Alimentos funcionaisSaúde

Alimentos Funcionais na Defesa da Saúde

O livro com o titulo “Alimentos Funcionais – Componentes Bioativos e Efeitos Fisiológicos” das editoras Neuza Maria Brunoro Costa e Carla de Oliveira Barbosa Rosa tem a colaboração de 48 pesquisadores especialistas em alimentação de diversas universidades brasileiras e do exterior. Possui mais de quinhentas páginas, Editora Rubio – 2010. Pretendemos reproduzir alguns trechos ou capítulos desta importante obra, pois esclarece e orienta sobre a função de determinados tipos de alimento ou de componentes específicos dos mesmos para a defesa do organismo com relação as doenças da atualidade. Vejamos:

Apresentação 

Nos últimos anos, os alimentos funcionais têm sido discutidos em eventos científicos de âmbito nacional e internacional nas áreas de Nutrição, Alimentação e Saúde. A diversidade de compostos bioativos presente nos alimentos e a ampla aplicação terapêutica destes justificam a inesgotável busca por conhecimentos relativos às propriedades fisiológicas ou funcionais.

O consumidor está reocupado não somente em satisfazer às suas necessidades básicas, como também tem optado por práticas alimentares mais sustentáveis e saudáveis e que possam, entre ouros benefícios, diminuir o risco de doenças crônicas não transmissíveis, como obesidade, câncer, osteoporose, dislipidemias e as condições associadas à síndrome metabólica.

O profissional de Nutrição e demais áreas da Saúde busca continuamente formas de traduzir os conhecimentos científicos em práticas terapêuticas aplicáveis à prescrição alimentar e nutricional de seus pacientes, ao passo que a comunidade cientifica investiga continuamente os efeitos e os possíveis mecanismos de ação dos compostos bioativos dos alimentos.

A explanação dos conhecimentos científicos em uma linguagem acessível e compreensível aos profissionais é o objetivo desta obra, em que autores renomados expõem, de maneira sintética e, ao mesmo tempo, abrangente e atualizada, suas próprias experiências, bem como dados fundamentados cientificamente acerca dos efeitos dos alimentos funcionais.

Os diversos aspectos relacionados com esses alimentos encontram-se em permanente discussão e pesquisa, mas, sem dúvida, o leitor encontrará aqui informações úteis e cientificamente fundamentadas nos capítulos que tratam dos efeitos fisiológicos das fibras alimentares, das vitaminas antioxidantes, dos probióticos e pré-bióticos, dos flavonoides, do butirato, dos corantes naturais, da soja, do feijão, do yacon, do quefir, das oleaginosas, entre outros. As implicações dos alimentos funcionais na osteoporose, na obesidade, no controle do apetite, no câncer, nos dislipidemias e na síndrome metabólica são também abordadas com propriedade,assim como a regulamentação dos alimentos funcionais no Brasil.

Desejamos aos estudantes e profissionais da área que este livro possa contribuir direta e indiretamente, para incentivar e aprimorar as práticas em Nutrição e Saúde e para promover o bem estar e a melhor qualidade de vida da população em geral. (As Editoras).

Prefácio

O aumento da expectativa de vida aliado à incidência cada vez maior de doenças crônicas, como obesidade, aterosclerose, hipertensão, osteoporose, diabetes e câncer, levou à maior preocupação por parte da população e dos órgãos públicos de saúde com ênfase na promoção de práticas alimentares mais saudáveis. O papel da alimentação equilibrada em prol da saúde vem despertando o interesse da comunidade cientifica, que tem produzido inúmeros estudos com o intuito de comprovar a influência de determinados alimentos na redução do risco de doenças crônicas não transmissíveis.

Na década de 80, no Japão, foram desenvolvidos estudos sobre alimentos que, além de satisfazerem às necessidades nutricionais básicas, desempenhavam efeitos fisiológicos benéficos. Após longo período de trabalho, em 1991, essa categoria de alimentos foi regulamentada, recebendo a denominação de “Foods for Specified Health Use” (FOSHU), cujo equivalente em português é “Alimentos Funcionais”

O advento desses novos produtos que trazem um “algo mais”, além dos nutrientes já conhecidos da relação entre a alimentação e o binômio saúde/doença e de atender aos interesses econômicos da indústria de alimentos. Tendo em vistas esses objetivos, esta obra apresenta informações conceituais sobre os alimentos funcionais , assim como suas interfaces de aplicações no câncer, na obesidade, na osteoporose, na síndrome metabólica e em doenças cardiovasculares.

