Contagem Regressiva de Alan WeismanArtigos de Livros

Fome – Contagem Regressiva de Alan Weisman

Em “ Contagem Regressiva” A Nossa Última Esperança para o Futuro na Terra, de Alan Weisman detalhando claramente os efeitos crescente da nossa presença cumulativa, revela o que pode ser o caminho mais rápido, aceitável, prático e acessível para desenvolver nosso planeta – e a nossa presença nele – equilíbrio.

Weisman comprova que é um dos jornalistas mais provocativos em atividade neste livro cuja mensagem é tão persuasiva que irá mudar a forma como vemos nossa vida e nosso destino. O livro de 570 paginas, foi publicado em 2011 e traduzido para o português por Alice Klese, da Leya em 2014.

No Capitulo I, pagina 66 com o subtítulo 3- FOME encontramos: “Em agosto de 1954, Bill Wasson, com 29 anos de idade garantiu que Deus existia. Criado numa família católica devota e caridosa, em Phoennix, Arizona, ele nunca tivera motivo para duvidar – até que, enquanto se preparava para ser missionário, os beneditinos o expulsaram, durante seu último ano de seminário.

Segundo eles, uma cirurgia de emergência para remover metade de sua tireoide o deixaria fraco demais para o sacerdócio.

Arrasado, ele voltou para casa. A família convenceu o filho profundamente deprimido a se formar. Ele se formou em direito e sociologia, mas continuou abaixo do peso e tristonho.

Umas férias na Cidade do México quase se tornaram desastrosas, quando ele teve uma recaída, até que o médico mexicano determinou que ele havia, sem querer, tomado uma dose excessiva de sua medicação diária para a tireoide.

Subitamente, Wasson se sentiu bem, como não se sentia havia anos. Grato por ter encontrado um médico em que ele confiava, ele ficou por lá e assumiu um cargo lecionando psicologia e criminologia na Universidade das Américas.

Mas ele ainda lamentava seu sonho perdido de não ter sido um padre para os necessitados. Ele finalmente foi a um psicanalista, que também era um padre católico. “Você não é maluco”, ele disse a Wasson.

Em vez de psicoterapia, ele prescreveu uma reunião com o novo bispo de Cuernavaca, a uma hora ao sul da Cidade do México. Em seu primeiro ano, 1953, o bispo Sergio Méndez Arceo já havia escandalizado párocos abastados e se afeiçoara aos pobres, acrescentando mariachis das ruas á missa dominical na catedral.

Depois de duas horas interrogando o americano alto e magrelo, de cabelos claros, ele disse a Wasson para se preparar. “Em quatro meses eu vou ordená-lo.”

Ele lhe concedeu Teperates, uma igreja no mercado de Cuernavaca. Wasson adorou. Ele transformou metade das instalações numa clínica gratuita e uma cozinha para servir sopa.

Ao descobrirem que o ladrão que vinha roubando a caixa de donativos da igreja era órfão de rua, ele se recusou a deixar a polícia prendê-lo. “Ele não é um criminoso”, disse Wasson. “Ele está com fome”.

Ele acolheu o garoto. No dia seguinte, surgiu uma batida na porta. Era a polícia com mais oito órfãos da cela. “Já que acha que eles são apenas inocentes desamparados, pode ficar com esses também.”

Wasson rapidamente se mexeu. Até aquela noite, ele já tinha encontrado um galpão vazio de cervejaria, onde todos podiam dormir. O assunto logo se espalhou: um padre gringo estava acolhendo meninos abandonados. Em um mês, ele tinha trinta. Depois de três mês, eram 83. Ele ficou impressionado por haver tantos lá fora. Ele queria encontrar todos eles.

Em 1954, a população do México já tinha passado dos 25 milhões. Aumentando duas vezes mais depressa que a população do planeta. ela se quadruplicaria em apenas meio século.

