Meio Ambiente e Reflorestamento

Palma ou Dendê – Óleo de Valor no Comércio Internacional

Palma ou Dendê

A cultura do DENDÊ e PALMA (Elaeis guineensis) é muito importante no mundo atual, pelo seu valor econômico no comercio internacional, mas ainda pouco conhecida no Brasil, embora nosso país apresente condições de clima e solo para tornar-se um grande fornecedor mundial do precioso óleo extraído da polpa e da semente do seus frutos.

Despertado recentemente para o assunto “dendê ”, tendo em vista estudar a possibilidade de sua exploração, tecnicamente conduzida, nos municípios do Médio e Baixo Rio Doce, fizemos uma ampla consulta sobre a produção, industrialização e comércio do óleo do dendê e obtivemos respostas de vários Estados e de dezenas de Instituições de Pesquisas. Como ilustração, visando sua divulgação, vamos transcrever parte das informações mais importantes sobre esta palmeira oleaginosa, como a seguir:

Dendê

dende

1) Introdução

O dendezeiro (Elaeis guineensis, Jacq.) é uma palmeira de origem africana, trazida para o Brasil no século XVII, pelos escravos. É uma planta perene, com vida econômica de 25 anos, quando em exploração agroindustrial. O óleo de dendê, que no Brasil está fortemente ligado à culinária baiana, é conhecido como PALM OIL no mercado internacional, onde ocupa o segundo lugar em volume comercializado, só perdendo para o óleo de soja.

É a oleaginosa cultivada de maior produtividade, chegando a produzir mais de 8 toneladas de óleo por hectare, por ano. No Brasil, plantações comercias bem manejadas apresentam produtividade de 5 toneladas por hectare / ano.

As características de planta perene, com produção distribuída durante todos os meses do ano, sem entressafras e alta produtividade, conferem a esta palmeira atributos de grande importância econômica, ecológica e social. É uma cultura agroindustrial, devendo a plantação estar sempre próxima da indústria de extração do óleo.

1.1 – CLIMA

Para altas produções, o dendezeiro requer temperaturas médias mínimas superiores a 24 º C. A temperatura tem efeito marcante sobre o número de folhas emitidas, número de cachos produzidos e sobre o teor de óleo nos frutos. A duração do tempo de insolação é outro fator importante para a produção desta cultura. Admite-se como ideal aquela superior a 1.500 horas anuais, bem distribuída ao longo do ano ou, no mínimo, 5 horas de luz por dia.

Entretanto, a quantidade e a distribuição das chuvas é o principal fator para obter elevadas produções. Precipitações pluviométricas acima de 2.000 mm / ano, regularmente distribuídas durante todos os meses, sem déficit hídrico, são condições ideais para que sejam alcançados rendimentos econômicos satisfatórios .

1.2 – SOLO

O dendezeiro adapta-se aos diferentes tipos de solo. Porém, apresenta melhor desenvolvimento em solos profundos não compactados, pois o sistema radicular fasciculado do mesmo é extremamente sensível a solos compactados. Solos permeáveis que garantam uma boa aeração e boa circulação de água no perfil são condições necessárias para o desenvolvimento adequado desta palmeira.

Os solos de textura muito leve e os de textura excessivamente pesada não são recomendáveis para esta cultura. Geralmente, admite-se que a textura mais favorável corresponda a 25-30 % de partículas finas, principalmente quando a pluviometria da região for inferior a 2.000 mm. O dendezeiro é bastante tolerante às condições químicas do solo.

Produzirá, entretanto, melhores rendimentos em solos bem equilibrados em elementos minerais. Adapta-se bem a solos ácidos e desenvolve-se normalmente numa faixa de pH entre 4 e 6.

Dentre os fatores edáficos, outro ponto importante é a topografia do terreno que deve ser plana ou com pendentes inferiores a 10 % de declividade.

