tanquesPiscicultura

Piscicultura – Tanques e Viveiro

“Viveiro de piscicultura é um reservatório em terreno natural, dotado de sistemas de abastecimento e de drenagem de água de tal modo que o permita encher ou secar no menor espaço de tempo possível. Ele pode ser parcial ou totalmente elevado acima do terreno natural, mediante o erguimento de diques ou barragens.

O tanque tem estrutura semelhante ao viveiro, sendo, contudo, revestido com alvenaria de pedra ou tijolo ou em concreto.

Existem grandes diversidades de tanques e viveiros de piscicultura, conforme suas finalidades (manutenção de reprodutores, preparo de reprodutores, acasalamentos, criação de pós-larvas e de alevinos, engorda etc.).

No entanto, estruturalmente os viveiros se dividem em dois tipos:

  1. Viveiro de barragem- Construído no fundo de um vale por onde corre um pequeno curso de água (córrego ou olho d’água), mediante o erguimento de uma pequena barragem ou dique. No Nordeste do Brasil estes viveiros necessitam, quase sempre, receber suprimentos de água, oriunda de um açude, rio etc., no período seco. Isto porque sua alimentação de água é feita por uma ou varias nascentes, um lençol freático ou um curós de água, cujo caudal recebe em sua totalidade, sem possibilidade de controle;
  2. Viveiro de derivação – Escavado ou elevado no terreno natural, sendo abastecido por derivação da água a partir de uma nascente, de um curso de água principal, de um canal de irrigação etc; de uma represa ou açude (mediante o uso de sifão, galeria etc), sendo a água conduzida através de canais ou tubulações ou, finalmente, por bombeamento a partir de um curso de água ou de um reservatório. Deste modo, a entrada e saída de água do mesmo são controladas.

O tanque é uma estrutura menor que o viveiro, sendo sempre de derivação.

Na escolha do local para a construção de tanques e viveiros de piscicultura deve-se levar em conta dos aspectos: a água para abastecê-los e a existência de terreno adequados.

A água para abastecimento de tanques e viveiros de piscicultura deve ser examinada sob os aspectos qualiquantitativos: Qualidade da água – No exame da qualidade da água deve-se levar em conta são características físicas e químicas. Entre as primeiras, as mais importantes são:

  • Temperatura- Tem grade influência sobre a reprodução, sobrevivência e crescimento dos peixes, bem como sobre a produtividade natural das águas,ou seja, a produção dos alimentos naturais para os peixes. Ela deve se manter dentro dos limites compatíveis com a vida normal da(s) espécie(s) criada(s). Lembra-se que dentro desses limites quanto mais alta a temperatura maior a produtividade natural e, consequentemente, maior a produção de peixe. No entanto, temperaturas baixas ou muito elevadas influenciam negativamente na alimentação dos peixes. Estes limites máximos e mínimos, bem como suas variações, são atenuadas nas partes mais profundas dos viveiros.

As temperaturas das águas nos tanques e viveiros de piscicultura devem ser medidas na superfície e no fundo, usando-se termômetro de imersão com escala de 0º a 50º C. A água de fundo é retirada com um frasco com tampa, o qual é destampado quando atinge a profundidade desejada. Então, o mesmo é levado rapidamente para a superfície e a temperatura da água em se interior medida.

  • Transparência e a cor: A luz é um dos fatores mais importantes para a produtividade dos tanques e viveiros de piscicultura, pois os seres produtores da matéria orgânica na água (fito-plâncton, bactérias fotossintéticas e macrófitas aquáticas) utilizam a energia luminosa na fotossínteses.

Desse modo, quanto mais transparente é a água maior será a penetração da luz e, consequentemente, mais espessa será a coluna onde se processará a produção orgânica.

As águas turvas, isto é, que contêm argilas ou outros materiais em suspensão, não são favoráveis ao cultivo de peixes, principalmente, larvas, pós-larvas e alevinos, pois a argila adere as suas guelras, impedindo as trocas gasosas, podendo até matá-los. Portanto, deve-se evitar abastecer tanques e viveiros com águas de cores vermelha, amarela ou cinzenta, bem como, impedir que pessoas e animais penetrem nos viveiros, pois causam turbidez da água.

As águas negras ou escuras das florestas ou aquelas alaranjadas de ambientes ricos de ateria orgânica em decomposição não são boas para o abastecimento de tanques ou viveiros, vez e trazem gases tóxicos (sulfídrico, metano, amônia etc), que são geralmente ácidas (pH >7), além de não permitirem boa penetração de luz e possuírem baixos teores de oxigênio dissolvido, necessário para a respiração dos peixes.

As melhores águas para abastecer tanques e viveiros de piscicultura são as claras, ligeiramente azuladas ou esverdeadas. Quando estas instalações são bem adubadas, suas águas apresentam cor verde escura sinal de boa produtividade orgânica, pois reflete a grande incidência da algas clorofíceas nas mesmas.

SecchiA transparência da água pode ser medida com o disco de SECCHI, que é um disco metálico, com mais ou menos 0,25 m de diâmetro, contendo quatro faixas brancas e pretas, alternadamente, sendo o mesmo mergulhado na água, como auxilio de cabinho de náilon de 3/16”, até que não seja mais visto. Mede-se então, no cabinho, a profundidade em que se extinguiu a luz na coluna d”água. A transparência da água dos viveiros deve ser menor do que 0,3 m.

