Artigos de Livros

Prisão de Ventre, O que é e como evitar?

O livro “Prisão de Ventre – Sua cura integral”, do Dr. Adrian Vander, Editora Mestre Jou –São Paulo – 1971, publicado na Espanha em 1965, contem informações importantes, praticas e de fácil compreensão sobre o assunto. Pretendemos divulgar em determinados capítulos, por saber ser útil para todos que padecem desta doença intestinal. Na capa temos:

“Tratamento fácil e eficaz. Da prisão de ventre crônica e rebelde. Sem uso de purgantes. Casos especiais de prisão de ventre, queda do intestino, hemorroidas etc.

Sobre o autor temos: “O Dr. Adrian Vander, de renome internacional, com seu labor de quase meio século, tem contribuído com novas teorias para o desenvolvimento da Medicina Naturalista da qual é um dos legítimos precursores.

É autor de 40 obras conhecidas mundialmente e que tantos benefícios prestam à saúde pública. Procura em seus livros proporcionar aos enfermos o caminho para uma vida mais sâ, plena de vitalidade e energia, através de processos psicossomáticos e conselhos relativos ao “modo vivendo”, regime alimentar, repouso, exercícios físicos, etc.

Nesta obra do Dr. Vander após analisar as causas da prisão de ventre, mal que atinge a maioria dos indivíduos entre os povos civilizados, aborda suas consequências e preconiza os meios de tratamento. Cuida outrossim, minuciosamente, do importante problema de hemorroida que, embora ligado ao sistema circulatório, se relaciona com os processos da digestão.

Além do mérito de, por si só, levar à sua cura a quase totalidade dos casos, este trabalho constitui-se em precioso auxiliar do médico pois suas indicações gerais complementam as recomendações do mesmo.

I.- VOCÊ SOFRE DE PRISÃO DE VENTRE? A prisão de ventre é um mal tão difundido, a ponto de se poder afirmar que, entre todos os povos civilizados, a maioria dos indivíduos, sofre senão de uma prisão de ventre manifesta, pelo menos irregularidades na função intestinal. Não faltará quem ponha em dúvida esta afirmação, porque mui poucos têm ideia clara de quanto é perfeita a função destinada aos órgãos digestivos. Vários especialistas modernos, com fama universal, afirmam padecerem muitíssimos homens de um estado catarral crônico do estômago. O fato de, em sua maior parte, o ignorarem, não muda absolutamente a realidade e só demonstra que a resistência do estômago é muito grande, pois, apesar disso realiza a sua função o mais normalmente possível. Em todo caso, esses estados catarrais do estômago, cedo ou tarde, se manifestam, ora em forma de enfermidades do próprio órgão, ora influindo sobre o estado geral, como consequência das más digestões. A língua suja, por exemplo, a fraqueza, o nervosismo, as dores de cabeça, a falta de energia, etc., podem ser sintomas de uma doença digestiva latente que ainda não se revelou.

O mesmo podemos dizer do intestino. Ausência de prisão de ventre crônica ou outras doenças, não significa que a função intestinal seja perfeita. É comum dizer-se que uma evacuação diária é o normal nesta função, e inclusive há quem não note sua prisão de ventre, mesmo evacuando somente cada dois dias. Não se deve esquecer que existe prisão de ventre caso haja atraso na passagem das materiais fecais pelo intestino grosso, pela permanência por muito tempo na última parte do mesmo – o intestino reto”. Antecipamos que, normalmente, deveriam produzir-se tantas evacuações intestinais quantas refeições se fizessem. Comendo-se duas vezes ao dia (não contando o desjejum e a merenda, por serem de menor volume), deve haver duas evacuações; havendo apenas uma, é de crer-se que os resido de uma das refeições ficaram retidos. Evacuar uma só vez por dia já é prisão de ventre, embora leve. Assim, desde o caso dos que evacuam uma vez por semana, ou dos que só o podem fazê-lo com o auxílio de purgantes e lavagens (clisteres), existem vários graus mais ou menos importantes de prisão de ventre.

Antes de entrar em pormenores sobre o curso que as matérias seguem no intestino, exporei, esquematicamente, as funções dos órgãos digestivos. P. 8

VOCÊ TEM UMA DIGESTÃO PERFEITA? FUNÇÕES DO ESTÔMAGO E DOS INTESTINOS.

O aparelho digestivo constitui-se de um longo condutor que, começando na boca, termina no ânus. É formado pela boca, garganta, esôfago, estômago, intestino delgado, intestino grosso, intestino reto (última parte do intestino grosso) e ânus.

