Cultura da Lichia em Alto Jequitibá: guia técnico, custos e mercado

Cultura da Lichia em Alto Jequitibá: guia técnico, custos e mercado

A lichia (Litchi sinensis) é uma frutífera de alto valor comercial e pode ser uma alternativa relevante para diversificação de renda em Alto Jequitibá (MG).

TL;DR

  • O texto reúne base técnica (clima, solo, plantio e manejo) e viabilidade (custos e receita).
  • O principal desafio é pós-colheita e logística, pois a fruta perde cor/atratividade rapidamente.
  • Estruturas coletivas (associação/cooperativa) aumentam padronização, reduzem frete e fortalecem a negociação.

Cultura da Lichia (Litchi sinensis Sonnerat.) na Região de Alto Jequitibá.

Autor: Gerson Ferreira Pinto

Fundamentos

1.1 – A necessidade de alternativas agrícolas para a cultura cafeeira da região

A monocultura de café foi a responsável, durante mais de cem anos, pelo desenvolvimento da nossa região. Entretanto cria periódicas dificuldades financeiras para a maioria dos pequenos e médios produtores em função das crises de mercado para o produto. E essas crises vêm se agravando. Atualmente, a crise está atrelada à super produção mundial de café. A maior procura do mercado atual é pelo café de melhor qualidade que atinge maior cotação. Entretanto, a maioria dos pequenos produtores da nossa região, produz café do tipo Rio e a sua receita mal dá (quando dá) para a manutenção da sua família, em detrimento da própria lavoura. A saída desta situação está na diversificação da nossa produção rural. A Associação de Produtores Rurais de Alto Jequitibá (APRAJE), recentemente reativada tem, entre os seus principais propósitos, a melhora da economia do associado e do município, acessando novos mercados e criando novas oportunidades para outras culturas. Lavouras de curto ciclo e a fruticultura em geral deverão ser fomentadas. A fruticultura, entretanto é uma atividade que necessita de uma estrutura de organização adequada, mais complexa que a cafeicultura. Por ser produto perecível, há necessidade de coordenação das atividades de colheita, embalagem e venda. O agricultor deve dispor, no período de safra, de volumes para cargas semanais e eficiência na comercialização. Além disso, o produto deverá apresentar condições próprias para o consumo, implicando isto em tratamento correto da cultura e manuseio adequado das frutas. A fruticultura exige algum investimento, de forma que produtores descapitalizados dificilmente conseguirão sucesso.

Dentre as fruteiras de hábito arbóreo, a Lichia desponta como forte candidata potencial como cultura alternativa para o café em nossa região.

A abertura de mercado comprador em CEASAS, como a de Caratinga e/ou Cachoeiro de Itapemirim, distantes cerca de 115 km e 175 km, respectivamente, de Alto Jequitibá, ampliará os contatos com atacadistas e grandes mercados, de forma que produtos de qualidade e/ou com elevado valor agregado possam atingir regiões muito mais distantes, como o Rio de Janeiro e São Paulo. Em visitas recentes aos CEASA de Caratinga, MG e de Cachoeiro de Itapemirim, ES, soubemos que nesses centros de abastecimento ainda não há comércio da Lichia. Também não há produtor da fruta nas regiões de abrangências dessas CEASAS.

Os nossos grandes mercados compradores de Lichia são o Rio de Janeiro e São Paulo e outras grandes capitais. Até o presente momento, o mercado está em expansão e supermercados como o Hortifruti, Pão de Açúcar, Carrefour e outros, são compradores de grandes quantidades da fruta, e não atingiram os pontos de saturação. Pelo contrário, o que é produzido é procurado por esses e outros grupos compradores.

O Rancho Chedas em Mutum, possui cerca de 300 pés de Lichia, com 200 pés novos (cerca de 9-10 anos) em produção. Descarrega toda a sua safra na CEASA de Vitória, onde há compradores que individualmente, compram toda a produção e a levam principalmente para o Rio e São Paulo. Segundo o informante, o mercado está aberto para o produto, entretanto, há cerca de seis (6) anos ninguém naquela CEASA conhecia a fruta. O mercado sofreu grande e rápida expansão.

A Lichia é, no entanto, uma fruta que após a colheita, mantém a sua coloração vermelha, atrativa para o consumidor, em condições ambientes, no máximo por uns 5-7 dias (segundo alguns de 3 a 5 dias), exigindo, portanto, organização do produtor de maneira que a colheita ocorra de forma sincronizada com as operações de embalagem e transporte até o atacadista comprador.

A criação de uma Cooperativa de Produtores de Lichia, como um apêndice da APRAJE, é uma proposta interessante para garantir quantidade e qualidade de produto no seu período de safra, transformando a nossa região em um pólo produtor dessa excelente fruta com grande potencial de mercado, e gerando alternativa econômica para a lavoura cafeeira.

1.2 – A cultura da Lichia se mostra potencialmente interessante para a nossa região

A Lichia é uma fruta deliciosa, considerada a “rainha das frutas”. Embora ainda pouco conhecida, as pessoas que a provam tornam-se suas fãs. O mercado consumidor vem crescendo sensivelmente, sendo apenas limitado pelo elevado valor da fruta, não acessível às pessoas de menor poder aquisitivo. Entretanto, com a maior oferta no mercado o seu preço deverá cair e ampliar ainda mais o seu consumo. Se por um lado o produtor perde no valor unitário, por outro, ganha na maior quantidade vendida.

Que a cultura de Lichia é uma alternativa agrícola para a nossa região, parece não existir dúvida, uma vez que encontra no nosso clima, altitude e solo condições adequadas para o seu bom desenvolvimento. Outro fato importante, divulgado na literatura, é que a nossa safra coincide com a entressafra dos países asiáticos, abrindo possibilidades de exportação. A China, Tailândia, Índia e Nepal, são os maiores produtores e exportadores mundiais da fruta e potenciais mercados consumidores no período de entressafra. Os Estados Unidos atualmente são também produtores. A Europa e Estados Unidos são os maiores consumidores das frutas provenientes dos paises asiáticos e, porque não seriam, juntamente com os próprios países asiáticos, importadores de nossas frutas no período da entressafra das sua lavouras? O Brasil, ultimamente, tem ampliado o volume de exportação de mercadorias diversas para a China, abrindo a porta para esta nova possibilidade. Entretanto, no momento, a nossa produção é inteiramente consumida no mercado interno. Não há excessos para a exportação.

É uma cultura de custos relativamente baixos devido à natureza bastante rústica da planta. Exige, entretanto, trato especial e orientado além de cuidados com doenças e pragas, particularmente contra a broca das pontas dos galhos, a broca de caule, ácaros e outras pragas e doenças até então controláveis. A calagem, a adubação, a irrigação na época da florada e a poda durante a colheita são também fatores importantes para uma boa produção.

A safra brasileira ocorre nos meses de novembro e dezembro, podendo a fruta entrar no rol dos produtos de consumo natalino, o que, aliás, já vem ocorrendo. É fruta de elevado valor comercial. O produtor de Mutum entregou, em 2002, a fruta em Vitória a R$ 8,00/kg e R$ 6,00/kg, dependendo do período da safra de São Paulo, se no início ou na plena produção. Há, entretanto, ocasiões em que o preço dispara, atingindo R$ 10,00/kg ou mais.

Há produtores que acreditam que em poucos anos o mercado da fruta estará saturado, embora com maior número de consumidores uma vez que o seu elevado valor de venda atrairá muitos produtores, aumentando sensivelmente a oferta. Sem dúvida, o preço de venda da fruta cairá e atingirá outro nível de consumidores. Encontrarão melhores preços os produtores que oferecerem mercadoria com mais qualidade. Nesta ocasião o mercado será competitivo.

1.3 – Problemas que se antepõe à Cultura da Lichia em Alto Jequitibá.

Para o desenvolvimento da cultura comercial da Lichia na nossa região, o maior empecilho está na inexistência de um mercado consumidor próximo. Os grandes mercados consumidores da fruta estão nas megalópoles como Rio de Janeiro e São Paulo. A inexistência de um mercado consumidor numa distância econômica da produção é um problema geral para qualquer outra mercadoria agrícola que não o café cujas dificuldades já foram, há tempos, superadas. O problema se agrava quando a mercadoria é perecível. A criação de uma Cooperativa de Produtores de Lichia poderá resolver este problema permitindo que a região se torne produtora da fruta. A Cooperativa poderá abrir caminho para novas fruticulturas na região.

A cultura da Lichia ainda é nova no país, o que, se por um lado cria a possibilidade de maiores ganhos por unidade de mercadoria para os pioneiros, por outro lado, dificulta, em muito, a sua venda. Como é uma cultura nova no país e ainda não explorada na região, obviamente representa um risco que o produtor terá de correr. As pequenas cidades interioranas não têm capacidade de consumir maiores quantidades de frutas devido ao seu valor ainda elevado. Em Venda Nova do Imigrante, a produção de apenas oito pés da fruteira (produzindo cerca de 100 kg/pé) não é consumida na cidade. A pequena produção (cerca de 600-800 kg/ano), quando vendida, é descarregada em Vitória. A produção de Mutum, com apenas um produtor, é também descarregada em Vitória. O valor atual da fruta compensa, e muito, segundo os produtores, o gasto com o frete, mas obviamente reduz os lucros. Se produtores isolados já estão conseguindo vantagens, mesmo em mercados relativamente distantes, o que não acontecerá com produtores associados que baratearão significativamente o custo do frete? E devemos ter em mente que o quadro de facilidade de venda atual pode modificar-se em futuro próximo. A Associação dos produtores da fruta parece-nos um fator fundamental para o sucesso do empreendimento.

A fruta deve ser colhida quando madura, não amadurecendo adequadamente fora do pé. Por outro lado, deve alcançar o comprador final ainda com a sua bela coloração vermelho-sangue. Entretanto, o pigmento que fornece essa coloração à casca da fruta é uma antocianina que sofre um processo de oxidação cuja velocidade é dependente da temperatura de armazenagem da fruta. Na época da colheita, justamente a mais quente do ano, a cor vermelha permanece, em condições naturais, por no máximo uma semana (talvez de 3 a 5 dias), passando, com o decorrer do tempo, a uma coloração marrom-avermelhada pouco atrativa para o comprador, embora as características organolépticas não se degradem, muito pelo contrário, realçando o dulçor e o aroma da fruta. Isto implica em que a fruta deva ser vendida, no máximo, em uns cinco a sete dias após colheita. É claro que o transporte a longas distâncias é um fator complicador para a venda do produto que deve chegar rapidamente ao consumidor. Em temperaturas baixas, a oxidação da antocianina é mais lenta. Existem tratamentos químicos que retardam o processo, particularmente com antioxidantes (ácido cítrico, ácido ascórbico e outros) e antifúngicos (solução a 0,1% de sulfato de cobre). Ivo Manica detalha alguns tratamentos relacionados ao armazenamento da fruta. Na Europa, a fruta “in natura” é vendida geralmente com a cor mais escura, ou sem a casca e com sementes, em enlatados. Vendem-se também passas e outras formas de produtos industrializados de Lichia.

1.4 – Observações finais

Fica claro, portanto, que a cultura de Lichia é promissora e tem potencial para a nossa região. Nosso clima e altitude são adequados, a produtividade por pé é elevada e o valor de venda da fruta é também convidativo. Entretanto, é conveniente (ou mesmo fundamental) a criação de uma Cooperativa com vários produtores, grandes e pequenos, de forma a que a fruta possa ser levada para os grandes mercados consumidores padronizadas, com boa apresentação e qualidade e em tempo hábil para a sua comercialização.

A produção, embora ocorra num período de cerca de 1 a 1,5 mês, não ocorre em uma única colheita, devendo ser colhidas apenas as pencas ou os frutos maduros. Isto significa que no período de safra mais que uma colheita poderá ocorrer na mesma árvore. E, cada colheita parcial dispõe de uns cinco dias, no máximo para a sua venda. Portanto, a não ser um grande produtor, poucos terão condições de produzir uma carga compensatória em cada colheita parcial.

A produção da Cooperativa deve ser tal que complete a carga do caminhão em tempo hábil para baratear o frete. Cada colheita parcial deve, portanto, produzir uma carga de caminhão em tempo compatível com a sua durabilidade para a colocação no mercado. Na verdade, a Cooperativa deverá dispor de uma logística envolvendo a produção, a conservação, o transporte e a venda da fruta. Não possuímos informações quanto à produção necessária para otimizar os custos.

Agricultores isolados, ou em pequenos grupos não organizados, terão os custos de carreto relativamente maiores devido, provavelmente, à pequena produção. Além disso, os agricultores em Cooperativas poderão manter-se orientados em todas as fases de produção da fruta, desde os tratos de campo até a colheita e manuseio das frutas, uma vez que poderão contar com a orientação de técnicos especializados.

Por outro lado, uma Associação dos Produtores de Lichia pode permitir a organização de um posto para o aproveitamento da fruta que, embora adequada ao consumo, não pode ser vendida por ter perdido a sua coloração de aceitação pelos compradores brasileiros. Este aproveitamento poderá ser na forma de polpa da fruta, na forma de passas, doces e licores. A polpa, que pode ser conservada congelada por alguns anos, poderá ser vendida em mercados por preços relativamente baixos, competitivos com polpas de outras frutas, uma vez que é produzida por frutas que estariam descartadas para a venda. O mesmo pode ser dito para os outros produtos de aproveitamento da fruta. Com isso, os associados reduziriam as perdas na safra e divulgariam estes sub-produtos da Lichia que praticamente ainda não têm mercado consumidor no país.

Um pólo produtor da fruta na região deveria atrair atacadistas e representantes de supermercados para CEASAS mais próximas, o que reduziria bastante os problemas de transporte para o produtor. Uma cooperativa poderia custear a participação de técnicos especializados no assunto, que melhor poderiam orientar os produtores.

Outro fator que não deve ser esquecido é que a produção da fruteira oscila, sendo um ano produtivo e outro com produção bem menor, podendo ser quase nula.

A cultura da Lichia na nossa região, por ser nova, apresenta certo risco para o produtor pelo pioneirismo. O investimento exige, portanto, coragem, cooperatividade e trabalho, podendo, entretanto, ser bastante lucrativo e se constituir num complemento econômico muito interessante para a cultura de café. Apenas para a comparação, 1,44 ha de lavoura de café muito bem conduzido, com 5.760 pés, produzindo 97 sacas de café bebida dura, em Alto Jequitibá, em julho de 2003 quando a saca de 60 kg de café estava cotada na ordem de R$ 160,00/saca, produziria uma receita de R$ 15.520,00/ano, enquanto que a mesma área contendo 100 pés adultos de Lichia em plena carga, na base de R$ 6,00/kg (valor médio cotado no pico de safra de 2002), considerando 25% de perda na produção arrecadaria R$ 45.000,00/ano. Isto equivale, na média, a uma receita 2,9 vezes maior para a lavoura de Lichia. Mesmo para a média do biênio, admitindo a mesma perda na produção e o mesmo valor de venda, a receita da lavoura de Lichia seria de R$ 29.250,00/ano que equivale a 1,9 vezes a receita do ano de alta produção da lavoura de café (não a média do biênio). Considerando a produção média bienal de 4.875 kg/ano (admitindo perda de 25%) a mesma receita de R$ 15.520,00 obtida para o café seria obtida se vendêssemos a Lichia a R$ 3,18/kg, valor muito abaixo do praticado atualmente. Entretanto, embora os números sejam muito animadores, quem deve decidir sobre os próprios riscos é o produtor. Mas, se este analisar corretamente, verificará que, para constituir uma pequena lavoura com cerca de 100 pés, por exemplo, os seus gastos médios anuais na fase improdutiva (considerado neste Projeto como de 6 anos) será apenas de R$ 1.134,00/ano, o que representa um gasto médio mensal de R$ 94,00/mês, valor pouco significativo, particularmente se considerarmos que já na segunda colheita, se os preços futuros de venda da fruta não se reduzirem muito, poderá recuperar as perdas. E isso, sem considerar lavoura consorciada, o que diminuiria bastante as perdas dos anos improdutivos. Enfatizamos, entretanto, que agricultores isolados com pequenas produções terão poucas chances de sucesso.