As características químicas das águas para abastecimento de taques e viveiros de piscicultura são importantes. Poucas águas não podem ser utilizadas para tal, mas a produção dos alimentos naturais para os peixes está ligada a sua qualidade Torna-se necessária a presença de nitrogênio, fósforo, cálcio, magnésio, enxofre e ferro., assim como dos chamados oligoelementos (boro, manganês, cobre e zinco). E em contato com o solo que a água se enriquece pela dissolução dos sais que nele se encontram. Deste modo, quanto mais rico o solo em minerais mais rica será a água.

Lembre-se, contudo, que parte desses sais pode provir da decomposição orgânica dos animais e vegetais mortos no viveiro ou, ainda, serem colocados através dos adubos.

Pode-se apreciar a qualidade de uma água medindo-se o seu pH. Este deve ser neutro ou ligeiramente alcalino. Valores inferiores a 5 e superiores a 9 são indícios de água não recomendável para a piscicultura.

Outros indicadores da qualidade da água para a criação de peixes são dados pelas suas dureza e alcalinidade. Água com dureza acima de 15 mg/l em seu equivalente em CaCO3 e com alcalinidade superior a 40 mg/l também em seu equivalente em CaCO3 são boas para aquele fim.

Torna-se necessário, ainda, a presença de gases dissolvidos na água, principalmente o oxigênio, imprescindível à respiração dos peixes, e o gás carbônico, essencial à fotossíntese.

No entanto, gases oriundos da decomposição da matéria orgânica (sulfídrico, amônia, metano etc) são tóxicos e fatores de depleção na taxa de oxigênio dissolvido. Nesta situação, as águas exalam mau cheiro. Deve-se, pois, evitar o acúmulo de matéria orgânica nos viveiros.

De uma maneira geral, as águas poluídas por esgotos industriais e / ou domésticos e por defensivos agrícolas não se prestam para a piscicultura.

Na análise química de uma água destinada a piscicultura, tornam-se necessárias as seguintes determinações, com respectivas indicações dos níveis desejados: pH de 5 a 9; Alcalinidade de 40 a 200 mg / l em seu equivalente em CaCO3; Dureza- acima de 15 mg/l em seu equivalente em CaCO3; O2dissolvido- acima de 4 mg/l; CO2livre- abaixo de 20 mg/l; Amônia – abaixo de 0,5 mg/l; Gás sulfídrico – abaixo de 1,0 mg/l; Metano – abaixo de 0,5 mg/l; Ferro – abaixo de 1,0 mg/l; Alumínio – abaixo de 0,5 mg/l;

Presença de nitratos, fosfatos, carbonatos e sulfatos.

Quantidade de água

A piscicultura necessita de água para encher tanques e viveiros e compensar as perdas por evaporação e infiltração. Esta praticamente não ocorre nos tanques, por serem revestidos em alvenaria.

A água necessária para encher um viveiro depende da capacidade de acumulação deste, que por sua vez, é calculada com base em sua área e profundidade média. Quando ele possui área de 1 hectare e profundidade média de 1 metro são necessários de 10.000 m3 de água para enchê-lo. Isto, contudo, deve ocorrer em curto espaço de tempo, sendo recomendável que não seja superior a 72 horas. Neste limite, a vazão necessária de água para abastecimento será de 38,6 litros por segundo (10.000 .000 l divididos por 259.200 s).

Após cheio o viveiro, nele só deve colocar água para compensar as perdas por evaporação e percolação. Salvo se houver depleção na taxa de oxigênio dissolvido na água. Caso isto ocorra, far-se-á renovação dela.

As perdas por evaporação dependem dos fatores climáticos, normalmente temperatura, insolação, umidade do ar, ventos etc. Nas regiões tropicais podem chegar a 25 mm/dia. Isto origina uma demanda diária de água da ordem de 250 m3/ha, ou seja, uma vazão de 2,9 l/s de água por ha (250.000 l divididos por 86.400 s).

É difícil calcular com exatidão as perdas de água por infiltração, pois as mesmas dependem da idade dos viveiros (os novos perdem mais água), das técnicas de construção deles (os impermeabilizados com terra argilosa compactada têm as perdas sensivelmente diminuídas), da natureza dos solos (os argilosos possuem baixa percolação) e a posição de seus pisos com relação ao lençol freático (quanto menor o espaço que os separa menor a infiltração). Com boa margem de segurança pode-se considerar uma perda média de 1 mm/dia de lamina de água por infiltração. Isto requer reposição de 10 m3/ha/dia, ou seja, uma vazão de 0,1 l / s de água por ha (10.000 l divididos por 86.4000 s).

Desse modo, nas regiões tropicais mais criticas, com lâmina de evaporação da ordem de 25 mm/dia, serão necessários 104.900 m3/ha/ano de água para encher uma vez o viveiro (10.000 m3) e compensar as perdas por evaporação (91.250 m3) e por percolação (3.650 m3)

No litoral nordestino, com lâmina de evaporação média em torno de 7 mm/dia,….p 6 de 31

Engº Agrº Ruy Gripp

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