Meio Ambiente e Reflorestamento

Aceiro Verde – Como Proteção As Queimadas E Reflorestamento

Apresentação

O Brasil corresponde a um vasto continente com sua imensa superfície de 8.512.000 km2. Com regiões montanhosas em praticamente todos os estados, e clima predominantemente tropical, possui as condições básicas para um reflorestamento com grandes possibilidades econômicas. Estas regiões elevadas apresentam, geralmente, terras potencialmente ricas, mas que devido à topografia muito acidentada, permanecem abandonadas e improdutivas pela impossibilidade de sua mecanização. A exploração contínua dessas regiões com pastagens devastadas periodicamente pelo fogo e erosão, gerou forte degradação em sua superfície.

Acreditamos que a atividade técnica mais recomendável economicamente para o aproveitamento dessas regiões seja o plantio de florestas visando o seu aproveitamento racional. O eucalipto se apresenta como a essência florestal mais indicada para este propósito, pelas seguintes principais razões:

a) Apresenta rápido desenvolvimento;

b) Possui sistema radicular pivotante e profundo, o que permite o aproveitamento de componentes do subsolo que não são utilizados pela maioria de outras plantas;

c) Recicla nutrientes normalmente indisponíveis por estarem em áreas profundas;

d) Possui mercado garantido devido às suas múltiplas finalidades: lenha combustível; carvão para siderurgia; celulose para a indústria de papel; madeira para construção civil, indústria de móveis, marcenaria, serraria em geral, moirões, e outras utilidades;

e) Contribui para a recuperação e proteção dos solos evitando a erosão.

Aciero Verde

Entretanto, a recuperação de áreas degradadas, abandonadas ou improdutivas por reflorestamento necessita de proteção contra incêndios. Na maioria das vezes os incêndios se iniciam nas margens de estradas, rodovias ou caminhos que cortam estas áreas vulneráveis, dando origem às queimadas que devoram rapidamente a vegetação e consequentemente inibem iniciativas para a exploração madeireira e o reflorestamento em geral.

Sendo áreas muito acidentadas existe dificuldade no controle do fogo e a ação dos bombeiros. Quando o fogo se alastra, dificilmente é controlado. Como o reflorestamento envolve elevado investimento somente recuperável a longo prazo, a perspectiva dos incêndios representa um forte e permanente desestimulo a esta atividade.

Justificativa

O presente trabalho tem por finalidade realçar a importância do “aceiro verde, vivo, e ecológico”  no controle de incêndios em pastos, campos, florestas e em todo ambiente natural sujeito a esses desastres. Diversos vegetais são potenciais candidatos como participantes de “aceiros verdes”. Podem se apresentar como ervas, arbustos ou árvores.

Para se enquadrarem nesta classificação devem ser dificilmente consumidos pelo fogo, manterem-se sempre verdes, serem plantas ricas em água, manterem forte umidade no solo; no caso de árvores, estas devem evitar a entrada da luz diretamente no solo, dificultando, desta forma, o alastramento do fogo. Os aceiros verdes deverão ser plantados principalmente às margens das rodovias.

Quando árvores, deverão ter o crescimento conduzido para ampliarem e adensarem suas copas o mais próximo possível do solo. Desta forma, na ausência de luz, o crescimento de ervas  que secam na maturação, como as gramíneas, terão o desenvolvimento inibido e haverá pouca geração de massa  combustíveis para atiçar e avivar o fogo nascente.

A revista “Brasil Rotário” de agosto de 1994 à página 46 trouxe interessante estudo sobre a Leucena (Leucaena leucocephala) com o titulo “A Árvore do Milagre”, por David  E. Deppner. Entre os vários argumentos sobre esta importante leguminosa, encontramos:

“As árvores de Leucena têm outras características notáveis. Elas crescem melhor nos lugares mais ensolarados. Suas copas não são muito fechada, permitindo a penetração de uma boa quantidade de raios solares. Suas raízes são arranjadas sob forma de um enorme cone estreito e profundo. São essas qualidades que fazem o verdadeiro “milagre” dessa árvore, porque elas permitem que as árvores Leucena cresçam no meio quente e seco dos lugares onde houve derrubada e queimada das florestas.  Uma vez crescidas, as árvores da Leucena refrescam a terra, fornecendo umidade e sombra enquanto restauram a vida do solo através da contínua queda de folhas. E quando uma área é coberta com essas árvores, ela fica virtualmente à prova de fogo”.