2. Objetivos

O presente Projeto tem por objetivos

Avaliar a possibilidade da cultura da Lichia na Região

Sugerir uma variedade adequada;

Sugerir as condições de plantio;

Sugerir culturas intercaladas para os primeiros anos de plantio;

Sugerir adubação e calagem;

Indicar principais pragas e doenças;

Indicar época e técnica de colheita;

Apresentar uma estimativa de custos;

Apresentar uma estimativa de mercado;

Apresentar uma estimativa de lucro.

3. Desenvolvimento

3.1 – Aspectos Técnicos Agrícolas

3.1.1 – Informações gerais e resumidas sobre a fruteira e a fruta.

Litchi Sonn.: Gênero monoespecífico de árvores frutificas asiáticas. Pertence à família Sapindaceae, a mesma da Pitomba (Talisia esculenta Radlk.), do temido cipó Timbó (Serjania lethalis A.St.-Hil.), da árvore Tiguí que também é tóxica (Magonia pubescens A.St.-Hil.), do Guaraná (Paullinia cupana Kunth, var. sorbilis Ducke), e outras plantas bem conhecidas popularmente.

Litchi chinensis Lam.. = L. sinensis Sonnerat. Lichia, Lichieira. Árvore de 8-10 m de altura, frondosa de folhagem densa e copa arredondada, que pelo porte, lembra uma mangueira. Folhas compostas, paripenadas, com três pares de folíolos com ápices agudos de 10-15 cm x 3,5-5,5 cm, glabros, lustrosos. Flores em panículas terminais. Frutos globulares, de 3-4 cm de diâmetro, aromáticos, produzidos em cachos nos extremos dos ramos do ano. Casca coriácea, áspera, quebradiça, vermelha passando ao castanho-escuro quando muito madura. A polpa ou arilo é translúcida, sucosa, saborosa, envolvendo um caroço duro, grande escuro e brilhante. O sabor lembra o da uva moscatel. Algumas frutas, provenientes de flores não fecundadas, produzem sementes muito pequenas, enrugadas que não germinam. Entretanto, estes frutos com sementes abortadas produzem polpa desenvolvida. A frutificação alterna ciclos de produção maior e menor a cada dois anos. A Lichia é considerada uma das melhores frutas do mundo e merecedora do título “rainha das frutas”. São consumidas ao natural ou como passas, sucos, compotas e como licores. A árvore em frutificação é muito bonita com seus frutos vermelhos em cachos em torno da copa. As aves procuram avidamente as frutas maduras. A fruteira já era cultivada pelos chineses há mais de 4000 anos e foi introduzida em nosso país em 1810 como presente do imperador chinês a D. Pedro I e plantada no Jardim Botânico do Rio de Janeiro de onde migrou para outros locais e Estados, principalmente São Paulo. Entretanto, o cultivo em escala comercial é recente mas com rápida expansão, encontrando um crescente mercado consumidor. As redes dos supermercados nacionais são as principais responsáveis pela divulgação da fruta em nosso país. Propaga-se por sementes, estaquia, mergulhia, enxertia (pouco usada) e alporquia, sendo que mudas de alporque são preferidas por frutificarem mais cedo, manterem as características da planta mãe e apresentarem um porte menor. As mudas de semente geram árvores mais altas, frutificam após 8-9 anos e, segundo a literatura, não são indicadas para formação de pomares por não garantirem a uniformidade dos frutos e frutificação, em decorrência das variações genéticas. Há produtores que questionam estas informações e conseguiram com pomares produzidos à partir de sementes elevadas produções em tempos quase equivalentes aos citados para os alporques. Entretanto, este é um risco que, enquanto as informações são conflitantes, não vale a pena correr. As mudas de enxerto geralmente produzem menos que as de alporque e às vezes apresentam problemas de incompatibilidade entre garfo e cavalo. Há diversas variedades destacando-se as Brewster e Bengal, sendo esta última muito produtiva e, a mais recomendada para as regiões nacionais mais frias. As plantas necessitam de um período de seca ou de frio antes da florada para uma boa produtividade. Em Mutum, MG., a florada ocorre no mês de julho ou agosto e a colheita ocorre cerca de 90-100 dias depois. Na opinião de alguns especialistas, “onde a manga vai bem, a Lichia emplaca”. É planta originária da China meridional.

3.1.2 – Composição da polpa da fruta

Segundo o Dicionário dos Alimentos, a fruta instiga o apetite, e apresenta, em média a seguinte composição quando madura:

Tabela 1- Composição da Lichia por 100 gramas de polpa

Caloria64
Glicídios16,4 g
Proteínas0,9 g
Lipídios0,3 g
Cálcio8 mg
Fósforo42 mg
Ferro0,4 mg
Potássio170 mg
Sódio3 mg

Carvalho & Salomão informam que o teor de vitamina C por 100g de polpa da fruta varia de 40 a 90 mg. As necessidades para um adulto são atendidas se este consome cerca de 100 g da fruta, ou seja, cerca de 7 frutas. Alguns cultivares são boas fontes de niacina.

3.1.3 – Aspectos agrícolas

Adequacidade da região de Alto Jequitibá para o plantio da Lichia

A Lichia desenvolve-se bem em altitudes que variam de 700 m a 1.000 m. Ela cresce satisfatoriamente em temperaturas entre 20 e 35o C, sendo a temperatura ótima em torno de 30o C. A precipitação pluviométrica ótima é de 1.200 a 1.600 mm/ano, mas encontram-se na Ásia cultivos comerciais em regiões com menos de 1.000 mm/ano. Segundo dados coletados pelo Engo Agr. Ruy Gripp, a precipitação anual em Alto Jequitibá no período de 1974 a 1996 apresentou uma média de 1.458 mm/ano, valor compatível com os ideais para a fruteira. A planta exige um período de temperaturas elevadas para um bom desenvolvimento vegetativo e um período de seca e/ou de frio (temperaturas inferiores a 15 oC) para indução floral e uma boa produtividade. Segundo Ivo Manica, chuvas durante a florada não são convenientes por interferirem negativamente na polinização. Na nossa região, a queda natural da temperatura associada ao período de estiagem nas estações de outono e inverno, seguido de um período chuvoso é suficiente para estimular um bom florescimento da planta, que ocorre no meados de julho à agosto, época onde as chuvas são ainda escassas.

Os meses de junho, julho e agosto em Alto Jequitibá são frios, com as noites podendo atingir temperaturas como de 15 oC ou menos. Em julho de 2003 houve temperaturas noturnas tão baixas quanto 7 oC. Os meses de novembro a janeiro e mesmo fevereiro são quentes, sendo que durante o verão a temperatura atinge de 28 oC ou pouco mais.

Geadas são muito raras ou mesmo inexistem na região. As Lichieiras são muito sensíveis às temperaturas muito baixas, particularmente as mais jovens. Geadas podem matar as fruteiras de pouca idade.

A tabela abaixo apresenta as médias mensais das chuvas ocorridas em Alto Jequitibá no período de 1974 a 2014, segundo dados experimentais colhidos pelo Engo agrônomo Ruy Gripp.

Distribuição anual das chuvas em Alto Jequitibá

OBS: 1 mm de precipitação pluviométrica = 1 L/m2 = 10 m3/ha

A figura indica claramente que o período de chuvas começa em setembro e atinge o auge em janeiro, com cerca de 290 mm/mês, decrescendo até cerca de 150 mm/mês, valor correspondente ao mês de março, quando então começa um período de estiagem cuja precipitação média atinge o seu mínimo nos meses de junho a agosto onde valores tão baixos como 11 mm/mês de precipitação são possíveis. Ficam, portanto, bem caracterizados os períodos de chuva, quando ocorrem o desenvolvimento vegetativo, a floração e a produção de frutos, e o período de seca quando ocorre um “stress” hídrico necessário à boa floração. As exigências hídricas da fruteira são atendidas bastante bem pelas características pluviométricas da região. Obviamente, se a floração se inicia em julho ou agosto, há necessidade de regas até, pelo menos, o mês de setembro ou outubro, quando a chuva começa a cair mais intensamente.

Em São Paulo a florada ocorre nos fins de agosto e setembro. No início da florada, caso não haja chuva adequada, a rega (ou irrigação) é necessária, pelo menos uma vez por semana. Segundo Kavati, é pela necessidade de temperaturas elevadas na época vegetativa e de um período de estiagem e frio para a indução floral, que nas regiões tropicais as plantas desenvolvem-se bem mas não produzem satisfatoriamente. O clima de Venda Nova, demonstrou-se adequado a essa cultura. A altitude, topografia e clima de Alto Jequitibá são próximos aos de Venda Nova fatos que aumentam a garantia de que nossa região seja adequada a essa cultura. Realmente, em Alto Jequitibá há proprietários que possuem pés adultos de Lichia em suas terras, tanto provenientes de sementes como de alporques. As fruteiras desenvolvem-se muito bem, com farta frutificação. Mas a planta é bastante versátil, acomodando-se a condições variadas. Não abre mão, entretanto, de deficiência hídrica e do frio para causar um “stress” que estimula o florescimento. Na região de Mutum, a cerca de 200 m do nível do mar e mais quente que Alto Jequitibá, a planta começa a florescer na segunda quinzena de julho ou início de agosto, ocasião à partir da qual exige o fornecimento de água, em geral por irrigação ou regas semanais. Dados publicados por Anderson Siqueira Teodoro no jornal “O Pio do Mutum” de 03 de outubro de 2003 dá como média anual pluviométrica (IBGE-2002) o valor de 1.162 mm. Mostram também que o período de maior estiagem corresponde aos meses de junho a agosto, com as maiores precipitações ocorrendo em dezembro.

3.1.3.2 – Variedades ou cultivares indicados, propagação e produtividade

Os cultivares mais plantados no Brasil são Bengal e Brewster, existido também a presença de “Sweet Clift”, Mauritius e Delícia. Carvalho & Salomão mencionam ainda outros cultivares. Os dois primeiros sofreram adaptação ao clima tropical no Rio de Janeiro e São Paulo e propagaram-se pela região da Mata Atlântica, atingindo o Sul da Bahia e Pernambuco. Além disso, atingiram regiões particulares de microclima diferenciado com boa produtividade.

A variedade Bengal é muito produtiva e a mais plantada no país. Seus frutos são cordiformes, grandes, pesando cerca de 21 gramas/fruto (23 a 27 g/fruto segundo Carvalho & Salomão), com casca vermelho-sangue quando maduros e com sementes também grandes. Apresenta cerca de 56% de polpa. Ocorre pequena percentagem (cerca de 3%) de frutos com sementes abortadas. É indicada para zonas mais frias e desenvolve-se melhor em solos leves. Foi um dos cultivares mais propagados pela Dierberger Agrícola, um excelente produtor de mudas de Limeira, no Estado de São Paulo. As plantas do Sítio do Túnel, em Alto Jequitibá, são desta variedade e provenientes da Dierberger Agrícola.

A variedade Brewster tem folíolos ondulados e com os ápices ligeiramente voltados para baixo. Racimos com 10 a 20 frutos. O fruto é oblongo e grande, pesando cerca de 23 gramas/fruto (20 a 22 g/fruto segundo Carvalho & Salomão), com casca vermelho brilhante. Praticamente não apresenta frutos com sementes abortadas. A polpa corresponde a 78% do fruto. É um cultivar muito plantado no Brasil. O setor de Fruticultura da Universidade Federal de Viçosa vem desenvolvendo estudos com este cultivar.

A variedade Sweet Clift apresenta plantas menos vigorosas com folíolos pequenos, ovalados e ondulados. A fruta é pequena, pesando cerca de 17 gramas/fruto, ovalado e com casca vermelho intenso. A semente é pequena e ocorre cerca de 30-35% de sementes abortadas.

Ivo Manica comenta ainda sobre outras variedades da planta. O interessado pode recorrer ao seu livro.

Embora a Lichia possa ser plantada como pé franco, isto é, à partir de sementes, esta prática é desaconselhada para pomares comerciais, uma vez que geralmente a produção plena é tardia, além de não garantir o padrão das plantas e dos frutos (conseqüência da variação genética) e de produzir árvores muito grandes quando adultas, o que dificulta a colheita e os cuidados necessários à lavoura. Algumas plantas provenientes de sementes são muito pouco produtivas. Além disso, as sementes tem baixa viabilidade, que começa a reduzir-se com cerca de 24 horas de extração, sendo que sementes com duas semanas após extração não mais germinam. Também a estaquia pode ser utilizada, porém com um índice de pega bastante baixo. Mudas de enxertia mostraram-se menos produtivas que as de alporque além de apresentarem problemas de incompatibilidade imprevisível entre cultivares.

A técnica de propagação mais indicada na literatura para um plantio comercial é a alporquia. Os alporques apresentam: 1- produção precoce, com 6-8 anos de idade ou menos. Ivo Manica informa que a produção pode começar aos 3-5 anos de plantio (provavelmente ainda incipiente). 2- plantas com 10-12 anos de idade atingindo a produção de 100-120 kg/pé; 3- árvores menores que as produzidas de sementes; 4- plantas e frutos com as mesmas características da planta mãe; 5- vida produtiva bastante longa, embora inferior aos pés francos. Entretanto, as mudas de alporques apresentam sistema radicular frágil nos primeiros anos de vida da planta e cuidados particulares com o transporte e plantio no lugar definitivo devem ser tomados. Kavati informa que a lichieira tem desenvolvimento vegetativo inicial bastante lento e, mesmo plantas propagadas vegetativamente como os alporques, começam a produção a partir do sexto ao oitavo ano, atingindo maturidade aos 12 anos.

Os alporques devem provir de árvores produtivas, de qualidade, uma vez que manterão as mesmas características da planta mãe. Portanto, as mudas de alporque devem provir de viveiristas idôneos, que garantam a qualidade das plantas. É importante que a muda venha acompanhada de um certificado de qualidade, o CFO. Alporques provenientes de plantas pouco produtivas inviabilizam o empreendimento.

Uma diferença importante no tocante à mudas de sementes e de alporques está no sistema radicular. Enquanto que mudas de sementes apresentam raiz pivotante, esta está ausente nas mudas de alporque cujas raízes são bastante mais superficiais que as de sementes.

Não temos dados específicos sobre a duração produtiva dos alporques, mas sabemos que é inferior à das mudas de sementes. Plantas de sementes com cerca de 200 anos são conhecidos ainda em plena produção no Brasil. Na China há plantas produtivas com cerca de 1200 anos. No Sítio do Túnel, em Alto Jequitibá, já temos plantas de alporques, muito produtivas, com cerca de 22 anos e oito metros de altura. Em geral, mesmo provenientes de alporques, são plantas de longa vida.

