Cafeicultura

Cafeicultura e Suinocultura – A Busca do Aproveitamento de Resíduos Orgânicos

Introdução

O Estado de Santa Catarina é um dos menores Estados do Brasil em área territorial e possui o maior número de pequenos proprietários rurais. Contudo é o maior produtor e exportador de carne de frango e de suíno no país. Estado montanhoso e pequeno, importa naturalmente o milho e soja, base da criação e engorda dos animais, de outros estados, principalmente do Brasil Central: Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Tocantins.

Segundo a obra “Fim dos Empregos. A Era do Desempregos” de Jeremy Rifkin, o mundo passa por uma triste e calamitosa transição: substituição do trabalho humano pelo trabalho mecanizado. A máquina substituindo o homem no trabalho tradicional gerando a triste situação do homem não encontrar emprego para trabalhar e ganhar dinheiro para sua manutenção, constituir família, educar filhos e ter vida condigna.

Problemas para as comunidades onde residem, para todas as cidades e países do mundo. Jeremy Rifkin afirma que cada comunidade precisa estudar e planejar para resolver este grave problema da falta de trabalho e emprego para a população local.

Na região do Caparaó, entre Minas e Espírito Santo, onde predomina a cultura do café, já estamos sentindo os efeitos da mecanização das atividades cafeeiras no desemprego na entressafra da colheita do café que afeta grandemente a economia das famílias não somente dos pequenos proprietário rurais, mas principalmente dos meeiros e diaristas que residem nas favelas das cidades onde o seu ganha-pão esta ligado à cafeicultura. Boa parte do ano tem que ficar com os braços cruzados, sem trabalho a ser executado.

Os filhos crescendo sem perspectiva de emprego para ajudar nas despesas familiares. E pior, acostumando na indolência, na preguiça, na ociosidade na vagabundagem e as vezes no crime, no roubo, no vicio das drogas. Intranquilidade para toda população: empregados e desempregados.

Até recentemente a suinocultura representava um risco muito grande de prejuízos, devido as oscilações bruscas e repentinas dos preços do milho – base principal da criação e engorda do porco e do preço do suíno acabado, pronto para abate.

Acontece que, quando havia falta do cereal por uma baixa produção ocasionadas por secas ou por inundações nas regiões produtoras, o milho subia de preço face a lei da oferta e procura, e a cotação do porco baixava imediatamente, dando enormes prejuízos aos suinocultores em geral.

Se a ração subiu, era necessário também subir o preço do porco para não haver prejuízo ao criador. Porque isto acontecia periodicamente, repetindo o ciclo as vezes entre quatro a seis anos. Somente não quebrava ou sai da atividade o grande produtor capitalizado, que aguentava o prejuízo até restabelecer os preços do milho e porco a níveis normais.

Acontece que, nos últimos anos, com o plantio da chamada “safrinha”, milho de inverno cuja produção já esta quase idêntica a safra tradicional de verão, tem sido mantido um preço do milho sem muitas oscilações, acrescido também do fato da explosão da produção de milho e soja no Brasil central (Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Tocantins), permitindo que o país exporte estes produtos tradicionais para produção de carne de frango e suínos.

Para exportar, tem que ter estoque regulador da oferta, que tem sido também executado pelos órgãos do Governo Federal (Conab) com bastante eficiência, permitindo evitar as oscilações bruscas como antigamente, que desorganizava periodicamente o mercado do suíno, com o prejuízo ao produtor, que era obrigado a abandonar a atividade e seu grande e caro investimento nas instalações e maquinaria.

Outro fator positivo para a suinocultura nas regiões cafeeiras do arábica, é que o clima bom para o café também o é para a suinocultura, que tem melhor desempenho nas temperaturas de 15 a 25 graus. Nos extremos de frio e de calor a conversão alimentar é menor, comparando quilos de ração consumido para cada quilo de peso vivo adquirido pelo porco.