É necessário que esse aparelho seja longo, para que possa desempenham as múltiplas e complicadas funções necessárias à digestão. Os intestinos no homem medem cerca de nove metros, isto é mais de cinco vezes a sua estatura. Esse comprimento do intestino, contudo, varia muito de uma pessoa a outra; não é raro encontrar intestinos que medem apenas cinco metros, enquanto há outros que atingem ao enorme comprimento de dezoito metros. Os povos vegetarianos têm os intestinos mais longos, ao contrário dos carnívoros, cujos intestinos são mais curtos. Assim, por exemplo, nos povos do norte da Europa e nos esquimós, os intestinos são curtos e nos do sul da Europa, nos chineses e nos japoneses (mais vegetarianos) são mais longos.

“A alimentação tem, como veremos mais adiante, uma influência muito grande sobre a rapidez com que as matérias fecais passam pelos intestinos. Com uma alimentação comum, os resíduos necessitam de 24 horas para chegar ao reto. Comendo-se somente pão integral e verduras, o percurso dura apenas quinze horas, e comendo-se vegetais escolhidos, bastam cinco horas.

O aparelho digestivo é uma maravilha de perfeição e precisão. É como um perfeitíssimo laboratório, com muitos aparelhos destinados a transformar as substâncias. Imagine-se o que representa tirar, dos mais variados alimentos, somente os elementos nutritivos úteis para repor as energias despendidas nas diversas atividades do homem, decompô-las e eliminar tudo que é inútil. Mesmo a parte utilizada é transformada por processos complicados, de tal maneira que o corpo possa assimilá-la integralmente.

Essas operações realizam-se aos poucos, durante o percurso pelo aparelho digestivo, mas não pensemos que é fácil. É preciso saber que tudo quanto nele entra, reduz-se, primeiramente, a partículas microscópicas. Nas paredes dos intestinos há nada menos que cinco milhões de vilosidades intestinais, cuja função é absorver as substâncias alimentícias; mas para serem absorvidas torna-se necessário que sejam previamente digeridas, o que se realiza por meio de sucos digestivos, os quais as submetem a um processo químico e este decompõe a estrutura de cada alimento. Como ato prévio para se realizar a digestão dos alimentos, estes devem ser triturados; com essa finalidade a boca está provida de 32 dentes duros e fortes, que reduzem tudo a massa. Além disso, seis glândulas salivares, que derramam sobre os alimentos sua secreção durante a mastigação, impregnam os mesmo completamente de saliva. Esse suco digestivo começa a digestão na boca, e por esse motivo é de grande importância mastigá-los bem. Damos um exemplo a fim de mostrar essa digestão salivar: se mastigarmos um pedaço de pão duro, aos poucos iremos notando um gosto doce, porque a fécula da farinha começou a transformar-se em açúcar. A digestão bucal atua principalmente sobre os hidratos de carbono (farinhas, féculas), cuja digestão se completa depois no intestino delgado.

A mastigação imperfeita prejudica a digestão normal, e muita gente se esquece de que o estômago não tem dentes.. No estômago são principalmente digeridas as albuminas; por isso os alimentos em cuja constituição entra albumina, como por exemplo as carnes, os pescados, as aves, etc. Permanecem mais tempo no estômago. Em que pese a opinião corrente de que o estômago é o órgão mais importante do processo digestivo, os trabalhos mais importantes do processo digestivo realizam-se no intestino delgado. Além disso, o estômago não extrai substâncias alimentícias dos alimentos. A vida é possível sem o estômago, mas não sem o intestino delgado.

No intestino delgado os alimentos são submetidos a ação do suco intestinal e dos sucos segregados por duas glândulas importantíssimas (fígado e pâncreas) (veja-se ilustração). O fígado fabrica a bílis e o pâncreas o suco pancreático. O pâncreas tem, ainda, uma secreção interna: a insulina, que regula o aproveitamento dos açúcares.

Tanto o fígado como o pâncreas derramam seus sucos na primeira parte do intestino delgado. Assim, logo que os alimentos saem do estômago e entram no intestino, são impregnados por esses sucos, terminando aqui a primeira parte da digestão. Após a mastigação, insalivação e digestão no estômago e no intestino delgado, as matérias alimentícias já desintegradas, flutuam livremente no liquido intestinal, dissolvidas, transformadas em partículas microscópicas; nesse momento separa-se o aproveitável do inútil. Nas paredes do intestino delgado encontram-se milhões de vilosidades submersas no liquido nutritivo (vejam-se as ilustrações). São como químicos do intestino que absorvem e chupam, por assim dizer, as substâncias vitais dos alimentos. Cada vilosidade não pode absorver mais que uma parte ínfima de substâncias alimentar, mas são em número de cinco milhões e cada uma delas derrama, o precioso liquido absorvido, em vasinhos de sangue igualmente pequeno. Os milhões de vasinhos juntam-se formando veias pequenas, as quais se reunindo constituem a veia “porta”, que leva seu conteúdo ao fígado: semelhante aos arroios, que, juntando-se uns aos outros, formam pequenos rios finalmente dão origem ao rio grande que desemboca no mar.