Em Mutum, MG, o Rancho Chedas possui aproximadamente 300 pés da fruteira, com cerca de 200 pés com 9-10 anos de idade e já com boa produção. São todos plantados à partir de sementes e, segundo seu proprietário, não foi observada nenhuma diferença muito sensível com o início da produção, produtividade e tamanho das plantas em comparação com as observadas para as provenientes de alporques. As mudas de sementes são muito mais baratas que as de alporque e não exigem a retirada de galhos de plantas produtivas para a formação dos alporques. Segundo o proprietário do Rancho Chedas, as árvores de sementes atingem a produção máxima aos 12-13 anos. Mas com cerca de 9-10 anos suas plantas já produziam uma safra anual de 12.000 kg em cerca de 200 plantas, o que dá cerca de 60 kg/pé. Esta observação, segundo ele, vale tanto para a sua região como para as regiões produtoras de São Paulo, como a Dierberger em Limeira e a propriedade do Sr. Maeda.

Para nosso Projeto assumiremos início de produção à partir do 7o ano de plantio (produções precoces são pouco significativas). Caso a produção comece mais cedo será considerada condição vantajosa. Para início de produção plena assumiremos árvores com 11 anos de plantio. Deve ficar claro que o projeto considera condições “prováveis” segundo dados da literatura que podem divergir entre os autores pois dependem das condições em que eles foram coletados.

Condições de plantio, espaçamento

A lichieira é uma árvore de porte médio. Mesmo a muda de alporque cresce bastante podendo, em terrenos férteis, atingir 10 m de altura. Mas, geralmente, segundo produtores nacionais, não ultrapassa 7-8 metros de altura. Sua copa é larga atingindo um diâmetro de 8-9 metros ou mais. Árvores de alporque com 22 anos plantadas no Sítio do Túnel, em Alto Jequitibá, estão com cerca de 8 metros de altura e 9 metros de diâmetro de copa. Desta forma, é aconselhado o plantio em linhas com espaçamento mínimo de 10 metros. As árvores mencionadas do Sítio do Túnel, por terem sido plantadas com distanciamento de oito metros, apresentam parte de suas copas se interpenetrando. Esta região de contacto das copas não é produtiva. A planta exige a exposição de toda a copa ao sol. Sugere-se de 10 a 12 m de distancia entre os pés quando o plantio não é adensado. Em plantio adensado sugere-se 5-6 m entre as mudas até que as copas se toquem e haja a eliminação de pés alternados. Kavati sugere a distância de 10 a 12 m entre as árvores na mesma linha e de 14 m entre as linhas, para melhor circulação de máquinas para os tratos culturais. Como a nossa região é montanhosa, o plantio será sempre feito em curvas de nível com distância mínima de 10 metros entre as linhas e entre as mudas na mesma linha. Entretanto, se a encosta for muito inclinada, talvez seja conveniente um afastamento entre linhas de 12 a 13 m, mantendo-se, na mesma linha, a distância mínima de 10 m. É importante se ter em mente que o distanciamento na projeção horizontal deverá ser no mínimo de 10 metros. É também conveniente que o plantio nas curvas de nível seja intercalado, de forma que se formem triângulos isósceles com as mudas nos vértices. Isto afasta mais as copas entre as linhas e permite melhor circulação de trabalhadores quando as árvores estiverem adultas. O plantio em distanciamento 10 m x 10 m com as plantas em formação de triângulos isósceles, permite de 103 a 116 mudas em 1 ha. No presente projeto, considerando as facilidades de circulação pela área com as plantas adultas, assumiremos o plantio no distanciamento de 12 m x 12 m. Nestas condições, 100 plantas (103 a 116) ocuparão 1,44 ha. O plantio deve ser feito na encosta em que a árvore receba o máximo de insolação. Encostas sombreadas devem ser evitadas. Não plantar em lugares encharcados. Um solo com umidade adequada ao café é também adequado à Lichia.

Na Universidade Federal de Viçosa experimentos estão sendo feitos com plantas distanciadas de apenas 7 m mantendo-se podas periódicas. Estes estudos não estão concluídos. É mais seguro para produtores iniciantes seguir as orientações tradicionais, ou seja, com distanciamento mínimo de 10 m.

OBS: Patrícia Carvalho (Globo Rural dez. 2002) informa que produtores de São Paulo consideram ideal o espaçamento de 13 m entre linhas e de 10 m entre plantas.

O Proprietário do Rancho Chedas em Mutum, sugere como espaçamento ideal 10 metros entre as plantas e a mesma distância entre as linhas.

Com o propósito de base para o Projeto, assumiremos

Plantio em curva de nível;

Mudas de alporque;

Distância entre as linhas de 12 m

Distância entre as covas por linha de 12 m;

O plantio deve ser tal que as plantas entre duas linhas formem um triângulo isósceles. No plantio com este espaçamento cabem cerca de 116 mudas em 1,44 ha ou 70 árvores por ha. (10.000 m2 = 1 hectare).

Assumiremos, como proposta de Projeto, o espaçamento de 12 m x 12 m, o que representa o plantio de 100 árvores em 1,44 ha. Entretanto, o interessado poderá escolher outros espaçamentos, mantendo o mínimo de 10 m x 10 m. Nesta condição de espaçamento mínimo cabem 100 mudas (até 116 mudas) em 1 ha.

Antes do plantio, o produtor deve realizar a análise química do solo para o planejamento adequado das quantidades de corretivos e adubos a serem incorporados.

As covas devem ter, no mínimo, as dimensões de covas para café, mas, de preferência com profundidade de 60 cm. Portanto as dimensões deverão ser, no mínimo, de 40 cm x 40 cm x 60 cm.

Em termos gerais, a cova deve ser adubada com 20 a 40 L de esterco de curral bem curtido e, segundo Kavati, com 0,5 a 1 kg de superfosfato simples ou termofosfato. Carvalho & Salomão recomendam 20 L de esterco bem curtido e 100 g de P2O5 (cerca de 560 g de superfosfato simples). Para a obtenção de uma cova bem feita, mistura-se a terra retirada da abertura da cova com o esterco e o fertilizante fosfatado. A mistura é utilizada no seu reenchimento. A cova assim preparada deve ficar em repouso por uns 30 a 60 dias para que ocorra total fermentação da matéria orgânica e a compactação natural do material de reenchimento. Períodos chuvosos podem reduzir este tempo.

É conveniente que as mudas sejam plantadas nas épocas de chuva, em dias nublados e com boa umidade no solo. As mudas apenas devem ir para o campo quando houver bom sistema radicular ocupando a embalagem da muda, além de já estarem ambientadas ao sol. As mudas no campo devem receber uma proteção ao excesso de sol. O plantio prévio de milho no espaçamento entre as covas pode criar esta proteção. Também, podemos proteger (sombrear) a muda com um muro de bambu ou com folhas de palmeiras.

A muda deve ser levada ao campo e plantada com muito cuidado para que não haja quebra do torrão danificando as raízes.

Logo após o plantio, deve-se regar abundantemente a cova, construindo-se uma bacia de contenção suficiente para cerca de 40 litros de água. Com este cuidado, eliminam-se bolsões de ar e compactam-se os enchimentos das covas.

As regas subseqüentes devem ser realizadas com menores quantidades de água, mas tendo-se o cuidado de verificar a umidade do solo, uma vez que a muda nova ressente-se da falta de água, podendo paralisar o crescimento ou mesmo morrer.

Em pequenos pomares, de até uns 500 pés, não há necessidade de irrigação. A rega pode ser feita com auxílio de mangueiras 1 ou 2 vezes por semana, conforme a umidade da terra. Este cuidado deve ser mantido até, pelo menos, 2-3 anos, quando as plantas terão copas que cobrirão a maior parte do sistema radicular e já terão resistência para agüentar a estiagem. Por sob as copas, bastante fechadas, o mato não se desenvolve e o terreno mantém a umidade. Folhas que caem das árvores formam um tapete sob a sua copa, cobertura esta que deve ser mantida para reter a umidade do solo.

Nos primeiros anos é conveniente manter a planta tutorada com bambu (para se desenvolver com o porte ereto) e, no seu entorno, com cobertura morta.

Os ventos excessivos prejudicam a cultura. Deve-se evitar o plantio em locais com muito vento ou, utilizar quebra-ventos.

3.1.3.4 – Culturas intercaladas para os primeiros anos de plantio

A lichieira apresenta um período de formação, improdutivo, bastante longo. São necessários 6-7 anos para o início de produção, que aumenta de ano para ano, mantendo a alternância bienal, até atingir a produção máxima aos 11-12 anos. A produção inicial é pequena, aos 8-9 anos já atinge 60 kg/pé e aos 12-13 anos produz cerca de 120-150 kg/pé. Segundo o produtor de Mutum, uma suposição realista permite estimar uma produção de plena carga de 100 kg/pé em lavouras bem conduzidas.

Uma coroa capinada com o afastamento de até um (1) metro da copa é conveniente nos primeiros anos do plantio. Esta coroa deve ser mantida com cobertura morta. Conforme a planta vai crescendo, por sob sua copa não nasce mato. Caso nenhum consórcio seja mantido com a cultura da Lichia, convém que se roce o mato ao entorno da coroa capinada. Isto evitará que chuvas fortes lavem a terra nua, particularmente em terrenos inclinados como os da nossa região. Entretanto, para baratear a manutenção da cultura da Lichia nesta fase improdutiva e enquanto há espaço suficiente entre as mudas, culturas consorciadas de curto e médio ciclo podem ser realizadas. Após o período de consórcio, a área entre as árvores poderá ser plantada com leguminosas, de preferência, cujas sementes foram inoculadas com rizóbium.

Segundo o proprietário do Rancho Chedas, em Mutum, pode-se consorciar a cultura de maracujá, fruta que apresenta boa aceitação no mercado, particularmente atendendo às indústrias de suco. Na região de Mutum é uma cultura vantajosa. Entretanto, em regiões mais frias, podem ocorrer problemas de antracnose nas flores e frutos, prejudicando o produto final. Segundo o proprietário do Rancho Chedas, a praga é convenientemente controlada com aspersão de Biopirol um fertilizante organo mineral que também combate o fungo e, com Calda-bordalesa. Duas fileiras de plantio de Maracujá são possíveis nas lavouras novas. Mais tarde, com o crescimento da árvore, deve-se manter apenas uma fileira que, finalmente será eliminada deixando a área apenas para as Lichieiras. Entretanto, segundo o prof. Cláudio Hoerst da Universidade Rural de Viçosa, o cultivo de maracujá não é o mais indicado para a nossa região por produzir menos que em regiões quentes e por ter a safra coincidente com a dos grandes produtores do norte fluminense, quando o preço da fruta é baixo.

Outros consórcios são possíveis, como culturas de ciclo curto como de inhame, milho, feijão, etc. A cultura de consórcio, entretanto não deve disputar com a lichieira os seus nutrientes. Por isto, deve ser plantada de forma que suas raízes ou ramas fiquem afastadas da copa da árvore pelo menos 1,0 m de distância.

O plantio de inhame pode ser vantajoso nos primeiros anos da lavoura, entretanto, quando as árvores aumentarem suas copas (e o sistema radicular da árvore acompanha aproximadamente a projeção horizontal da copa) outra cultura deve ser considerada, pois o inhame exige revolvimento da terra, o que pode prejudicar as raízes da lichieira. Feijão e milho também podem ser considerados. Entretanto, sobre consórcios na nossa região nada temos de informação. Profissionais da área agrícola podem auxiliar nesta escolha.

3.1.3.5 – Adubação e calagem

A lichieira desenvolve-se bem em diferentes padrões de solo. Entretanto, é conveniente uma análise do mesmo, assim como uma análise foliar em épocas adequadas, para orientar o agricultor numa possível necessidade de adubação. O tipo de adubo, quantidade e freqüência da adubação devem ser escolhidos segundo esta orientação. Pode ser necessária a adubação com micronutrientes. Entretanto, a literatura propõe algumas tabelas de adubação em função da idade da planta. Há tabelas indicando adubações no Havaí e África Subtropical, conforme apresentadas por Carvalho & Salomão. Ivo Manica também apresenta tabela de adubação em função da idade da planta. No trabalho apresentado em 1996, em Campinas, Kavati indica, como regra, a seguinte adubação de formação, no período improdutivo, segundo a idade da muda, até o 6o ano do plantio. A tabela refere-se a quantidade aplicada por ano na fase de formação do pomar.

Tabela 2.1- Adubação de Formação

Idade da Planta AnosN Gramas por plantaP2O5 Gramas por plantaK2O Gramas por planta
0-15000
1-2100050
2-325050100
3-430050200
4-5300100200
5-6300100200

A Tabela 2.1 nos dá alternativas para uso de diversos tipos de adubos. Como base de projeto, assumiremos que usaremos Sulfato de Amônio como adubo nitrogenado, Superfosfato Simples como adubo fosfatado e Cloreto de Potássio como adubo potássico, uma vez que os cafeicultores já têm bastante experiência com estes nutrientes. A Tabela 2.2 corresponde à Tabela 2.1 com os compostos propostos.

Tabela 2.2- Adubação de Formação

Idade da Planta AnosSulfato de amônio Gramas por plantaSuperfosfato simples Gramas por plantaCloreto de potássio Gramas por planta
0-125000
1-2500086
2-31250278172
3-41500278345
4-51500556345
5-61500556345

Da Tabela 2.2 podemos concluir que plantas com mais de quatro anos podem receber, anualmente a adubação de 1,5 kg de sulfato de amônio, 0,556 kg ( 0,5 kg) de superfosfato simples e 0,345 kg ( 0,3 kg) de cloreto de potássio. Esta adubação anual permanecerá até o início de produção e, como base de cálculo, pode ser considerada a adubação necessária para sustentar a planta adulta desconsiderando-se a produção. A Tabela 2.3 apresenta, segundo esta suposição, a adubação necessária para sustentar a planta adulta.

Tabela 2.3- Adubação necessária para o sustento da planta adulta

sem frutificação.

Idade da plantaSulfato de amônio kg/plantaSuperfosfato simples kg/plantaCloreto de potássio kg/planta
Planta adulta1,50,50,3

A aplicação do superfosfato simples deve ser feita de uma única vez no início da estação chuvosa, distribuindo o fertilizante uniformemente na área coroada da planta.

A aplicação do sulfato de amônio e cloreto de potássio é feita em 4 vezes, em parcelas iguais, desde o início da floração (agosto-setembro), com a terceira adubação no fim da colheita (cerca de início de janeiro) e a última no fim de abril, e espalhadas numa faixa ao redor da copa e encobertas, como se faz com café.

Pode-se simultaneamente aplicar esterco no período de chuvas, independentemente dos fertilizantes minerais. Esta aplicação melhora o desenvolvimento das plantas. Usam-se 20 litros de esterco de curral ou 2 litros de esterco de galinha aplicados na cobertura, como se faz com o adubo fosfatado. Inclusive, para melhorar a distribuição do fosfato, este pode ser bem misturado ao esterco e, então, espalhado por sob a copa e ultrapassando a mesma por cerca de meio metro.