Um sistema moderno, denominado “Criação de Suínos em Cama Sobreposta”, introduzida no Brasil em 1993 pela Embrapa representa uma criação ecológica, sem poluição do ambiente pois somente usa água beber, sendo através da chupeta. Não emprega água em lavagem do piso, que precisa sempre ser mantido seco, pelo material da cama. Produz, dando origem a um rico e abundante adubo orgânico para as lavouras de café ou de outra qualquer cultura.

Certamente, possibilitará aumentar consideravelmente a produtividade na cafeicultura regional, para os que adotarem o processo que pretendemos explicar e reproduzir no próximo numero, reproduzido do Simpósio de Ciências da Unesp (Universidade de SP) realizado entre 06 a 08 de outubro de 2010, em Dracena – SP, que explica detalhadamente este novo e eficiente método da criação e engorda dos suínos, já bastante divulgado no Sul do Brasil, que precisamos adotar em Minas e em todo Brasil

Nas últimas décadas, a suinocultura brasileira tem passado por grandes mudanças no que se refere aos sistemas de produção como: constantes inovações nas áreas da genética, nutrição, manejo e sanidade. Desta forma, as leis ambientais tornando-se cada vez mais rigorosas e os setores agropecuários devem se adequar a essas exigências, visando à manutenção da qualidade ambiental nas regiões onde se concentram as produções respeitando as tendências internacionais, segundo as quais, o impacto ambiental passará a ser condicionando para a abertura de mercados externos.

A conscientização da necessidade de preservação do meio ambiente é uma das premissas da proposta na aplicação de novos conhecimentos por meio de metodologias compatíveis com a realidade socioeconômica dos agricultores buscando-se sempre aproveitamento dos resíduos orgânicos e a preservação dos recursos naturais. Neste contexto, a criação intensiva de suínos em cama sobreposta foi desenvolvida como uma alternativa para minimizar o problema da poluição ambiental altamente relacionada ao modo de produção empregada atualmente na suinocultura, podendo também atuar como uma forma de melhorar as condições de vida e bem estar dos animais.

DESENVOLVIMENTO

O sistema de produção de suíno em cama sobreposta teve sua origem na China há cerca de 500 anos, sendo intensamente utilizado em granjas chinesas desde os anos 70. Na Europa, esta tecnologia de produção começou a ser estudada no final da década de 80, mas só em 1.993 este sistema foi introduzido no Brasil, pela EMBRAPA- Suínos e Aves que, a partir de então, passou a realizar estudos para adapta-lo às condições locais.

De acordo com Hill (2000) os sistemas de produção de suínos em cama sobreposta, proporcionam ao animal a habilidade de selecionar e modificar seu próprio ambiente através do material da cama oferecendo várias oportunidades aos animais quando comparado aos sistemas intensivos tradicionais. É valido ressaltar que animais criados em cama sobreposta apresentam desempenho semelhante quando comparado aos sistemas tradicionais e apresentam maior atividade física e menor comportamento anti social.

Com o aperfeiçoamento desse sistema, os galpões foram modificados e ampliados até se tornarem semelhantes àqueles usados para a criação de frangos sendo a densidade recomendada de m suíno a cada 1,4 m2, Normalmente os galpões possuem uma mureta lateral de 0,4 a 0,5 m que evita o escoamento de dejetos para fora do galpão, com tela para proteção, podendo se estender por todo o pé direito e a utilização de cortinas permite regular a ventilação no interior da edificação. O ideal, é que a construção seja feita sobre solo arenoso, ou com boa capacidade de absorver água, e construído no sentido leste-oeste (Roppa, 2003).

O piso do galpão, normalmente é recoberto com cama, numa altura entre 25 e 30 cm para regiões quentes desta maneira, a temperatura da cama se mantém baixa, pois forma-se um isolante térmico entre o animal e o piso, favorecendo o conforto dos animais.

Sabe-se que a temperatura ambiente reflete diretamente no desempenho do animal desta forma, é de se esperar que animais Dora de sua zona de conforto térmico apresentam menor potencial de crescimento em relação àqueles criados em condições ideais. Além disso, dependendo da umidade e da ventilação, pode ser necessário acrescentar mais cama durante o processo da criação desses animais, pois sua fermentação pode fazer com que ela se abaixe.

