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Solo-Cimento A Solução Para Trechos De Estradas Problemáticos

Em quais todas as propriedades agrícolas existem determinados trechos de estradas que por natureza do terreno, nos dias de chuva, impedem o transito normal dos veículos. Formam atoleiros. Agarram os carros. Forçam o veículo que desliza, emperrando a viagem, necessitando que os passageiros desçam, firmem e empurrarem, ou então raspem a lama da camada deslizante, ou joguem terra seca do barranco debaixo das rodas.

Ou usem um jeep ou trator, com corda ou corrente para puxar, transpondo aquele ponto encrencado, problemático, que sempre impede o transito. Muitas vezes são apenas 2 a 3 locais de 10 a 20 metros cada, que a cada ano, muitas vezes por ano, em todos os anos, traz problemas sérios. Algumas vezes, depois de uma viagem por asfalto de 300 a 400 quilômetros, já na chegada da fazenda, a apenas 5 a 10 quilômetros retirado do asfalto, aparece o inesperado: o veículo impera, desliza, não anda, e muitas vezes bate e amassa no barranco ao lado, danificando a lataria, avariando o carro, desvalorizando-o, e com gastos na mecânica.

Aborrecimento e prejuízo. Roupa enlameada. Xingamento. Dor de cabeça. Transtorno. Isto pode ser evitado com facilidade e baixo custo pelo emprego do SOLO-CIMENTO naquele ponto específico da estrada. São pontos vulneráveis, críticos de poucos metros em vários quilômetros, que tendem a aumentar, crescer, alargar, alastrar sempre que passa cada carro nos dias chuva prolongada. O solo-cimento, conforme descrito abaixo, é fácil de ser aplicado, sem necessidade de mão de obra especializada. Processo antigo e funcional. Foi muito usado para construção campo de pouso para avião, na 2º Grande Guerra Mundial (1939/45) e segundo os registros, com piso ainda perfeitamente resistente até os dias atuais.

Abaixo transcrevemos as informações sobre solo-cimento, do livro “Construções Rurais”, do professor Orlando Carneiro, Piracicaba-SP, U.S.P. , 5º Edição – 1952, portanto de 46 anos atrás:

Solo-Cimento

“SOLO-CIMENTO: Para que o leitor tenha uma ligeira ideia do que seja Solo-Cimento, reproduzimos do Boletim de Informação da Associação Brasileira de Cimento Portland as seguintes notas: Consiste o solo-cimento numa mistura de terra, cimento e água em proporções determinadas, variáveis para cada tipo de terra, e que são obtidas por ensaios prévios de laboratório.

Nestes ensaios determina-se qual a mínima porcentagem de cimento necessária para garantir a durabilidade do pavimento (volume de cimento solto de 1 / 4 a 1 / 2 sacos de cimento por metro quadrado para 15 cm de espessura) e qual a quantidade de água que permite obter, com um adensamento bem feito, a maior compacidade possível.

O processo construtivo é, em síntese, o seguinte: Dada previamente à superfície da rua ou estrada, por meio de plaina, a forma que o pavimento deverá ter depois de pronto, escarifica-se o solo até a profundidade que se deseja consolidar (geralmente 15 cm). O material escarificado é, então, pulverizado por meio de máquinas agrícolas (arado de aiveca, grade de discos, grade de dentes, cultivadores, etc.).

Depois de bem pulverizado o solo escarificado, distribuem-se sobre ele os sacos de cimento, com espaçamento calculado para dar a dosagem determinada no ensaio de laboratório. Rompem-se os sacos e espalha-se o cimento tão uniformemente quanto possível por cima do solo pulverizado. Em seguida, com as mesmas máquinas agrícolas citadas, mistura-se o cimento com o solo pulverizado seco, até se obter uma coloração uniforme. A mistura é então irrigada aos poucos, e misturada com aquelas mesmas máquinas, até que se tenha juntado a quantidade de água necessária para dar o teor de umidade determinado no ensaio de laboratório.