Ivo Manica informa que, embora sem nenhum resultado validado por pesquisa, no Brasil, recomenda-se para lichierias em frutificação uma adubação anual por planta, com a mistura: 25-40 L de esterco de curral bem curtido; 300 g de nitrocálcio ou sulfato de amônio; 400 g de farinha de ossos; 200 g de superfosfato; 200 g de cloreto de potássio.

Kavati indica que na fase de produção a adubação para sustentar uma produção de 100 kg de fruta por planta pode ser feita segundo a Tabela 3.

Tabela 3- Adubação na fase de produção plena (à partir de 11 anos)

Idade da plantaSulfato de amônio kg/plantaSuperfosfato simples kg/plantaCloreto de potássio kg/planta
À partir de 11 anos3,01,01,0

Lembramos, entretanto, que é conveniente, pelo menos uma vez por ano, no período pós-produção, uma análise foliar e uma análise do solo, inclusive para verificar necessidade de micronutrientes.

Com base nas Tabelas 2.2 e 3 e admitindo correlação linear entre produtividade e necessidade de fertilizante, podemos fazer uma projeção para a adubação em função da frutificação para os anos iniciais de produção, antes da produção plena.

A seguinte equação permite o cálculo para a adubação na fase produtiva.

(1)

onde: mf = quantidade anual de fertilizante necessária em qualquer época produtiva em kg;

mP =quantidade anual de fertilizante necessária à produção plena em kg;

mS = quantidade anual de fertilizante para a manutenção da árvore sem frutas em kg;

kP = quantidade anual de fruta/pé produzida em plena carga em kg;

kf = quantidade anual de fruta/pé produzida em qualquer época em kg.

Exemplo 1: Qual a quantidade de sulfato de amônio que devemos aplicar por pé quando a carga esperada for de 60 kg de Lichia/pé por ano. Supor produção máxima de 100 kg.

Solução: Pela expressão (1) e Tabelas 2.2 e 3, teremos

mf = (3-1,5).60/100 + 1,5 = 2,4 kg de sulfato de amônio por ano.

Exemplo 2: Na mesma condição do Exemplo 1, qual a quantidade de cloreto de potássio?

Solução: Também, pela expressão (1) e Tabelas 2.2 e 3, teremos

mf = (1-0,5).60/100 + 0,5 = 0,8 kg de cloreto de potássio.

Exemplo 3: Qual a quantidade de superfosfato simples que devo aplicar se a produção prevista máxima é de 120 kg/pé?

Solução: Ainda pela expressão (1) e Tabelas 2.2 e 3, teremos

mf = (1-0,5).120/100 + 0,5 = 1,1 kg de superfosfato simples.

A produtividade de um plantio de Lichieira é dependente das condições climáticas anuais, do tipo de solo e práticas culturais. Desta forma é difícil dispor-se de uma tabela geral de produtividade em função da idade da planta. Entretanto, valores médios são disponíveis na literatura, onde, pelas razões expostas, encontramos informações variadas sobre a produtividade da Lichieira em função dos anos de plantio. O folheto da CENIPA permite a elaboração da Tabela 4.1 de produção por planta nos primeiros anos produtivos:

Tabela 4.1- Produção anual por pé, segundo trabalho da CENIPA

Ano produtivoProdução mínima (kg/pé)Produção máxima (kg/pé)
1o ano produtivo1520
2o ano produtivo3040
3o ano produtivo6080
4o ano produtivo80100
5o ano produtivo (planta adulta)100120

A Tabela 4.2 foi construída com base nos dados de Carvalho & Salomão

Tabela 4.2 – Produção anual por pé, segundo trabalho de Carvalho & Salomão

Idade da planta (anos)Produção (kg/pé)
7-845
1050-70
15100
20-24150-180

Baseados nos dados extraídos do folheto da CENIPA, nos dados de Carvalho & Salomão e nos dados colhidos com o proprietário do Rancho Chedas, em Mutum, assumimos, como base de trabalho, a produção apresentada na última coluna da Tabela 5.

Com base na expressão (1), com valores propostos de produção (valores aproximados de produção esperada – ver Tabela 5), nos dados das Tabelas 2.2 para fruteiras com 6 anos e na Tabela 3 para produção máxima anual de 100 kg de fruta por pé, podemos propor um plano de adubação para os anos iniciais de produção da Lichia. A Tabela 5 apresenta este plano.

Tabela 5- Plano de Adubação para os anos iniciais de produção (kg/planta)

Idade (anos)Sulfato de amônio (kg/planta)Superfosfato simples (kg/planta)Cloreto de potássio (kg/planta)Quantidade de fruta produzida(*) (kg/planta)
5-61,50,50,30
6-71,950,650,5130
7-82,180,730,6245
8-92,400.800,7260
9-102,700.900,8680
10-112,850.950,9390
Mais que 11311100

(*) Expectativa de produção sem a redução bianual.

Ivo Manica indica uma outra tabela de adubação em função da idade da planta. Os valores por ele apresentados não são muito diferentes dos aqui propostos.

Da mesma forma que para a adubação no período de formação, o superfosfato simples será aplicado de uma única vez por cobertura, e os adubos sulfato de amônio e cloreto de potássio serão aplicados em três ou quatro parcelas iguais numa faixa em torno da projeção horizontal da copa da planta. A adubação começa na floração, com penúltima parcela logo após a colheita e termina em fins de abril.

Note que se a colheita prevista for maior que 100 kg por pé, a adubação anual pode ser também calculada pela expressão (1) como mostrado no Exemplo 3.

O esterco de curral deve ser espalhado anualmente sob a copa na quantidade de 20 a 40 litros ou, o esterco de galinha na quantidade de 2-4 litros.

Após a colheita, é sempre interessante que se faça uma análise foliar para o acompanhamento do estado nutricional das plantas. É possível que em anos de baixa produção a terra esteja muito adubada e possamos reduzir o adubo do ano. Convém, portanto que se faça periodicamente uma análise de solo para melhor orientar a adubação.

A fruteira adapta-se bem a solos com pH na faixa de 5,5 a 6,5. A literatura consultada indica que a planta suporta ainda solos mais ácidos e alcalinos com boa produtividade. Entretanto, a faixa de pH indicada deve ser mantida. A análise de solo deverá indicar a calagem necessária. Entretanto, a literatura sugere a aplicação anual de 2 kg de calcário dolomítico por planta, mas espalhada na área total da lavoura. Por exemplo, se a lavoura for de 100 pés de Lichia, então se aplicará 200 kg de calcário em toda a área. Se esta área é de 1,44 ha, então teremos 138 kg de calcário/ha. A aplicação do calcário deverá ser feita no final do período chuvoso.

Irrigação

Embora a precipitação média da nossa região se enquadre na faixa exigida pela Lichia para um desenvolvimento adequado, na realidade pode acontecer que o início da floração ocorra ainda no período de estiagem. Desta forma, até que as chuvas cheguem e se regularizem, é conveniente a irrigação das plantas. Em pequenos pomares, com até 500 árvores, as plantas podem ser regadas com auxílio de mangueiras. Em pomares maiores, pode ser necessário um sistema mais caro para a irrigação.

As mudas recém plantadas também necessitam de rega. Como são plantadas em períodos chuvosos, estas regas podem ser espaçadas. As plantas novas devem ser regadas sempre que a estiagem for por período maior que uma semana. Para as regas das mudas novas ver item 3.1.3.3.

Podas

De formação

Carvalho & Salomão informam que as árvores provenientes de alporques têm tendência a formar uniões defeituosas entre os ramos e emitir brotações próximas do solo. É conveniente manter tronco único até uns 50 cm de altura, selecionando-se de 3 a 4 brotos vigorosos bem distribuídos e que formarão os ramos principais. “Ramos que formem ângulos muito agudos ou muito fechados com o eixo da planta devem ser eliminados, pois quebram-se com relativa facilidade. Esta pode realizar-se em qualquer época do ano, conforme o surgimento de brotações indesejáveis.” Para uma boa produção, a planta deve desenvolver número suficiente de ramos terminais capazes de frutificarem. Carvalho & Salomão informam que a variedade Bengal “tem surtos de crescimento longo, formando assim, menos pontos de crescimento que outros. Por isso, recomenda-se o desponte de cerca de 30 cm da extremidade dos ramos antes da emissão de novo fluxo de crescimento. Com esta prática se consegue, em média, de dois a três ramos terminais por ramo podado.”

Anuais no período de produção

Esta poda ocorre na fase produtiva e durante a própria colheita, retirando-se os cachos maduros, com auxílio de uma tesoura de poda, com uma parte dos ramos, contendo de 1 a 2 folhas. Isto estimula novas brotações anuais. Os ramos anuais são aqueles produtivos. As flores e, em conseqüência, as pencas de frutas ocorrem apenas nos extremos dos ramos anuais.

Anelamento dos ramos para redução da alternância de produção

Carvalho & Salomão descrevem um método utilizado para a redução da alternância na produção da Lichia. A técnica não implica em poda, mas em incisões nos ramos da planta para a indução artificial da florada. Como pode enfraquecer a planta e reduzir o tamanho dos frutos, não discutiremos esta técnica aqui. O interessado pode recorrer ao trabalho mencionado.

Para controle do crescimento da planta

Esta técnica é indicada para plantios relativamente adensados, e não será abordada aqui. O interessado pode recorrer ao trabalho de Carvalho & Salomão.

Para eliminação da ramos doentes

Podas mais drásticas podem ser necessárias também no caso do ataque de brocas, uma praga comum das lichieiras, como veremos.

3.1.3.8 – Pragas e doenças

Embora a Lichia possa sofrer ataque de pragas e doenças bem como de agentes causadores de podridões pós-colheita, até o momento em nossas lavouras, estes males são perfeitamente controláveis química ou biologicamente. Informações colhidas em Venda Nova do Imigrante e, particularmente em Mutum, onde já existem agricultores com alguma experiência com a planta, os maiores problemas ali observados são as brocas dos ramos que podem ser reconhecidas no início de sua infestação pela seca de alguns ramos da planta. As áreas mais próximas às matas são mais atacadas pela broca. Em geral aparecem nos ramos altos. As folhas desses ramos tornam-se secas com cor marrom. O seu controle é a poda desses ramos e a queima dos mesmos. A broca dos ramos, se não combatida, pode secar toda a planta. O proprietário do Rancho Chedas, em Mutum diz ser muito eficiente para o controle da broca o Dipel PM, um produto contendo Bacillus thuringensis que é indicado contra larvas de insetos, e atua também contra a broca. Quando há broca, cortam-se os galhos que são, então queimados. Pinta-se o tronco no ponto de corte com pasta-bordalesa e faz-se a borrifação com Dipel PM na copa e ramos. As brocas que roerem áreas borrifadas com Dipel PM, morrem. É muito eficiente. É aplicado duas vezes ao ano: na época de seca antes da florada, que é um período em que a planta é muito atacada pela broca e após a colheita. Acompanha-se periodicamente, no campo, a presença da broca, que não é a broca do café e nem a larva do besouro longicórneo serrador. Havendo indicação da broca, cortam-se os galhos e borrifa-se o Dipel PM. Convém adaptar o tubo de cobre do seu aplicador para atingir distâncias maiores. Isto pode ser feito soldando-se um tubo de cobre com cerca de 1 m a 1,5 m e de diâmetro igual ao tubo do borrifador, de forma que ele fique intercalado no tubo do borrifador, mantendo os dois extremos originais do aplicador. Isto permite borrifar em maiores alturas, mesmo com o aplicador costal de 20 litros. Árvores muito grandes podem exigir equipamentos mais sofisticados ou o uso de escadas.

Em Alto Jequitibá foi observado, em poucas árvores adultas existentes em propriedades diferentes, o ataque por broca dos ramos. Foi também observado o ataque por broca de caule. Esta broca ataca os caules grossos da árvore deixando uma excreção aderente à superfície da casca e secando todos os ramos da planta, que, finalmente, morre. Embora não possamos garantir, aparentemente não é a larva do besouro longicórneo conhecido como “serrador”, pois nenhuma serragem foi observada junto ao local do furo de penetração da broca. O controle da broca de caule geralmente é feito da maneira tradicional. Uma vez observada na árvore, raspa-se a casca para mostrar o orifício de penetração e injeta-se querosene ou gasolina com auxílio de uma seringa com agulha grossa. Obstrui-se o orifício com massa de argila ou massa de vidraceiro. Repete-se a operação em todos os orifícios. Após a operação, borrifa-se Folidol em toda área afetada e nos caules e ramos grossos.

Outra praga comum é uma espécie de ácaro que danifica as inflorescências e as folhas, tornando-as amareladas. O ataque de ácaros pode danificar os ponteiros e impedir a frutificação, reduzindo drasticamente a colheita. Segundo o produtor de Mutum, a praga é facilmente controlada com calda sulfocálcica que é borrifada pelo menos três vezes ao ano: depois da colheita, em março e em maio porque os ácaros serão eliminados antes da florada. A calda sulfocálcica é muito eficiente contra o ácaro. É um produto barato, encontrado no mercado e facilmente produzido, até mesmo na propriedade. São também indicados outros acaricidas específicos.

Em regiões mais quentes, as moscas das frutas também atacam as Lichias, mas podem ser controladas com iscas colocadas em garrafas plásticas.

Várias espécies de cochonilhas, com e sem carapaças, podem causar prejuízos. Normalmente o seu controle, em outras lavouras é feito com óleos solúveis. Entretanto, as folhas da Lichia são sensíveis a este tipo de tratamento que deve ser evitado. Kavati sugere o uso de inseticidas organo-fosforados como Folidol.

A antracnose também pode ser um problema para o florescimento da Lichia. Sua ocorrência é maior na presença de alta umidade. Fungicidas à base de Maneb e Mancozeb são utilizados para o controle da praga. Há ainda outros problemas como os pássaros que bicam os frutos maduros, um tipo de percevejo que também fura a fruta e vespas que atacam os ferimentos dos frutos. Para os insetos, o uso de inseticidas organo-fosforados pode realizar o controle, mas para os pássaros, o controle é mais difícil. O prejuízo provocado por pássaros é mais sensível em pequenas lavouras. Com o aumento do número de árvores, o prejuízo se dilui, é menos observável. Não temos informações sobre o percentual da perda. O prejuízo deve ser considerado pelo agricultor como uma multa pelo mal que já fizemos a esses belos seres voadores. Como base de Projeto assumimos uma perda de 25% explícita na produção total.

No exterior detectam-se doenças radiculares mais sérias que podem matar as plantas. Na Austrália a Lichieira é atacada por Fusarium sp. e Botryodiplidia theobromae e na Florida por Cladosporium sp. No Brasil, segundo a CENIPA, não foi detectada a presença desses patógenos nas plantas.

Mais detalhes podem ser encontrados no trabalho de Carvalho & Salomão.

Preparo da terra para o plantio

Como a nossa região é montanhosa, o terreno para o plantio das mudas deve ser apenas roçado para evitar que a água da chuva escoe pela terra nua. No raio de 0,5 m em torno da muda a capina é recomendada. O uso de cobertura morta no círculo capinado é conveniente para refrescar o terreno.

