de plantio da macaúba, faz-se o cultivo de culturas alimentares e, ou, oleaginosas e, no final do segundo ano, é feita a implementação da forrageira –pastagem. Após esse período, inicia-se a introdução dos animais.

Nesse sistema, a fertilidade do solo as pastagens degradadas é recuperada através do cultivo de lavouras anuais, o qual é sucedido pela pastagem e a cultura da macaúba em regime de consórcio. O papel da pastagem neste sistema de integração é de proteção do solo contra a erosão e melhorar as condições físicas e biológicas deste, sendo a cultura da macaúba a responsável pela reposição anual dos nutrientes do solo, o que viria a partir da adubação desta cultura.

COLHEITA E PÓS – COLHEITA

(P.49) – A macaúba inicia o ciclo produtivo cerca de cinco anos após o plantio no campo. O rendimento dos frutos da macaúba é influenciado pela idade da palmeira,

Vários motivos: Cultura permanente bem semelhante ao café mas com durabilidade da cultura em cerca de 3 a 4 vezes maior (30 anos),do que o tradicional café; mercado garantido no plano nacional do óleo para o biodiesel na produção do bioquerosene para a aviação; cultivo que permite sua instalação em terrenos amorreados, com declividade semelhante a nossa. Depende sua implantação de encontrar industriais empreendedores para grandes plantios planejados com a industrialização visando adquirir ao matéria prima dos pequenos produtores desta vasta região. Somente com mercado garantido, próximo do imóvel rural existira o fomento desta atividade.

Aumentando gradualmente até o décimo ano, sendo estimada a produção média de 62 kg de frutos por planta/ano. No período de produção crescente, do quinto ao 10° anos, estima-se produtividade média de 41 kg de frutos por planta/ano. Esta estimativa é baseada na produção de plantas nativas, considerando-se a média da produção de plantas de uma população nativa.

No entanto, de acordo com estudos realizados no Estado de Minas Gerais, pelo CETEC, plantas nativas localizadas em solos mais férteis podem produzir até 8 cachos por planta, com um número de frutos por cacho variando de 400 a 500 , correspondendo a produção de 160 a 200 kg de frutos por planta.Alem disso, em plantios experimentais realizados a partir de mudas de boa qualidade , verificou-se que a fase reprodutiva da planta (primeira floração) iniciou-se no terceiro ano após o plantio da md no campo. Assim, espera-se que em plantios comerciais a produtividade por planta alcance valores acima dos observado em plantas nativas.

O período da safra pode sofrer alterações de acordo com as variações do clima em cada região, principalmente no período chuvoso. Em Minas Gerais, a safra inicia-se em outubro e se estende até a março. Porém o inicio da safra ocorre a partir da segunda quinzena de novembro estendendo-se até o mês de janeiro.

A duração da exploração econômica de uma plantação de macaúba varia em função do crescimento em altura das plantas, a exemplo do que acontece com o dendê. Nos plantios comerciais de macaúba estima-se uma vida útil de aproximadamente 30 anos. A partir desta idade, a palmeira atinge porte elevado, o que encarece o custo da colheita. Entretanto, a macaúba permanece produtiva por mais de cem anos. Logo, a decisão de renovar o plantio deverá ser tomada com base na análise econômica entre o aumento do custo da colheita versus o custo –beneficio do novo plantio.

Na exploração da macaúba de forma extrativa, como está sendo realizada nos maciços nativos da espécie, a operação de colheita é realizada coletando se os frutos que caem no chão. Esses frutos, em contato com o solo, ficam sujeitos à ação de microrganismos, que provocam a deterioração da polpa e resultando na produção de um óleo com baixa qualidade (elevada acidez).

Assim, para se obter um óleo de boa qualidade, a colheita deve ser realizada cortando-se os cachos maduros e transportando –o rapidamente para o galpão de armazenamento ou destinado-os diretamente para o processamento. O indicativo do ponto de colheita do cacho é quando observa-se a soltura natural dos primeiros frutos.

A maturação dos diferentes cachos na mesma planta não é uniforme ocorre de acordo com a sequência de emissão da inflorescência, sendo necessário realizar varias colheitas ao longo da safra para que apenas cachos maduros sejam colhidos. De modo geral, a frutificação estende-se por um período que varia de 350 a 400 dias. Assim, é comum encontrar numa mesma planta inflorescência aberta e cachos maduros.

Varias técnicas e equipamentos estão sendo testados para viabilizar a colheita dos frutos da macaúba. No entanto, até o momento, recomenda-se realizar a colheita da macaúba utilizando-se uma foice ou faca malasiana, ferramenta também indicada na colheita do dendê. Após o corte dos cachos, estes devem ser transportados para armazém em local arejado, protegido de chuva e sol, para posteriormente serem processados na unidade industrial.