Os dejetos líquidos e sólidos são retidos pela cama, evitando assim o seu escoamento para a natureza e a consequente contaminação do meio ambiente. Depois de algum tempo, os resíduos , misturados com o material da cama, acabam produzindo uma compostagem de alto valor nutritivo para as plantas, podendo ser utilizada em culturas orgânicas, apresentando assim mais uma oportunidade de renda ao produtor.

Sistema de cama sobreposta e bem estar animal. O tema bem-estar animal vem recebendo crescente atenção nos meios técnico, científico e acadêmico e juntamente com as questões ambientais e de segurança alimentar vem sendo considerado um dos maiores desafios para os sistemas de produção intensivos.

O uso de cama sobreposta no piso como alternativa ao tradicional piso de concreto tem se tornado comum na criação de suínos nas fases de crescimento e terminação, pois evita a utilização de lagoas para tratamento de dejetos, além de proporcionar melhor qualidade ambiental para os animais (Corrêa El AL., 2000). O material de cama, geralmente orgânico, altera as características de dureza do piso e evita a umidade, o frio e a aderência dos dejetos, facilitando sua remoção ao final de cada ciclo de criação (Lancini, 1986).

“Durante a fase de crescimento /terminação, os suínos muitas vezes encontram-se suscetíveis a mudanças bruscas de temperatura por esta razão, em períodos de inverno, a cama ajuda a manter mais constante a temperatura no interior das instalações, pois a fermentação dos dejetos incorporados ao substrato faz com que desenvolva calor nas camas, ajudando no conforto e desempenho do animal.

A possibilidade dos animais exprimirem comportamentos naturais vai ao encontro das cinco liberdades estabelecidas pelo FAWC (Farm Animal Welfare Couincil) como definição de bem estar animal. Neste contexto, Lay et aL ., (2001) descreveram que suínos terminados em sistema de cama apresentam menor incidência de comportamentos estereotipados, brincaram mais e tiveram menos lesões nas pernas que os terminados em sistemas de confinamento sem cama. Machado Filho et., AL., (2001) observaram que a presença de palha na baia de suínos de dez semanas de idade provocou redução no comportamento de fuçar e morder os companheiros.

Importância da qualidade da cama

A escolha dos materiais utilizados para formar a cama sobreposta está geralmente associada à disponibilidade dos mesmos na região e ao custo da aquisição. A qualidade deste material é considerada muito importante, pois ela refletirá decisivamente no desempenho produtivo e nas condições sanitárias dos lotes e no seu efeito fertilizante. Os mais utilizados são: maravalha, serragem, palha de cereais, sabugo de milho triturado, casca de arroz, (Monett & Tonon, 1994), palha de soja, casca de café e bagaço de cana triturado.

Outros aspectos também são observados quanto a escolha do material para fazer a cama, como: (1) possuir boa capacidade de absorção e serem biodegradáveis (Tumelero, 1.998); (2) apresentarem características especificas em relação à modificação do meio, em relação ao conforto dos animais, temperatura da cama (evitando oscilações) e considerar o contato direto dos animais com as excreções. (Avila et al., 1992); (3) apresentar tamanho de partículas de média a grandes, com alto teor de carbono (celulose e lignina) com boa condutividade térmica, boa capacidade higroscópica, facilidade de liberação da umidade absorvida, menor custo e não promover a multiplicação de patógenos (Huysrman et aL ., 1992).

CONCLUSÃO

A busca por sistemas de produção que respeitem aspectos relacionados ao bem estar animal e ao meio ambiente são temas de destaque na suinocultura moderna. O sistema de criação em cama sobreposta é uma realidade e concilia características importantes, tais como utilização de subprodutos para a confecção das camas e enriquecimento ambiental para os suínos. Finaliza com doze “Referências Bibliográficas”… da fonte citada.

Agora vamos analisar o grande potencial do consumo regional como nacional e também da exportação que começa a deslanchar, abrindo novos mercados mundiais. Até recente, a exportação de carne suína era barrada pelo aspecto sanitário, em defesa de seus próprios rebanhos, principalmente da aftosa.

