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Marketing – No Desenvolvimento do Agronegócio Brasileiro

O livro de Ricard Jakubaszko e outros três colaboradores contém o prefácio escrito pelo ex Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Dr. Roberto Rodrigues. Como uma importante introdução ao assunto, vale a pena ser transcrito e divulgado pelo seus ensinamentos sobre agricultura e alimentação. Por isso, vamos  transcrever o prefácio e alguns trechos do livro que contém 280 páginas, publicado em 2005 pela livraria da UFV – (Universidade Federal de Viçosa-MG).

“Prefácio: Por mais elementar e óbvio que possa parecer, não podemos esquecer nunca  de que vivemos hoje num mundo globalizado, em permanente mutação. Mudam os hábitos de consumo, muda o ranking dos fornecedores de alimentos, mudam as exigências do mercado consumidor. Quem não levar a sério tal cenário esta condenado a ficar fora do jogo. O Brasil foi, em 2004, o maior exportador do complexo soja.

Lideramos as vendas externas de café, sucos cítricos, açúcar, álcool, carne bovina, carne de frango e fumo. Nossa carne bovina esta presente nas mesas de mais de140 países. Tal diversidade de produtos e de mercados nos obriga a um trabalho permanente e atento para nos mantermos nos espaços já conquistados e partimos para busca de novos consumidores. Mas vender produtos primários já não basta.

É preciso incorporar valor agregado ao que vendemos. Vamos aprender com a Alemanha que é o maior exportador de café torrado, mas não cultiva um só pé de café. Para que isso se torne possível vamos  precisar muito do marketing, que é um instrumento de trabalho fundamental para ajudar o produtor  a entender melhor as necessidades e preferências dos consumidores.

O livro Marketing  da Terra, de autoria do especialista Ricard Jakubasko, e que contou com a colaboração dos pesquisadores da Embrapa Ariovaldo  Luchian Junior, Decio Luiz Gazzoni e Paulo Choji Kitamuro é uma leitura que recomendo às pessoas  interessadas em adquirir conhecimento acerca do valioso trabalho que o marketing  pode fazer para o desenvolvimento do agronegócio brasileiro. Com uma linguagem simples, o livro contem grande numero de exemplos extremamente úteis para desatar nós que inibem uma expansão maior e mais rápida do setor.

Os americanos têm muito o que nos ensinar em matéria de marketing aplicado a alimentos. Este livro nos cita três exemplos clássicos: o espinafre, que da uma força especial ao marinheiro Popeye, o amendoim que dá superpoderes ao Pateta, e a cenoura, companheira permanente do Pernalonga. São personagens que se destinam ao publico infantil e que a varias gerações vêm criando hábitos alimentares para toda a vida naquele país.

O publico americano, alias, ao contrário do brasileiro, cultua e valoriza suas origens  agrícolas. O cinema e a literatura americana excelentes amostras desse culto. Quantos milhares de filmes foram produzidos –alguns se transformaram em clássicos da historia cinematográfica — mostrando a saga da ocupação do Oeste americano. Quantas historias maravilhosas da nossa Marcha para o Oeste como a conquista de nossos Cerrados, estão esperando pela criatividade de nossos cineasta e escritores? A propósito, a imagem  que parte do publico urbano de nosso País tem dos nossos produtores está aguardando um competente trabalho de marketing. Essa imagem já mudou bastante nos últimos anos, mas ainda precisa ser mais bem trabalhada. Existem preconceitos a serem derrubados.

Uma das regras básicas do bom marketing, nos ensina Richard Jakubaszko, é criar e desenvolver mercado consumidor onde não existe consumidor. É o que estamos procurando fazer, por exemplo, com a agro-energia. Tenho aproveitado a explosão dos preços do petróleo para viajar pelo mundo afora pregando as vantagens da utilização do álcool como combustível alternativo.

Além de ser um combustível limpo e ecologicamente correto, o álcool é uma fonte de energia renovável, ao contrario do petróleo, que, além de altamente poluidor, esta com seus dias contados. Já que estamos falando de marketing, não deixa de ser uma vitória do marketing a ditadura energética imposta  nos últimos 100 anos por meia dúzia de grandes empresas petrolíferas mundiais que convenceram o mundo de que era um ótimo negocio criar uma civilização dependente de uma fonte de energia condenada a desaparecer. Um caso vitorioso de marketing, embora perverso.

maketing rural

Temos inúmeras vantagens comparativas que tornam o agronegócio brasileiro praticamente imbatível. Somos detentores de grande disponibilidade de terras aptas a agricultura e pecuária; temos um clima favorável; somos lideres em tecnologia tropical; e contamos com uma mão de obra competente e capacidade gerencial. São condições fundamentais , mas não suficientes para que o nosso agronegócio continue a avançar em busca de novos mercados.

Nossa gente já demonstrou ser extremamente competente na hora de plantar e colher, porém é preciso mais. Precisamos nos preocupar cada vez mais com o controle da qualidade para podermos continuar tendo a preferência dos consumidores. É essencial atenderemos às exigências dos mercados que nos cobram obediência à rastreabilidade. Os consumidores do primeiro mundo querem saber como plantamos os alimentos que vendemos para eles; que tipos e que qualidade de agrotóxicos usamos; e como nossos produtores se relacionam com seus empregados e com o meio ambiente.

A fim de atender as crescentes demandas decorrentes da expansão do agronegócio, tanto interna como externamente, tratamos de ajustar a máquina administrativa do Ministério da Agricultura, Pecuária. A estrutura administrativa do Ministério era a mesma de 26 anos atrás, quando Allysson Paulinelli era ministro e a produção agropecuária Brasileira era incomparavelmente menor.

Entre as mudanças, criamos uma Secretaria de Relações Internacionais, com a incumbência de dar suporte, em parceria com o Itamaraty, aos nossos exportadores na abertura de novos mercados e consolidação dos já existentes. Dentro da secretaria foi montado um Departamento de Marketing, voltado à promoção comercial de nossos produtos no exterior. Para nos deixar antenados com as perspectivas futuras do mercado internacional, criamos um núcleo especial de assessoria estratégica com a missão de levantar cenários que nos apontem o que o mundo vai consumir daqui a 20 ou 30 anos.

Enfim, desafios é que não nos faltam. Para vencê-los precisamos aprender com a indústria a usar o marketing como ferramenta indispensável na realização e manutenção de novos negócios.

Posso até discordar de algumas colocações polêmicas e até de alguns detalhes técnicos contidos no Marketing da Terra, mas não posso deixar de recomendar sua leitura. Façam bom proveito. Roberto Rodrigues. Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

             Eng Agr Ruy Gripp

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