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Pequenos Animais Na Propriedade Familiar – Suinocultura e Piscicultura

Suínos

1 – SUÍNOS A SOLTA CONTROLADO:

1.1 – Histórico –; Suinocultura: Tecnologia e Viabilidade Econômica de José Ferraz Godinho – Porco do concreto, cimento e ferragens. Prejuízo em ciclos repetidos: no ano de milho caro pela queda na produção, o alto custo da ração determinava queda no preço do suíno e prejuízo e abandono da atividade. Antigamente o porco era criado solto em mangueirão com gasto mínimo de ração até ir para acabamento da engorda na ceva.

1.2- Criação a solto, em piquetes: Sistema antigo melhorado com rotação das pastagens; processo ecológico: melhora a produtividade do solo e diminui gastos com ração; melhor saúde dos porcos; menos gasto com a alimentação; carne mais saudável, mais gostosa, de melhor qualidade; ração sem o emprego de antibióticos, hormônios e remédios; animais livres, pastando brotos de capim que fornece boa parte da energia, proteínas, vitaminas e minerais necessários ao crescimento e desenvolvimento.

Divisão dos piquetes com cerca elétrica. Água distribuída em tambores com chupeta; abrigo rústico, coberto com sombrite ou folhas de palmeiras. O suíno não importa com chuva, somente não gosta e não suporta o sol muito quente..

1.3- Engorda em ceva com piso de terra com cama permanente, superposta com material diverso: casca de arroz, sabugo de milho triturado, maravalha de madeira, palha de café, feno de capim, como na avicultura..

Não lavar, não limpar, somente acrescentar novo material seco na parte umedecida pelas fezes, quando necessário; água para beber apenas na chupeta (em canos ou em tambores plásticos de 100 ou 200 litros), podendo por duas ou até quatro chupetas por tambor; Se possível, usar boia ou então completar a água no balde.

1.4- Trocar o piso com altura já muito elevada (50 cm), atrapalhando o cocho que deve ser móvel e ajustado quando necessário; retirar a cama já transformada em húmus pela fermentação natural no período de engorda; deixando uns 5 cm do fundo como inoculante do novo material; produção de ótimo adubo orgânico para horta, jardim e plantios em geral (café, milho, árvores frutíferas), pois o material foi muito enriquecido de minerais pelas fezes dos suínos. Não produz mal cheiro, nem moscas e outros inconveniente, diminuindo a mão de obra. Processo ecológico que defende o meio ambiente e a contaminação das águas dos córregos e rios.

1.5- Consumir ou vender os suínos ainda jovens, com 30 a 50 kg diretamente dos piquetes ou então dar o acabamento nas cevas. Recria a campo com um mínimo de ração (milho de preferência de molho n’água e farelo de soja mais minerais); relação 4/1 de milho/soja; economia na construção, com alimentação, na mão de obra e nos remédios. Aproveitar no tratamento os resíduos da cozinha (lavagem) e da agricultura (mandioca, batata doce, frutas da época, ramas e capim em geral) economizando assim na compra da ração.

1.6-Comparação: bovinos com suínos: enquanto uma vaca produz apenas uma cria por ano, com cerca de três anos para abate do garrote; uma porca dá duas crias por ano, com 6 a 8 leitões por parto, portanto 12 a 16 crias anuais e apenas 6 meses para o abate..

1.7- Raças: suínos nativos, comuns e tradicionais, que são rústicos, adaptadas ao campo, ao capim, ao pastoreio, como: piau, junqueira, nilo, caruncho, canastra, canastrão, pereira, ou o porco javali, etc.

1.8- Objetivo da criação: consumo familiar como também comercialização de leitões para abate ou engorda; (poucos têm condições de possuir matrizes em seus imóveis, necessitando adquirir leitões para engorda em suas pequenas cevas); melhorar o padrão de nutrição; aproveitar a mão de obra ociosa das mulheres e crianças; atividade leve com beneficio à saúde física, econômica e mental.

Piscicultura

2- PISCICULTURA –Extensiva, semi-intensiva e intensiva – Tilápia, Carpa, etc

2.1 –Manejo da água em condições físicas, químicas e biológicas ideais no viveiro ou tanque; a) transparência: 40 cm (30 a 50 cm); b) acidez com pH 7,5 (entre 7 a 8); d) cor – verde azulada característica;.e) densidade adequada ao sistema: quantidade de peixe por superfície (m2) ou por volume (m3) da água do viveiro.

