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Piscicultura Consorciada com Marreco de Pequim

Continuando com o assunto da piscicultura, já descrito a classificação do modelo Extensivo, Semi-intensivo e Intensivo, vamos analisar o cultivo do peixe com Marreco de Pequim, processo bem semelhante a adubação com as fezes dos suíno, na suinocultura/piscicultura, já bem tradicional e de boa produtividade com manejo adequado.

Em levantamento da produtividade de tilápia no Estado do Paraná, comparando as quatro fontes de adubação orgânica dos viveiros, a produção em quilos de peixe por hectare (10.000 m2) foi a seguinte: esterco de bovinos= 1.700 kg; cama de frango= 2.200 kg; resíduos da suínocultura= 2.300 kg; marreco de Pequim= 3.400 kg/Ha. Citamos os números inteiros para melhor compreensão.

O consorcio Piscicultura / Marreco de Pequim apresentou os melhores: o dobro do esterco de bovino e praticamente 1/3 maior do que com cama de frango ou com dejetos de suínos. Acresce que, somando aos peixes temos a própria carne dos marrecos, que se alimentam também de parte do plâncton fertilizados com suas próprias fezes consumindo menos ração para seu crescimento.

Também, segundo informações técnicas, a carne das aves – marrecos – ficam mais saborosas e com menos gordura pelo fato do seu movimento e exercício de natação nas águas dos viveiros do peixe. Desenvolvem mais os músculos com menor produção de gordura corporal.

Uma carne mais saudável, mais indicada para a saúde humana. Além do mais, o marreco quando nada e no seu movimento de entrada e sai da água esta introduzindo o necessário OXIGÊNIO do ar na água, fundamental para a respiração do peixe e para a vida aquática em geral. Portanto o marreco ajuda a despoluir, vitalizando o sistema ambiental para maior produtividade em geral..

Quando a poucos anos atrás teve iniciou no Brasil a divulgação da produção de peixe de água doce em sistema de tanques ou viveiros, portanto em águas represadas, varias revistas agrícolas e programas de televisão divulgaram o exemplo da tradicional e afamada piscicultura da China.

Apresentavam sempre o modelo do consorcio Peixe /Marreco de Pequim que além de fertilizar a água para produção do peixe, fornecia a carne com o aproveitamento também das penas e penugens para confecções de travesseiros, almofadas, colchões e agasalhos em geral. Uma importante fonte de matéria prima na indústria de tecelagem, naquele grande e populoso pais, um dos maiores produtores de peixe de água doce do mundo.

Na internet encontramos a informação de que na Bacia do Rio São Francisco, em pesquisa da tilápia com o marreco de Pequim, estão conseguindo a produção de 5.000 kg de peixe e 6.000 kg de marreco, num total de 11.000 quilos de carne por hectare/ano.

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Talvez lá, com um clima mais quente, mais alta temperatura e maior radiação solar favoreça tão espetacular produtividade. Contudo, representa uma indicação preciosa do valor deste consorcio peixe-marreco, sistema antigo e tradicional da China.

Tendo reformado alguns açudes, paralisados a cerca de 7 anos após prejuízos repetidos periodicamente com a suinocultura do chamado “porco do cimento, da ferragens ou do concreto” onde os dejetos dos suínos adubavam os viveiros de peixes com produção vantajosa, passamos agora de 2.000 m2 para 3.000 m2 de área com lamina d’água.

Estamos na fase preparatória para o povoamento com alevinos de tilápia. Aguardamos o resultado da adubação inorgânica (química) com ureia e super fosfato simples) cujos efeitos na produção do plâncton estão visíveis pela coloração esverdeada da água.

Fertilização com a relação 10 : 1 de N;P, na base de 2 kg de Nitrogênio por dia e por hectare. Plano de fertilização semanal. Corresponde a 50 kg /ha/semana ou 5 kg/ 1.000 m2 ou ainda 500 g/100 m2 de viveiro, da mistura de 2 sacos de ureia e um saco de superfosfato de cálcio, ou super simples. Posteriormente pretendemos introduzir os Marrecos de Pequim para adubação orgânica dos viveiros. Assim, teremos produção de carne destas duas fontes: peixe e aves.

Acredito neste sistema. Pretendemos colocá-lo em prática. Bom seria um trabalho conjunto, em todos os municípios do Leste de Minas, cuja suinocultura foi desmontada pelas oscilações periódicas do preço no milho que desorganizou o sistema suíno/peixe.

Nos dias 18 a 20/11/ 2010 tivemos a sempre agradável visita do Dr. Paulo Braz de Andrade, um especialista e entusiasta divulgador da Piscicultura na região de Muriaé e no país.

Visitou nosso programa de suinocultura de mangueirão melhorado. Sistema de rodízio do porco em piquetes de pastagens com divisão em cerca elétrica. Porco caipira, visando venda de leitões de 20 a 40 kg, criados com capim e alimentados com um mínimo de milho ou ração balanceada.

Gostou do sistema, que pretende divulgar na região de sua propriedade. Também nos orientou, dando sugestões importantes para a piscicultura. O entrevistamos em nosso programa Ecologia e Meio Ambiente, da rádio de Manhumirim, que agradou a todos que o ouviram.

Perguntei ao Dr. Paulo porque nunca havia focalizado a piscicultura consorciado com o marreco, nas suas divulgações pela TVs e revistas agrícolas. Afirmou que naquela época não havia perspectiva de mercado para a carne do marreco.

Admite que na atualidade podemos divulgar o consorcio Tilápia / Marreco de Pequim, por ser um sistema muito produtivo e funcional, já praticado em grande escala nos Estados do Sul, principalmente em Santa Catarina e Paraná.

Ele nos convidou para irmos a Viçosa encontrar e sugerir ao Reitor da UFV, professores e técnicos ligados á área de piscicultura e suinocultura um trabalho conjunto com SENAR, SEBRAE, EMATER, para fazer pesquisas, divulgação e fomento destes dois importantes projetos muito apropriados á pequena propriedade e á agricultura familiar. Base para melhorar a qualidade da alimentação em geral e a renda do agricultor.

Na Suinocultura / Piscicultura é recomendado 60 suínos para cada hectare e em Marreco / Piscicultura cerca de 600 a 800 aves por hectare de viveiro de peixe. Portanto seis suínos ou sessenta marrecos de Pequim para cada 1.000 m2 de lamina d’água, área de 20 x 50 m ou 30 x 35 m.

A vazão de água que abastece o viveiro deve ser apenas para manter o nível, substituindo a água que infiltra no solo e aquela que evapora para a atmosfera, em função do vento e do aquecimento pelo calor da os radiação solar.

Ruy Gripp – 28-11-2010

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