Aqui enfatiza-se a importância cientifica dos fatores anti-nutricionais, das vitaminas antioxidantes, das fibras alimentares, dos probióticos e simbióticos, dos flavonoides e fitoestrógenos e de outros compostos bioativos presentes nos alimentos, como feijão, linhaça, yacon e oleaginosas, para a saúde humana.

O estudo dos alimentos funcionais tem sido o foco de atenção de muitos pesquisadores em evidência, nacional e internacionalmente, Os renomados colaboradores que prestigiaram esta obra são profissionais ligados à Nutrição, com publicações de vasta abrangência em conferências e revistas internacionais. Este livro representa , sem dúvida, um incentivo ao desenvolvimento de novos grupos de pesquisa e à atualização de profissionais que trabalham com a saúde humana.

Histórico, Conceitos e Atributos.

Introdução

O conceito de alimentos funcionais (AF) foi proposto inicialmente no Japão, em meados da década de 1980, e nos anos 90, recebeu a designação de alimentos para uso especifico de saúde, referindo-se aos alimentos usados como parte de uma dieta normal que demonstram benefícios fisiológicos e/ou reduzem o risco de doenças crônicas, além de suas funções básicas nutricionais.

O principio foi rapidamente adotado em outras partes do mundo. Entretanto, as denominações das alegações (claims), bem como os critérios para sua aprovação variam de acordo com a regulamentação local ou regional.

Definição de Alimento Funcional na União Européia: “Alimento que, além do seu valor nutritivo, beneficia comprovadamente uma ou varias funções do organismo, de modo que melhore o estado de saúde. Promova o bem-estar e /ou reduza os riscos de doença.”

No Brasil, ficaram estabelecidos os seguintes conceitos:

Alegação de propriedade funcional: refere-se ao papel metabólico ou fisiológico que o nutriente ou não nutriente desempenha no crescimento, no desenvolvimento, na manutenção e em outras funções normais do organismo humano.

Alegação de propriedade de saúde: afirma, sugere ou implica a existência de relação entre o alimento ou ingrediente e a doença ou condição relacionada à saúde. P 7

“Os atributos dos alimentos funcionais incluem, entre outros benefícios à saúde, a redução do risco de doenças cardiovasculares, câncer, diabetes, obesidade, osteoporose e de outras doenças crônicas não transmissíveis. O interesse pelos alimentos funcionais é crescente e tem atraído a atenção dos consumidores e da industria de alimentos.

O mercado de alimentos funcionais no Brasil representa cerca de 15% do mercado de alimentos, com crescimento anual de aproximadamente 20%. Embora promissor, esse mercado tem como grande desafio conquistar a confiança do consumidor quanto às suas alegações funcionais, assegurando que não se trata simplesmente de uma estratégia de marketing para justificar aumento de preço do produto.

A comunidade cientifica e as agências reguladoras, como a Anvisa, têm papel fundamental na trajetória dos alimentos funcionais, buscando e transmitindo informações acerca das suas propriedades, garantindo a confiança do consumidor e esclarecendo a importância deles, no contexto de uma alimentação saudável, visando à melhoria da qualidade de vida da população.

(Cap. 2. P 9) Inicialmente proposta pelo governo do Japão em meados da década de 1980, a expressão “alimentos funcionais” surgiu como resultado de esforços para o desenvolvimento de alimentos que possibilitassem a redução dos gastos com saúde pública, considerando-se a elevada expectativa de vida naquele país. O Japão foi pioneiro na formulação do processo de regulamentação especifica dos alimentos funcionais – alimentos processados, similares em aparência aos alimentos convencionais, usados como parte de uma dieta normal e que , além de suas funções básicas nutricionais, comprovadamente trazem benefícios fisiológicos e/ou reduzem o risco de doenças crônicas.

Conhecidos como alimentos para uso especifico de saúde, eles trazem um selo de aprovação do Ministério da Saúde e Bem-Estar do Japão. O principio logo foi adotado mundialmente. Entretanto, as denominações das alegações, bem como os critérios pra sua aprovação variam de acordo com a regulamentação do mercado a que se destina o produto.