O fígado armazena a maior parte das substancias alimentícias, exceto as gorduras, que entram diretamente no sangue.

Ao longo dos intestinos avançam em lenta progressão todas essas partículas não- absorvidas. Entre elas há pedaços de alimentos mal mastigados (fibras de carne, celulose vegetal) (veja-se a ilustração) . Essas partículas esperam ainda uma transformação no intestino grosso , assim chamado por ser muito mais grosso do que o intestino delgado. Nele, milhares e milhares de micróbios (habitantes normais do intestino grosso) atuarão sobre os restos dos alimentos. Enquanto percorre o intestino delgado, o conteúdo intestinal é mais ou menos liquido, mas quando entra no grosso adquire maior consistência até formar massa pastosa. Uma vez no intestino grosso, a matéria fecal avança lentamente; sua primeira parada é o “ceco do cólon” e nele fica retida por mais tempo. É esse lugar perigoso quando a função intestinal não é boa e particularmente, se a pessoa sofre de prisão de ventre. No ceco começam os processos de putrefação e fermentação e se as matérias permanecem retidas por muito tempo, podem desenvolver-se micróbios perigosos causadores de infecções (apendicite, colite etc).

“Quando o funcionamento do intestino é normal, nele só vivem os micróbios que são seus habitantes naturais e necessários. Convém dizer algo a esse respeito: chegam ao intestino grosso as partículas que não puderam ser desintegradas pelos sucos digestivos. São principalmente restos de células vegetais e fibras duras de carnes. Essas substâncias têm que ser atacadas pelos micróbios normais do intestino. Para compreender sua importância basta saber que a terça parte das matérias fecais que se eliminam é formada pelos referidos micróbios. Os micróbios que normalmente habitam o intestino humano, formam dois grandes grupos:

1.- Os micróbios que decompõem os resíduos vegetais e produzem “fermentação”. 2.- Os que atacam os restos de alimentos animais e dão lugar à “putrefação”.

Os processos de putrefação excessiva podem ser perigosos à saúde. Podem produzir-se, como se compreende facilmente quando se come muita carne, sobretudo se a digestão não for muito boa. Quando se come mais vegetais e menos carne produz-se maior fermentação e putrefação mais escassa; é a circunstância mais favorável para conservar a boa função intestinal e evitar o envenenamento do sangue, como os perigos dos catarros intestinais, infecções etc. Estes e outros conhecimentos, fruto da moderna ciência, permitem-nos assinalar um regime de alimentação que garanta o máximo de saúde e resistência.

“A medida que o alimento avança através do intestino grosso, é submetido a outro processo. Semi fluido a principio, solidificando-se cada vez mais, de maneira que, quando chega ao reto constitui uma massa meio sólida e de pouco volume, pois as paredes do intestino vão absorvendo continuamente o liquido que continha.

O peso de uma evacuação correspondente a uma alimentação normal é de cerca de 150 gramas, variando, porém, segundo o alimento de onde procede. Se foram ingeridas farinhas finas e carnes, reduz-se a quase 100 gramas; se pão integral ou verduras: pode passar de 250 gramas ou mais. Completa-se o curso da digestão, quando a matéria fecal chega ao reto. Quanto ao número de horas gasto pelo alimento nesse percurso, já foi dito que varia de acordo com o regime de alimentação.

DE QUE ESPÉCIE DE PRISÃO DE VENTRE VOCÊ SOFRE? P. 15 – Há prisão de ventre sempre que as evacuações se efetuaram com maior ou menor atraso, ou não se efetuaram sem intervenção de purgantes ou lavagens.

O atraso pode ser de um ou vários dias, segundo os casos. Nos graves passam de 8 a l4 dias e ainda mais, sem que haja evacuação. Um doente por mim tratado evacuava seu intestino uma vez por mês. Esses casos são raros: mas, em compensação, é comum encontrarem-se doentes que têm atraso semanais.

Esta diferença deve-se, sem duvida, ás espécies de prisão de ventre, sem contar fatores especiais que variam de uma pessoa para outras. Vamos começar por distinguir, antes de mais nada, entre prisão de ventre, que chamaremos de crônica habitual e os diferentes estados de prisão de ventre devidos a

doenças ou a distúrbios mecânicos locais. Não é, pois, a mesma coisa, que o ciclo fecal permaneça interrompido ou atrasado, por uma doença (úlcera, tumores etc.); que ele se interrompa ou atrase por má alimentação, pela vida sedentária, por herança ou por nervosismo. Falamos na primeira parte deste livro somente da prisão de ventre crônica e habitual e os outros casos explicaremos nos últimos capítulos.