COEFICIENTES TÉCNICOS

(P.51) Coeficientes técnicos são parâmetros médios utilizados para determinada cultura. Estes valores são definidos de acordo com o sistema de produção adotado. Nas tabelas 4 e 5, estão detalhados os coeficientes técnicos para o cultivo da macaúba, considerando-se plantio mecanizado (áreas planas) e manual (áreas montanhosas), respectivamente.

Nas tabelas 4 4 5, a adubação (recomendação média anual para o período considerado) foi dimensionado considerado solo com fertilidade natural baixa. Assim, em áreas cultivadas anteriormente, e que apresentam fertilidade média a boa, deve-se reduzir a adubação.

PERSPECTIVAS

Apesar de o crescimento da indústria de biocombustível ser uma realidade, a sustentabilidade de sua expansão vem sendo severamente questionada, uma vez que muitas das fontes são primariamente culturas alimentícias (dendê, soja, milho, etc). A controvérsia torna-se maior pelos possíveis efeitos ambientais deste modelo de exploração.

Uma das saídas para este impasse é a utilização de matérias-primas não destinadas originalmente na alimentação humana; porém, no panorama atual, esta solução esbarra na limitação de culturas agrícolas disponíveis para esta finalidade. A domesticação e a exploração de uma nova cultura direcionada à produção de biocombustíveis podem, dessa forma, aliviar este entrave.

A macaúba, além de servir como matéria-prima para a extração de óleos com as diversas possibilidades de uso, apresenta grande viabilidade econômica, graças à produção de uma variedade de produtos e coprodutos de amplo valor agregado. O óleo da polpa (mesocarpo), dependendo do manejo pré e prós-colheita, pode ser também utilizado na indústria alimentícias, como óleo de mesa, pois sua composição se assemelha à do azeite de oliva, ou na produção de margarinas, cremes vegetais e os chamados shortenings.

A constituição antioxidante da polpa, na forma de carotenoides e vitamina E, garante seu espaço na industria farmacêutica. O óleo da amêndoa tem grade valor na produção de cosméticos, devido o seu alto teor de ácido láurico (38-45%). Como resíduo final do processo de extração dos óleos, as tortas da polpa e da amêndoa têm mercado certo como matéria-prima para produção de ração de uso animal. O endocarpo, revestimento da amêndoa, pode se utilizada como carvão e combustível para caldeiras de alto-fornos.

As atividades de Pesquisa e Desenvolvimento com a macaúba, conduzidas por diversos institutos de pesquisa no Brasil, vêm ao encontro da demanda por informações que tornarão possível o seu cultivo. Os resultados já obtido apontam claramente para a viabilidade e as sua sustentabilidade de sua produção.

Em andamento, as novas vertentes de estudos possibilitarão endossar esta palmeira tropical como fonte alternativa para os mais diversos setores industriais. Dentre as expectativas espera-se que futuramente sejam alcançados avanços consideráveis quanto à disponibilização de mudas elites, seja por clones, seja por sementes de cruzamentos seletivos; melhoria das técnicas de pré e pós-colheita dos frutos, processamento dos frutos e aproveitamentos dos resíduos. P.59 ( página final antes das referências citadas).

Atualmente, existem três indústrias operantes, usando o sistema extrativista da exploração no estado de Minas Gerais: DÍbio, Paradigma Óleos e UBCM. Além do óleo vegetal que é o produto principal, essas empresas produzem o farelo e sabão, e processam no total cerca de 5.000 toneladas de coco macaúba por ano (comunicação pessoal, professor Leonardo Pimentel, UFV).

No norte de Minas Gerais, na cidade de Montes Claros, a cooperativa CooperRiachão conta com uma unidade de beneficiamento do coco da macaúba (UBCM) desde 2003, composta por 46 sócios, cerca de 350 famílias num raio de 50 km. O óleo excedente é vendido para a fertibom, uma empresa de Catanduva (SP) que produz biodiesel.