Caso o plantio preveja cultura intercalada com feijão, por exemplo, é ideal que o terreno seja plano ou pouco íngreme, uma vez que necessitará ser capinado, o que pode, em época de chuva, ser prejudicial devido à lavagem do terreno. Após a colheita do feijão, se esta for realizada uma vez ao ano, o terreno deverá apenas ser roçado para evitar que o mato cresça demais. Na ausência de cultura de consórcio, é conveniente que a área entre as copas das árvores seja plantada com leguminosas rasteiras inoculadas com rizóbium.

Convém que antes do plantio seja realizado um controle de formigas cortadeiras na área prevista para o pomar.

Cuidados com a lavoura nova e a produtiva.

A lavoura até o início da frutificação, que ocorre depois de 6-7 anos, deve ter os cuidados comuns dispensados aos pomares. Assim, na época de chuvas apenas indica-se uma roçada baixa, mantendo-se uns 30 cm além da projeção da copa capinado. Conforme a planta vai crescendo a copa vai se tornando densa, reduzindo as ervas que ficam sob sua copa, mas as capinas continuarão a uns 30 cm além da projeção das copas. O capim não deve se tornar muito grande abafando a planta, de modo que roçadas periódicas podem ser necessária entre as plantas na época de chuvas. Durante o período de seca, o mato cresce menos e a roçada fica mais espaçada. Umas 3-4 roçadas por ano, com as devidas capinas em torno da muda podem ser necessárias na nossa região.

Quando a lavoura se tornar produtiva, os mesmos cuidados são necessários. Quando as copas estiverem com seus diâmetros máximos, as capinas podem se tornar desnecessárias, mas as roçadas devem continuar para controlar o mato evitando erosão. É claro que cuidados com as pragas e insetos já mencionados além de outros como abelhas cachorro, formigas, etc., devem ser contínuos.

3.1.3.11 – Época e técnica de colheita

Em Alto Jequitibá, a florada começa nos meses de julho-agosto e a colheita é feita geralmente à partir da 2a quinzena de novembro e vai até fins de dezembro. Dependendo do cultivar, a colheita pode ir de dezembro a fins de janeiro. É uma fruta natalina, ocupando cada vez mais destaque nas festas de fins de ano no Brasil. No presente Projeto, assumiremos a colheita iniciando na 2a quinzena de novembro e terminando no fim de dezembro.

A colheita é feita com auxílio de tesouras de poda e os cachos da fruta são cortados com parte dos ramos contendo 2 ou 3 folhas. Este corte estimulará novas brotações e aumentará a produção na próxima safra. Também, os frutos permanecerão com as hastes evitando que, surjam injúrias que facilitem o seu apodrecimento. É necessário que as frutas estejam no auge da maturação, quando assumem coloração uniforme e vermelha, além de apresentarem as protuberâncias suavizadas.

A colheita exige o uso de escadas ou equipamentos apropriados. Em grandes plantios, com árvores de mais idade e muito altas, os frutos são colhidos com auxílio de gruas.

O colhedor, após a retirada dos cachos com os ramos, os coloca cuidadosamente em uma sacola de colheita presa em seu corpo. O conteúdo destas sacolas, quando cheias, é transferido cuidadosamente para caixas do tipo caixa de laranja para 20-25 kg, que são transportadas para o galpão de seleção e embalagem. Caso apenas parte das frutas do cacho estejam adequadas para a colheita, estas deverão ser recolhidas de forma selecionada, mantendo cerca de 0,3 cm de pedúnculo no fruto retirado. O restante do cacho deverá ser recolhido em outra colheita na árvore na ocasião oportuna.

Seleção, embalagem e envio para o mercado consumidor

As frutas recém colhidas chegam ao setor de classificação, geralmente contendo mesas grandes, onde são retirados, cuidadosamente o excesso de ramos (deixando as frutas com pequenos “cabinhos”- cerca de 0,3 cm de pedicelo), os gravetos, as folhas, as frutas danificadas ou inadequadas à venda. Em seguida são submetidas a uma classificação manual, e enviadas para serem embaladas. A embalagem para a entrega no mercado (CEASAS, CEAGESP, etc.) é, geralmente, em bandejas plásticas do tipo usada para morangos e cada uma é carregada com 0,5 kg de fruta. Na base de 0,21 g/fruta, cada bandeja de ½ kg contém 23-24 frutas Estas bandejas, recobertas com película plástica, são arrumadas, em grandes produtores, em caixas de papelão de 4 kg. Entretanto, o produtor pode enviar as bandejas arrumadas em outros tipos de embalagem, apenas para a proteção das frutas. Estas embalagens (não as bandejas) podem voltar para o produtor após a entrega das frutas. É assim que o produtor de Mutum entrega a sua produção na CEASA de Vitória, ES., sem caixas de papelão, apenas com as frutas arrumadas nas bandejas plásticas. Nos maiores produtores, as caixas de 4 kg são fechadas, geralmente por máquinas e enviadas para o mercado. As operações, desde a colheita até o transporte da mercadoria, devem ser realizadas rapidamente, de forma que no máximo em uma semana (de preferência bem menos) as frutas já estejam entregues no seu destino. O uso da membrana plástica na embalagem visa também a redução do oxigênio em contato com a fruta, reduzindo assim a velocidade no processo de oxidação da antocianina.

No Rancho Chaedas em Mutum, as frutas saudáveis que já passaram do estágio de maturação próprio para a venda, são enviadas para o setor de despolpamento, onde a polpa é embalada em saquinhos plásticos que são mantidos congelados em refrigeradores e vendidos no mercado local. A polpa em saquinhos é conservada desta forma, por meses, e mesmo anos. A polpa de frutas colhidas em dezembro de 2001 foi por mim utilizada em julho de 2003 em perfeito estado.

OBS: As frutas para a venda devem manter um “cabinho” (pedicelos), sem o qual sofrem rapidamente injúrias que as tornam inadequadas ao consumo.

Produção

A produção da Lichia é bienal, isto é, um ano é produtivo e outro não. Há técnicas que podem reduzir a alternância da produção. Para maiores informações, o interessado deve consultar o trabalho de Carvalho & Salomão. No ano produtivo, as árvores adultas, produzem em São Paulo, de 60 a 130 kg de fruta/pé por ano, em pomares bem conduzidos. Em Mutum, as árvores provenientes de sementes, com cerca de 9-10 anos produziram na última safra cerca de 60 kg de fruta/pé. Segundo dados colhidos em Mutum e em Venda Nova do Imigrante e em Mutum, com boa margem de segurança, pode-se considerar, como base de projeto, uma produção média de 100 kg/pé em árvores adultas, pois geralmente a produção é maior.

Embora alguns autores informem que a produção começa geralmente aos 5 anos (ou menos) para alporques, assumiremos por segurança (e concordando com Kavati) o início de produção aos 6-7 anos, como foi observado para árvores provenientes de sementes, pelo produtor de Mutum. Com base na produção sem alternância apresentada na Tabela 5, podemos supor para os sete primeiros anos produtivos as cargas apresentadas na Tabela 6.

Tabela 6- Produção anual esperada para a Lichieira.

Idade (anos)Previsão de fruta sem alternância (kg/planta)Previsão de frutas com alternância (kg/planta)
6-73014
7-84545
8-96024
9-108080
10-119030
Período produtivo com mais que 11 anos100100
Período não produtivo com mais de 11 anos30

Supondo produção sem alternância, teríamos como produção esperadas a segunda coluna da Tabela 6. Entretanto, como a produção é alternada, como base de cálculos, assumiremos a produção, no ano de baixa, de 30% da produção do próximo ano produtivo.

Desta forma, montamos a terceira coluna da Tabela 6 que será considerada a produção válida para os nossos cálculos. A produção do ano de baixa depende de diversos fatores e pode inclusive ser bem maior ou menor que a prevista no presente Projeto. Com poucas árvores em Alto Jequitibá, nunca observamos produções inferiores a 30% daquela do próximo ano. Assumiremos, para cálculos de Projeto, perdas de 25% na produção anual.

Assumiremos, para fins de custo de adubação, a produção sem alternância, conforme proposta na coluna 2 da Tabela 6.

3.2 – Mão de obra e material para todos os períodos da lavoura

OBS: Assumiremos, como base de projeto, a lavoura de Lichia sem consórcios.

OBS: Os valores apresentados como “base de projeto” são aproximados.

Dados Básicos para 100 mudas

OBS: hd = homem.dia = representa o trabalho de 1 homem por dia.

hed = homem.especial.dia = representa o trabalho de 1 homem por dia em trabalho especial, melhor remunerado.

Capina de 1 ha: 5 hd

Capina de 1,44 ha: 7 hd

Roçada de 1 ha: 1,5 hd

Roçada de 1,44 ha: 2 hd

3.2.1 – Produção assumida p/Lichia

Consideraremos, como base de cálculo, a Tabela 7 que foi montada com base na Tabela 4.2. A terceira coluna da Tabela 7 estima a produção anual da lavoura com 100 lichieiras, conforme considerado na 3a coluna da Tabela 6.

Tabela 7- Produção anual esperada para a Lichieira.

Idade (anos)Previsão de frutas com alternância (kg/planta)Produção anual por 100 plantas considerando alternância (kg/ano)
6-7 (*)141.400
7-8454.500
8-9 (*)242.400
9-10808.000
10-11 (*)303.000
Período produtivo Planta adulta10010.000
Período de baixa produção Planta adulta(*)303.000

(*) Anos assumidos como de baixa produção (ou de carga mínima).

Mão de obra e material

Mão de obra no Pré-plantio, plantio e primeiro ano (0o-1o ano)

Tarefas pré-plantio

-Roçada pré-plantio: (toda a área de 1,44 ha): 2 hd/ano

-Capina da coroa em torno da muda: (1 m de raio em torno do pé: 1 hd/ano)

2 hd/capina x 4 capinas/ano = 8 hd/ano

-Preparo para proteção solar: plantio de milho (não entrará em nosso estudo)

Material pré-plantio

-Iscas p/formigas: 20 pacotes de 0,5 kg por ano = 10 kg/ano

Tarefas de plantio das mudas

-Abertura das covas: 100 tarefas/ano

-Adubação com fosfato, esterco e enchimento das covas: 100 tarefas/ano

-Plantio das mudas: 100 tarefas/ano

-Proteção solar: 4 hd/ano

-Rega no plantio: 2 hd/ano

-100 mudas de alporque.

-Adubo: Superfosfato simples: 1kg/cova x 100 covas = 100 kg = 2 sacos de 50 kg por ano.

Esterco de curral: 20 L/cova x 100 covas = 2.000 L de esterco por ano = 2 m3/ano

-Proteção solar: sugere-se plantio de milho dois meses antes do plantio das mudas de lichia. Outros plantios podem ser indicados por técnicos agrícolas.

-Mangueiras e bomba para a rega: 200 m de mangueira e 1 bomba de 1 CV.

Tarefas no 1o ano pós-plantio

-Roçada: 3 roçadas pós-plantio/ano

2 hd/roçada x 3 roçada/ano = 6 hd/ano

-Capina: 3 capinas na coroa em torno da muda

2 hd/capina x 3 capina/ano = 6 hd/ano.

-Adubação: 2 hd/ano.

-Aplicação de calcário pós-plantio: 1 hd/ano

-Regas: (1 vez/semana por 4 meses: 2 hd/rega)

2 hd/rega x 16 regas = 32 hd/ano

-Vistoria sanitária e aplicação de defensivos: 2 hd/ano

-Controle de formigas: 2 hd/ano

Material para o 1o ano pós-plantio

-Adubo: Sulfato de amônio: 25 kg/ano

Superfosfato simples: 0 kg/ano

Cloreto de potássio: 0 kg/ano

Esterco de curral: 0 m3/ano

-Calcário: 200 kg = 4 sacos

-Proteção solar: Sugere-se o plantio de milho ou de lavoura indicada por técnico agrícola. No presente Projeto não será considerado para análise econômica..

-Iscas p/ formigas: 20 pacotes = 10 kg

Mão de obra nos demais anos improdutivos (1o-2o ao 5o-6o ano inclusive)

Tarefas do 2o ao 6o ano pós-plantio

-Roçada: (4 roçadas/ano)

2 hd/roçada x 4 roçada/ano = 8 hd/ano

-Capina: 4 capinas pós-plantio na coroa em torno da muda

2 hd/roçada x 4 roçada/ano = 8 hd/ano.

-Adubação: 4 hd/ano.

-Aplicação de calcário: 1 hd/ano

-Regas: (1 vez/semana por 4 meses: 2 hd/rega)

2 hd/rega x 16 regas = 32 hd/ano

-Vistoria sanitária e aplicação de defensivos: 2 hd/ano

-Controle de formigas: 2 hd/ano

Material

1o-2o ano: -Adubo: Sulfato de amônio: 50 kg/ano

Superfosfato simples: 0 kg/ano

Cloreto de potássio: 9 kg/ano

Esterco de curral: 2 m3/ano

-Calcário: 4 sacos/ano

-Proteção solar: lavoura indicada por técnico agrícola.

-Iscas p/formigas: 20 pacotes

-Dipel PM: 1 kg

-Folidol: 1L

-Mistura sulfocálcica: 1 L

-Pasta bordalesa: 0 kg

2o-3o ano: -Adubo: Sulfato de amônio: 125 kg/ano

Superfosfato simples: 28 kg/ano

Cloreto de potássio: 17 kg/ano

Esterco de curral: 2 m3/ano

-Calcário: 4 sacos/ano

-Proteção solar: lavoura indicada por técnico agrícola.

-Iscas p/formigas: 20 pacotes

-Dipel PM: 1 kg

-Folidol: 1L

-Mistura sulfocálcica: 10 L

-Pasta bordalesa: 2 L

3o-4o ano: -Adubo: Sulfato de amônio: 150 kg/ano

Superfosfato simples: 28 kg/ano

Cloreto de potássio: 35 kg/ano

Esterco de curral: 2 m3/ano

-Calcário: 4 sacos/ano

-Proteção solar: lavoura indicada por técnico agrícola.

-Iscas p/formigas: 20 pacotes

-Dipel PM: 1 kg

-Folidol: 1L

-Mistura sulfocálcica: 10 L

-Pasta bordalesa: 2 L

4o-5o ano: -Adubo: Sulfato de amônio: 150 kg/ano

Superfosfato simples: 56 kg/ano

Cloreto de potássio: 35 kg/ano

Esterco de curral: 2 m3/ano

-Calcário: 4 sacos/ano

-Proteção solar: lavoura indicada por técnico agrícola.

-Iscas p/formigas: 10 pacotes

-Dipel PM: 1 kg

-Folidol: 1L

-Mistura sulfocálcica: 10 L

-Pasta bordalesa: 2 L

5o-6o ano: -Adubo: Sulfato de amônio: 150 kg/ano

Superfosfato simples: 56 kg/ano

Cloreto de potássio: 35 kg/ano

Esterco de curral: 2 m3/ano

-Calcário: 4 sacos/ano

-Proteção solar: lavoura indicada por técnico agrícola.

-Iscas p/formigas: 10 pacotes

-Dipel PM: 1 kg

-Folidol: 1L

-Mistura sulfocálcica: 10 L

-Pasta bordalesa: 2 L

Mão de obra e material no 6o-7o ano (1o ano produtivo)

Tarefas

-Roçada: 4 roçadas/ano

2 hd/roçada x 4 roçada/ano = 8 hd/ano

-Capina: 4 capinas na coroa em torno da muda

2 hd/roçada x 4 roçada/ano = 8 hd/ano.

