producao-de-oleaginosas-para-o-biodieselMeio Ambiente e Reflorestamento

Produção de Oleaginosas para o Biodiesel

O Informe Agropecuário da EPAMIG, v. 26 – nº 229 de 2005, em número especial da comemoração de 30 anos da Empresa de Pesquisas Agropecuárias de Minas Gerais foi dedicada à “Produção de Oleaginosas para o Biodiesel”. Contém um estudo profundo, detalhado e importante sobre as diversas oleaginosas cultivadas no Brasil, com grande potencial para fazer do nosso país o maior produtor mundial de combustíveis de origens vegetal, portanto renovável e limpo, isto é, não poluidores nos seus resíduos de queima nos motores tradicionais de combustão.

Na capa estampa fotografia de um colorido diverso e significativo das sementes ou frutos da Soja, Amendoim, Girasol, Mamona e Pinhão Manso, representando estes cinco vegetais cujos frutos ou sementes são fontes de óleos que já estão sendo produzidos em Minas Gerais, alguns com tradição e volume em grande escala, como a Soja. Outros, como a Mamona e agora o Pinhão Manso, em plano de expansão com o projeto do Governo Federal junto com a Petrobrás em apoiar com financiamento ao produtor e instalação da indústria de esmagamento e produção do Biodiesel em pontos estratégicos das regiões produtoras, nos vários Estados da nação.

O Deputado Federal Vitório Mediole, diretor-presidente do jornal O Tempo”” de Belo Horizonte – MG, em sua coluna semanal sobre diversos assuntos políticos e econômicos, por várias vezes se referindo ao Biodiesel focalizou o potencial do Pinhão Manso por ter um custo unitário de produção quase a metade do custo do óleo da mamona. Alguns fatores positivos deste vegetal nos levam a admitir tal analise, como possível de ser correta.

Segundo o Informe Agropecuário que traz um longo relato da Jatropha curcas L, nome científico do pinhão manso (30 páginas – 44 a 74) esta cultura é perene com duração de 30 a 40 anos. Portanto semelhante ao cafeeiro. Possui alta rusticidade, suportando clima variável desde o nível do mar até 1.000 metros de altitude assim como solo das mais diversas características físicas e composição química. Num relato da produtividade em óleo por hectare focaliza a Soja com 400 ks e no extremo superior o Dendê com 4.000 kg.

A mamona com uma produção média de 700 kg e o pinhão com 1.000 a 1.200 kg de óleo por hectare. Portanto, a mamona sendo uma cultura anual, com exigência do preparo do solo e plantio a cada ano, e com rendimento menor que o pinhão, tem custo mais elevado na produção de cada litro do biodiesel. Por ser perene, rústico e mais produtivo o pinhão será mais indicado para uma região montanhosa como a nossa, que não permite mecanização no preparo do solo.

No suplemento “Agropecuário” do Estado de Minas, de 30-10-06 encontramos: “A hora e a vez do pinhão-manso”. Pesquisa – Diesel produzido a partir de semente da planta é semelhante ao do petróleo. O óleo produzido a partir da semente do pinhão-manso é semelhante ao diesel extraído do petróleo. As propriedades encontradas no biocombustível atendem as especificações da Agência Nacional do Petróleo (ANP) para petrodiesel, segundo resultado de pesquisa da Embrapa Semi-Árido. “É uma planta de grande potencial”, assegura o pesquisador José Barbosa dos Anjos.

Diante do regime irregular de chuva do sertão, o pinhão-manso tem uma grande vantagem entre outras plantas oleaginosas: é a única com ciclo produtivo que se estende por mais de 40 anos. A mamona, que produz um óleo essencial com uso em mais de 400 produtos da indústria química, precisa ser replantada a cada um ou dois anos, dependendo da quantidade de chuvas.

O pinhão também se adapta bem a solos de pouca fertilidade, bastante comuns na região. O rendimento do óleo na semente do pinhão é de 30% a 40% – abaixo da mamona, que pode render algo entre 45% e 50%. No entanto, como o agricultor não terá necessidade de plantar novamente a cultura por mais de 40 anos, o custo de produção fica bastante reduzido.

Para o pesquisador Marcos Drumond, da Embrapa, se assiste hoje a uma corrida pelo cultivo do pinhão-manso no semi-árido. Ele, contudo, salienta que as pesquisas com a planta na região ainda são bem recentes e é preciso ser prudente buscar as informações técnicas já disponíveis para que não se venha montar sistemas de produção insustentáveis.

Segundo Mauricio Moller, diretor da Rural Biodiesel, empresa com sede em Eldorado (MS), pioneira na produção e comercialização de semente de pinhão-manso, produtores rurais brasileiros vão plantar este ano entre 15 mil e 20 mil hectares, implantados em 15 projetos que têm como finalidade a produção de óleo para ser transformado em biodiesel. Em cinco desses projetos, 2.850 agricultores familiares e assentados vão iniciar o plantio das lavouras de pinhão-manso este em municípios de Minas Gerais, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Tocantins.

A Biodiesel Triângulo, empresa instalada em Iturama (MG), pretende plantar até 2008 140 mil hectares de pinhão-manso em Minas e São Paulo (região de São José do Rio Preto) para alimentar de matéria prima sua planta industrial que vai processar 100 mil toneladas de biodiesel por ano. O projeto da Triângulo conta com investimentos de empresários alemães, italianos, franceses e japoneses. Na área pública, a Petrobrás estuda o uso da planta em usina que pretende instalar em Montes Claros, Norte de Minas, com capacidade de processar até 40 milhões de litros por ano”.