Wasson logo descobriu que muitos de seus meninos tinham mais de dez irmãos. Alguns tinham mais de vinte, se contassem meios-irmãos, em casa chicas – famílias que os pais mantinham paralelamente. Quando as mulheres morriam – frequentemente pela exaustão de criar tantos filhos, geralmente sozinhas –os homens em geral sumiam.

Uma noite ele voltou e encontrou os garotos reunidos em volta de seu rádio, ouvindo os relatos de um furacão em Veracruz. Os garotos órfãos estavam perambulando pelas ruas alagadas. “Padre, o senhor precisa ir salvá-los”, eles insistiram.

Eles estavam vivendo com alimentos doados, dormindo em cobertores no chão. “Mal temos feijão, tortillas e cobertores para nós…”, ele começou a protestar.

Mas eles já haviam decididos. “Nós vamos dividir.”

Ele voltou com mais trinta. Felizmente, as pessoas que haviam descoberto o que ele estava fazendo, e sempre lhe diziam que ele não podia continuar a acolher todos, também continuavam a ajudá-lo a encontrar comida e dinheiro, quando ele as ignorava.

Quando ele percebeu que vários novos meninos vindos da Costa do Golfo, que haviam sido arrasada, estavam preocupados com os irmãos deixados para trás, ele voltou para encontrá-los. Sua família já somava quase duzentos, quando a secretária do Bispo se demitiu para ajudá-lo, porque os meninos também tinham irmãs.

Até 1975, Nuestros Pequenos Hermanos, Nossos Irmãozinhos e Irmãzinhas, cuja população totalizava 1.200, representava o maior orfanato do mundo. A Cidade do México era a maior cidade do mundo e o México, em si, tinha um população de 60 milhões, e aquele era o pais de crescimento mais veloz – tão veloz que, naquele ano o Governo desafiou a Igreja Católica e começou um programa nacional de planejamento familiar.

Em breve, representantes montados em mulas partiam montanha acima e vale abaixo, com seus alforjes cheios de preservativos e pílulas anticoncepcionais – e também vacinas contra difteria, coqueluche e tétano. No fim das contas, as mulheres estavam dispostas a uma escalada, até a clínica da vila, para pegar as pílulas e evitar a gravidez, contanto que seus filhos fossem vacinados contra doenças que, do contrário, poderiam matá-los.

Em uma década, a taxa de duplicação no México desacelerou: em lugar de acontecer em cada quinze anos, passou a ser a cada 24. Se não continuasse a baixar, teoricamente, até o século XXII, talvez houvesse um bilhão de mexicanos – uma impossibilidade física muito antes teria forçado tanto o seu meio ambiente quanto qualquer cerca que seu vizinho do norte tivesse construído para mantê-los fora.

Hoje, a família média mexicana têm apenas 2,2 filhos, quase uma taxa de substituição. Mesmo assim, momento de pouco crescimento da população significa que o México continuará crescendo nos próximas décadas, à medida que os já nascidos tiverem seus filhos.

O Padre Bill Wasson já tinha mais do que podia alimentar. Mais da metade do tempo, ele estava levantando fundos par mantê-los vivos, vestidos e estudando. No fim dos anos 1970, ele se mudou com sua imensa família para o sul de Guernavaca, para uma antiga hacienda de açúcar, doada, que as tropas de Emiliano Zapata haviam saqueado durante a Revolução Mexicana de 1910.O plano era cultivar milho, feijão e legumes suficientes para alimentar todas as crianças.

Para auxiliar, veio o dr. Edwin Wellhausen, recentemente aposentado do International Maize and Whear Improvement Center, conhecido pelo seu acrônimo espanhol CIMMYT. Fundado pela Rockefeller Foundation, perto das famosas pirâmides de Teotihuacán, nordeste da cidade do México, o CIMMYT hoje é considerado o berço da chamada Revolução Verde.

