Meio Ambiente e Reflorestamento

A Importância do Engenheiro Agronômo no Desbaste Florestal

Alceu de Arruda Veiga, Engº Agrº Séc.Agricultura de S. Paulo

(IBC, GERCA- Curso de Atualização de Conhecimento Agronômicos)

Toda vez em que o Engenheiro Agrônomo é chamado a visitar uma propriedade agrícola, para orientar o lavrador na cultura racional de cereais, algodão ou café sobra-lhe, sempre, algum tempo, para inspecionar um talhão florestal, seja ele de eucaliptos, de pinheiros, de jequitibás ou de perobas. E é, nesse momento, que a sua ação benéfica se fará sentir, se souber auxilia-lo, na execução técnica de um desbaste florestal.

Quem planta milho, arroz ou algodão, conta, antecipadamente, com dados que lhe permitem calcular ou prever a sua safra futura. Quem planta “eucaliptos” ou “pinheiros”, também deve contar com elementos que possam facilitar o cálculo da possibilidade volumétrica dos talhões. Aliás, a maneira mais fácil de se atingir esse objetivo, reside em se conhecer a forma racional de condução dos povoamentos florestais, através dos desbastes. Para que possamos explanar o método – por nós proposto -, torna-se indispensável, explicar o que vem a ser uma ÁREA BASAL.

Medindo-se o diâmetro de uma árvore, a 1,50 m acima do solo, pode-se calcular a área do círculo, mediante a fórmula S= 3,1414 x d x d ¸ 4 (ou S=P R2) cujo resultado representa a ÁREA BASAL INDIVIDUAL da planta. Se mensurarmos inúmeras plantas, pelo sistema de amostragem, e obtivermos um diâmetro médio, é claro que a área individual também representara a média do povoamento. Por outro lado, supondo tratar-se de uma plantação no compasso de 2 m x 2 m existirão 2.500 plantas em 10.000 metros quadrados do terreno. Logo, o produto de 2.500 pela área individual média, irá dar, como resultado, a ÁREA BASAL MÉDIA, por hectare. Exemplo: diâmetro médio do povoamento : 0,135 m; Área individual média: 3,1414 x 1,35 x 1,35 ¸ 4 = 0,014310; Área média por hectare : 2.500 x 0,014310 = 35,75 m2.

Poderíamos também, calcular as áreas individuais de todas as árvores contidas em um hectare, para soma-las e obter então, a ÁREA BASAL TOTAL OU MÁXIMA. Lidaríamos, neste caso, com toda a população, ao invés de pequenas amostras.

Até esta altura dos acontecimentos, explicamos o que vem a ser uma área basal, porém, não esclarecemos o seu verdadeiro conceito teórico, o qual representa, por assim dizer, o ponto relevante do método que propomos para um desbaste florestal. Assim, vejamos: quem planta um talhão de essências florestais, preocupa-se em conhecer qual o número ideal de plantas, por hectare, para que todas elas utilizem, da melhor maneira possível, dos fatores limitantes do crescimento, quais sejam a luz, a umidade e os nutrientes. Esse quantum ideal é denominado, em silvicultura, de densidade ideal. Aliás, para que um talhão florestal chegue a atingir essa densidade desejada, é preciso que todos os seus indivíduos lenhosos explorem, completa e economicamente, aqueles referidos fatores.

Como saber, então, quanto o povoamento terá atingido essa densidade? O modo mais fácil e mais racional de se chegar a esse conhecimento reside na determinação da área basal, por hectare, porque ela é uma expressão indicativa do momento – ou idade – em que todas as árvores atingem o limite específico de uso dos fatores, luz, umidade e nutrientes.

Essa definição- por nós proposto – facilita aquele conhecimento, através da determinação das taxas porcentuais do crescimento diametral. Procuramos assinalar o desenvolvimento anual ou bi-anual, em porcentagem, de modo tal que, ao constatarmos uma queda pra limites inferiores, tenhamos indicação de que o crescimento se acha entravado pelo excesso de plantas, por unidade de área, levando-nos ao raciocínio de que elas atingiram aquele limite de uso e, pois, chegaram à sua área basal específica. Para conhecimento dessas taxas, aplicamos a seguinte fórmula: ( D – d ¸ D + d) ¸2 = t ¸ 100 , sendo que D, vem a ser o diâmetro atual; d, corresponde ao diâmetro imediatamente anterior e t a taxa. Assim, para exemplificarmos, se o diâmetro atual corresponder a 0,10 m e o anterior a 0,08 m, a taxa porcentual será calculada, conforme a o que se segue: {(0,10 – 0,08) ¸ (0,10 + 0,08)} ¸ 2 = t % = 22,22%. Medindo-se essas árvores, nos anos seguintes, digamos que essa taxa vai decrescendo até atingir 2 a 3%. Nesse momento, calculamos a área basal e procederemos ao primeiro desbaste. Conhecendo-se esta área, organizamos o Quadro abaixo, para interpreta-lo nos momentos decisivos: Diâmetro – m; Nº / Há; Espaçamento – m2; Área/Há –m2; Área individual – m2; % a permanecer; % de extração.

