Infraestrutura

Plano de Desenvolvimento Econômico para a Região Mineira do Vale do Rio Doce.

No Leste do Estado de Minas, o Vale do Rio Doce apresenta duas partes distintas, excluindo a região capixaba: a) Santa Bárbara – Valadares; b) Valadares- Aimóres. O trecho Barão de Cocais – Gov. Valadares é comumente chamado “Vale do Aço”, pois nele se localizam grandes e importantes minerações e usinas siderúrgicas; A região de Governador – Aimorés é a menos desenvolvida. Não há grandes indústrias, a produção agropecuária está em declínio.

Não nos preocuparemos com o clássico diagnóstico da economia regional pelo fato de já haver vários estudos a respeito. Um dos maiores indicadores de retrocesso econômico é a redução absoluta da população, principalmente a masculina e na faixa economicamente ativa.

Despovoamento dos Município do Rio Doce. Fonte consultada: I- Dicionário Enciclopédico Ilustrado. Fomar – 1966; II – BASE – Biblioteca de Aux. ao Sistema Educacional- 1994.

Municípios          Área – km2    Redução               Nº  Habitantes  –  Redução

I            II          (I – II )               I                II           ( I-II )

Aimorés       1.300      1.300         0              42.000       32.000         -10.000    -24%

Cons.Pena    1.980         273      1.707        54.887       35.500         – 19.387    -36%

Galiléia         1.333         274      1.059          32.200       14.800         -18.200     -56%

Itueta               526         525          0               14.883         7.500           –  7. 383    -50%

Mutum         1.243       1.248         0              36.748       30.000         –  6.748     -18%

Pocrane           670          671         0               18.493       l4.000          – 4. 493     -20%

Resplendor   1.458       1.021       437       53.200      21.000          -32.207      60%

Nota: O quadro acima mostra a redução populacional em função do esvaziamento econômico por causa da monocultura da pecuária leiteira. Somente uma diversificação com agroindústria planejada para a exportação pode reverter este quadro de empobrecimento do setor agrícola. Ruy Gripp (03/11/95)

Iremos sugerir uma série de medidas que poderão ser tomadas pelos municípios (toda a sociedade local) e pelo Estado de Minas (órgão de planejamento) com vista a romper o ciclo vicioso da pobreza: (consumo – produção – renda – investimento). Não teremos em mente também a tradicional divisão da economia em setores. Vamos entrar logo na proposição de medidas concretas (projetos e programas):

1- Criação de Conselhos, Agências de Desenvolvimento e Secretarias Municipais de Desenvolvimento em todos os municípios.

2- Exportação de minérios com maior valor agregado. Ao invés de exportar o minério de ferro a US$ 15 a tonelada, recomendamos exportar ferro-gusa, que alcança a cotação de US$ 150 por tonelada. O custo da usina de pelotização para processar 4 milhões de toneladas / ano, anda pela casa dos US$ 240 milhões. Outros custos estimados: 2.1- Usina de gusa para 500 mil / ton/ ano: US$ 300 milhões; 2.2- Usina integrada de aço para 4 milhões / tons/ano: US$ 4 bilhões.

A produção de aço no Brasil está baixa (25 milhões de ton / ano) quando comparada com a China, já a 10a. economia do mundo, que produz mais de 100 milhões de aço- líquido por ano. Recomendamos para Gov. Valadares uma siderúrgica nos moldes da Usiminas.

3- Reflorestamento – todos os municípios. Base: IEF, reflorestadoras, hortos e viveiristas. Veja – se artigo sobre floriculturas, que integra este ensaio. A principal finalidade do reflorestamento é recompor e proteger o solo da região, que já está com sua parte fértil destruída. Nos períodos de seca atuais estamos vendo o início da DESERTIFICAÇÃO terrível do Vale do Rio Doce, principalmente por causa do FOGO, que está destruindo sistematicamente as pastagens e as florestas naturais remanescentes. Outra finalidade do reflorestamento é servir de base às indústrias: madeireira, moveleira, carvão e celulose.

