Meio Ambiente e Reflorestamento

Piscicultura na Defesa das Águas

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Introdução

– O Rio Doce, com 850 km de extensão e área de 83.400 km2, possui vários afluentes que representam outras importantes bacias hidrográficas. Predomina o clima de montanha, com topografia muito acidentada e pequena área em condições de mecanização na exploração agrícola. Devido à sua topografia, os solos são mais indicados para culturas permanentes, pastagens e reflorestamento.

Suas águas representam, tanto no leito principal como nos inúmeros afluentes, um enorme potencial hidrelétrico ainda para ser explorado. Margeando o rio, em sua maior extensão, foi construída a EFVM que impediu a construção de barragens: a água represada iria invadir a Ferrovia. Portanto a Ferrovia foi e continua sendo um grande obstáculo ao aproveitamento total do seu potencial hidrelétrico.

Objetivo

– O presente trabalho tem por finalidade demonstrar que a implantação de uma piscicultura, tecnicamente planejada, poderá contribuir para a defesa da ecologia, com grande potencial econômico e geração de emprego, além de contribuir para regularizar a vazão, aumentando assim o potencial das águas para o uso da população, na exploração animal e industrial, na irrigação e diversificação da agricultura, no Agro e Ecoturismo e principalmente na geração de energia no leito principal e nos seus afluentes.

Material e métodos

– Com um programa de incentivo à piscicultura baseado nos seguintes pontos:

1- Considerando a possibilidade de a piscicultura estimular a construção de pequenas barragens e as barragens estimularem a piscicultura, contribuindo ambas para a estocagem, acumulando água, que irão abastecer e normalizar a vazão dos rios através das nascentes que serão mais numerosas, mais regulares e com maior vazão;

2- Considerando que para uma piscicultura econômica exige-se um planejamento com assistência técnica e financiamento da atividade, localizando polos de produção, recepção, industrialização, comercialização e distribuição do produto como na cadeia do leite, até o consumidor final;

3- Considerando uma piscicultura semi-intensiva, onde na própria água se produz o alimento total do peixe, precisa manter constante determinados índices nas diversas características físicas e químicas do ambiente aquático, como : pH (7 a 8 ); Transparência ( 30 a 50 cm ); Alcalinidade (SBV entre 1,5 –3,0 ); Oxigênio dissolvido (3 a 6 g / l ); Equilíbrio carbônico nas fases gasosa, líquida e sólida; Cálcio ( 60 a 120 mg / litro); Substâncias nitrogenadas, fosfatos, enxofre, cloro, ferro , etc. Em níveis adequados para produção equilibrada de algas, musgos, fungos e bactérias (Fito-plâncton) que vão alimentar o Zôo-plâncton, sendo ambos a ração natural dos peixes ;

4- Considerando que com a aparente perda da água pela infiltração e evaporação, se processa a purificação e renovação dos mananciais. A água que infiltra do fundo da represa, rompendo as entranhas da terra para misteriosamente surgir novamente nos olhos d’água mais abaixo, dá início e mantém outros tantos riachos surgidos em forma de pequenas minas que geram os grandes rios; ou aquela água evaporada da superfície do reservatório, transformada em vapor d’água na atmosfera, amenizando o ambiente, precipita voltando ao solo em forma de chuva, orvalho, sereno, nevoeiro e cerração. Caindo aqui e acolá, perto ou longe de onde se evaporou, mas sempre beneficiando a terra, a flora, a fauna e o meio ambiente. Uma verdadeira benção de Deus doada ao homem e à natureza. Entretanto, a água que corre e escorre ligeira para os oceanos, perde-se. Não é reciclada nos continentes. Vai para onde já têm excesso de água. Tem que retornar de longas distâncias. Nem sempre volta quando precisamos e na quantidade que necessitamos. É incerta, variável, duvidosa e inconstante.

5- Considerando que numa determinada superfície e volume d’água represada, o total corresponda a 10% da precipitação anual. Supondo que esta água recircule no continente sem nunca retornar aos oceanos, em 10 anos representa uma economia acumulada de 100 %., ou volume igual da precipitação anual. Dobrou o volume pela poupança e aproveitamento, evitando sua perda. No solo, entrando pelas raízes da planta e evaporando pelas folhas, retornar mais adiante. A água da irrigação é reciclada, várias vezes utilizada, sem se consumir. Aquela que escoa rápido nos rios em direção ao mar ( 1 a 2 km / h), sem impedimento e uso econômico, a não ser transportar a poluição dos esgotos da cidade representa uma água perdida, pouco utilizada, desperdiçada .

CONCLUSÃO

– Planejar e incentivar a piscicultura na Bacia do Rio Doce, a partir das cabeceiras de seus afluentes, para assim estimular as barragens, que pela infiltração e evaporação da água, vão fortalecer e revigorar os rios, atualmente, já combalidos, moribundos e agonizantes. A piscicultura economizará água, poupando e acumulando este precioso líquido, estimulando sua reciclagem no continente, ao invés de rapidamente se perder nos oceanos, sugerindo também:

  • Aproveitar ao máximo, as centenas de milhares de aterros das rodovias Federais, Estaduais, Municipais para transformá-los em barragens com um custo mínimo. Como? Construindo uma caixa de concreto na boca superior da manilha de drenagem existente no fundo de todo aterro, com a altura que se planejar a lâmina d’água naquele local, e com um diâmetro de 2 a 3 vezes ao da manilha. Naturalmente, estudando cada caso, evitando as bacias de grande área, sujeitas a enchentes volumosas.
  • Estudar a possibilidade de se promover A imigração de CHINESES PARA EXPLORAR A PISCICULTURA na Bacia do Rio Doce, (p.ex. Aimorés, Ipanema, Mutum ou Pocrane) tendo em vista o desenvolvimento tecnológico da China na produção integrada de Marreco / Peixe, Carne / Pluma, e a atual expansão das exportações mineiras para aquele país, visando incentivar nossa piscicultura e promover um maior e mais rápido intercâmbio com aquele fabuloso mercado importador para nossos produtos agropecuários como: leite, carne, polpa de frutas, celulose , veículos, etc.

(Trabalho apresentado no XXIII – CBA  Congresso Brasileiro de Agronomia, em BH realizado de 02 a 05/09/2003)

Manhumirim (MG), 12 de Agosto de 2003

Engº Agrº   Ruy  Gripp- Núcleo Reg. SMEA – Manhumirim-MG

Engº Agrº   Eduardo Cotrim Heringer – Núcleo Reg. SMEA –Manhumirim

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