Os alimentos funcionais são uma parte importante do bem-estar, para o qual também são necessárias uma dieta equilibrada e atividade física. O Guia Alimentar para a Populaça Brasileira do Ministério da Saúde recomenda o estimulo à pratica de atividade física, a adoção de uma dieta variada e alerta para não se mitificarem os componentes funcionais dos alimentos. P. 9

Políticas gerais: alimentos e promoção de saúde

(P 15)Há acentuado interesse mundial em melhorar a qualidade da nutrição e reduzir os gastos com saúde por meio da prevenção de doenças crônicas e da melhoria da qualidade e da expectativa de vida ativa. As políticas de saúde brasileiras referentes à alimentação e nutrição apresentam essa tendência e seguem as recomendações da estratégia global sobre dieta, atividade física e saúde, publicada peã Organização Mundial da Saúde. A estratégia recomenda aos países membros a adoção de políticas que estimulem a alimentação saudável e a prática de atividades física como forma de diminuir a ocorrência de DCNT (doenças crônicas não transmissíveis) causadas por alimentação não saudável e por estilos de vida sedentários.

Em relação a dieta, deve-se recomendar para indivíduos e populações: P 19

  • Manter o equilíbrio energético e um peso saudável
  • Limitar a ingestão energética procedente de gorduras; substituir as gorduras saturadas por insaturadas e eliminar as gorduras trans (hidrogenadas)
  • Aumentar o consumo de frutas, legumes e verduras, grãos integrais e nozes;
  • Limitar a ingestão de açúcar livre;
  • Limitar a ingestão de sal (sódio) de toda procedência e com sumir sal iodado.

Responsabilidades – Para alcançar as mudanças nos hábitos alimentares e nos padrões de atividade física, é necessário o esforço combinado de muitos agentes públicos e privados (OMS, governos, parceiros internacionais, sociedade civil e organizações não governamentais, setor privado) durante várias décadas. Entre as responsabilidades e recomendações, destacam-se:

  • Marketing, propaganda, patrocínio e promoção: a propaganda afeta as escolhas dos alimentos e influência os hábitos alimentares. A publicidade de alimentos e bebidas não deve explorar a credulidade e a inexperiência infantis. Mensagens que incentivem práticas dietéticas não saudáveis ou a inatividade física devem ser desestimuladas, enquanto mensagens positivas e saudáveis devem ser incentivadas.
  • Rotulagem: para que façam escolhas saudáveis, os consumidores necessitam de informação exata, padronizada e compreensível sobre o conteúdo dos alimentos.
  • Alegação de saúde: como o interesse dos consumidores por uma vida mais saudável está aumentando, é cada vez mais difundido o uso de mensagens relacionadas com a saúde pelos fabricantes. Essas mensagens não devem confundir o publico a respeito dos benefícios ou riscos nutricionais.
  • Promoção de produtos alimentícios condizente com uma dieta saudável: os governos poderiam considerar medidas para estimular a redução do teor de sal nos alimentos processados, do uso de gorduras hidrogenadas e do conteúdo de açúcar em bebidas e guloseimas.

Para o setor privado: a indústria de alimentos, como um dos representantes do setor privado, pode ser um agente significativo na promoção de dietas saudáveis e atividade física. Iniciativas da indústria de alimentos para diminuir o teor de gorduras, açúcar e sal dos alimentos processados e o tamanho das porções, a fim de aumentar a introdução de escolhas nutritivas, saudáveis e inovadoras e rever as práticas atuais de marketing, poderiam acelerar os ganhos de saúde em nível mundial. P. 20

Guia Alimentar para a População Brasileira: tem como propósito contribuir para a orientação de praticas alimentares que visem a promoção da saúde e à prevenção de doenças relacionadas com a alimentação.

  • Desnutrição e deficiências de micronutrientes, como anemia ferropriva, hipovitaminose A e distúrbios por carência de iodo, que ainda continuam sendo problemas de saúde publica no País.
  • Doenças crônicas não transmissíveis (DCNT): diabetes, obesidade, hipertensão arterial, doenças cardiovasculares e alguns tipos de câncer.

MODOS DE VIDA SAUDÁVEIS

Evidências cientificas recentes mostram que a saúde pode estar muito mais relacionada com o modo de vida das pessoas que com a sua determinação genética e biológica. Na abordagem da promoção de modos de vida saudáveis, identificam-se duas dimensões: aquela que se propõe a estimular e incentivar práticas saudáveis, alimentação saudável e atividade física regular; e outra, que objetiva a inibição de hábitos e práticas prejudiciais à saúde, como o consumo de tabaco e de álcool.