O peixe vive n’água, mas não vive da água. Vive do alimento existente na água: nutrientes produzido na própria água ou adicionado na água, como ração balanceada ou adubo orgânico ou fertilizante químico. Orgânicos: esterco de bovinos, de suínos ou de aves. Ou ambos: químicos mais orgânicos. Ou adubação e ração. Ou somente ração própria, balanceada.

2.2 –Transparência- calcular com o Disco de Secchin, que acusa a zona de transição com a turbidez, controlada pela adubação. A transparência ideal = 40 cm a partir da superfície. Inferior a 30 cm indica excesso de matéria orgânica e perigo dos peixes morrerem afogados por falta de oxigênio. Superior a 50 cm indica necessidade de adubação para produção do plâncton (algas e animais microscópicos, alimento natural dos peixes.

2.3 –Adubação química:N / P (Nitrogênio e Fosforo) na relação de 10 / 1. Aplicando em média 2 kg de N por hectare por dia, durante o ano; no caso 200 g de fósforo também por dia/ano; Total ano:803 kg ( 2.2 kg x 365 dias). Adubação semanal. Dois sacos de ureia (100 kg) com um saco de superfosfato simples (50 kg) contem a proporção de 10 partes de N (Nitrogênio) e uma parte de P (fósforo) na mistura. Misturar apenas no dia da aplicação (para evitar o empedramento pela umidade do ar). Esta adubação corresponde a um saco (50 kg) da mistura por hectare a cada semana ou 5 kg semanalmente para 1.000 m2 de viveiro (área de 20 x 50 m ou 30 x 35 m) ou 500 g / 100 m2. (Ureia – N=45 %; Superfosfato de cálcio ou S.Simples – P= 8,4 % );

2.4- Adubar em dia certo da semana. Por exemplo, todo sábado ou a cada 2º feira, aproveitando também para medir o pH (acidez ), a transparência e fazer coleta do plâncton, verificando a produção do alimento no viveiro dos peixes. Uma cor verde característica indica um manejo correto da água (cor da folha nova da bananeira ou do broto viçoso do capim). Corrige-se o pH com calcário e a transparência pela adubação, suspendendo ou aumentando a dose dos fertilizantes químicos ou orgânicos, conforme variação da transparência.

2.5- Tanque-rede, um sistema que vem sendo difundido com bastante sucesso; de fácil construção e baixo custo, podendo ser construído por qualquer pessoa habilidosa da região ( pedreiro ou carpinteiro)

2.6- Vazão- Água do abastecimento do viveiro apenas para substituir a evaporação e a infiltração. A que evapora transformada em vapor d’água na atmosfera, retorna ao solo em forma de chuva, orvalho, sereno, nevoeiro, e cerração. Beneficiando a terra, a flora, a fauna e o meio ambiente. A que infiltra do fundo da represa, rompe as entranhas da terra, surgindo novamente nos olhos d’água mais abaixo, nas minas que geram outros riachos que sustentam os grandes rios e as represas geradoras de energia elétrica.

Nestes dois processos, a água é purificada. Exige grande vazão somente no cultivo intensivo, em tanques com ração balanceada ou tanque rede.No sistema semi-intensivo com manejo da água adubada para produção do alimento, não pode sobrar água. Pois a que sai leva e lava o adubo, diminuindo a produtividade, e aumentado os gastos com os fertilizantes. Seria o mesmo que a erosão nos terrenos montanhosos, sem a devida conservação do solo.. A água precisa ser controlada para manter o nível no viveiro, sem excesso.

2-7- Aparelhos e instrumentos necessários à piscicultura:

a) disco de Secchin;

b) medidor de pH digital (R$150,00) ou fita de papel tornassol;

c) coletor de plâncton

d) anzol e rede de pesca

2.8- Buscar conhecimento com os técnicos em piscicultura e adquirir literatura especializada; estudar colocando em pratica os conhecimentos adquiridos. Duas importantes indústrias que compram e elaboram o filé da TILÁPIA em nossa região:

a) Piscicultura Ventania, município de Espera Feliz-MG, Tel. (32) 3746-1869 ou (32) 9986-3333.

b) No trevo de Muniz Freire -ES, situado na BR-262 , da cooperativa dos piscicultores em cujo local funciona a industria. Portanto já existe mercado para a comercialização da produção, fator importantíssimos para o desenvolvimento da piscicultura nesta região entre Minas e E.Santo e o governo federal vem incentivando a atividade pelo Ministério da Pesca, criado recentemente.

C) Também o consorcio piscicultura/suinocultura funcionam maravilhosamente bem, assim como peixe com o marreco-de-Pequim.

  Engº Agrº Ruy Gripp

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