Infraestrutura

Bacia do Rio Doce: Erosão e Recursos Hídricos

No WORKSHOP (Reunião de Trabalho) com o título “Erosão e Recursos Hídricos na Bacia do Rio Doce ” ocorrido entre 23 a 25 de junho de 1997 em Governador Valadares – MG, no convite – programa encontramos :

“Herdarás o solo sagrado e a fertilidade será transmitida de geração em geração. Protegerás teus campos contra a erosão e tuas florestas contra a desolação e impedirás que tuas fontes sequem e que teus campos sejam devastados pelo fogo, para que teus descendentes tenham abundância para sempre.

Se falhares, ou alguém depois de ti, na eterna vigilância de tuas terras, teus campos abundantes transformar-se-ão em solo estéril e pedregoso ou em grotões áridos. Teus descendentes serão cada vez menos numerosos, viverão miseravelmente e serão eliminados da face da terra.” (11 º mandamento) Autor desconhecido. Faça sua parte. E a vida renascerá na Bacia do Rio Doce.

Em excursão ecológica de ônibus, de Governador até Resplendor, passando por Galileia e Conselheiro Pena, cerca de 60 participantes daquele encontro puderam confirmar a triste realidade da profecia já cumprida ali, com a existência de imensas áreas de solo estéril e grotões áridos em outrora exuberante floresta de mata atlântica.

Vastos campos de solo sagrado, de grande fertilidade , não foram protegidos. O fogo repetido ano a ano e a erosão permanente acabou com a floresta e devastou o solo, secando as fontes e diminuindo a vazão dos córregos, com as lavouras hoje improdutivas, isto na maior extensão daquele grande território mineiro.

Durante as palestras e debates, foi afirmado que outrora as pastagens formadas com capim colonião após a derrubada da mata, suportavam 4 (quatro) bovinos por cada hectare. Hoje, a média de suporte reduziu-se em apenas 0,5 (meia unidade animal) por hectare. Portanto uma relação de queda de 8 : l , isto é, a capacidade de pastoreio ou a produtividade dos campos está oito vezes menor.

Na oportunidade, como sugestão naquele importante encontro de propostas para defesa da Bacia do Rio Doce, em nome da Sociedade Mineira de Engenheiros Agrônomos, Núcleo Regional de Manhumirim-MG, apresentamos oralmente e por escrito:

1) A tese sobre Mata Ciliar Econômica;

2) Permacultura ou Culturas Permanentes Consorciadas;

3) Sugerimos também que num planejamento inicial para execução de obras visando o manejo ecológico, na Bacia do Rio Doce, fosse contemplada a Bacia do Rio Manhuaçu, um de seus maiores e principais afluentes.

Nesta, dando preferência inicial pela bacia do Rio Jequitibá, situado próximo à divisa do Parque Nacional do Caparaó, confrontando, na vertente, com a Bacia do Itabapoana, que já está em fase adiantada de planejamento para seu manejo ecológico com o denominado plano Managé, abrangendo 18 municípios dos três estados: MG, ES e RJ.

Estas duas bacias hidrográficas possuem linha divisória nas cabeceiras dos municípios de Alto Jequitibá e Alto Caparaó. Assim, qualquer diferença nos processos ou princípios básicos adotados numa e noutra bacia, poderá facilmente ser confrontada e analisada, para escolha futura das práticas mais eficientes e econômicas, a fim de se obter os melhores resultados na preservação do maior volume e melhor qualidade da água, assim como na defesa do seu meio ambiente, na conservação da fertilidade e produtividade do seu solo, na exploração do seu grande potencial na agropecuária e no agro-turismo.

                                                                                                          Ruy Gripp – 02/07/97

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