Não importa, entretanto, que a causa da prisão de ventre esteja no reto, última porção de intestino, ou em suas parte mais elevadas. Quando as fezes chegam à última parte do intestino, precisam ser expulsas logo; o reto fica vazio até chegarem os restos da alimentação seguinte, que por sua vez, tocando-o são igualmente expelidos. Neste caso haveria tantas evacuações intestinais quantas refeições realizadas, isto é o que deveria acontecer. O mecanismo perfeitamente normal não serão este. Conviremos, no entanto, em que uma função tão exata não se observa a não ser em número limitado de pessoas.

Esclarecemos ainda mais esse fato e tiremos as conclusões: no caso do indivíduo tomar duas refeições por dia, precisaria evacuar duas vezes. Caso não haja mais de uma evacuação nas vinte e quatro horas, significa que os resíduos de uma refeição se acumularam nos intestinos, eis, pois, um pequeno grau de prisão de ventre. O atraso no ciclo fecal é muito pequeno, e muitas vezes voluntário. O prejuízo ocasionado à saúde não é considerável, pois a retenção retal dura pouco. O paciente não nota o menor mal-estar. A prisão de ventre retal é, portanto, a menos grave; mas isto não significa que não deva ser combatida, porque esse acúmulo de matérias, suave a principio, acaba por ser excessivo: o reto distende-se, dilata-se, sua musculatura relaxa-se, há atonia, e tudo isso pode levar a estados verdadeiramente prejudiciais.

”A que se deve esse atraso fecal na última parte do intestino? Sem prejuízo de examinar “ex-professo” esta questão, diremos aqui somente, que semelhante forma de prisão de ventre reconhece como causa o mau costume de não obedecer a tempo ao aviso da natureza. A principio é um descuido; este descuido, com o tempo, faz com que as necessidades naturais se manifestem com menos presteza. Chega assim ao atraso do ciclo fecal e à prisão de ventre.

É recomendável, pois, acostumar o corpo a evacuações reguladas, a horas certas, e não esperar que se apresente o aviso natural, talvez em hora inoportuna para quem exerce uma profissão, por exemplo. O mais comum é serem essas “horas fixas” ao levantar-se, à tarde, ou à noite, de forma que se possam fazer duas evacuações nas vinte e quatro horas. Convém não esquecer que o mecanismo nervoso ao qual obedecem os intestinos se sujeitam com facilidade a esses horários.

Seja, como for, quer se deva a descuido,ou debilidade, ou defeitos do reto ou dos nervos que regulam sua função, mais séria é sempre a prisão de ventre relacionada com as partes mais altas do intestino, sempre acompanhada, em maior ou menor escala, e uma intoxicação ou envenenamento de origem intestinal mais ou menos grave.

As matérias fecais ao passarem do intestino delgado ao ceco – que é o primeiro trecho do intestino grosso, como já dói dito – ficam armazenadas aí por algum tempo para uma transformação, antes de prosseguirem seu trajeto. Quando o ceco funciona defeituosamente, as matérias fecais permanecem nele por tempo demasiado e isso dá lugar a processos anormais de fermentação e putrefação, prejudiciais ao organismo. Acumulam-se, assim, nessa curva dos intestinos, os resíduos de várias refeições.

Nesses casos a saúde corre perigo, visto que do ceco podem passar ao sangue as toxinas intestinais produzidas pelo acúmulo prolongado de substâncias em decomposição. Esses doentes acusam algumas vezes dores na parte direita do ventre, ou pelo menos uma sensibilidade à pressão.Além disso, pela retenção de substâncias em fermentação e putrefação o ceco é um centro de produção de gases.

Demonstrarei a seguir que a prisão de ventre está diretamente relacionada com a espécie e a qualidade dos alimentos, visto que alguns destes ativam os movimentos do intestino grosso, enquanto outros paralisam ora mais ora menos esses movimentos, acabando por submergir os intestinos na atonia, isto significa que a causa da prisão de ventre pode residir em alimentação errada.

QUE ALIMENTOS CURAM A PRISÃO DE VENTRE? QUAIS OS QUE AUMENTAM? P. 19 – Quando os intestinos estão vazios, suas paredes permanecem imóveis; logo que principiam a se encher começam os movimento (peristaltismo e ante-peristaltismo) que tão marcada influência exercem sobre a digestão.

Da intensidade dos movimentos intestinais dependem a rapidez normal do que chamamos ciclo fecal, por sua fez essa intensidade dos movimentos intestinais dependem da quantidade e da qualidade das matérias ingeridas.