A alimentação saudável tem inicio com a pratica do aleitamento materno e prolonga-se pela vida com a adoção de bons hábitos alimentares. Assim, a nutrição adequada de gestantes e crianças deve ser entendida e enfatizada como elemento estratégico de ação, com vistas à promoção da saúde também na vida adulta.

Alimentação saudável: algumas considerações – Em geral, as escolhas alimentares são determinadas não tanto pela preferência e pelos hábitos, mas muito mais pelo sistema de produção e abastecimento de alimentos. O Estado, por meio de suas políticas públicas, tem a responsabilidade de fomentar mudanças socioambientais, em nível coletivo, para favorecer escolhas saudáveis em nível individual ou familiar. São pressupostos da promoção de uma alimentação saudável ampliar e fomentar a autonomia decisória dos indivíduos e grupos, por meio do acesso à informação para escolha e adoção de praticas alimentares (e de vida) saudáveis. P. 22

Uma alternativa de ação para alimentação saudável deve favorecer, por exemplo, o deslocamento do consumo de alimentos pouco saudáveis pra o de alimentos mais saudáveis. Supervalorizar ou mitificar determinados alimentos em função de suas características nutricionais ou funcionais também não deve constituir prática de promoção de uma alimentação saudável. Alimentos nutricionalmente ricos devem ser valorizados e entrarão naturalmente na dieta adotada, sem que se precise mitificar uma ou mais de suas características, tendência muito explorada pela propaganda e publicidade de alimentos funcionais e complementos nutricionais.

De acordo com os princípios de uma alimentação saudável, todos os grupos de alimentos devem compor a dieta diária. Destacam-se algumas diretrizes do Guia Alimentar para a População Brasileira como orientação para ações do governo e do setor produtivo: Garantir a qualidade dos alimentos – in natura e processados – colocados no mercado para consumo da população.

Em relação aos compostos bioativos presentes em verduras, legumes e ervas nativas do Brasil, o Guia destaca que, com base em conhecimentos atualizados, a orientação permanece a mesma: “uma alimentação rica em frutas, legumes e verduras, fontes naturais de vitaminas, minerais e compostos bioativos, é fundamental para a manutenção da saúde”.

Atividade física

O principio fundamental para se manter um balanço energético é o equilíbrio entre ingestão e gasto energéticos. Uma das orientações sobre as ações recomendadas ao governo e ao setor produtivo é desenvolver formas de divulgação e comunicação social que informem e valorizem a adoção de modos de vida saudáveis, conjugando-se a promoção de uma alimentação saudável e a prática de atividade física regular.

Tabela 2.2 – Lista atualizada em julho de 2009, de alegações aprovadas pela Anvisa

Ácidos Graxos – Ômega 3 – Alegação: o consumo de ácidos graxos ômega 3 auxilia na manutenção de níveis saudáveis de triglicerídios, desde que associado a uma alimentação equilibrada e hábitos de vida saudáveis.

Carotenoides – Licopeno, Luteína, Zeaxantina – Alegação: tem ação antioxidante que protege as células contra radicais livres. Seu consumo deve estar associado a uma alimentação equilibrada e hábitos de vida saudáveis.

Fibras Alimentares – Alegação: as fibras alimentares auxiliam no funcionamento do intestino. Betaglucana –auxilia na redução da absorção de colesterol; Destrina resistente – auxilia no funcionamento do intestino; Fruto-oligossacarídeo (FOS) contribuem para o equilíbrio da flora intestinal. Goma guar parcialmente hidrolisada; Inulina; Lactulose; Polidextrose; Psilio; Quitosona: auxilia na redução da absorção de gordura e colesterol; Todas, o seu consumo deve ser associado a uma alimentação equilibrada e hábitos de vida saudáveis. P 30

Fitoesteróis – auxiliam na redução da absorção de colesterol. Seu consumo deve ser associado a uma alimentação equilibrada e hábitos de vida saudáveis.

Probióticos – Lactobacillus acidophilus, casei shirota, para casei, Lactococcus lactis, Bididobaterium bifidum, animalis, longgum, Enterococcus faecium, etc. contribui para o equilíbrio da flora intestinal. Seu consumo deve ser associado a alimentação equilibrada e hábitos de vida saudáveis.

Proteína da soja – Alegação – o consumo diário de no mínimo 25 g de proteína de soja pode ajudar a reduzir o colesterol. Seu consumo deve ser associado a uma alimentação equilibrada e hábitos de vida saudáveis.

 

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