-Adubação: 4 hd/ano.

-Aplicação de calcário pós-plantio: 1 hd/ano

-Regas: (1 vez/semana por 4 meses: 2 hd/rega)

2 hd/rega x 16 regas = 32 hd/ano

-Vistoria sanitária e aplicação de defensivos: 2 hd/ano

-Controle de formigas: 4 hd/ano

-Colheita: 70 caixas de 20 kg/ano

OBS: Cada homem colhe 80 caixas de 20 kg por dia.

-Classificação e embalagem: 2800 embalagens de ½ kg (previsão máxima)

2.800 x 0,75= 2.100 embalagens considerando perda de 25%.

OBS: cada homem, trabalhando 6 horas/dia, enche 720 embalagens de ½ kg por dia.

OBS: cada homem, trabalhando 6 horas/dia, envolve com película plástica e adesivo 720 embalagens de ½ kg por dia.

Material

-Adubo: Sulfato de amônio: 195 kg/ano

Superfosfato simples: 65 kg/ano

Cloreto de potássio: 51 kg/ano

Esterco de curral: 2 m3/ano

-Calcário

-Tesouras de poda: 3 unidades

-Caixas para colheita: 6 cxs

-Escadas para colheita: 4 unidades

-Iscas p/formigas: 10 pacotes

-Embalagens tipo morango: 2.800 unidades p/ produção total (2.100 para produção com 25% de perdas).

OBS: cada embalagem de ½ kg utiliza 0,5 m de película plástica e 1 adesivo. Admitiremos 10% de perdas.

-Película plástica p/ embalagem: 2.100 cx. 0,5 m/cx= 1.050 m ou, 35 rolos x 1,1 = 39 rolos

-Adesivos p/ marcas: 2.100 adesivos x 1.1 =2.310 adesivos

-Dipel PM: 1 kg

-Folidol: 1L

-Mistura sulfocálcica: 10 L

-Pasta bordalesa: 2 L

Mão de obra e material no 7o-8o ano (2o ano produtivo)

Tarefas

-Roçada: 4 roçadas/ano

2 hd/roçada x 4 roçada/ano = 8 hd/ano

-Capina: 4 capinas pós-plantio na coroa em torno da muda

2 hd/roçada x 4 roçada/ano = 8 hd/ano.

-Adubação pós-plantio: 4 hd/ano.

-Aplicação de calcário pós-plantio: 1 hd/ano

-Regas: (1 vez/semana por 4 meses: 2 hd/rega)

2 hd/rega x 16 regas = 32 hd/ano

-Vistoria sanitária e aplicação de defensivos: 2 hd/ano

-Controle de formigas: 4 hd/ano

-Colheita: 225 caixas de 20 kg/ano

-Classificação e embalagem: 9.000 embalagens de ½ kg. (6.750 embalagens com perda de 25%)

Material

-Adubo: Sulfato de amônio: 218 kg/ano

Superfosfato simples: 73 kg/ano

Cloreto de potássio: 62 kg/ano

Esterco de curral: 2 m3/ano

-Calcário: 4 sacos/ano

-Iscas p/formigas: 10 pacotes

-Embalagens tipo morango: 9.000 unidades (6.750 embalagens com perda de 25%)

OBS: cada embalagem de ½ kg utiliza 0,5 m de película plástica e 1 adesivo. Admitiremos 10% de perdas.

-Película plástica p/ embalagem: 6.750 cx. 0,5 m/cx= 3.375 m = 113 rolos ou, com 10% de perda: 113 x 1,1= 125 rolos

-Adesivos p/ marcas: 6.750 adesivos; c/ 10% de perdas: 7.425 adesivos

-Dipel PM: 1 kg

-Folidol: 1L

-Mistura sulfocálcica: 10 L

-Pasta bordalesa: 2 L

Mão de obra e material no 8o-9o ano (3o ano produtivo. ano de baixa)

Tarefas

-Roçada: 4 roçadas/ano

2 hd/roçada x 4 roçada/ano = 8 hd/ano

-Capina: 4 capinas pós-plantio na coroa em torno da muda

2 hd/roçada x 4 roçada/ano = 8 hd/ano.

-Adubação pós-plantio: 4 hd/ano.

-Aplicação de calcário pós-plantio: 1 hd/ano

-Regas: (1 vez/semana por 4 meses: 2 hd/rega)

2 hd/rega x 16 regas = 32 hd/ano

-Vistoria sanitária e aplicação de defensivos: 2 hd/ano

-Controle de formigas: 4 hd/ano

-Colheita: 120 caixas de 20 kg/ano

-Classificação e embalagem: 4.800 embalagens de ½ kg (3.600 embalagens com perda de 25%)

Material

-Adubo: Sulfato de amônio: 240 kg/ano

Superfosfato simples: 80 kg/ano

Cloreto de potássio: 72 kg/ano

Esterco de curral: 2 m3/ano

-Calcário: 4 sacos/ano

-Iscas p/formigas: 10 pacotes

-Embalagens tipo morango: 4.800 unidades (3.600 embalagens com perda de 25%)

OBS: cada embalagem de ½ kg utiliza 0,5 m de película plástica e 1 adesivo. Admitiremos 10% de perdas.

-Película plástica p/ embalagem: 3.600 cx. 0,5 m/cx= 1800 m = 60 rolos ou, c/ 10% de perdas: 1,1 x 60 = 66 rolos.

-Adesivos p/ marcas: 3.600 adesivos ou c/ 10% de perdas = 3960 adesivos

-Dipel PM: 1 kg

-Folidol: 1L

-Mistura sulfocálcica: 10 L

-Pasta bordalesa: 2 L

Mão de obra e material no 9o-10o ano (4o ano produtivo)

Tarefas

-Roçada: 4 roçadas/ano

2 hd/roçada x 4 roçada/ano = 8 hd/ano

-Capina: 4 capinas pós-plantio na coroa em torno da muda

2 hd/roçada x 4 roçada/ano = 8 hd/ano.

-Adubação pós-plantio: 4 hd/ano.

-Aplicação de calcário pós-plantio: 1 hd/ano

-Regas: (1 vez/semana por 4 meses: 2 hd/rega)

2 hd/rega x 16 regas = 32 hd/ano

-Vistoria sanitária e aplicação de defensivos: 2 hd/ano

-Controle de formigas: 4 hd/ano

-Colheita: 400 caixas de 20 kg/ano

-Classificação e embalagem: 16.000 embalagens de ½ kg (12.000 embalagens com perda de 25%)

Material

-Adubo: Sulfato de amônio: 270 kg/ano

Superfosfato simples: 90 kg/ano

Cloreto de potássio: 86 kg/ano

Esterco de curral: 2 m3/ano

Calcário: 4 sacos/ano

-Iscas p/formigas: 10 pacotes

-Embalagens tipo morango: 16.000 unidades

OBS: cada embalagem de ½ kg utiliza 0,5 m de película plástica e 1 adesivo. Admitiremos 10% de perdas.

-Película plástica p/ embalagem: 12.000 cx. 0,5 m/cx= 6.000 m = 200 rolos ou, com 10% de perda: 200 x 1,1= 220 rolos

-Adesivos p/ marcas: 12.000 adesivos; c/ 10% de perdas: 13.200 adesivos

-Dipel PM: 1 kg

-Folidol: 1L

-Mistura sulfocálcica: 10 L

-Pasta bordalesa: 2 L

Mão de obra e material no 10o-11 ano (5o ano produtivo, ano de baixa)

Tarefas

-Roçada: 2 roçadas/ano

2 hd/roçada x 4 roçada/ano = 8 hd/ano

-Capina: 4 capinas pós-plantio na coroa em torno da muda

2 hd/roçada x 4 roçada/ano = 8 hd/ano.

-Adubação pós-plantio: 4 hd/ano.

-Aplicação de calcário pós-plantio: 1 hd/ano

-Regas: (1 vez/semana por 4 meses: 2 hd/rega)

2 hd/rega x 16 regas = 32 hd/ano

-Vistoria sanitária e aplicação de defensivos: 2 hd/ano

-Controle de formigas: 4 hd/ano

-Colheita: 150 caixas de 20 kg/ano

-Classificação e embalagem: 6.000 embalagens de ½ kg (4.500 embalagens com perda de 25%)

Material

-Adubo: Sulfato de amônio: 285 kg/ano

Superfosfato simples: 95 kg/ano

Cloreto de potássio: 93 kg/ano

Esterco de curral: 2 m3/ano

-Calcário: 4 sacos/ano

-Iscas p/formigas: 10 pacotes

-Embalagens tipo morango: 6.000 unidades (4.500 embalagens com perda de 25%)

OBS: cada embalagem de ½ kg utiliza 0,5 m de película plástica e 1 adesivo. Admitiremos 10% de perdas.

-Película plástica p/ embalagem: 4.500 cx. 0,5 m/cx= 2.250 m = 75 rolos ou, com 10% de perda: 75 x 1,1= 83 rolos

-Adesivos p/ marcas: 4.500 adesivos; c/ 10% de perdas: 4.950 adesivos

-Dipel PM: 1 kg

-Folidol: 1L

-Mistura sulfocálcica: 10 L

-Pasta bordalesa: 2 L

Mão de obra e material no 11o-12o ano (6o ano produtivo: produção plena)

OBS: Com o propósito de projeto, esta é a produção da planta adulta, no período de alta produção.

Tarefas

-Roçada: 4 roçadas/ano

2 hd/roçada x 4 roçada/ano = 8 hd/ano

-Capina: 4 capinas pós-plantio na coroa em torno da muda

2 hd/roçada x 4 roçada/ano = 8 hd/ano.

-Adubação pós-plantio: 4 hd/ano.

-Aplicação de calcário pós-plantio: 1 hd/ano

-Regas: (1 vez/semana por 4 meses: 2 hd/rega)

2 hd/rega x 16 regas = 32 hd/ano

-Vistoria sanitária e aplicação de defensivos: 2 hd/ano

-Controle de formigas: 4 hd/ano

-Colheita: 500 caixas de 20 kg/ano

-Classificação e embalagem: 20.000 embalagens de ½ kg (15.000 embalagens com perda de 25%)

Material

-Adubo: Sulfato de amônio: 300 kg/ano

Superfosfato simples: 100 kg/ano

Cloreto de potássio: 100 kg/ano

Esterco de curral: 2 m3/ano

-Calcário: 4 sacos/ano

-Iscas p/formigas: 10 pacotes

-Embalagens tipo morango: 20.000 unidades (15.000 embalagens com perda de 25% na produção)

OBS: cada embalagem de ½ kg utiliza 0,5 m de película plástica e 1 adesivo. Admitiremos 10% de perdas de material.

-Película plástica p/ embalagem: 15.000 cx. 0,5 m/cx= 7.500 m = 250 rolos ou, com 10% de perda: 275 x 1,1= 275 rolos

-Adesivos p/ marcas: 15.000 adesivos; c/ 10% de perdas: 16.500 adesivos

-Dipel PM: 1 kg

-Folidol: 1L

-Mistura sulfocálcica: 10 L

-Pasta bordalesa: 2 L

Mão de obra e material no 12o-13o ano (7o ano produtivo: produção plena, ano de baixa)

OBS: Como propósito de projeto, esta é a produção da planta adulta, no período de baixa produção.

Tarefas

-Roçada: 4 roçadas/ano

2 hd/roçada x 4 roçada/ano = 8 hd/ano

-Capina: 4 capinas pós-plantio na coroa em torno da muda

2 hd/roçada x 4 roçada/ano = 8 hd/ano.

-Adubação pós-plantio: 4 hd/ano.

-Aplicação de calcário pós-plantio: 1 hd/ano

-Regas: (1 vez/semana por 4 meses: 2 hd/rega)

2 hd/rega x 16 regas = 32 hd/ano

-Vistoria sanitária e aplicação de defensivos: 2 hd/ano

-Controle de formigas: 4 hd/ano

-Colheita: 150 caixas de 20 kg/ano

-Classificação e embalagem: 6.000 embalagens de ½ kg (4.500 embalagens com perda de 25%)

Material

-Adubo: Sulfato de amônio: 300 kg/ano

Superfosfato simples: 100 kg/ano

Cloreto de potássio: 100 kg/ano

Esterco de curral: 2 m3/ano

-Calcário: 4 sacos/ano

-Iscas p/formigas: 10 pacotes

-Embalagens tipo morango: 6.000 unidades (4.500 embalagens com perda de 25%)

OBS: cada embalagem de ½ kg utiliza 0,5 m de película plástica e 1 adesivo. Admitiremos 10% de perdas.

-Película plástica p/ embalagem: 4.500 cx. 0,5 m/cx= 2.250 m = 75 rolos ou, com 10% de perda: 75 x 1,1= 83 rolos

-Adesivos p/ marcas: 4.500 adesivos; c/ 10% de perdas: 4.950 adesivos

-Dipel PM: 1 kg

-Folidol: 1L

-Mistura sulfocálcica: 10 L

-Pasta bordalesa: 2 L

OBS: Com propósito de Projeto o biênio produtivo será considerado como o 6o e 7o anos produtivos. Este biênio se repetirá indefinidamente.

A Tabela 8.1 apresenta a mão de obra necessária à preparação e manutenção de uma lavoura de 100 pés de Lichia. A produção esperada é também apresentada.

Ver Tabela 8.1- Mão de Obra

A Tabela 8.2 resume a mão de obra necessária desde o plantio até a fase produtiva considerada como correspondente à árvore adulta. O tipo de mão de obra, se trabalho comum ou especial, está explicitado.

Ver Tabela 8.2- Total de Mão de Obra

Conclusões parciais: A Tabela 8.2 mostra claramente que

A Lavoura de 100 pés de Lichia, exige poucas horas de trabalho de um trabalhador rural comum, num máximo de 61 hd/ano, ou seja, o trabalho de 2 homens por cerca de 1 mês por ano. Portanto, dois trabalhadores da propriedade podem executar perfeitamente as tarefas necessárias e voltar às demais obrigações ou assumir trabalhos especiais. O maior número de horas está associado aos trabalhadores especiais. Estes trabalhadores recebem por tarefa executada ou uma diária de valor mais elevado.

Portanto, pela estimativa acima, podemos assumir que até 1.000 árvores (14,4 ha) dois trabalhadores da propriedade executam todas as tarefas relacionadas ao pomar de Lichia. As operações de colheita e embalagem dependerão de trabalhadores extras que serão pagos por tarefas.

Realmente, Patrícia Carvalho, em reportagem de 2002 da revista Globo Rural, informa que, em São Paulo, uma lavoura com 1.000 pés da árvore em produção exige apenas dois trabalhadores para a sua manutenção. Na época da colheita, contrata-se cerca de 30 trabalhadores extras, a maior parte para a embalagem da fruta.

Desta forma, até uma escala produtiva de 1000 pés de Lichia, o que corresponderá a 14,4 ha de plantio, dois homens poderão atender a todas as tarefas relacionadas à lavoura da fruta.

A Tabela 8.3 apresenta a previsão do material de consumo e material permanente necessários para os treze primeiros anos de existência do pomar. Uma estimativa do custo do carreto desde o galpão de embalagem até um centro consumidor é também apresentada (tomamos como base a distância aproximada de Alto Jequitibá à Vitória, no Espírito Santo). Estimamos em R$ 300,00/ano. Note que esta estimativa pode ser muito elevada se considerarmos que vários produtores usarão o mesmo carreto, caso formem uma Associação. O produtor isoladamente arcará com maiores custos.