1.3 – Regiões com potencial para a cultura

No Brasil, somente a região amazônica e uma estreita faixa , no litoral da Bahia, apresentam condições edafoclimáticas favoráveis ao desenvolvimento da dendecultura. A extensão mais representativa é encontrada na Amazônia Ocidental, compreendendo o estado do Amazonas, uma pequena porção do estado do Acre e uma estreita faixa no estado de Roraima, com área potencial apta estimada em 708.000 km2.

Na Amazônia Oriental, o potencial da área ecologicamente apta disponível está estimada em 35.000 km2 no estado do Pará e 5.700 km2 no estado do Amapá. Acredita-se que o emprego da irrigação, nas áreas com déficit hídrico prolongado, poderá ampliar as fronteiras do cultivo desta oleaginosa.

1.4- Composição e usos do óleo de dendê

O óleo da polpa (óleo de dendê) contém cerca de 50% de ácidos graxos saturados (predominando o palmístico) e 50% de ácidos graxos insaturados (sobretudo o oleico e linoleico). Sua cor, acentuadamente avermelhada, deve-se à presença do caroteno (pró-vitamina A), sendo considerado a maior fonte natural desta vitamina. É totalmente líquido a 30 º C e sólido a temperaturas inferiores a 15 º C.

A tecnologia moderna de refino permite separar, por fracionamento, a parte fluida (oleína), rica em caroteno e em ácidos graxos insaturados (que se mantém absolutamente límpida a 5- 7º C), usada como óleo fino de mesa, da parte sólida que se deposita e que é constituída de glicerídeos de ácidos graxos saturados (estearina e palmistina), usada, entre outros fins, no preparo de margarinas alimentares.

No Brasil, além do uso alimentar (que consome mais de 70% da produção), o óleo de polpa também encontra aplicação industrial em siderurgia, laminação de chapas de aço, banho de estanhagem, nas indústrias de tintas e vernizes, fabrico de sabões, sabonetes, detergentes, velas, produtos farmacêuticos e cosméticos, produtos de confeitaria, etc.

O óleo de palmiste (extraído da amêndoa) tem as mesmas aplicações dos óleos de coco e babaçu. Atualmente, vem sendo preconizado o uso do óleo de dendê como alternativa energética em substituição ao óleo diesel. (Extraído do “Dendê” , coleção Plantar- Embrapa- SPI – Serviço de Produção de Informação-Brasilia – DF -1995. Edson Barcelos, Hubert Chaillard e mais 8 autores relacionados).

1.5 – Oferta e Demanda no Mercado Internacional

(Óleos e Grãos -Março/Abril-97) O produto extraído da polpa do fruto possui inúmeras aplicações tanto na indústria alimentícia como na saboeira e oleoquímica, onde se enquadra como perfeito substituto do petróleo.

O óleo de palma é largamente utilizado na fabricação de alimentos por seus aspectos extremamente positivos. Rico em vitaminas A e E , o óleo tem alto valor nutritivo e é recomendado pela FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação ) como complemento alimentar para populações de baixa renda.

Em todo o mundo, estudos o apontam como o óleo do futuro na fabricação de alimentos. Ao contrário das demais matérias-primas do gênero, dispensa a hidrogenação, processo químico que torna sólidos os óleos vegetais. No caso da palma, isso é feito através de esfriamento e filtração, método natural.

Palma

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Para a palma ainda são reservadas outras aplicações industriais, como a fabricação de sabões, sabonetes, detergentes, tintas e vernizes. Pesquisas também o apontam como excelente combustível para motores em substituição ao diesel.

O óleo de palmiste, extraído da amêndoa do fruto, é uma matéria-prima nobre, empregada na indústria alimentícia, em substituição ao óleo de coco e babaçu. Também pode ser usado na produção de chocolate, no lugar da manteiga de cacau, e na fabricação de cosméticos e sabonetes finos.

Até a torta, preparada com os resíduos da extração do óleo de palmiste, é aproveitada na produção de ração animal. Através do processo de compostagem, as empresas transformam fibras, cascas e outros subprodutos da palma em adubo rico em fósforo, nitrogênio e potássio, que é usado nos palmares.