A macaúba é uma planta capaz de produzir grandes quantidades de óleo por unidade de área, além de possuir a capacidade de adaptação a densas populações, que a permite apresentar significado potencial de produção. Além disso, tem diversas utilidades, com relatos de usos medicinais, alimentícios e cosméticos (NUCCI 2007) e com estudos comprobatórios de potencial para a produção de biocombustível, óleos para fins alimentícios e na área oleoquímica (PEREIRA 1996; ARISTONE e OLIVEIR 2004; NUCCI 2007). (P. 97)

Duas obras importantes como Atlas de Biomassa de Minas Gerais e Potencial de Energia da Biomassa em Minas Gerais, entre outras, citam a MACAÚBA (P. 97 a 102), como: Relatos da macaúba datam da pré-história , (cerca de 9.000 anos a.C) . Alguns autores (Azevedo Filho ET l., 2012; Novaes, 1952; Brasil, 1985) apontam que nos dias de hoje, os produtos de macaúba são oriundos do extrativismo de plantas ou populações naturais. De acordo com Mota et al. (2002), os principais gargalhos para a implantação de plantios comerciais da macaúba seriam a quebra da dormência da semente para produção de mudas e o lento crescimento inicial.

MACAÚBA

(P. 61-62) – A macaúba (Acrocomia aculeata) é planta da família Arecacae, cujo interesse comercial esta em alto teor lipídico da polpa do fruto e da semente. Destaca-se por ser uma palmeira altamente produtiva e nativa no território brasileiro.

A macaúba é uma planta capaz de produzir grandes quantidades de óleo por unidade de área, além de possuir a capacidade de adaptação a densas populações, que permite apresentar significativo potencial de produção. Além disso, tem diversas utilidades, com relatos de usos medicinais, alimentícios e cosméticos (NUCCI 2007) e com estudos comprobatórios de potencial pra a produção de biocombustível, óleos para fins alimentícios e na área oleoquímica (Pereira 1996; Aristone e Oliveira 2004; Nucci 2007).

Relatos da macaúba datam da pré-história, (cerca de 9.000 anos a.C) . Alguns autores (Azevedo Filho et all., 2012; Novaes, 1952; Brasil, 1985) apontam que nos dias de hoje, os produtos de macaúba são oriundos do extrativismo de plantas ou populações naturais.

De acordo com Mota et al. (2002), os principais gargalhos para a implantação de plantios comerciais da macaúba seriam a quebra da dormência da semente para produção de mudas e o lento crescimento inicial. A espécie apresenta vasta distribuição espacial (Scariot et al 1995), ocorrendo na América tropical, desd o sul do México e Antilhas até o sul do Brasil, chegando ao Paraguai e Argentina (Hederson et al . 1995).

CULTIVO

Alguns pesquisadores apontam que, as condições mais favoráveis ao cultivo do coqueiro macaúba são encontradas no Brasil, principalmente no Planalto Central, região do cerrado. A cultura não ocorre em regiões de geadas, áreas permanentemente alagadas, áreas litorâneas, áreas montanhosas, clima excessivamente árido e precipitação inferior a 1000 mm. À medida que os palmares se distanciam das proximidades dos rios e córregos e que outras condições ideais sejam limitadas, observa-se um decréscimo do número de indivíduos por área, bem como de cachos e frutos, além do tamanho e peso individuais dos frutos. (Silva, 2007)

No Brasil, a macaúba é considerada a palmeira de maior dispersão, com ocorrência de povoamentos naturais desta espécie em quase todo território . Entretanto, as maiores concentrações estão localizadas em Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, sendo amplamente espalhada pelas áreas do Cerrado (Bondar, 1964, Silva, 1994, Henderson et al., 1995).

No passado, ela ocorria em abundância também em São Paulo, mas as populações naturais foram sistematicamente substituídas pelo cultivo do café (Novaes, 1952). Mota et al. (2002), em pesquisa sobre a ocorrência da palmeira macaúba no estado de Minas Gerais destacaram que a presença das palmeiras era mais numerosa em áreas com solos de fertilidade natural mais elevada, vegetação primitiva de fisionomia florestal, o que reforça o pioneirismo da espécie, evitando extremos de deficiência de nutrientes e de água. Segundo Novaes (1952), no estado de Minas Gerais, nota-se que a da palmeira é bastante variável e depende basicamente do grau de utilização agrícola do terreno e da fertilidade do solo; coincidentemente, os maiores adensamentos estão em locais mais sujeitos ao manejo agrícola. A Figura 75 apresenta a distribuição geográfica da macaúba.

A macaúba apresenta elevada produtividade de óleo e cooprodutos a partir do quarto ano de crescimento, com vida útil de exploração superior a 25 anos. Atualmente, sua exploração é realizada de forma extrativista, aproveitando os povoamentos nativos da planta. Para a exploração industrial, faz-se necessária a substituição da atividade extrativista por cultivos racionais e sustentáveis. Para viabilizar este cultivo é fundamental a seleção de genótipos com características desejadas e a produção de mudas padronizadas para se ter uma população homogênea (Motoike et al , 2011).