Os alimentos, sob esse aspecto, são de duas espécies: 1- Aqueles que ativam os movimentos e o funcionamento normal dos intestinos. 2- Aqueles que os dificultam, impedem ou paralisam. Quase todos os alimentos de origem vegetal (cereais, legumes, verduras, saladas, frutas etc) pertencem ao primeiro dos dois grupos. No segundo colocamos as carnes, os pescados, os ovos, os queijos e às vezes o leite e o creme (nata). São, também obstáculos à mecânica intestinal os alimentos alterados de origem vegetal ou preparados defeituosamente: por exemplo pão banco, farinhas refinadas, arroz comum, produtos de confeitaria, chocolate, chá etc.

Os alimentos de origem vegetal ativam os movimentos naturais do intestino, em primeiro lugar, pela celulose que contêm, em segundo lugar, por suas efeito, uma vez terminado o trabalho da digestão das substâncias vegetais, permanece uma quantidade bastante grande de celulose qualidades químicas (ácidos vegetais, açúcares de frutas etc.)

Com efeito uma vez terminado o trabalho da digestão das substancias vegetais, permanece uma quantidade bastante grande de celulose, substância áspera, estimulante das paredes intestinais, contribuindo, por sua vez, para encher o intestino grosso, outro fator que ativa os movimentos intestinais: a pressão.

“Recordemos que, quando o intestino está vazio, não se move: daí se deduz a vantagem dos alimentos vegetais sobre as carnes, queijos etc.; alimentos que são absorvidos quase por completo quando não são fibrosos, sem deixar restos, necessários para que se torne normal o ciclo das fezes. O contrario acontece com os vegetais.

Além de agirem mecanicamente, evitando a prisão de ventre, os vegetais, por suas substâncias residuais, têm uma ação química de grande importância. Com eles combate-se a prisão de ventre, chegando-se mesmo a curá-la. A casca das frutas é a parte que contém maior quantidade de celulose, cuja importância já conhecemos e também mais sais minerais e vitaminas.

Pode-se dizer o contrário a respeito do segundo grupo de alimentos: as carnes, seus derivados (ovos, farinhas refinadas, queijos, leite etc). Não favorecem o peristaltismo intestinal, porque deixam poucos resíduos no estômago e intestinos uma vez realizada a digestão. Esses poucos resíduos tem têm escasso poder estimulante. Os alimentos de origem animal, portanto, favorecem a prisão de ventre.

Além disso, devemos notar que, na maioria dos casos, os processos de putrefação desses alimentos nos intestinos produzem venenos que geralmente têm uma influência desfavorável sobre a atividade intestinal regular, no sentido de a paralisarem um tanto. Como já dissemos, os alimentos normalmente podem percorrer todo o aparelho digestivo em 12 a 18 horas, mas, quando os alimentos se compõem principalmente de substancias que não favorecem os movimentos intestinais, produzem um atraso no trajeto do bolo alimentar; atraso que certamente prejudica a saúde. O intestino forte e são faz um esforço para conseguir que a evacuação das matérias fecais se realize a tempo, mesmo com a influência desfavorável dos alimentos; mas são poucas as pessoas que possuem os intestinos assim e em muitíssimos casos há um atraso mais ou menos grande. Eu já disse que evacuação diária é um pequeno atraso; evacuar a cada dois dias é verdadeira prisão de ventre; retardamento maior é um real perigo para a saúde. Para produzir esta demora concorre exatamente a alimentação comum, que de maneira tão manifesta favorece a prisão de ventre. A alimentação comum não está em harmonia com os modernos conhecimentos da ciência dietética. Esta maneira de se alimentar é um resto da rotina do passado, em parte mantida pelas opiniões científicas prematuras e erradas, de há 50 anos, quando a ciência da alimentação começava a formar-se entre tentativas, preconceitos e erros que, por infelicidade, estão ainda muito difundidos. Perpetuou-se, assim, até nos dias um sistema de alimentação que leva não só à prisão de ventre, mas a muitas outras doenças, conforme hei de mostrar. P. 22

Em minha obra “Guia Médico do Lar”, expliquei esta questão com todos os pormenores. É indispensável uma reforma na alimentação. O fato de algumas pessoas, apesar de comerem sem moderação e sem se preocupar com a saúde, terem intestinos que funcionam muito bem, não contradiz o que afirmei: a única coisa provada por isso é o grau de resistência a que pode chegar em seu maravilhoso funcionamento, o corpo humano. Há pessoas tão bem constituídas que, parece, nada pode chegar a prejudica-las: resistem, pelo menos aparentemente, a todo gênero de influências malsãs, como alimentação anti-higiênica, excesso de comidas e bebidas, excesso de trabalho, de vícios etc. Apesar disso, não resta dúvida que,pouco a pouco, todos esses fatores acabam por danificar, mesmo aos fortes; e nada dizemos quanto aos de constituição débil. E nos que já nascem com os intestinos delicados e, além disso, nutrem-se conforme o regime comum, a prisão de ventre surge desde a infância e chega-se aos estados crônicos, com as complicações que conhecemos e explicaremos nos últimos capítulos deste livro.