Ver Tabela 8.3- Material e Frete

3.3 – Aspectos econômicos

3.3.1 – Custos

Custos Básicos Considerados (dados de 08/06/2003)

Mão de obra

Custo do homem/dia para capina e roçada, rega, adubação, etc.:R$ 12,00/dia

Custo do homem/dia para retirada de hastes e classificação dos frutos na seção de embalagem: R$ 15,00/dia.

Custo da cova para a Lichia: R$ 0,30/cova.

Custo de adubação e reenchimento da cova: R$ 0,30/cova

Custo do plantio: R$ 0,30/muda

Custo da espalha de calcário: R$ 12,00/dia

Custo de colheita (cx de 20 kg): R$ 1,00/caixa de 20 kg.

Custo do embalador (bandejas): R$ 0,03/cx (caixa de 500g).

Custo do embalador (película plástica e adesivo): R$ 0,03/cx (caixa de 500g)

Materiais de consumo- adubos, corretivos e defensivos

Calcário dolomítico: R$ 65,00/ton

Sulfato de amônio: R$ 24,00/saco de 50 kg

Cloreto de potássio: R$ 33,00/saco de 50 kg

Superfosfato simples: R$ 24,00/saco de 50 kg

Esterco de curral (esterco + frete): R$ 50,00/m3

Esterco de galinha: R$ 8,50/25 kg (Agroleste) = R$ 0,34/kg

Folidol: R$ 30.00/litro (0,3 litros se aplicam em 1,44 ha)

Dipel PM: R$ 40,00/kg

Pasta bordalesa: R$ 6,00/litro (0,3 litros se aplicam em 1,44 ha)

Mistura Sulfocálcica: R$ 3,00/litro

Formicida isca: R$ 8,00/kg

Material de consumo- embalagens

Travessa de isopor p/ embalagens de 500 g: R$ 0,02/unidade ou R$ 20,00/1.000 unidades

Película plástica de PVC com 30 cm x 30 m: R$ 4,50/rolo

Adesivo de marca: R$ 50,00/1.000 unidades

OBS: Assumiremos perda de 10% de material de consumo utilizado nas embalagens.

Material permanente: Mudas

De alporque: R$ 9,00/muda

OBS: É possível a compra de muda mais barata, entretanto este valor é mais realístico.

De semente: Para quem já tem árvores produtivas na propriedade, o valor pode ser praticamente zero, caso faça as próprias mudas. Entretanto, reforçamos que o plantio de mudas provenientes de sementes não é o mais recomendado.

OBS: A viabilidade das sementes é pequena, de forma que o plantio em sacolas deve ser feito com sementes recém colhidas.

Material permanente- reservatórios, equipamentos, ferramentas e caixas.

Caixas para colheita: R$ 12,00/caixa plástica tipo entrega de Supermercado.

Bomba centrífuga de 1 HP: R$300,00/bomba

Mangueiras plásticas para rega:R$ 66,00/rolo de 100 m

Reservatórios de 200 L: R$ 20,00/tambor plástico (tipo p/ azeitona)

Tesouras de poda: R$ 30,00/tesoura

Escada para colheitas altas: R$ 100,00/escada

Bomba costal de 20 L para defensivo e adubo foliar: R$ 80,00/bomba

Rolopac ou PVC de 30 m/rolo

R$ 4,50/rolo de plástico de 30 cm x 30 m PVC para cobertura.

Adesivos para marcas, etc: R$ 50,00/1000 adesivos.

OBS: Assumiremos que um homem colha pelo menos 15 caixas de 20 kg de fruta por dia. Num dia de 6 horas úteis, colheria 2,5 caixas/hora. Então, um valor de R$ 1,00/cx dará R$ 15,00/dia, o que é um bom pagamento.

OBS: Assumiremos que um homem libere das hastes (mantendo os pedúnculos) 1 kg de frutos (cerca de 48 frutos) por minuto. Trabalhando 6 horas úteis por dia, ele liberará 6 x 60 = 360 kg/dia de frutas.

OBS: Assumiremos que um homem embale 2 caixa de ½ kg por minuto (considerando que uma fruta pese 21 gramas, a caixa de ½ kg conterá 24 frutas). Trabalhando 6 horas úteis por dia, ele embalará 6 x 60 x 2 = 720 caixas de ½ kg/dia. Admitiremos um custo de arrumação na bandeja (caixa de 0,5 kg) de R$ 0,03/caixa. Nesta condição, o trabalhador especial receberá R$ 21,60/dia, o que é um bom pagamento.

OBS: Assumiremos que um homem envolva com película plástica e adesivo 2 caixas de ½ kg por minuto (caixa com 24 frutas). Trabalhando 6 horas úteis por dia, envolverá 6 x 60 x 2 = 720 caixas de ½ kg/dia. Admitiremos um custo de colocação de película e adesivo na bandeja (caixa de 0,5 kg) de R$ 0,03/caixa. Nesta condição, o trabalhador especial receberá R$ 21,60/dia, o que é um bom pagamento.

OBS: Assumiremos que o trabalho de colheita e liberação das hastes independe da perda de produção (estimada em 25 % neste texto) uma vez que os frutos descartáveis são colhidos na mesma penca dos aproveitáveis. O material e a mão de obra de embalagem, entretanto, ficam reduzidos em 25%.

Planilhas de Despesas anuais

A Tabela 9.1 apresenta de forma detalhada os custos de mão de obra necessários para a manutenção e produção da lavoura de Lichia.

Ver Tabela 9.1 – Despesas: Mão de Obra

A Tabela 9.2 apresenta, para cada ano, as despesas totais com a mão de obra utilizada nos treze primeiros anos do pomar. Para os anos seguintes podemos admitir que os dois últimos anos sejam repetidos indefinidamente. Podemos notar que os custos envolvidos com mão de obra no pomar são baixos nos anos improdutivos, aumentando um pouco nos anos produtivos devido aos trabalhos especiais de colheita, classificação e embalagem. Mesmo em alguns anos produtivos o valor da mão de obra pode cair aos custos de anos improdutivos como conseqüência da redução do trabalho comum com as lavouras já formadas.

Ver Tabela 9.2- Despesas: Total de mão de obra

A Tabela 9.3 apresenta as despesas, especificadas para os treze primeiros anos do pomar, com material de consumo e material permanente. Os gastos com o frete da mercadoria para um centro consumidor está também previsto. Lembramos que o valor deste frete pode ser bastante reduzido se os produtores formarem uma associação.

Ver Tabela 9.3- Despesas: Material e Frete

A Tabela 9.4 resume as despesas totais para cada um dos treze primeiros anos de existência do pomar. Estão apresentados os totais de mão de obra, de material, de frete e o total geral.

Ver Tabela 9.4- Despesas: Total de Mão de Obra, Material e Frete

Na Tabela 9.4 podemos verificar que os maiores gastos estão no primeiro ano de formação do pomar (onde o custo das mudas representa 50% das despesas totais) e nos anos de produção, sendo que quanto maior a produção, maior a despesa, como conseqüência dos gastos com mão de obra especial e embalagens.

A Tabela 7 é a última linha da Tabela 9.4, onde destacamos o valor total das despesas anuais para mudas de alporques assumindo que as plantas iniciam a produção no 6o-7o ano. Neste caso, frisamos que há autores na literatura que consideram as mudas de alporques produzindo mais cedo, com 4 ou 5 anos desde o plantio. A produção com mudas mais novas será considerado um ganho extra não previsto neste trabalho. No Projeto consideramos dados de Kavati que coincidem com as informações obtidas com o proprietário do Rancho Chaeda em Mutum, ES.

Ver Tabela 10- Resumo das despesas para pomares com 100 árvores

3.3.2 – Receita anual

Lichia: Valor de venda

Início de safra: R$ 8,00/kg embalado nas cx de 500 g. (estimado)

Meio da safra: R$ 6,00/kg embalado nas cx de 500 g. (estimado)

OBS: Patrícia Carvalho (Globo Rural, dez. 2002) informa que em 2001, produtores de São Paulo venderam a fruta por R$ 25,00/kg. Em época de quebra de safra (de baixa produção) a fruta pode chegar a mais de R$ 30,00/kg.

Segundo o proprietário do Rancho Chedas, o valor médio da fruta entregue na CEASA de Vitória ES., é R$ 8,00/kg. No período inicial da safra atinge valores maiores e no período de maior produção pode chegar a R$ 6,00/kg.

Assumiremos, como base de cálculo, a venda da produção por R$ 6,00/kg. Pretendemos, desta forma, estimar os ganhos com o pomar de Lichia de forma pessimista.

3.3.2.1 – Venda da Lichia em embalagens de 500 gramas

Apresentamos na Tabela 11 a receita prevista para os primeiros anos produtivos com o valor de venda de R$ 6,00/kg. A Tabela admite duas condições: 1a- que os valores de perda de produção já foram embutidos indiretamente nos valores assumidos de baixa produção para o Projeto. Este caso é referido nas planilhas e texto como “sem perda de produção”; 2a- que além das considerações anteriores, há uma perda explícita na produção de 25%.

Tabela 11- Receita dos primeiros anos produtivos considerando

o valor de venda dos frutos R$ 6,00/kg

Ano de produção6o-7o ano7o-8o ano8o- 9o ano9o-10o ano10o-11o ano11o-12o ano12o-13o ano
Sem perda de produção8.400,00 R$/ano27.000,00 R$/ano14.250,00 R$/ano48.000,00 R$/ano18.000,00 R$/ano60.000,00 R$/ano18.000,00 R$/ano
Com 25% de perda de produção6.300,00 R$/ano20.250,00 R$/ano10.800,00 R$/ano36.000,00 R$/ano13.500,00 R$/ano45.000,00 R$/ano13.500,00 R$/ano

3.3.3 – Saldo anual

A Tabelas 12 mostra as despesas, as receita e os saldos anuais desde o plantio da lavoura até o 13o ano, considerando o valor de venda de R$ 6,00/kg. Consideramos que há uma perda explícita na produção de 25%.

Ver Tabela 12- Saldo esperado para pomares de 100 árvores

A produção inicia-se no 7o ano. Os anos 12o e 13o se repetem e representam a fase adulta da lavoura. O pomar é produtivo por mais (ou muito mais) de 100 anos.

Como nenhuma previsão de cultura intercalada foi feita, é claro que os anos improdutivos da lavoura apresentam saldo negativo. Portanto, por seis anos, a lavoura de Lichia gera apenas prejuízo. O pomar desenvolvido à partir de mudas de alporques apresenta um custo de R$ 6.479,90 nos seis primeiros anos.

A primeira produção não cobre os prejuízos anteriores e há um saldo negativo com relação aos anos de formação do pomar de R$ 3.471,00. Entretanto, já na 2a produção que, a nível de Projeto, ocorrerá no 8o ano, em condições de perdas de 25% na produção, este saldo será positivo e de R$ 10.521,16. Portanto, à partir do 2o ano produtivo, todos os saldos são positivos.

A Tabela 13 apresenta o saldo anual, por kg de fruta, esperado para a venda da fruta a R$ 6,00/kg.

Tabela 13- Saldo por kg de fruta

Período produtivo6o-7o ano7o-8o ano8o- 9o ano9o-10o ano10o-11o ano11o-12o ano12o-13o anoMédia dos Anos iniciaisMédia bienal Planta adulta
Saldo para venda a R$ 6,00/kg 25% de perdas3,54 R$/kg5,11 R$/kg4,82 R$/kg5,25 R$/kg4,92 R$/kg5,28 R$/kg4,91 R$/kg4,83 R$/kg5,10 R$/kg

Note que, na Tabela 13, o valor médio do saldo para o biênio (planta adulta) representa de 85% do valor de venda da fruta, o que mostra claramente o pequeno peso do custo da lavoura com relação ao valor da produção. Na média, para os 7 primeiros anos produtivos do pomar, a relação é de 80,5%.

Deve ser notado que no presente Projeto não consideramos lavoura consorciada. Na realidade, o produtor irá aproveitar a área livre disponível nos primeiros anos do pomar e desenvolver lavouras intercaladas com ou sem rotatividade. Isto, sem dúvida, reduzirá bastante os prejuízos dos seis primeiros anos. Além disso, admitimos os mesmos valores de venda da fruta, mesmo nos períodos de baixa produção, o que, sem dúvida, estima saldos inferiores aos reais.

A Tabela 14 apresenta os saldos de carga máxima e média do biênio para um pomar com 100 plantas adultas. O biênio produz em média um total de 6.500 kg/ano de frutas e de 4.875 kg/ano de frutas aproveitáveis (considerando 25% de descarte).

Tabela 14- Produção e saldo para a planta adulta em pomar com 100 árvores.

Saldo médio bienal para a Planta adultaProdução de carga plena kg/anoProdução média bienal kg/anoSaldo médio bienal R$/kgSaldo carga plena R$/anoSaldo médio bienal R$/ano
Produção e saldo a R$ 6,00/kg com 25% de perda na produção6.5004.8755,1039.615,5025.336,50

3.3.4 – Outras Estimativas

3.3.4.1 – Globo Rural, dez 2002

Produção anual plena para 100 árvores: 10.000 kg/ano

Produção média bienal (nossa estimativa): 6.500 kg/ano

Custo de Produção anual por caixa de 4 kg: R$ 7,50/cx de 4 kg

Preço de Venda da caixa de 4 kg: R$ 25,00/cx de 4 kg

Saldo por caixa de 4 kg: R$ 17,50/cx de 4 kg

Saldo por kg de fruta: R$ 4,375/kg

Saldo médio bienal considerando a produção plena: R$ 28.437,00/ano

Saldo para a carga plena: R$ 43.750,00

OBS: Nos dados do Globo Rural não foram consideradas perdas na produção.

3.3.4.2 – CENIPA

Produção anual plena para 100 árvores: 10.000kg/ano

Produção média bienal (nossa estimativa): 6.500 kg/ano

Custo de Produção anual por caixa de 4 kg (não informa; assumiremos o valor apresentado pelo Globo Rural): R$ 7,50/cx de 4 kg

Preço de Venda da caixa de 4 kg (valor estimado pelos dados de rentabilidade apresentados pela CENIPA: R$ 6,00/kg): R$ 24,00/cx de 4 kg

Saldo por caixa de 4 kg: R$ 16,50/cx de 4 kg

Saldo por kg de fruta: R$ 4,125/kg

Saldo médio bienal considerando a produção plena: R$ 26.812,00/ano

Saldo para a carga plena: R$ 41.250,00

OBS: Nos dados da CENIPA não foram consideradas perdas na produção.

A Tabela 15 apresenta um resumo das estimativas de saldos considerando dados do Globo Rural de dezembro de 2002, da CENIPA e os nosso dados, mostrando a boa concordância dos valores obtidos.

Tabela 15- Saldo na produção plena segundo estimativas de três fontes. As nossas estimativas consideram perda de 25% na produção.

