Curiosidades

Nim – Árvore do Inseticida Natural

Introdução

Antes do advento da química orgânica, a maioria dos inseticidas ou vermicidas para combater as pragas que atacavam os animais ou vegetais eram, de um modo geral, de origem vegetal. Eles eram obtidos de determinadas plantas que sintetizam, fornecendo os princípios ativos que combatem, eliminam ou controlam os insetos ou pragas.

Naturalmente estas plantas são fornecedoras de substâncias tóxicas para as pragas, que em determinadas dosagens não prejudica os seus hospedeiros, animais ou vegetais. Entre outros vegetais com virtudes de fornecer inseticidas naturais podemos citar:

a) Timbós – várias espécies de cipós e arbustos, de famílias diferentes, cuja casca e raízes produzem o principio ativo denominado TIMBOINA (Derris sp, Serjania sp, Paullinia sp e Lanchocarpus sp);

b) Crisantemos, cujas flores fornecem os piretroides denominado piretro;

c) O fumo, cujas folhas contém o tabaco ou a nicotina. Estes são os 3 vegetais mais populares fornecedores de inseticidas vegetais de outrora, de um passado ainda bem recente, largamente empregados nas décadas de 30, 40 e 50 , antes portanto, da síntese dos afamados inseticidas e defensivos agrícolas da linha do DDT, BHC , etc.

Nim

Com o desenvolvimento da indústria química, surgindo a possibilidade da síntese destes mesmos produtos extraídos dos vegetais, ou outros com idêntica ação, mas produzidos artificialmente em larga escala e em estado puro, uniforme, homo gênio, o uso dos produtos extraídos dos vegetais foi ficando abandonado. Também, com as pesquisas, surgiram centenas de outras substâncias químicas, mais eficientes e mais econômicas.

Assim, os produtos de origem vegetal foram ficando esquecidos, desprestigiados, ou se tornaram antieconômicos para produção em larga escala, como exigido nos tempos modernos da atual agricultura mecanizada, científica e de alta tecnologia para produção em larga escala.

Mas, por causa dos problemas residuais dos defensivos químicos produzidos sinteticamente em laboratórios , muito eficientes e práticos, mas com efeitos tóxicos ao meio ambiente, poluentes da natureza, daninhos ao homem , aos animais ou a outras plantas, os cientistas têm se preocupado em pesquisar e descobrir produtos de origem natural, tanto do reino animal como vegetal, que possam ter efeitos positivos no controle das pragas ou doenças das plantas e dos animais, sem os inconvenientes dos defensivos químicos, industrialmente produzidos.

NIM – INSETICIDA NATURAL

O “ NIM ” , árvore da família do nosso cedro e do mogno, planta de origem indiana, parece ser uma delas, que nas pesquisas tem demonstrado bons resultados práticos, conforme revela a reportagem de João Ricardo Penteado, na revista “Globo Rural ” de Janeiro/99 , de onde transcrevemos a seguir: “ NIM – Defesa natural. Árvore trazida da Índia contém nas folhas um componente eficiente para controlar insetos que prejudicam o rebanho e cultivos.

Uma árvore originária da Índia, muito versátil em suas aplicações e subprodutos, vem sendo testada em vários pontos do país. Sua principal qualidade, a ação inseticida de um dos componentes, é o que chamou a atenção de Belmiro Pereira Neves, entomologista e pesquisador da Embrapa, em Goiânia, GO, para a planta. Em 1992, o pesquisador foi procurado por um ecologista italiano que lhe falou do NIM, o nome indiano da árvore, e do potencial de suas utilidades, em particular a de inseticida natural.

Neves ficou entusiasmado e acompanhou-o a um congresso na República Dominicana, reunindo pesquisadores que estudavam a planta. Ao voltar, trouxe em sua bagagem 10 quilos de sementes do nim, que introduziu no país em 1993. Cinco anos depois, as sementes de Belmiro se transformaram em cerca de 800 árvores que ele cuida com a atenção e o carinho de verdadeiro pai no sítio da Embrapa, a 12 quilômetros de Goiânia.