Em resumo, podemos dizer que a causa principal da prisão de ventre crônica habitual deve buscar-se na alimentação antinatural.

É óbvio que a essa causa principal se acrescentam outros fatores: a vida sedentária, a falta de exercício, a desobediência ao impulso natural de evacuar, influências nervosas etc De um modo geral a pessoa de vida sedimentaria (ao contrário da que tem vida ativa) está condenada a sofrer de prisão de ventre, o que se compreende; pois assim como o intestino vazio tende ao repouso, do qual não sai senão por estimulantes: contra a inércia das vísceras em geral, pode considera-se como estimulante todo o exercício.

Resumindo, é fato que o enfermo de prisão de ventre deve fugir à alimentação carnívora e à vida sedentária.

NOVAS CONSIDERAÇÕES SOBRE A DURAÇÃO DO CICLO FECAL. Para evitar erros de interpretação, deve saber-se que as observações radioscópicas sobre os movimentos dos intestinos, utilizando a ingestão de substâncias com sulfato de bário (para estabelecer contraste, visível na chapa), não são iguais as verificadas com os alimentos. O ciclo das matérias de prova percorre mais rapidamente o trajeto se estas forem constituídas por alimentos vegetais, mais lentamente se forem pelos comuns (regime misto). Quando em ambos os casos se tratar de intestinos normais, a diferença de tempo à qual nos referimos não pode ser atribuída a outra causa senão a diferença de alimentação: os resultados falam a favor do regime vegetariano para os ameaçados de prisão de ventre ou já constipados e em perigo de prejudicar sua saúde.

Se considerarmos que as matérias destinadas á absorção e as de resíduos devem passar pelos intestinos com um ritmo determinado, todo atraso deveria ser anormal, no caso de certo indivíduo ingerir três refeições diárias e fazer uma só defecação, deve admitir-se que já existe leve prisão de ventre e os resultados de duas refeições não são expulsos a tempo. Se a evacuação se der cada dois dias, já se acumularam os resíduos de seis refeições, o que constitui, não há duvida alguma, prisão de ventre manifesta.

Enfim, se houver uma evacuação cada oito dias, juntam-se no intestino grosso os resíduos de vinte e quatro refeições. Esse não é , todavia, o limite máximo para o acúmulo dos resíduos: vi casos em que só se produzia uma evacuação cada quinze dias ou mais.

As matérias que durante tanto tempo permanecem nos intestinos, perdem por absorção, aos poucos, toda sua água e vão diminuindo assim o seu volume, deixando cada vez mais, lugar para os outros resíduos que diariamente chegam ao ponto de acumulação, com os prejuízos que já explicamos.

Sob o ponto de vista mecânico, esse estado de coisas leva às mais diversas complicações. A isso devem juntar-se os danos devidos à absorção de líquidos (excrementícios) os quais,normalmente seriam expelidos, enquanto que agora, tirando consistência ao bolo fecal, detêm-se e lentamente são absorvidos, com prejuízo da saúde geral.

Os intestinos, finalmente, dilatam-se e podem chegar a proporções muito grandes. Em tal caso a pressão das referidas matérias sobre as veias favorece as hemorroidas. São tantas as complicações disto resultantes, que merecem um capitulo à parte.

PREJUÍZOS QUE A PRISÃO DE VENTRE OCASIONA AOS ÓRGÃOS VITAIS. –P.26 – Tendo-se compreendido a importância dos processos anormais de fermentação e putrefação em um intestino constipado, será fácil admitir que uma serie de estados mórbidos encontram sua origem numa prisão de ventre crônica. Vejamos, então, os efeitos desta doença sobre os órgãos de depuração: fígado, pele, rins etc.

As toxinas e demais substâncias nocivas absorvidas pelos intestinos penetram na corrente circulatória, e chegam primeiramente ao fígado, onde como sabemos, têm que ser destruídas. O fígado, não só possui a importante função de segregar a bílis, mas também grande poder antitóxico e neutraliza grande quantidade de produtos venenosos que provêm dos processos de putrefação. E por essa faculdade que o fígado tem de destruir os tóxicos, que muitas pessoas resistem durante algum tempo , sem prejuízo aparente, à intoxicação intestinal. A ação constante dos tóxicos, todavia, sobre o fígado, adoece-o entorpecendo seu funcionamento. Este entorpecimento origina a entrada de matérias tóxicas na corrente circulatória e aumenta o trabalho dos rins e da pele, que são obrigados a eliminar uma parte das substâncias nocivas que o fígado não destrói.