Segundo a REMAPE (2016), MACAÚBA PODE SER CULTIVADA COM VIABILIDADE ECONÔMIA EM DIFERENRES SISTEMAS DE PRODUÇÃO, DENTRE ELES: CULTIVO SOLTEIRO, CULTIVO CONSORCIADO, SISTEMA silvipastoril e sistema agrossilvipastoril. O espaçamento e a densidade de plantio dependendo do sistema de produção adotado.

PRODUÇÃO

Com potencial produtivo comprovado, para a espécie Acrocomia aculeata observada na região do Alto Paranaíba, em Minas Gerais, as melhores plantas alcançaram 6,9 tonelada de óleo de polpa , utilizado na produção de biocombustíveis , (Lobato, 2014). Desta forma, a macaúba se caracteriza como uma espécie com qualidades importantes do ponto de vista natural, ecológico e principalmente socioeconômico (Nucci, 2007)

Os frutos da macaúba são compostos por cerca de 20% de casca, 40% de polpa, 33% de endocarpo e 7% de amêndoa. A Figura 76 apresenta a composição e subprodutos da macaúba. Os teores de óleo são ligeiramente maiores na polpa (60%), em relação à amêndoa (55%). Da macaúba também se extrai dois tipos de óleo.

Da amêndoa é retirado um óleo fino que representa em torno de 15% do total de óleo da planta, rico em ácido láurico (44%) e oleico (26%), tendo potencial para utilizações nobres como na industria alimentícia, farmacêutica , e de cosméticos. O óleo extraído da polpa do fruto é dominado por ácido oleico (53%) e palmítico (19%), e tem boas características para o processamento industrial , tendo maior potencial para a fabricação de biodiesel (Bhering, 2009).

Collares (2010) afirma que as produtividades potenciais por área se assemelham á do dendê, podendo chegar a mais de 4 mil quilos de óleo por hectare. Estimativas feitas com frutos de macaúba de ocorrência no estado de Mato Grosso do Sul, indicam uma produção de biomassa por hectare de 25.000 kg de frutos, o que resultaria na coprodução de 5.000 kg de casca, 700 kg de torta da amêndoa (contendo cerca de 50% de proteína, 10.000 kg de torta da polpa e 7,000 kg de endocarpo, em base úmida. (Gigonini et tal, 2013).

Segundo Nobre et al (2004), o fruto da macaúba é o produto economicamente mais representativo da palmeira. A polpa do coco (adocicada e aromática) é muito apreciada pelas crianças e também é utilizada na alimentação animal (na engorda de suínos). A torta da polpa pode ser utilizada como adubo e combustível para caldeiras, enquanto o farelo da amêndoa tem ótimo índice de proteína e pode ser utilizada na composição de rações para animais. A casca dos frutos é utilizada em fornalhas, fogões domésticos e em escala industrial para produção de carvão. Co-produtos como a cinza estão sendo incorporados ao concreto na construção civil para minimizar o uso do cimento (Machado et al., 2010)

A produção de energias renováveis com a possibilidade de incorporação produtiva de áreas degradadas ou inaptas à agricultura de alimentos., torna o Brasil um candidato a liderar as cadeias do setor de energia renovável no mundo, com o desenvolvimento e do uso de tecnologias inovadoras. O Estado de Minas Gerais, indo de encontro às demandas de produção, sancionou a Lei n. 19.485/2011 — Pró-Macaúba, que instituiu a política estadual de incentivo ao cultivo, extração, comercialização, consumo e transformação da macaúba e das demais palmeiras oleaginosas como fonte de energia renovável. (P.62).

Segundo a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (FAEMG), a região de Dores do Indaiá, na região Centro-oeste do Estado de Minas Gerais, se prepara para se transformar no novo pólo de produção de macaúba, voltada para a fabricação de bioquerosene para aviação. A Plataforma Mineira de Bioquerosene lançou a Cadeia Extrativista da Macaúba, uma das principais matérias primas para a produção do biocombustivel . A Plataforma coordena a implantação da cadeia produtiva do combustível para a aviação no Estado.

O grupo é composto pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico, importantes empresas de aviação cívil, como a Boeing, a Embraer, a Gol Linhas Aéreas e a GE do Brasil e a Internacional Air Transporte Association (sociação Internacional de Transporte Aéreo), além de agências de pesquisa e fomento, como o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o Instituto Interamericano de Cooperação Agrícola (IICA) e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

No Norte de Minas Gerais, cidade de Montes Claros, a Cooperativa de Agricultores Familiares e Ambiental do Vale do Riachão (CooperRiachão) conta com uma unidade de beneficiamento do coco de macaúba (UBCM) desde 2003. Composta por 46 sócios, a cooperativa compra os frutos coletados por cerca de 350 famílias em maciços localizados num raio de 50 quilômetros da UBCM.