Em recente artigo um especialista da Embrapa, analisando o grande potencial da suinocultura no Brasil afirma que a produção dos vários tipos de carne temos: 45% de frango, 35% de boi, totalizando 80% destas duas fontes; e apenas 12 % de suínos e 7,7% da piscicultura; e naturalmente o restante de outra varias fontes de animais como: avestruz, ema, anta, e até de cobra.

Segundo Wander Sousa, analista de carnes da CONAB a produção de carne cresce sustentada pelo consumo interno. O volume deve atingir 25,1 milhões de toneladas neste ano, 1,77% acima do produzido no ano passado. A projeção é das três principais carnes (aves, bovinos e suínos). As exportações devem crescer 0,89% (52,3 mil toneladas), para 5,905 milhões de toneladas. No consumo interno a previsão é de crescimento de 2,03% (mais 383,8 mil toneladas), para 19,246 milhões de toneladas.

Segundo o analista, o aumento da massa salarial dos trabalhadores tem contribuído para sustentar a demanda interna compensando em parte o fraco crescimento das exportações, que esta sendo limitado pelo desaquecimento do consumo provocado pela crise financeira nos países d zona do euro, além da manutenção de barreiras aos produtos brasileiros.

O destaque no estudo da Conab é o crescimento da produção de frango, que deve atingir mais um novo recorde, agora de 13,2 milhões de toneladas . O volume é de 3% (285,9 mil toneladas), superior ao produzido no ano passado. A projeção para a carne bovina é de 0,2% (16,8 mil toneladas) na produção, para 8,46 milhões de toneladas. A produção de carne suína deve crescer 1% (33,6 mil toneladas), para 3.395 milhões de toneladas.” Dados da fonte citada.

Durante séculos, porco e o urubu foram considerados como os maiores sanitaristas do mundo: o porco devorando as sobres e os restos (lavagem) dos alimentos, evitado a proliferação de moscas, baratas, ratos, etc que transmitiam doenças varias, transformando estas substancias nocivas ao meio ambiente em produtos alimentícios em deliciosas e nutritivos alimentos como gordura (toucinho) e carne que era regularmente conservado em latas (tipo banha) de 20 litros, com durabilidade de meses, depois de bem cozido ou frito, socorrendo a dona de casa quando recebia uma visita inesperada. O urubu, esta ave preta, para muitos ignorantes considerada agourenta e nefasta, devorava e ainda devora os restos das carcaça dos animais mortos por acidentes ou doenças, evitando a contaminação do ser humano e outros

O porco foi sempre o companheiro inseparável do homem quando penetrava pelo interior dos sertões a procura de ouro e diamante, e na abertura e formação de estradas e cidades. A família levava um casal de leitões para inicio da prole, geração da nova descendência. Uma porca matriz normalmente tem dois partos anuais, com seis a dez crias por vez, ou seja 12 a 20 leitões/ano. Pode ser abatido para consumo já apenas 4 a 6 meses. Uma vaca tem apenas uma cria por ano, que demora 2 a 4 anos para o abate comercial do bezerro

Na Europa, naqueles países antigos como Inglaterra, França, Itália e Espanha o consumo da carne de porco é muito superior a carne bovina. Por causa da poluição ambiental das fezes suínas, no sistema tradicional de criação, alguns países estão restringindo ou proibindo a expansão da suinocultura, razão porque terão que aumentar a importação da carne suíno. Assim, a exploração recente, ecologicamente correta pelo emprego da cama sobreposta, cuja água usa é apenas para beber em tipo chupeta, colocando o leitão desmamado até o ponto de abate sem nunca lavar o piso, toda cama absorve o liquido das fezes e por fermentação as transforma em composto orgânico para toda e qualquer cultivo agrícola. Nas regiões cafeeiras, usando a palha de café como cama, a compostagem irá naturalmente melhorar a produtividade e a qualidade do