4- Produção de carne: aves – porcos – bovinos. Aconselhamos a produção de bovinos semi-confinados para abastecer os frigoríficos de Governador que estão com capacidade ociosa de produção. Valadares já é polo avícola razoável. Em Ponte Nova existe projeto para abate, de US$ 10 milhões, sendo implantado pela cooperativa dos suinocultores.

5-Fruticultura associada com bovinocultura de corte e leite: no centro dos plantios de frutas tropicais estariam os estábulos com produção e reprodução de gado, onde se obtém o esterco para adubação orgânica das plantas. Emprego de técnicas de irrigação para produção de cna, capim e frutas. Em Mutum (MG) já existe projeto a respeito. As frutas a serem produzidas seriam aquelas que encontram mercado consumidor nos CEASAS regionais e nas fábricas de sucos de Ponte Nova e Visconde do Rio Branco, além de permitir o surgimento das agroindústrias nos locais e cidades de produção. Futuramente, exportação “in natura “. Frutas recomendadas: coco, caju, manga, acerola, mamão, banana, maracujá, macadâmia, goiaba, pupunha, abacaxi, melancia, etc.

6- Estudos de viabiliza a técnica e economia para aproveitamento hidrelétrico, hidroviário e de irrigação em toda a bacia do Rio Doce. Se necessário, estudar o desvio do leito da EFVM para o vale do Manhuaçu. O tráfego atual, de elevada tonelagem, aproximadamente 100 milhões de toneladas / ano no trecho Itabira – Vitória, efetuada pela CVRD, não é estratégico, já que o país conta com outros dois corredores de minérios em funcionamento: B. Horizonte- Sepetiba e Carajás – Itaqui. A capacidade de carga do trecho BH – Barão de Cocais é de aproximadamente 5 milhões de ton /ano.

7- Distritos Industriais – Implantação como incentivo às novas indústrias, em todos os municípios, principalmente ao longo da EFVM, para produção e exportação de produtos siderúrgicos, florestais e agroindustriais.

8- Transportes: a – Construir as ligações ferroviárias: a.1- Ponte Nova – Nova Era: 110 km;

a.2- Ponte Nova – Ipatinga: 180 km; b- Completar as seguintes ligações asfálticas: b.1 –

Conselheiro Pena – Resplendor: 32 km; b.2- Ipanema – Aimorés: 92 km; b.3- Mutum- Aimorés: 28 km; Gov. Valadares – Mantena: 66 km.

Observação: São trechos curtos. Terraplenagem já efetuada. Baixos investimentos para que se complete o corredor B. Horizonte – Vitória, com a integração plena da economia do leste mineiro com as do Espirito Santo e Rio.

9- Instalação de Curso de Ciências Econômicas; em Ouro Preto, Fabriciano, Valadares e Caratinga. Não há cursos de Economia em todas as cidades do trajeto Belo Horizonte – Vitória. Como promover desenvolvimento econômico, científico, e profissional sem economistas?

10-Tecnologia e Ciência (C & T): Recomendamos uma integração dos centros universitários e tecnológicos de Ouro Preto, Viçosa, Fabriciano e Valadares com as comunidades regionais, para que o fruto do trabalho científico seja socializado, profissionalizado e colocado à disposição de toda a sociedade do Leste de Minas. A modernidade é o aproveitamento das inovações da ciência mundial, geradas principalmente a partir dos centros de pesquisas do 1 º mundo. Recomendamos, também, uma expansão de cursos superiores, faculdades e universidades em todo o Leste. No estado norte-americano de UTAH, 1 / 4 da população tem curso superior. O pequenino Estado tem 6 universidades, e a Universidade do Estado em Salt Lake tem 25.000 estudantes americanos e estrangeiros.

Alto Jequitibá-MG, 4 de novembro de 1995.

Ernani Emerick Faria (Economista)

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