Meio Ambiente e Reflorestamento

Mamona – Resumo Técnico Sobre Sua Cultura

Resumo técnico sobre a cultura da mamoneira. Escrito pelo Engenheiro Agrônomo Gustavo Heleno.

mamoneira

Situação Econômica – Nas décadas de 80 e 90 a produção mundial de mamona foi dominada pela Índia e pela China, respectivamente. Durante esse período, estes dois países juntos aumentaram sua participação na produção mundial de bagas de 51% em 1979 para 92% em 1999.

No início da década de 80, o Brasil ocupava a segunda posição na produção de mamona em bagas com 26% do total produzido no mundo. Em meados desta década, passou a ser o terceiro produtor mundial perdendo a posição para a China e reduzindo sua participação para 14%. A produção brasileira decresceu até o final da década de 90 quando sua participação foi de 2% do total produzido no mundo. Este foi devido tanto à redução da área plantada quanto à redução da produtividade. Em 1979 a área plantada foi de 437 mil hectares chegando a 60 mil hectares em 1997. A partir de 1998 a área cultivada aumentou gradativamente atingindo em 2003 um total de 195.000 hectares.

Na década de 80, no Brasil, a mamona era produzida nos estados da Bahia, Minas Gerais, São Paulo, Ceará, Piauí e Paraná. Contudo, no final da década de 90 o estado da Bahia concentrava 90% da produção nacional de mamona. Atualmente, a região de Irecê (BA) é responsável por 95% da mamona produzida no Brasil.

Fitologia- A mamoneira (Ricinus comunis L.) é uma planta de metabolismo C3 da família das euforbiáceas com provável origem na Etiópia. Seu óleo é constituído principalmente pelo triglicerídio de ácido ricinoléico conferindo-lhe uma propriedade única na natureza: a solubilidade em álcool.

As cultivares mais comuns existentes no mercado são: BRS-149 (Nordestina), BRS-188 (Paraguaçu), IAC-38 (Cafelista), IAC- 226, IAC-80 e IAC- Guarani. Contudo, a maior parte da mamona cultivada não utiliza cultivares selecionados para cultivo, que é realizado com variedades locais mantidas pelos próprios agricultores.

A cultivar Guarani é de porte médio (1,80 m a 2,5 m), folhas nona-globuladas, cachos grandes (até 70 cm), frutos revestidos de acúleos e indeiscentes. Neste cultivar a maturação do cacho primário ocorre em torno de 135 dias após a emergência, os cachos secundários amadurecem 15 dias após o primário e os terciários 15 dias após os secundários.

mamona-e-uma-fruta

A mamoneira é uma planta perene, quando as condições ambientais o permitem, com sistema radicular pivotante, caule geniculado ramificado, folhas normalmente epta ou nona-globuladas, inflorescência do tipo racemo. A panícula é terminal com flores femininas na parte superior e masculinas na parte inferior. Os frutos estão dispostos na infrutescência podendo ser deiscentes ou indeiscentes, de acordo com a cultivar, estruturas denominadas acúleos revestem a superfície dos frutos.

Clima e solo – A mamoneira é cultivada de 40° S a 52° N, em altitudes entre 300 m a 1.500 m acima do nível do mar, pluviosidade superior a 500 mm durante o ciclo , necessita entre 2.000 e 3.800 graus-dias para chegar à maturidade. A temperatura ótima para o crescimento é 28 °C, apresentando paralização na produção de sementes em temperaturas inferiores a 10 °C.

A mamoneira se desenvolve bem em qualquer tipo de solo a exceção daqueles que apresentam problemas de drenagem. Seu sistema radicular explora camadas mais profundas aumentando a aeração, a capacidade de retenção e a distribuição de água no perfil.

Os solos de cerrado devem ser corrigidos, pois, o poder floculante do alumínio prejudica o desenvolvimento da cultura. Solos com pH em torno da neutralidade (entre 6,0 e 7,0) são indicados para o cultivo da mamoneira, embora a planta se desenvolva bem em solos com pH 5,5 com baixo teor de alumínio trocável.

Conservação e manejo do solo – As técnicas de conservação de solo como plantio em nível, curvas de nível e terraços são recomendadas para solos de estrutura frágil, haja vista que a cobertura do solo pela mamona é bastante deficiente, principalmente nos primeiros 60 dias após a emergência. A consorciação com outras culturas como o amendoim e o feijão aumenta a cobertura do solo reduzindo os problemas de erosão.

Manejo cultural – A escolha da área é muito importante para o sucesso da lavoura, pois, a mamona é uma cultura exigente em fertilidade. Em áreas novas a mamona apresenta bons resultados, à semelhança da cultura do milho. O plantio deve ser realizado no início do período chuvoso. O uso de corretivo e adubo dever ser baseado em análise de solo seguindo-se as recomendações vigentes para a região, que no caso de Minas Gerais são apresentadas na 5 º aproximação.