A frase “E quando uma área é coberta com essas árvores, ela fica virtualmente à prova de fogo” motivou-nos à pesquisa de outras plantas que também pudessem evitar ou controlar a expansão das queimadas. Pouco encontramos na literatura sobre o assunto. Apenas citações esparsas sobre  espécies usadas com esta finalidade. Dentre elas, citamos: Figo-da-Índia, a Leucena e a Aroeira ou Fruto-de-sabiá.

Daí formulamos a teoria de que centenas de árvores frondosas como a Mangueira, Jaqueira, Jamelão, Aroeira, Jequitibá, assim como arbustos e plantas ornamentais como a Murta, o Sansão-do-campo, Fícus-benjamim, vários tipos de  cactos e a maioria dos vegetais comumente usados como cerca viva e cerca-canteiro (Buganvília ou Três-marias) e dezenas de leguminosas perenes e rasteiras, como o Amendoim-rasteiro, que normalmente permanecem verdes mesmo no período da estiagem podem funcionar no controle do fogo.

Temos prova cabal que o nosso tradicional Cafeeiro, devidamente conduzido em renque nas margens das rodovias, funciona como um ótimo aceiro verde. Não são conhecidos casos de incêndios atravessarem e destruírem cafezais produtivos, devidamente capinados, corretamente adubados, com exuberante folhagem  verde.

O fogo que surge nas margens das rodovias inicia-se principalmente nas gramíneas (capins variados) e outras plantas de ciclos anuais que crescem e, quando amadurecem fornecem abundante material seco, facilmente inflamável.

Qualquer árvore frondosa como a Mangueira ou Jaqueira, ou mesmo uma árvore nativa de madeira de lei e de porte alto como o Jequitibá, sendo plantada nas margens das rodovias em fileiras, formando uma coluna contínua, e conduzida por poda de formação para se expandir horizontalmente, com os galhos pendendo bem próximos do solo para evitar a entrada da luz solar debaixo de suas copas, pode funcionar com aceiro verde.

Geralmente debaixo das árvores, em ambiente de pouca luz, nasce pouco mato, mantendo no máximo uma vegetação rala, com poucas espécies de gramíneas. A limpeza do pouco mato que surja entre as colunas de árvores, assim como de galhos e folhas caídas sobre o solo, complementarão o papel dessas árvores como aceiros-verdes.

Conclusão

Parece que este assunto ainda não foi estudado e pesquisado com profundidade. Acreditamos ser muito importante, tendo forte  base no aspecto  econômico , social e ambiental. Sugerimos que os órgãos de pesquisa e divulgação na área agrícola do País, desenvolvam experimentos práticos na procura de vegetais capazes de se constituírem em aceiros-verdes.

Tais aceiros ainda contribuiriam para o embelezamento da paisagem, abrigo e alimento da fauna terrestre e defesa do meio ambiente em geral. Mas principalmente estimularão o aproveitamento econômico da energia solar  abundante na maioria das regiões montanhosas e abandonadas do Brasil, TRANSFORMANDO ESTA ENERGIA GRATUITA DA NATUREZA EM BIOMASSA RENOVÁVEL, abrindo importante mercado de trabalho na atividade, que possui, devido o déficit nacional e mundial de produtos florestais em geral, crescente potencial de exportação gerando divisas na balança comercial.

Nota

Trabalho apresentado no XXIII – CBA  Congresso Brasileiro de Agronomia, em BH realizado de 02 a 05/09/2003) Manhumirim (MG), 12 de Agosto de 2003).

Engº Agrº Eduardo Cotrim Heringer e Engº Agrº Ruy Gripp

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