Prolonga-se a misturação o tempo que seja necessário para distribuir uniformemente a umidade em toda a massa e, em seguida, se procede à compactação com rolo pé de carneiro. Compactado o material até perto da superfície, regulariza-se com plaina a última camada de material solto, passando-se depois o rolo compressor liso, que dará o acabamento final. Em seguida, lança-se sobre o pavimento construído uma camada de terra solta de 5 cm de espessura, a qual, depois de mantida úmida durante 7 dias, é retirada, achando-se pronto o pavimento para o tráfego.

Deve-se evitar a terra preta com matérias orgânicas, porque estas dificultam a pega do cimento. ” Aplicações: O solo -cimento é empregado também na construção de silos cintados, silos subterrâneos, pequenas residências rurais, etc. (Construções Rurais, p. 12 e 13).

Tendo este livro há cerca de 40 anos, com esta importante descrição sobre o solo-cimento, somente em janeiro decorrente é que colocamos em prática este simples e útil processo de compactação do solo. Aplicamos num trecho problemático de acesso a nossa propriedade, onde, num local mais sombrio e úmido, de solo mais argiloso e escorregadio, nas semanas de mais chuva, ficávamos agarrados, precisando de empurrar o carro ou deixando de visitar o imóvel, ou andar a pé em um bom trecho, normalmente depois de forçar o veículo por muito tempo na tentativa de ultrapassar aquele local.

Uma semana após a aplicação do solo-cimento, passou ali um trator de esteira e não teve dano algum, provando sua resistência. Na construção, demarcamos o centro da estrada com estacas e linha, numa largura de 2,10 metros, divididos em faixas de 0.70 cm para aplicar o solo-cimento nas duas faixas laterais de 0,70 cm, deixando a do meio sem aplicação. Assim, cada metro linear correspondeu a 1,40 m2 de solo-cimento.

Em 32 metros aplicados tivemos 45 m2 de área (32 x 1,4) que numa espessura de 15 centímetros resultou em 6,75 m3, (45 x 0,15) onde empregamos 26 sacos de cimento, representando a dosagens máxima de 10 % ou seja 1 saco de cimento para 2 m2 de área. Os serviços foram feitos manualmente, com enxada, enxadão e pá. Socado para devida compressão com as rodas do veículo. Não usamos água, pois a terra estava suficientemente úmida da chuva dos dias anteriores. A grande vantagem deste processo é usar o material do próprio local, dependendo de comprar e transportar apenas o cimento.

Água temos com fartura. Sem o teste para o gasto mínimo do cimento, aconselhamos aplicar a dosagem máxima, de 10% que corresponde a 1 saco de cimento para cada 2 m2 de superfície com 15 cm de espessura. Segundo vimos, o cimento recomendado se situa entre os limites de 5% a 10%, ou 1 saco para 2 até 4 m2 de área, com 15 cm de profundidade.

As paredes, cavadas no próprio terreno, servem de forma para conter e consolidar a massa solo-cimento. Os veículos passando apenas naquele local solidificado, não deslizam e nem danificam as áreas laterais da estrada não tratada, que por isso também se conservam melhor. Vamos proteger nossas estradas rurais e nossos veículos, usando o SOLO-CIMENTO, processo que poderá ser empregado também pelas prefeituras nas estradas intermunicipais, nos pontos críticos de atoleiros ou declives escorregadio.

Ruy Gripp

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2 respostas »

  1. Estamos abrindo uma estrada rural e em uma determinada parte é ingrime e com as especificações relatadas (úmido e argiloso), porém com uma relevância a mais: escorre água em pequena quantidade o tempo todo, como se minasse água.
    O solo cimento seria a solução?

    • Olá Nelson Júnior,
      Primeiro terá que cuidar para tirar a infiltração da estrada, no sítio nosso, fizemos uma vala na beirada, colocamos bambu e encobrimos com terra. Assim a água passará pela “valeta subterrânea”. Com o tempo sua estrada estará enxuta. Aí poderá fazer o procedimento do artigo. Qualquer dúvida pode entrar em contato conosco. Obrigado!

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