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O Brasil de Volta aos Trilhos

Abaixo transcrevemos: Brasil de Volta aos Trilhos. Matéria da revista “Brasil Rotário”de Julho/ 2010 de Sávio Neves, (engenheiro, presidente da Associação Brasileira das Operadores de Trens Turísticos Culturais , membro do Conselho do Ministério do Turismo e diretor presidente da empresa Trens do Corcovado, associado do Rotary Clube do Rio de Janeiro-RJ), conforme a seguir:

“A bandeira da revitalização da malha ferroviária. A placa de bronze que comemora os 80 anos do Rotary Clube do Rio de Janeiro e da Cooperativa Editora Brasil Rotário fere os olhos e atinge os corações dos dois milhões de turistas que visitam anualmente o Cristo Redentor, no Corcovado, engastada nas paredes da última estação.

Em bronze dourado, texto bilíngue, demonstra material e espiritualmente o engajamento do rotarismo brasileiro na luta das entidades que trabalham sem esmorecimento, há anos, pelo resgate e pela retomada da malha ferroviária em nosso país. Trens de carga, trens de passageiros, trens turísticos, não importa.

Por ocasião do lançamento do livro “Trilhos e Letras”, com envolvimento direto de vários rotarianos, no movimento que já dá mostras concretas de sucesso a médio e longo prazo, a revista Brasil Rotário adianta-se na divulgação oportuna da obra.

Um MUNDO EXTINGUE-SE

A partir da década de 1940, o Brasil literalmente começou a sair dos trilhos. A opção pelo transporte sobre pneus levou á decadência das estradas de ferro. Linhas erradicadas, trens de passageiros suprimidos, estações e oficinas abandonadas, locomotivas, carros e vagões obsoletos – um quando contrastante com o resto do mundo, onde a ferrovia continuou crescendo e se modernizando.

Nossa matriz de distribuição dos transportes tornou-se uma excrescência, com o predomínio absoluto do modal rodoviário, em detrimento do trem – muito mais econômico, menos poluente, mais seguro. Como conseqüência, o chamado “custo Brasil” foi ainda mais onerado.

No inicio dos anos 90, o Governo Federal promoveu a desestatização do sistema operado pela Rede Ferroviária Federal Sociedade Anônima, dividindo-o em malhas regionais que foram concessionadas à iniciativa privada, com o arrendamento dos respectivos ativos operacionais. As concessões, porém, limitaram-se ao transporte de cargas. Os trens de passageiros de longa e média distância foram extintos, restando apenas duas linhas : a Estrada de Ferro Vitória –Minas e a Estrada de Ferro Carajás, ambas operadas pela Companhia V ale do Rio Doce, além dos metrôs e trens de subúrbios.

CAMINHOS ABERTOS

Há luz no fim do túnel, porém. O transporte de cargas, operado pelas concessionárias, tem crescido continuamente, os sistemas metropolitanos continuam se expandindo, os trens turísticos e culturais se multiplicaram, uma rede de trens regionais foi projetada pela Coordenação dos Programas de Pesquisa e Pós-Graduação em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), contratada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. Mais recentemente, veio a lume o ambicioso projeto do Trem de Alta Velocidade, para ligar Rio, São Paulo e Campinas. Outra novidade auspiciosa: o Projeto MagLev Cobra – um trem com levitação magnética, tecnologia em desenvolvimento também na UFRJ.

Nesse retorno do país aos trilhos, registra-se a contribuição relevante do Movimento de Preservação Ferroviária (MPF), uma associação sem fins lucrativos, sediada no Rio de Janeiro, mas atuando em âmbito nacional. Sua causa: o resgate, preservação e difusão da cultura ferroviária e o apoio a programas e projetos de revitalização do transporte sobre trilhos. Informações sobre a organização e funcionamento do MPF estão na internet, no site do www.mpfsorocabana.org.br. Vale a pena visitá-lo.

Juntamente com outro rotariano, o ilustre professor José Alves Fortes, presidente da Fundação Educacional de Além Paraíba, participo do MPF desde sua criação, há 13 anos. Integramos ambos seu Conselho Consultivo, promovendo e apoiando eventos, estimulando a pesquisa acadêmica, desenvolvendo gestões junto às autoridades governamentais, ministrado conferências por todo o país. “A atuação desses dois rotarianos tem sido fundamental para o Movimento e para o retorno do Brasil aos trilhos”, afirma o professor Victor José Ferreira, que preside o MPF.

Estamos os dois presentes , com textos nossos, no livro “Trilhos & Letras – Uma Antologia do Trem”, publicado recentemente pela Editora Pandion, de Florianópolis, SC, com a participação de nomes consagrados como Adélia Prado, Affonso Romano de SantAnna, Arnaldo Niskier, Fernando Brant, Ferreira Gullar, Ivan Lins, Martha Medeiros, Paulo Coelho e Rubem Alves. Um time de primeira linha, celebrando a magia e o lirismo do trem, sua importância e a necessidade de sua revitalização.

Espera-se que o próximo governo dê continuidade ao processo de reversão de nossa matriz de distribuição dos transportes, aumentando a participação da ferrovia. E que a cultura ferroviária, tão importante na história e no desenvolvimento do país, continue a ser resgatada, promovida e preservada. Que o retorno aos trilhos seja o caminho certo para a Estação Futuro, uma viagem na qual o Rotary já esta presente.

Nota- transcrito da revista “Brasil Rotário”, julho 2010 P. 24 e 25. O trabalho que temos divulgado sobre a Ferrovia Transoceânica (EF-354) com a sugestão de passar por Realeza e também o projeto “ Porto para Minas” em Linhares-ES entregamos em mãos ao professor José Alves Fortes, um dos autores dos autores de “O Brasil de volta aos trilhos.”, por ocasião da Conferencia de Rotary em São Lourenço-MG, em maio/2010.

Ruy Gripp -25-08-2010.

 

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