A produção mundial estimada em 16.500.000 toneladas, em 5.220.000 hectares cultivados está assim distribuída: Países produtores do óleo em l.000 toneladas , percentagem e área cultivada em 1.000 hectares: Malásia – 8.350 mil ton.: 50,6 % em 2.354 mil hectares; Indonésia – 4.880: 29,6% – 1.430; Nigéria – 620: 3,8 % em 355 ha; Colômbia – 380: 2,3% em 120 ha; Tailândia – 380  2,3 % em 143 ha; Equador – 205: 1,2 % em 95 ha; Brasil – 95 toneladas: 0,6 % em 45 mil hectares; Outros – 1.590 : 9,6 % em 678 hectares. Total – 16.500 mil toneladas = 100% em 5.220 mil hectares cultivados.

O Brasil no contexto mundial

Estima-se que a demanda de óleo de palma no Brasil seja de 450 mil toneladas por ano. A produção interna é de 95 mil, sendo 38 mil exportados. No momento as importações atingem 60 mil, sendo o restante suprido por outros óleos. Temos assim uma carência de 270 mil toneladas por ano.

Um mercado potencial

Mesmo contando com a maior área favorável do mundo para o cultivo da palma de dendê, o Brasil ainda é um pequeno produtor no setor de óleos. O País apresenta-se praticamente estacionado quando se verifica as áreas destinadas ao plantio de palma. Com 60 milhões de hectares aproveitáveis, o Brasil tem apenas 45 mil plantados.

O caminho para estreitar a distância entre oferta e demanda é o estímulo ao surgimento de pequenos e médios produtores para assegurar um potencial maior de fornecimento de matéria-prima às indústrias de óleo. Em situação inversa está a Malásia, maior produtor mundial de óleo de dendê. Mesmo com as limitações impostas pela extensão de seu território, que equivale a um terço do estado do Pará, está empenhada em plantar cada vez mais e tem 2,3 milhões de hectares destinados ao cultivo da espécie.

Hoje a produção mundial de óleo de palma é 17% do total dos principais óleos e gorduras, chegando bem próximo da soja que, segundo o instituto de pesquisas alemão ISTA Mielke, tem 20 % do mercado.

Participação dos principais óleos e gorduras na produção mundial – 1983 / 87 : Soja – 21 % ; Palma – 10 % ; Colsa -9 % ; Girassol – 9 % ; Outros – 51 % . 1993 / 97: Soja – 20 % ; Palma – 17 % ; Colsa -11 % ; Girassol – 9 % ; Outros – 43 % . Estimado para o período de 2.003 / 2.007 : Soja – 19 % ; Palma – 21 % ; Colsa 11 % ; Girassol – 9 % ; Outros – 40 %.

A produção do óleo de palma vem crescendo de 10% ao ano. O aumento deve-se à crescente procura, versatilidade do produto e tendência mundial em substituir gorduras animais e hidrogenadas pelas naturais, em qualidade e características benéficas para a saúde. (Reproduzido da revista “ Óleos e Grãos ” de Março / Abril – 1997, pag. 14 a 23)

Nota

Caso se confirme a nossa suposição da viabilidade técnica e econômica para a exploração da cultura do DENDÊ no médio e baixo Rio Doce, as lideranças econômica, política e religiosa daqueles municípios precisam exigir do Governo Federal e Estadual um planejamento adequado, visando implantar ali está importante oleaginosa, com financiamento da cultura e da indústria em bases técnicas modernas, com variedades selecionadas, assistência especializada, etc.

Esta cultura possui características bem semelhantes com a nossa cafeicultura : cultura perene , com grande mercado interno e externo, cuja demanda mundial tende a crescer anualmente, dado as características deste óleo , usado tanto para a alimentação humana como para a indústria, como vimos acima. Além de sua grande produtividade, comparada com as outras oleaginosas, poderá ser explorada como Mata Ciliar Econômica, contribuindo para a defesa das Bacias Hidrográficas dos afluentes e sub afluentes do Rio Doce.

Ruy   Gripp – 17/07/97

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