Muitas vezes os venenos intestinais dão à pele uma cor impura, sintomas precursor de doenças que podem sobrevir. Darei um exemplo para servir como demonstração:

Uma senhora sofria há muitos anos, uma doença crônica da pele, que se propagou à quase todo corpo: as pernas e o ventre eram as regiões mais afetadas. Esta senhora tinha também dores de cabeça rebeldes e continuas e justamente por isso resolveu consultar-nos. A vida tornava-se-lhe, devido à sua doença, insuportável e não se preocupava com a velha afecção da pele nem com a prisão de ventre crônica da qual padecia desde a infância.

Após minucioso exame, manifestamos à doente que suas dores de cabeça poderiam sarar com toda certeza, caso seguisse perfeitamente nossas instruções, que precisariam ser muitíssimo rigorosas no concernente ao regime. Respondeu-nos que não lhe importava nenhum sacrifício se chegasse a ficar curada. Manifestamos-lhe, então, que, em nossa opinião, não só poderia currar as dores de cabeça mas também a afecção da pele. Naturalmente, a primeira coisa que fizemos foi tomar medidas contra a prisão de ventre crônica, causa principal da doença. Conseguimos imediatamente que se normalizasse a função intestinal e assim as dores de cabeça começaram a desaparecer aos poucos. Essa melhoria animou a paciente a continuar o tratamento e como consequência, após quatro meses, a afecção da pele se curou também.

“Como havíamos atribuído a causa da doença à prisão de ventre crônica, perguntamos à doente se suas dores de cabeça e a doença da pele não haviam melhorado nunca com os tratamentos feitos anteriormente. Respondeu-nos que, sempre se fazia um tratamento chamado purificador do intestino (laxante, ervas etc) e do sangue, seus males melhoravam, mas sem conseguir a cura; mas isto se compreende se considerarmos que era preciso fazer uma limpeza completa e continua dos intestinos através de um regime adequado, a fim de conseguir cura duradoura. Poderíamos citar muitos casos semelhantes a esse.

”Pode ser importante a ação exercida pelos venenos intestinais sobre o sistema nervoso em geral e especialmente o cérebro. Eis aqui uma lista muito resumida dos distúrbios que se podem originar (pelo menos em parte) no envenenamento proveniente da prisão de ventre: Neurastemia; fraqueza nervosa; depressão mental; hemicrania (enxaqueca); insônia; melancolia; irritabilidade; mau-humor; dores de cabeça; falta de vontade , de interesse elo trabalho, preguiça; superexcitação sexual etc. P.30

Admite-se que todos esses males podem ser produzidos ou favorecidos pro varias causas, como por exemplo, o excesso de trabalho em más condições, a defeituosa higiene do sistema nervoso, a debilidade congênita dos nervos;o alcoolismo, a sífilis hereditária etc., muitas vezes existem várias causas que, somadas ao envenenamento intestinal, acarretam as mencionadas doenças.

De nossa parte, podemos garantir que vimos desaparecer em muitos doentes os mais variados distúrbios nervosos após a cura radical da prisão de ventre, que os afetava. Isso prova a relação do distúrbio com a intoxicação intestinal. Vamos dar outro exemplo de nossas experiências clinicas.

Um homem de trinta anos padecia de diversas perturbações nervosas que vinham sendo diagnosticadas como neurastenia grave. O paciente não conhecia a alegria, estava sempre melancólico e torturado por ideias constantes de suicídio. Sofria, além disso, de perdas seminais noturnas , com impotência sexual e fraqueza geral. Tinha, ainda, uma prisão de ventre crônica acentuada, de forma que, quando não tomava algum remédio, não evacuava mais que uma vez cada quatro e até cada oito dias.

Experimentara vários tratamentos, tomando amiúde pílulas contra prisão de ventre, purgantes variados, curas de ervas, tônicos etc. Finalmente por recomendação de um amigo,o qual por um regime se havia curdo de uma doenças grave, o doente resolveu seguir esse mesmo regime. Assim, conseguiu melhorar bastante a prisão de ventre e fortificar seus nervos, mas não logrou ainda a cura total. Recomendado por se u irmão, veio consultar-nos.

Depois de examiná-lo minuciosamente, convencemo-nos de que era um caso de prisão de ventre habitual rebelde, devido a grande atonia dos intestinos com queda acentuada da parte superior do cólon descendente. Os exames de raios X confirmaram o diagnóstico.