Vamos analisar uma maneira antiga e pratica da conservação da carne de porco na sua própria banha, melhorando o paladar e sabor do produto assim conservado. Os antigos lembram e muitas pessoas mais velhas do meio rural ainda usam guardar a carne de porco em lata na gordura, usando uma tecnologia relativamente

O porco se divide, classificando-se em dois grandes grupos: suíno tipo banha e tipo carne. Antes do desenvolvimento e expansão dos óleos vegetais para as frituras e preparo dos alimentos, predominava o uso das gorduras animais para esta finalidade. Dentre as gorduras ou banhas sobressaia, com maior rendimento as dos suínos, ovelhas ou carneiro, bovinos, etc.

Mas predominava a criação e engorda do porco para esta finalidade universal, selecionando raças em todo mundo dotado de características especiais para alto rendimento de gordura em menor tempo de criação, em menor espaço físico e com aproveitamento de nutrientes variados na engorda do porco, por ser ele onívoro, que come de tudo: cereais, raízes vegetais, frutas, restos de comida das refeições humanas, denominado de lavagem. Portanto, o porco que é um animal rústico, manso e muito prolifero, possui com grande e rápida reprodução por matriz. O tipo de porco carne selecionado para fornecer proteína, possui as mesmas características do tipo banha, mas pequeno rendimento em banha ou gordura.

Depois de abatido e bem limpo, a carne do porco é bem cozida em pouca água e depois de eliminada toda umidade, as postas e pedaços são fritos em tachos ou panelas grandes, evaporando toda a umidade existente. Na própria gordura do porco, daquele ou de outro porco, a carne é depositada em vasilhas apropriadas, gordura e carne ainda quente, com gordura suficiente para envolver toda a carne a ser conservada. Assim ela permanecerá já cozida e frita, preparada para ser consumida, apenas sendo aquecida para eliminar a gordura em excesso que a envolve. É uma reserva de alimento pronto para consumo imediato.

Segundo as pessoas que ainda praticam este tradicional processo de conservação da carne de porco, pode-se guardar até uns seis meses a mais, sem perigo da estragar. É um modo seguro, usado desde tempos antigos quando o Brasil foi descoberto. Naquela época não existia a geladeira, gelo, o freezer, o atual tradicional frio que evita a putrefação e a contaminação por fermentação de micro-organismos que decompõem e estragam os alimentos em geral. A carne de porco conservada por este processo antigo, ainda é praticada em determinadas regiões. Torna-se mais gostosa, tem paladar melhor do que a conservada no frio. Com baixa temperatura, a carne fica ressecada, perde aquele sabor natural que é característico das gorduras que se usa no tempero dos alimentos.

Porco tipo carne e tipo banha

Antigamente era a gordura animal que dominava para o preparo e fritura dos alimentos. Destas, a do porco predominava sobre todas as outras gorduras, pois o capado – nome do porco criado e engordado – sempre foi o mais rústico e mais prolifero dos animais fornecedores da banha, óleo ou gordura animal. Dupla finalidade – carne e banha num só indivíduo. O toucinho – a parte gordurosa do tecido que envolve a carne saborosa, em algumas espécies, raças e tipo de porco fornece rendimento admirável, sobressaindo sobre o volume de carne produzida no mesmo animal. O porco foi inicialmente selecionado para fornecer banha ou gordura.

Mais recentemente, com pesquisas sobre alimentação, chegou-se à conclusão de que o excesso da gordura animal provocava infarto ou derrame, com o entupimento das veias e artérias pelo colesterol – um dos componentes da gordura animal. Assim, o porco tipo banha foi sendo condenado a ser um agente de doenças cardíacas e combatido pela medicina moderna. O porco foi então selecionado para ser especializado na produção de carne com o mínimo de gordura. Porco tipo banha ficou condenado a quase desaparecer do mercado, direcionando que foi sua seleção para uma carne sem banha, fornecendo apenas proteína. É o tipo de carne, que não possui o sabor, o paladar, o gosto daquele porco antigo. Assim, o porco tipo carne virou moda, cujo paladar lhe é imposto pelo tempero dos vários condimentos, mas nunca atingindo aquele sabor próprio, característico da carne porco tipo banha, com sua saborosa gordura natural de paladar insubstituível.