Embora seja planta ainda desconhecida no país, o nim é amplamente pesquisado nos EUA, na Alemanha e na América Central. Originário as regiões de Mianmá ( ex-Birmânia) e do subcontinente indiano, seu nome científico é Azadirachta indica e faz parte da família botânica das meliáceas, como o mogno da Amazônia e os cedros. A aplicação que motivou sua expansão inicial no Brasil foi na preparação de um carrapaticida para o rebanho bovino.

Ao saber que o pesquisador estava trabalhando em Goiânia com uma planta que poderia ser utilizada no combate ao carrapato, o produtor de leite Célio Ferreira Gomes resolveu procurá-lo e acabou tendo papel importante na difusão do nim no país. Há quatro anos, a associação que preside plantou 10 mil árvores e deu início ao trabalho paciente de repasse de mudas para todo o Brasil, já tendo atendido produtores de S.Paulo, Rio de Janeiro, Pará e Paraná. Gomes aprendeu com o pesquisadora a preparar o carrapaticida com as folhas do nim.

As folhas são retiradas das árvores, secadas à sombra e depois trituradas. O pó resultante é misturado com água – 50 gramas do pó a cada litro. A solução deverá ficar em repouso de seis a oito horas para liberação dos ingredientes ativos da planta. Antes da pulverização, é bom acrescentar um pouco de sabão para dar maior aderência ao pelo do animal.

Além do carrapaticida, o nim apresentou bons resultados no combate à mosca de chifre. Nesse caso, as folhas secas da planta são moídas e misturadas à ração dos animais. Elas possuem o tritertenoide, substância degenerativa para a larva da mosca e que acaba saindo no estrume do gado. Como a mosca se alimenta do estrume, o tritertenoide impede a sua multiplicação.

Os poderes do nim, contudo , não agem apenas contra insetos que prejudicam a criação . Podem também ser usados na lavoura. Como inseticida agrícola , o nim é uma arma para combater percevejos e lagartas, além de controlar nematoides e mais de 120 espécies diferentes de insetos. Na Republica Dominicana , a pasta produzida a partir da prensagem das sementes é misturada à ureia e aplicada no solo para controlar os nematoides. As folhas moídas são empregadas no combate a pragas que atacam as hortas, reduzindo as aplicações de inseticidas químicos, segundo Neves.

A versatilidade das aplicações do NIM se deve às mais de 100 substâncias químicas naturais que se podem extrair das sementes, das folhas e da polpa dos frutos. A azadirachtin, sua molécula principal, é responsável pelos efeitos inseticidas das folhas da planta. Outras substâncias presentes tornam possível seu uso também na fabricação de remédios e na produção de cosméticos.

De aroma suave e sabor levemente adocicado, a semente do nim possui em sua composição 42 % de óleo . Rico em ácidos graxos, o óleo é usado para produzir um sabão medicinal de combate a piolhos, entre outros artigos . Na Índia, ele entra na fabricação de sabões dermatológicos e pastas de dente. A madeira de nim pode ser utilizada na construção de casas e para cercas e postes.

Principais Qualidades

Suas principais qualidades são a resistência e a imunidade aos cupins. A árvore tem um crescimento rápido, de 70 a 80 centímetros por ano. Em solo de boa fertilidade e com manejo adequado, é possível conseguir uma produção considerável de madeira, chegando até 40 toneladas por hectare plantado. Com um potencial de aproveitamento tão amplo na agricultura, o nim atraiu o interesse de empresas.

A Quinabra tem um projeto para sua industrialização, como matéria – prima para inseticidas, primeiro para a lavoura, depois para uso veterinário e, numa etapa posterior, como larvicida para controle da dengue. Mas o maior problema no momento é a falta de matéria – prima. O número de árvores existentes no país ainda é pequeno e necessita um volume grande de sementes para extração do óleo. Apesar disso, a Quinabra pretende lançar o inseticida no mercado, em pequena escala, no inicio do ano que vem.” (Nota : Informações reproduzidas do Globo Rural, Janeiro /99 pag. 23 a 25).

                                                                                              Ruy  Gripp – 06 / 01 / 99

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