Meio Ambiente e Reflorestamento

Palmeira Real Australiana No Embelezamento E Para Alimento

Palmito

O palmito é um importante alimento correspondente ao miolo da cabeça de algumas palmeiras. Pela seu valor econômico no mundo atual de comércio globalizado, poderá vir a ser uma importante fonte de renda e de mercado de trabalho para as regiões com solo e clima adequados para seu cultivo, como parece ser o nosso. Numa exploração técnica, visando matéria prima para indústria de conservas vegetais, poderá contribuir para o desenvolvimento de nossa região, ao lado do café, do leite e de outros vários produtos hortifrutigranjeiros. O funcionamento de uma CEASA regional , como ponto de apoio a comercialização, será básico, pois são produtos de difícil mercado para o produtor comercializar isoladamente.

Com o titulo “Palmito do jardim ao campo”, a revista Globo Rural, abril / 97 pag. 46 trouxe informações sobre esta palmeira exótica que a cerca de 150 anos foi trazida para o Brasil, como: “ Palmeiras-reais, além de embelezar as cidades, estão sendo cultivadas em Santa Catarina como fonte de alimento, segundo Carlos Stegemann e Tarcísio Matos. As palmeiras-reais, de origem australiana, há décadas utilizadas como árvores ornamentais, no Brasil, estão saindo dos jardim e residências para ganhar espaço como cultura comercial e substituir o palmito juçara.

Nos últimos seis anos aquelas plantas passaram a ser cultivadas por dezenas de produtores do litoral catarinense e industrializadas por três fábricas de conserva da região. O sabor de seu palmito é muito semelhante ao de espécies nativas, e a consistência, ainda mais macia. De ciclo mais curto, com maior rendimento de palmito e menos exigente em condições do solo, elas ainda tem uma vantagem definitiva em relação aos palmitos juçara, pupunha ou açaí: por serem originárias do exterior, o Ibama não controla a cultura nem exige plano de manejo, como faz em relação às espécies nativas.

As propriedades comestíveis das espécies australianas foram exaltadas pela primeira vez na década de 70 pelo botânico Raulino Reitz, que sugeriu sua adoção como alternativa à palmeira-juçara, nativa na Mata Atlântica. Entretanto, elas só passaram a ser aproveitadas como alimento quando os donos da Roja, uma indústria de conservas de Guaramirim, na baixada norte-catarinense, conheceram suas qualidades. “Soubemos de seu valor como alimento por um funcionário, mas só nos convencemos disso quando experimentamos”, conta Rodolfo Jahn Neto, diretor da indústria. Pioneira no cultivo, há seis anos, a empresa tem atualmente 2,5 milhões de árvores, em Guaramirim e Joinvile, município vizinho.

Nos últimos três anos , a ampla difusão da cultura na região obrigou os técnicos da EPRAGRI – Empresa de Pesquisas Agropecuária de Santa Catarina a estudar o plantio e a produção de sementes . “Como é a primeira experiência no mundo de cultivo sistemático dessas espécies, quase todos os produtores estão descobrindo por conta própria as melhores técnicas de cultivo e manejo”, diz Milton Ramos, agrônomo do Centro de Tecnologia Agropecuária de Itajaí.

O corte é feito a partir de três anos, uma altura de 1,6 e 1,8 metro. Como o crescimento não é uniforme, de 20 a 40 % da lavoura está em condições de colheita com 36 a 48 meses; e outras 40 %, em quatro a cinco anos. Após os seis anos, a palmeira engrossa muito, o palmito fica fibroso e deixa de ser rentável “, diz Ramos.

A adesão à cultura de pelo menos 50 produtores do litoral e dos vales próximos é motivo de orgulho para Ramos, pois o cultivo da palmeira poupa as espécies nativas e representa renda superior à das culturas de banana, arroz e legumes. Campeãs imbatíveis.

Palmeira Australiana
Palmeira Real Australiana

As australianas produzem mais que as nativas. As duas espécies de palmeira-real de origem australiana existentes no Brasil fazem parte do restrito grupo de palmáceas que dão palmito, entre as 500 espécies existentes no mundo. Elas vivem mais de 40 anos e têm algumas semelhanças com a palmeira – juçara, da Mata Atlântica, na produção de sementes e nos índices de germinação. Chegam a ter até duas floradas por ano e alguns exemplares até dão cinco cachos simultaneamente, cada um com 15 quilos.

Outra semelhança é a textura do palmito. Os australianos são tão ou mais macios que o juçara, embora levemente adocicados. Para ficar igual ao juçara, aumento um pouco a quantidade de sal e ajusto o cozimento, explica. Embora pertençam ao mesmo gênero, as duas palmeiras australianas são de espécies diferentes e têm características distintas.

A Arcontophoenix alexandrae tem barriga (plataforma) na parte inferior e cicatrizes de inserção das folhas, em forma de anéis, conhecidas com escadinha. A Arcontophoenix. cunninghamiana tem tronco cilíndrico, liso e reto. Menos fibroso que o açaí, o palmito-real também é imbatível no aproveitamento : cinco cortes dão sete vidros de palmito bastão e 11 de palmito picadinho, das ponteiras. Com o juçara , o aproveitamento seria um vidro de palmito bastão e cerca de 100 gramas de picadinho, das ponteiras. A palmeira-real exige manejo pesado até o segundo ano.

Depois não há o que fazer. Por isso, a maneira mais inteligente de iniciar a cultura é alternar os cultivos . O mercado não poderia ser mais promissor: há comprador para todo tipo de palmito – grande, pequeno, em bastão, picado ou em polpa, para aproveitamento industrial. O palmito de palmeira real produzido pelas fábricas de Guaramirim foi bem aceito pelos restaurantes do Rio de Janeiro e São Paulo .(Reproduzido de O Globo Rural, abril / 97 p. 46-48).

Nota

Pelas informações da reportagem acima deduzimos que uma palmeira real-australiana corresponde em produção a quatro do nosso palmito comum : com metade do tempo para corte (4 anos em média, contra 8 anos do juçara), e com o dobro do rendimento em palmito. Diferença fundamental para com nosso palmito comum: frutos menores e totalmente vermelhos quando maduros. No mais as duas palmeiras são semelhantes.

Graças a Deus já temos bastante dela na região, até agora sempre plantadas para ornamentação como: na fazenda do Dr. Jorge Espechit, em Realeza; no horto florestal do IEF, e na residência do Dr. Cicero Cordeiro, em Manhuaçu; na fazenda Parada Independência, dos herdeiros do sr. Agenor Carlos Werner, em Manhumirim (km 95 da MG-111; na chácara de Roberto Gripp, em Alto Jequitibá; e no imóvel de Nilson Tardem, nas Missões, município de Caparaó ( ± km. 130 da MG-111), etc.

Atualmente, nestes meses de maio/junho, estas palmeiras estão abrindo florada para breve frutificação quando teremos abundância de semente para plantio. Juntamente com o palmito pupunha, todos proprietários deveriam iniciar a cultura experimental destas espécies australianas, não somente visando o consumo próprio como também futura exploração industrial deste nobre alimento de mercado interno e externo, alimento este muito usado pelos primitivos exploradores e colonizadores desta nossa zona da mata de Minas Gerais , que utilizavam o tronco da palmeira para caibro nas construções e o miolo da cabeça como alimento não somente delicioso mas também muito nutritivo.

            Ruy  Gripp  –  15/05/98

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