Na internet encontramos: “Tem porco na lata (e longe da geladeira)”. “Carne suína ganha espaço em restaurantes e derruba mitos”. “Clássico da culinária caipira, o pernil é cozido em fogo lento e depois conservado na própria banha”. “Ao esfriar, a banha talha e forma uma camada protetora, impedindo o contacto com o ar. Assim, a carne pode ser guardada por meses sem precisar ir a geladeira. Depois, é só pegar os pedaços, esquentar e comer”.

Nota

1) Estamos propondo á diretoria de nossa SMEA=Regional (Sociedade Mineira de Engenheiros Agrônomos) promover encontros de todos os técnicos do setor da agropecuária, dos vários órgãos de atuação nesta região Cafeeira de Minas e do Espírito Santo para debater o assunto, com todos os interessados. Isto, visando a obtenção da matéria orgânica – palha do café enriquecida das fezes dos suínos – para contribuir no aumento da produtividade de nossas lavouras e da renda de nossos cafeicultores com o café e porco.

2) A compostagem de matéria orgânica é útil e benéfica para toda e qualquer cultura em exploração: cereais, hortaliças, fruticultura, floricultura, etc pois além de fornecer elementos químicos diversos como fertilizantes, retém umidade no solo, promove um melhor arejamento do mesmo e o aprofundamento das raízes das plantas, aumentando a produtividade de qualquer cultivo, em qualquer solo em todos os climas. Assim, além do café, poderá estimular o desenvolvimento de diversas outras culturas econômicas na região, numa diversificação das atividades agropecuárias e no aumento dos empregos em geral, evitando o mal e a miséria que o desemprego acarreta para todos.

3) Segundo alguns, um problema negativo, contrário ao emprego da palha do café seria as geração de AMÔNEA (NH3), um gás tóxico ao animal composto de nitrogênio. No 3º Encontro Sobre Práticas Agropecuárias Sustentáveis na Cafeicultura, ocorrido em Martins Soares (MG) em 21-1-15, quando tivemos a oportunidade de falar rapidamente sobre “Café e Porco, Cafeicultura e Suinocultura” distribuindo cerca de 200 xerox do assunto, tivemos a palestra do Biólogo Fábio Junior Pereira da Silva, da- Técnico da ASPTA-, do Paraná, com o titulo “Experiências da Agricultura Familiar com o uso do Pó de Rocha na região do Médio Iguaçú PR e SC”.

Perguntado como evitar ou neutralizar os efeitos nocivos da AMONEA como cama sobreposta na recria e engorda dos suínos ele explicou: espalhar no piso das instalações uma camada de cinco centímetros de calcário ou de pó de rocha por cada metro quadrado da área. Acima, colocar normalmente a cama da palha de café. O próprio porco se encarrega de fazer a mistura. Não prejudica o animal e melhora a composição da compostagem.

Afirmou que o PÓ de Rocha seria aquele aprovado e indicado para corrigir os solos da região e que é superior ao calcário por conter um maior número de elementos e substancias químicas (micronutrientes) para os microrganismos biológicos do solo. Sabemos que 5 cm/m2 de área corresponde a 50 litros/m2 de piso. Se a área tiver 10 metros de largura, para cada 10 metros de comprimento, temos em cada 100 m2 ou ( 10 x 10) de aplicar 5.000 litros (5 m3) de Calcário ou do PÓ de Rocha. Aplicação sempre antes e abaixo da camada de palha do café.

4) Geralmente encontramos a gordura de porco nos açougues que abatem suínos. Pode-se usar outras carnes conservadas na gordura de porco, observando o mesmo ritual do preparo. Manter a carne em local mais fresco e escuro, sem muita agitação quando for tirar algumas porções para consumo imediato. Nunca voltar com as sobras de uma refeição para o deposito, mas sim para a geladeira como prevenção de contaminação e oxidação.

                                                         Ruy Gripp – 25-11-2015

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