A cooperativa produz até 200 caixas de 50 barras de 200 gramas a cada safra. Outro produto é a ração animal, obtida da torta. Ambos são comercializados no varejo de Montes Claros, e nos municípios vizinhos de Mirabela e Coração de Jesus. O óleo excedente é vendido para a Fertibom, uma empresa de Cantaduva (SP) que produz biodiesel (Biodiesels, 20014)

Adicionalmente ao extrativismo, o cultivo da macaúba é necessário para garantir uma produção competitiva e rentável para a indústria de processamento. No entanto , a propagação do cultivo inda é um desfio a ser superado. Pesquisas de Universidade Federal de Viçosa, rede Macaúba de Pesquisa coordenada pelo professor Sérgio Motoike, buscam transformar uma planta selvagem como a macaúba em uma planta agrícola domesticada, desenvolvendo variedades através do melhoramento genético, adubação, controle de praga e doenças na colheita e pós–colheita da macaúba.

Em Minas Gerais, atualmente, a utilização da macaúba como fonte de energia renovável tem sido impulsionada pelo Governo procurando atender as diretrizes de sustentabilidade ambiental, social e econômica definidas no Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel (PNPB), no entanto o estado não possui nenhuma plantação intensiva.

Notas:

  • Acreditamos que no entroncamento da BR-262 x BR-116, em Realeza, município de Manhuaçu-MG, em direção a Vitória –ES, BH, Muriaé ou Governador Valadares-MG, está um ponto ideal para o PLANEJAMENTO e instalação de uma indústria para o processamento da MACAÚBA, incentivando a cultura em base técnica moderna, numa vasta região de Minas Geras e E. Santo. Para isto, é preciso buscar investidores interessados na industrialização e no plantio da macaúba. O mercado para a querosene de aviação certamente será o maior incentivador para o projeto, como também para o biodiesel em geral. Um primeiro passo será encontrar investidores interessados na industrialização, que naturalmente motivará os agricultores para o plantio desta importante oleaginosas. Áreas com terreno apropriado em clima temos a vontade, em pastagens desgastadas e com baixa produtividade. Sabe-se que a cultura da macaúba poder ser consorciada com pastagens, em benefício das duas atividades Também permite a exploração em topografia acidentada como esta em questão, que por ser muito amorreada, terrenos com forte declividade não permite cultivos anuais como os cereais que são exigentes em mecanização para o preparo do terreno, plantio e colheita.
  • Em obras recentes de 2.017, temos: 1) Potencial de Energia da Biomassa em Minas Gerais, de Ruibran Januario dos Reis, Luciano Sathler dos Reis e outros, na pagina 100… bioquerosene: 2) Atlas de Biomassa de Minas Gerais, página 60; em ambos encontramos referências positivas e otimistas sobre a MACAÚBA, a produção de energias renováveis com a incorporação de áreas degradadas ou inapta para à agricultura de alimentos, torno o Brasil um candidato a liderar as cadeias do setor de energia renovável no mundo, com o desenvolvimento do uso de tecnologias inovadoras. O estado de Minas Gerais, indo de encontro as demandas de produção, sancionou Lei n. 19. 485/2011 – Pró-Macaúba, que instituiu a política estadual de incentivo, extração, comercialização, consumo e transformação da macaúba e das demais palmeira oleaginosas como fonte de energia renovável…. A Plataforma coordena a implantação da cadeia produtiva do combustível para importantes empresas de aviação civil, como a Boeing, a Embraer, a Gol Linhas Aéreas e a GE do Brasil e a Associação Internacional de Transporte Aéreo, além de Agencias de pesquisa e fomento, como o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
  • Assim concluímos com a reprodução do livro sobre a implantação e manejo de cultivos da macaúba, na suposição de contribuir para despertar nossos agricultores para esta importante atividade econômica na produção do óleo desta importante palmeira. Antiga na região, mas desconhecida como atividade econômica ligada ao biodiesel e principalmente a bioquerosene para a aviação. Os interessados poderão buscar na UFV (Universidade Federal de Viçosa-MG) mais informações sobre o assunto da MACAÚBA VISANDO SUA IMPLANTAÇÃO REGIONAL, NECESSITANDO DESPERTAR GRANDES EMPRESAS PARA O PLANTIO E A SUA INDUSTRIALIZAÇÃO.

 

Ruy Gripp- 0l-01-2018.

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