(Segue-se quadro que não vamos reproduzir por falta de espaço, mas que poderei fornecer aos interessados), … Área Basal em m2 / Há = 35,75 m2 , correspondente ao diâmetro médio do povoamento de 0,135 m, com a área individual de 0,0140310 m2, (quando estacionou o crescimento, indicando a necessidade de executar o desbaste), escolhendo o diâmetro para 0,180, correspondendo a extração 43,84 %, permanecendo 56,16 % , espaçamento 7,12 m2 por planta, permanecendo 1.404 (56,15%); extraindo 1.096 (43,84%) ou seja 2.500 – 1.404.

É fácil perceber e manusear os dados inseridos nesse quadro: a espécie cogitada é o Pinus elliottii, plantada a 2,0 m x 2,0 m, de modo a oferece, a cada muda, uma exploração radicular de 4,0 m2. Um hectare, nesse caso, comporta 2.500 plantas. Quando a taxa porcentual caiu para um limite inferior, seu diâmetro médio correspondia a 0,125 m. Com isso, a área individual passará a ser 0,0l4310 m2. Multiplicando-se por 2.500, obtivemos a referida área basal de 35.75 m2.

Digamos, agora, que o técnico deseja forçar esse povoamento a um desenvolvimento tal, cujo diâmetro médio passe a ser 0,180 m. Logicamente, a área individual corresponderá a 0,02545 m2. Para sabermos, nesse caso, qual deva ser o número de plantas que permanecerão no povoamento, bastará dividir a área basal =35,75 por 0,025450. O resultado –1.404 – representará o quantum a manter e o espaçamento médio passará a ser 7,12 metros quadrados. Consequentemente, deveremos extrair 43,84% sobre o montante inicial.

Uma das vantagens que advêm da organização desse Quadro para diâmetros acrescidos de centímetro, está em se poder estudar, com detalhes, o povoamento, a fim de se concluir sobre o maior ou menor intensidade no corte de beneficiamento. Digamos que o talhão em cogitação possui uma densidade exagerada, a ponto de estar prejudicando as árvores, levando-se a elevado grau de debilidade. Uma derrubada parcial muito forte, poderá estragar todo o conjunto de plantas remanescentes. Será, então, mais conveniente, um desbaste fraco, de modo a elevar o diâmetro de 0,135 m para 0,140 m, extraindo-se apenas 7,12%. Todavia, se a densidade inicial for suficientemente boa, a ponto de permitir um desbaste mais forte, o técnico talvez poderá sugerir a extração de 54,52%, a fim de forçar aquele diâmetro inicial ao atingimento de 0,200 m, reduzindo o montante de árvores para 1.137, com um espaçamento médio de 8,79 metros quadrados.

Uma vez executado o primeiro “corte de beneficiamento”, deverá esperar que as árvores remanescentes atinjam o diâmetro desejado. Se este corresponder a 0,250 m e a dendrometria de campo chegar a acusá-lo, é sinal de que o povoamento já está em condições de sofrer um segundo desbaste. Nesse momento, far-se-á a escolha do novo “diâmetro desejado”. Digamos que seja 0,300 m. A área individual será 0,070700 m2 e o número de plantas a permanecer no povoamento corresponderá a 506, com uma extração porcentual de 79,86.

De um modo geral, as idades em quaisquer essências florestais atingem a sua ÁREA BASAL, por hectare, oscilam entre 6 a 10 anos. Nestas condições, se o técnico estiver em presença de um povoamento em que não se tenha determinado as taxas de acréscimo, porém souber que a sua idade atingiu aquele limite, poderá partir do pressuposto de que já está a exigir um primeiro desbaste. Então, a sua primeira providência será a de determinar o diâmetro médio, a área individual correspondente e, em consequência, a área basal por hectare, a fim de organizar o Quadro que orientará, matematicamente, na extração racional de plantas.

Sabendo, de antemão, quando pode derrubar, periodicamente, ficará fácil conhecer o valor econômico do produto a extrair, até atingir a idade do corte final.”

(Trabalho apresentado no Curso de Atualização de Conhecimentos Agronômicos, IBC / GERCA, em Campinas-SP, em 1962, pelo Engº Agrº Alceu de Arruda Veiga. Participamos naquela data do curso, e agora reproduzimos as informações acima, para compreensão do processo técnico do Desbaste no Reflorestamento, visando produzir madeira nobre para serraria, certamente uma atividade econômica importante para o Leste Mineiro).

            Eng Agr Ruy Gripp- (08/03/2005)

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