Quando iniciamos nosso trabalho como fiscal da Carteira Agrícola do Banco do Brasil – Agência Manhumirim – MG, na década de 1960 /70, ficamos conhecendo o pinhão manso, também denominado de mamoninha. Espécie arbustiva, de 3 a 4 metros de altura, folhas verdes brilhantes semelhantes as folhas do abacateiro. Geralmente com várias hastes partindo do solo em forma de touceira. Muito empregado como cerca viva, plantado nas margens das estradas e nas beiradas dos terreiros. Fruto semelhante ao da mandioca ou da seringueira, pois pertence a mesma família destas, as Euphorbiaceas.

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Quem diria ou podia imaginar que o trio – cana-de-açúcar, mamona e pinhão-manso- todos existentes em quase todo sítio na área rural naquela época, seriam mais tarde, daí a 40 ou 50 anos, considerados vedetes e estrelas a brilhar na importância de produzir álcool e óleos para veículos automotores, em substituição ao petróleo. E mais, fornecendo produtos energéticos de origem vegetal, portanto renovável e perenes, não poluentes, de grande importância mundial para substituir os combustíveis poluentes e finitos representados pela gasolina óleo diesel. Assim temos estes três vegetais antigos, muito comuns e conhecidos dos nossos agricultores antigos, de características perenes ou semi-perenes, rústicos, de fácil cultivo, atualmente sobressaindo em evidência pelo grande potencial para o Agronegócio do Biodiesel, como:

Cana-de-açúcar

A cana-de-açúcar da qual se fabricava nos imóveis rurais a rapadura, melado e açúcar mascavo, ou ração para animais, alimentos de grande importância para a nutrição e saúde da população, assim como a caninha, cachaça ou aguardente que alegrava a muitos. Produtos ainda de imenso valor econômico. Hoje, o açúcar e o álcool produzidos em grande escala industrial representam um dos maiores setores da economia rural brasileira, tanto para o consumo interno como para exportação;

Mamona

A mamona, outrora muito usada para a fabricação domestica do óleo em escala artesanal para untar, lubrificar e conservar produtos de couro como laços, cabrestos, chicotes, arreios e nos eixos dos carros de bois. Também medicinal. Atualmente considerado um dos óleos vegetais mais importantes para centenas de produtos industriais da área química, despertando como vedete no Biodiesel; a mamoneira, planta rústica, resistente as intempéries das regiões secas, apresenta grande expectativa como mercado de trabalho na agricultura familiar das regiões áridas do problemático nordeste brasileiro, que sofre com periódicas e prolongadas secas, tendo no plano nacional do Biodiesel uma oportunidade da fixação do homem no campo daquela região.

Pinhão Manso ou Mamoninha

O pinhão-manso ou mamoninha, agora, recentemente em fase de divulgação pelas características importantes de ser planta perene, rústica, produtiva, de fácil reprodução, já muito conhecida no meio rural para fabricação caseira do sabão preto, que era fabricado para uso corrente nas fazendas e sítios. Assim, como a própria mamona e cana-de-açúcar, o pinhão – manso desperta a atenção dos pesquisadores como de grande futuro na produção do Biodiesel. Como característica importante, supera a mamona em produção de óleo por hectare (mamona= 700 kg e pinhão=1.000 a 1.200 kg) e, por ser perene como o cafeeiro, indicado para regiões montanhosas por facilitar o controle da erosão e a conservação da fertilidade do solo, retendo as águas das chuvas onde elas caem.

Também ressaltamos no pinhão-manso o fato de ser tradicional o seu plantio como cerca – viva, no mundo inteiro. Assim, vemos a possibilidade de imitarmos o MALI, país no centro da África, com 1.200.000 km2 (aproximadamente o dobro da área de Minas Gerais), que segundo o “Informe Agropecuário” da EPAMIG, de 2005, p.51 que divulga as oleaginosas vegetais para o Biodiesel – soja, amendoim, mamona, girassol e pinhão-manso – cita que aquele pais africano já tem 10.000 quilômetros de estradas e rodovias com pinhão-manso plantado em suas margens, com um incremento de 2 mil km / ano e produção estimada de 1.700.000 toneladas de óleo, visando o Biodiesel.

Nota

Perguntamos: porque o Brasil não imita Mali, da África, reflorestando nossas extensas rodovias Federais, Estaduais e Municipais existentes, assim como também as estradas de cada propriedade rural, embelezando-as com a cerca viva do pinhão-manso.

Além de poder gerar riqueza da matéria prima do seu rico fruto fornecedor de óleo para o Biodiesel, representando rendimento econômico para os proprietários ou moradores próximos destas rodovias, será também um fator importante para, funcionando também como cerca viva e aceiro verde, gerando abundante mercado de trabalho para o povo, vai funcionar também como aceiro-verde, evitando a propagação do fogo nos permanentes incêndios que normalmente tem origem nas rodovias.

Também, por ser um vegetal rústico e perene, com possante sistema radicular, contribui para evitar erosão nos aterros das estradas. Sua contribuição benéfica será enorme. Plantio, tratos culturais e porte do arbusto bem semelhante ao café: cova de 40 x 40 x 40 cm, espaçamento de 2x 2= 4 m2 ou 3x 2= 6 m2; como cerca–viva nas margens das rodovias de 0,5 a 1,0 metros de pé a pé, numa fileira única ou dupla de cada lado.

Portanto de 2.000 a 4.000 mudas para cada quilômetro da rodovia, se o plantio for continua, sem interrupção. Será plano para os agricultores, prefeituras, Governos Estaduais e Federal, como também para ONGs. Assim, evitaremos os incêndios em nossos futuros reflorestamentos e em nossas pastagens ao longo das estradas.

Engº Agrº Ruy Gripp

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