Prescrevemos um regime rigoroso,incluindo os alimentos que mais estimulam o intestino, em combinação com algumas aplicações hidroterápicas locais (Banho Vital) e com alguns exercícios de ginástica especialmente escolhidas. Quando o paciente notou que sem outro remédio podia evacuar diariamente, alegrou-se tanto que só com isso melhorou seus estado de ânimo. Começou, então, a seguir o tratamento com prazer e na esperança de curar-se inteiramente. Quando já havia melhorado bastante, permitimos que tomasse alguns dos alimentos que a principio lhe proibíramos. Por meio do tratamento desapareceram todos os distúrbios do sistema nervoso e o paciente chegou a ter saúde e vigor como nunca. Curas radicais como essa, não só fazem desaparecer por completo a prisão de ventre crônica, mas também mudam de tal maneira o estado e até o caráter do indivíduo, que este se torna forte, alegre e com ânimo para trabalhar e vencer as dificuldades da vida. ……P. 32

Um intestino repleto de fezes e também de gases, exerce pressões em diversos sentidos sobre os nervos e sobre o coração através do diafragma, além da pressão sobre outros órgãos, como o fígado, o pâncreas, os rins etc. Essa pressão pode dificultar , inclusive, a circulação do sangue no ventre.

Daí um conjunto de sintomas que vão desde os pesadelos e sonhos intranquilos, até a sensação anormal de fome, ou a inapetência, passando pelas dores de ventre e baixo ventre (cólicas). A perda de peso, a anemia e o mau cheiro da boca completam o quadro. Esses e muitos outros males podem provir sem dúvida, da influencia dos venenos intestinais sobre o sangue e, por seu intermédio, sobre qualquer órgão da economia. Tanto é assim que muitos casos de anemia chegam a curar-se espontaneamente, depois de desaparecer a prisão de ventre. P33.

A irritação continua das matérias fecais endurecidas sobe as paredes internas do intestino, unida à excitação tóxica (pelos venenos), ocasiona várias doenças do próprio intestino, como as colites comuns, a colite muco-membranosa, diarreias, enterocolite e mesmo úlceras do intestino.

Em resumo: de todo o exposto deduz-se que, sem nenhuma espécie de dúvida, a prisão de ventre habitual crônica acompanhada da produção de venenos intestinais, pode intoxicar o corpo e provocar vários estados mórbidos, diminuindo, assim, a energia e a vitalidade orgânicas. De modo que a doenças que causa todos estes transtornos não é tão inocente como alguns creem: quem quiser conservar integra a saúde e garantir seu próprio bem-estar não deve descuidar-se: Combata a prisão de ventre a tempo e com energia.

Intoxicação Intestinal. Impurezas do´sangue devidas à prisão de ventre. A prisão de ventre causa facilmente fermentação e putrefações no intestino. A putrefação produz gases fétidos, que em parte se absorvem juntamente com outras substâncias venenosas e prejudiciais, passando ao sangue e sendo conduzidas a todo o corpo se o fígado não funcionar bem, podendo ocasionar então uma intoxicação geral do organismo.

Esta pode ser uma causa de intoxicação de origem intestinal, mas também pode ter outra origem; é que com a alimentação podem penetrar no intestino numerosos micróbios alguns dos quais são nocivos, embora haja outros benéficos ou indiferentes. Os nocivos podem originar inflamação e venenos que favorecem a intoxicação. As toxinas intestinais podem chegar a influir no cérebro, a ele transportados pelo sangue como se observa nas ilustrações correspondentes.

A prisão de ventre predispõe à colibacilose, que é uma infecção do intestino. Quando a prisão de ventre já tem certa duração, juntam-se aos distúrbios que temos estudado as infecções que vamos explicar…

. …P 37: Nos casos de longa duração, o colibacilo encontra-se na urina, aonde chega por meio do sangue, podendo, então produzir doenças dos rins e das vias urinárias. Também pode infectar as vias biliares, causando icterícias e outras doenças do fígado.

Os sintomas da colibacilose crônica costumam ser os seguintes: As vezes febre e mal-estar geral; diminuição da capacidade de trabalho; esgotamento nervoso; dor de cabeça; tez pálida; anemia; emagrecimento; perda de apetite; produção de gases; língua suja e carregada; gosto amargo na boca; mau hálito; fadiga; nervosismo; acidez de estômago etc. Pode complicar-se a doença com ataques de reumatismo, que , em regra, afetam algumas articulações. P.37

Nota – Obra do Dr. Adrian Vander, com o titulo “Prisão de Ventre: O QUE É E COMO EVITAR?

  Ruy Gripp – 15-06-2014

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