Seu falecido diretor, o dr. Norman Borlaug, foi agraciado com o Prêmio Nobel da Paz, por desenvolver um tipo de trigo resistente a pestes, chamado de trigo anão (anão porque os pés comuns de trigo se dobravam, com o peso os grãos extras geneticamente selecionados e produzidos por Borlaug).

Edwin Wellhausen era especialista em cultivo de milho no CIMMYT. Ele desenvolveu uma variedade de milho com aminoácido que aumentava expressivamente os níveis de proteína das tortillas que as crianças do Nuestros Pequenos Hermanos comiam em todas as refeições.

Um homem alto, magro, de óculos, e usando um sombrero de palha. Wellhausen chegou com um caminhão abarrotado de centenas de sacos brancos. Alguns continham sementes doadas.

Outros eram nitrato de amônio e ureia: fertilizantes de nitrogênio. Os restantes eram pesticidas e fungicidas: híbridos feitos em laboratório da Revolução Verde, rapidamente forçados por meio das gerações para enfatizar determinados traços desejados, careciam de resistência a vários insetos, que grãos como o milho, nativo no México, tinham adquiridos ao longo de milhares de anos de evolução.

A essa altura, o Padre Wasson tinha uma equipe de porte, incluindo muitas de suas crianças, já crescidas, que ajudavam a criar e ensinar a próxima geração de Irmãozinhos e Irmãzinhas.

O surgimento de todos esses químicos, vários venenosos, provocou uma discussão sobre potenciais ameaças às crianças e à terra da hacienda doada. Outra preocupação era o custo. O carregamento desse caminhão era presente, porém, após um quarto de século, o orfanato já tinha aprendido que o ato de caridade raramente continua para sempre.

Foi uma discussão curta. Eles tinham bocas demais para alimentar. Mais tarde se preocupariam com isso.

Em certa altura, durante a jornada de 40 quilometros, da Cidade do México até o CIMMYT, a estrada passa por algo espantoso: um território vazio. O charco branco de sal é o que restou do Lago Texcoco, o maior dos cinco lagos da alta bacia do México central, desde que as tropas de Hernán Cortés o viram pela primeira vez.

A capital asteca, chamada Tenochtitlán, era uma ilha que tinha ligação com a terra por passadiços elevados. Após a conquista, os espanhóis secaram os lagos; a bacia acabou enchendo outra vez, e transbordando – de gente. Hoje, 24 milhões vivem em uma das maiores extensões continuas de concreto e asfalto, cobrindo o Distrito Federal do México e parte de cinco estados vizinhos.

O peso abrupto da cidade sobre seu subterrâneo freático com excesso de manilhas afundou tanto que as tubulações de esgoto já não fluem para fora. Principalmente quando chove, a Cidade do México corre perigo de se afogar em seu próprio esgoto, exigindo a mais longa tubulação de esgoto do mundo: sete metros de largura por quase sessenta quilômetros de extensão, canalizando perto de 150 metros de solo adentro, para escoar no vale abaixo. P.70

Em conclusão, no entanto não foi compartilhada pelo próprio Borlaug. Seu discurso de aceitação do Prêmio Nobel da Paz não terminou em triunfo, mas com um alerta (…) estamos lidando com duas forças opostas, o poder científico da produção alimentar e o poder biológico da reprodução humana.

Recentemente a humanidade conseguiu um progresso impressionante em seu domínio potencial dessas duas forças oponentes. Ciência, invenção e tecnologia deram-lhe materiais e métodos para aumentar substancialmente seu suprimento de comida, as vezes de forma espetacular…

A humanidade também adquiriu meios de reduzir o índice de reprodução humana de forma eficaz e humanitária. Ela está usando seus poderes para aumentar a proporção da produção de alimento . Mas ela ainda não está usando adequadamente seu potencial para diminuir a taxa de reprodução humana…

Não pode haver progresso permanente na batalha contra a fome, até que as agências que lutam pelo aumento de produção de alimento e as que lutam pelo controle da população se unam m um esforço comum. P.73

Ruy Gripp 20-12-2018

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