Os métodos de plantio a serem utilizados podem ser desde totalmente mecanizado com o uso de tratores, passando por plantadeiras de tração animal, matraca até o plantio manual em covas. A profundidade de plantio deve ser de 3 a 8 cm de acordo com a umidade e textura do solo. A emergência das plantas ocorre entre 8 a 12 dias podendo chegar em 18 dias dependendo do cultivar e da profundidade de plantio.

A densidade de plantio é característica de cada cultivar sendo para a Guarani de 1,60 m entre linhas e 0,5 m entre plantas. Quando o plantio for realizado com mais de uma semente por cova é necessário realizar o desbaste da planta para manter a população adequada.

O cultivo pode ser solteiro ou em consórcio com amendoim e feijão. O consórcio com milho não é recomendado por representar prejuízo para ambas as culturas. Para o consórcio com amendoim ou feijão aumenta-se o espaçamento da linha para 1,80 m onde planta-se duas linhas da cultura escolhida.

O controle das plantas daninhas é de suma importância para a cultura da mamona, pois, o seu crescimento inicial é lento e a cultura é muito sensível à competição nos primeiros 60 dias após a emergência, passado este período a mamoneira cobre o solo e aprofunda as raízes tornando-se menos vulnerável. Caso a infestação de plantas daninhas seja por monocotiledôneas pode ser feito o controle químico, contudo, a dosagem deve ser respeitada para não haver intoxicação da cultura. Não é recomendado o uso de herbicidas de amplo espectro ou seletivos para dicotiledôneas próximos à cultura da mamoneira ou em jato dirigido nas entrelinhas de plantio, pois, a mamona é extremamente sensível a estes produtos. Todavia não existem produtos registrados para a mamona.

O uso de adubação de cobertura não é comum e deve ser feito mediante sintomas de deficiência apresentados pelas plantas. O uso indiscriminado de adubos nitrogenados aumenta o crescimento vegetativo e reduzem a produção de grãos.

Doenças e seu controle – A mamona é uma planta rústica e apesar de diversas doenças serem descritas na literatura especializada, uma única doença é tida como problemática para seu cultivo, o mofo cinzento. O mofo cinzento é causado pelo fungo Botryotinia ricini (Goldf.) Wet e a mamoneira é considerada a única planta hospedeira deste patógeno. Os sintomas da doença são: pequenas manchas com exsudação azulada sobre as mesmas evoluindo para abundante desenvolvimento de hifas, caso nas condições climáticas sejam favoráveis. O fungo coloniza toda a planta, mas sua ocorrência é notada principalmente no cacho onde causa grande prejuízo econômico para a cultura.

O ambiente favorável ao desenvolvimento do fungo é temperatura baixa (inferior a 18 º C) e umidade relativa alto (superior a 70%). A disseminação da doença ocorre através das sementes, pelo vento e por insetos. O controle do mofo cinzento é realizado com a utilização de sementes sadias, rotação de culturas em áreas onde a infestação foi intensa, eliminação de mamoneiras espontâneas, eliminação de restos culturais e utilização de maiores espaçamentos. O controle químico não é utilizado, mas fungicidas protetores podem ser utilizados para evitar o estabelecimento do patógeno.

Pragas e seu controle – No tocante às pragas, descritas para a mamoneira a literatura especializada diversos insetos e ácaros: percevejo verde (Nezara viridula), cigarrinha (Agallia sp.), lagarta-rosca (Agrotis iplilon), lagarta-das-folhas (Thalesa citrina), lagarta-das-folhas (Spodoptera latifascia), lagarta-das-folhas (Rothschiedia jacobaeae), lagarta-do-solo (Elasmopalpus lignosellus), ácaro-rajado (Tetranychus uriticae) e ácaro-vermelho (Tetranychus ludeni). Contudo, não há registro de danos econômicos causados por pragas nos últimos anos no Brasil.

Colheita e beneficiamento– A colheita dos cachos deve ser feita quando pelo menos 70% dos frutos do racemo estiverem secos. Nas variedades deiscentes a colheita deve ser distinta para os cachos primários, secundários e terciários, pois, ao completar o amadurecimento dos frutos estes secam e abrem-se provocando perda de sementes. Nas variedades indeiscentes a colheita pode ser feita após o amadurecimento de todos os cachos da lavoura, pois os frutos não se abrem com facilidade.

A colheita da mamona pode ser manual ou mecanizada. A colheita manual é feita com a extração do cacho por quebra ou corte. A colheita mecânica é feita com o uso de colhedoras de milho adaptadas e é possível apenas para variedades de porte anão indeiscentes. Após a colheita as bagas devem passar por processo de secagem, que pode ser em terreiro com exposição ao sol ou em secadores artificiais.

Uma vez secas as bagas são descascadas, que no caso de variedades indeiscentes o descascamento só é possível com o uso de máquinas apropriadas. O armazenamento das bagas deve ser feito em local seco, arejado e isento de pragas.

Eng Agr Ruy Gripp

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