FonteGlobo Rural Saldo médio bienalGlobo Rural Saldo médio bienalCENIPA Saldo médio bienalCENIPA Saldo médio bienalEste Trabalho Saldo médio bienalEste Trabalho Saldo médio bienal
Venda a R$ 6,00/kg4,38 R$/kg28.437,00 R$/ano4,13 R$/kg26.812,00 R$/ano5,10 R$/kg25.336,50 R$/ano

Na Tabela 15 os valores do saldo total anual foram tomados como correspondentes ao biênio e não ao ano de máxima carga. Os nossos dados referem-se à média do biênio para a planta adulta, isto é, dos 6o e 7o anos produtivos. É claro que se supusermos uma produção máxima de 7.500 kg/ano considerando a perda de 25% (o que corresponde a uma produção sem perdas de 10.000 kg/ano) o saldo correspondente para no nosso trabalho será de R$ 39.615,50/ano. Para os dados do Globo Real será de R$ 43.800,00/ano e para os dados na CENIPA será de R$ 41.300,00/ano. Nossos valores são mais baixos por considerarem as perdas de produção, dados não considerados para as estimativas do Globo Rural e da CENIPA. Mesmo assim, considerando os dados da Tabela 15, o valor do saldo para a planta adulta no biênio produtivo foi estimado, no presente trabalho, em cerca de 89% do apresentado no Globo Rural e 94% do divulgado pela CENIPA, o que representa boa concordância se considerarmos as incertezas próprias de um Projeto como o aqui apresentado.

3.4 – Comparações da receita com o pomar de Lichia com a lavoura de café e estimativa de receita supondo valores de venda da Lichia bem inferiores aos praticados em 12/2002

No item 1.4 deste trabalho comparamos a receita de um pomar de Lichia contendo 100 árvores adultas e ocupando 1,44 ha, com uma lavoura de café cuja produção raramente é obtida por cafeicultores de Alto Jequitibá. Mesmo nestas condições muito favoráveis para a lavoura de café, o pomar de Lichia apresentou, no ano de safra máxima, uma receita da ordem de 2,9 vezes superior à considerada para o café. Seria interessante analisarmos aqui, dados mais realísticos, considerando a produção média geralmente obtida por cafeicultores da região. Segundo especialistas no assunto, em Alto Jequitibá, uma lavoura adulta de café razoavelmente cuidada, na média do biênio, produz 20 sacas por hectare. Em geral o café é do tipo Rio, mas para comparação, consideraremos toda a produção como sendo bebida dura ao preço praticado em 07/2003 de R$ 160,00/saca. A receita média do biênio para esta lavoura de café que produz apenas bebida dura, será de R$ 3.200,00/ano por hectare, ou seja, R$ 4.608,00 em 1,44 ha.

A Tabela 16 apresenta um quadro comparativo da receita de um pomar com 100 plantas adultas de Lichia com lavouras de café. Os plantios referem-se às mesmas áreas. Dois tipos de lavoura de café são considerados: o primeiro é uma lavoura altamente produtiva, bem acima da média observada em Alto Jequitibá capaz de produzir 67 sacas/ha; o outro é uma lavoura com a produção média bienal de 20 sacas/ha, observada em médios cafezais da região. Foi considerado como preço de venda do café o valor de R$ 160,00/saca alcançado em 07/2003 apenas para o café bebida.

Na Tabela 16 podemos observar que para obtermos os mesmos valores esperados para a lavoura de café, o preço de venda de Lichia deveria cair significativamente. Caso as 100 mudas de Lichia ocupem 1 ha, o que equivale a um plantio no compasso 10 m x 10 m, obteríamos a mesma receita da melhor lavoura de café vendendo a fruta a R$ 2,20/kg. Caso o compasso de plantio da Lichia seja de 12 m x 12 m, situação em que as 100 árvores ocuparão uma área de 1,44 ha, o preço de venda da Lichia deveria ser de R$ 3,18/kg. Para as lavouras menos produtivas consideradas, o preço da Lichia cairia abaixo de R$ 1,00/kg.

Tabela 16- Quadro comparativo da Receita de um pomar com 100 plantas adultas de Lichia com lavouras produtivas de café.

LavouraReceita R$/anoValor percentual com relação à receita do pomar de LichiaValor de venda da Lichia para gerar a mesma receita da lavoura de café
Café: 4.000 pés em 1 ha. Produção: 67 sacas vendidas a R$ 160,00/saca10.720,0036,6%2,20 R$/kg
Café: 5740 pés em 1,44 ha. Produção: 97 sacas vendidas a R$ 160,00/saca15.520,0053%3,18 R$/kg
Café: 4.000 pés em 1 ha. Produção média bienal: de 20 sacas vendidas a R$ 160,00/saca3.200,0010,9%0,65 R$/kg
Café: 5740 pés em 1,44 ha. Produção média bienal: 29 sacas Vendidas a R$ 160,00/saca4.640,0015,9%0,95 R$/kg
Lichia: 100 árvores Prod. média bienal, planta adulta, 25% de perdas: 4.875 kg/ano Venda a R$ 6,00/kg29.250,00

Os valores de venda da Lichia de R$ 8,00/kg e R$ 6,00/kg considerados no presente trabalho foram os praticados em 12/2002 na CEASA de Vitória, segundo informação do proprietário do Rancho Chedas em Mutum. Com o menor desses valores a receita média do biênio, considerando a planta adulta e uma perda de 25% das frutas, foi estimada como R$ 29.250,00/ano. Isto representa uma receita anual (média bienal) 6,3 vezes maior para o pomar de Lichia comparada à lavoura de café que produz 29 sacas na mesma área (1,44 ha). Seria conveniente dispormos de uma planilha de receita média bienal para o pomar adulto com cotações da fruta em valores menores que os realizados em 2002. A Tabela 17 apresenta esta planilha considerando todos os anos produtivos e, também, a média do biênio da planta adulta. Na Tabela 17 podemos observar que já no primeiro ano de produção, com o preço de venda a R$ 5,00/kg a receita obtida com a Lichia é 13% maior que a obtida para a mesma área de plantio de café (R$ 4.640,00/ano). Com o valor de venda a R$ 4,00/kg já no segundo ano a receita com o pomar de Lichia é bem superior à da lavoura de café. O mesmo acontece com a fruta vendida a R$ 3,00/kg e R$ 2,00/kg. A média do biênio da planta adulta é sempre superior à receita da mesma área plantada com café. Até mesmo a fruta vendida a R$ 1,00/kg apresente a média do biênio 5% maior.

Admitindo que o preço da Lichia caia para R$ 4,00/kg, a produção média bienal para a planta adulta apresenta uma receita cerca de 4,2 vezes superior à prevista para o café. Mesmo supondo a despesa para o pomar conforme apresentada na Tabela 12, na média para o biênio da planta adulta, teremos para a fruta vendida a R$ 6,00/kg, segundo a Tabela 12, um saldo de R$ 26.883,00/ano, valor 5,8 vezes maior que a receita (não o saldo) para o plantio considerado de café.

Tabela 17- Receita dos primeiros anos produtivos considerando perda explícita de 25% na produção e valores de venda dos frutos variando de R$ 6,00/kg a R$ 1,00/kg

Período produtivo6o-7o ano7o-8o ano8o- 9o ano9o-10o ano10o-11o ano11o-12o ano12o-13o anoMédia último biênio
Produção Máxima1.400 kg/ano4.500 kg/ano2.400 kg/ano8.000 kg/ano3.000 kg/ano10.000 kg/ano3.000 kg/ano6.500 kg/ano
Produção perda 25%1.050 kg/ano3.375 kg/ano1.800 kg/ano6.000 kg/ano2.250 kg/ano7.500 kg/ano2.250 kg/ano4.875 kg/ano
Venda a R$ 6,00/kg6.300,00 R$/ano20.250,00 R$/ano10.800,00 R$/ano36.000,00 R$/ano13.500,00 R$/ano45.000,00 R$/ano13.500,00 R$/ano29.250,00 R$/ano
Venda a R$ 5,00/kg5.250,00 R$/ano16.875,00 R$/ano9.000,00 R$/ano30.000,00 R$/ano11.250,00 R$/ano37.500,00 R$/ano11.250,00 R$/ano24.375,00 R$/ano
Venda a R$ 4,00/kg4.200,00 R$/ano13.500,00 R$/ano7.200,00 R$/ano24.000,00 R$/ano9.000,00 R$/ano30.000,00 R$/ano9.000,00 R$/ano19.500,00 R$/ano
Venda a R$ 3,00/kg3.150,00 R$/ano10.125,00 R$/ano5.400,00 R$/ano18.000,00 R$/ano6.750,00 R$/ano22.500,00 R$/ano6.750,00 R$/ano14.625,00 R$/ano
Venda a R$ 2,00/kg2.100,00 R$/ano6.750,00 R$/ano3.600,00 R$/ano12.000,00 R$/ano4.500,00 R$/ano15.000,00 R$/ano4.500,00 R$/ano9.750,00 R$/ano
Venda a R$ 1,00/kg1.050,00 R$/ano3.375,00 R$/ano1.800,00 R$/ano6.000,00 R$/ano2.250,00 R$/ano7.500,00 R$/ano2.250,00 R$/ano4.875,00 R$/ano

4. Conclusões

A fruticultura, diferentemente do que ocorre com a cafeicultura, trata com produtos perecíveis e o produtor rural que deseje envolver-se com a produção de frutas deve preparar-se para tal, investindo e organizando-se, desde as etapas produtivas até as de comercialização;

A região de Alto Jequitibá é propícia à cultura da Lichia;

As plantas são resistentes, pouco exigentes quanto ao solo e adubações e apresentam poucas pragas e doenças, no Brasil, todas controláveis química e biologicamente;

É indicado o plantio de mudas de alporques para a cultura, entretanto, um produtor de Mutum, não observou grandes diferença entre as mudas provenientes de semente e de alporque quanto à precocidade da produção e tamanho da árvore;

Mudas de sementes geram árvores de porte e produtividade variáveis, além de tamanho e qualidade dos frutos não padronizados;

A produção a partir de alporques começa antes que a de plantas geradas por sementes. Há autores que consideram o início aos 5 anos e outros mais tarde. Assumimos no presente projeto o início de produção no 7o ano desde o plantio;

A literatura apresenta dados variados de produção anual de plantas jovens, antes de atingirem a produção plena, como conseqüência de diversos fatores, como região de plantio, qualidade das mudas, cuidados com a lavoura, etc. Segundo folheto da CENIPA, a carga do primeiro ano produtivo varia de 15 a 20 kg/planta e já no 5o ano produtivo atinge 100 a 120 kg/planta. Carvalho & Salomão dizem que no 7o-8o ano de plantio a produção já é de 45 kg/planta e só aos 15 anos atinge 100 kg/planta. Vieira & Wilder, informam que nos primeiros anos a planta apresenta uma produção média de 40-50 kg/ano, atingindo produção máxima aos 11-12 anos. Esta produção máxima, segundo Kavati é de 60 a 120 kg/ano, segundo a CENIPA e o proprietário do Rancho Chedas (produtor de Mutum), é de 100 kg/ano, segundo o “Boletim Rural” do Sindicato Rural de Campinas, pode ser estimada como de 103 kg/ano e, segundo Carvalho & Salomão, pode ser de mais de 100 kg/planta (de 150 a 180 kg/planta em árvores de 20 a 24 anos de idade).

Assumimos para o Projeto produção inicial da fruteira aos 7 anos a partir do plantio, com 30 kg/ano por árvore e crescente com a idade, atingindo produção máxima aos 11-12 anos com 100 kg/ano por árvore. A Tabela 6 do texto apresenta a produção suposta;

Como o café, a produção da Lichia oscila bianualmente. Assumimos para Projeto, que o ano improdutivo representa 30% da produção do próximo ano produtivo.

Considerando a oscilação bianual, as Tabelas 6 e 7 apresentam a produção suposta como base de Projeto;

A fruta, por ser ainda pouco conhecida, tem elevado valor no mercado nacional, na ordem de R$ 6,00 a R$ 8.00/kg. Embalada em bandejas tipo usada para morangos, no início da safra, pode ser comprada em supermercados (Hortifruti no Rio) por mais (ou muito mais) de R$ 10,00 a bandeja. Na época da produção plena a bandeja custa cerca de R$ 8,00 a bandeja. Carvalho & Salomão informam que o valor de mercado da fruta (ano da publicação do trabalho: 2000) é de U$2,97/kg;

Assumiremos no presente Projeto o valor de venda da fruta em R$ 6,00/kg

A oxidação rápida do corante vermelho (antocianina) da casca da fruta, que ocorre nas condições naturais, exige um eficiente sistema de colheita e entrega no mercado. Não há, no Brasil, mercado comprador para a fruta que perdeu a cor vermelha. Há tratamentos, em geral com antioxidantes, que podem ampliar o período de cor vermelha da fruta. A fruta pode também ampliar o prazo de conservação em baixas temperaturas;

A lichia, logo após ter perdido a coloração vermelha, apresenta-se mais doce e aromática que a fruta vermelha, e é nesta condição que é consumida na Europa e Estados Unidos, mas não no Brasil, onde ainda há pouca experiência com a fruta.

Há informações conflitantes, de acordo com as fontes, quanto ao período de decomposição da antocianina, em temperatura ambiente, após colheita: 3 a 5 dias para uns e 7 a 10 dias para outros. O produtor de Mutum assegura que naquela região, mais quente que em Alto Jequitibá, a fruta dura após a colheita pelo menos 5-7 dias em condições naturais.

Os principais mercados para a fruta estão nas megalópoles como Rio de Janeiro e São Paulo. As CEASAS do Rio e São Paulo, além da CEAGESP são mercados compradores. O Produtor de Mutum envia a sua produção para a CEASA de Vitória onde compradores de grandes mercados distribuem a mercadoria por sua rede interestadual.

É conveniente que haja uma Associação ou Cooperativa de Produtores capaz de produzir cargas completas para caminhões de forma a baratear o frete para estes mercados consumidores distantes. Assumimos no Projeto, um custo de carreto de R$ 300,00/ano para o produtor. Este valor poderá estar superdimensionado se os produtores se reunirem em Associação. É pouco provável que um pequeno produtor isolado na nossa região tenha sucesso com a cultura de Lichia.

A cultura é altamente rendosa, e mesmo subestimando valores para venda, a cultura mostra-se bastante lucrativa;

Nos primeiros anos a cultura aceita o consórcio com plantas de ciclos curtos ou médios;

O estudo aqui apresentado refere-se ao plantio de 100 lichieiras de alporque, num compasso de 12 m entre linha e mudas. Outros compassos podem ser assumidos pelo produtor, entretanto, não deve ser inferior a 10 m x 10 m;

Há tecnologia para distanciamentos inferiores a 10 m, porém exige cuidados maiores com a lavoura. O produtor interessado pode reportar-se ao trabalho de Carvalho & Salomão;

A produção anual de carga plena, estimada para o pomar com 100 árvores com 12 ou mais anos de idade foi de 10.000 kg/ano e no ano de baixa produção de 3.000 kg/ano, o que representa uma produção média de 6.500 kg/ano para o biênio. Considerando 25% de perda na produção estes valores foram de 7.500 kg/ano e 2.250 kg/ano respectivamente, com uma média bianual de 4875 kg/ano.

A receita média para o biênio por nós estimada para a planta adulta, considerando 25% de perdas, foi de R$ 29.250,00/ano para frutas vendidas a R$ 6,00/kg

O saldo estimado no presente Projeto para o biênio da planta adulta e considerando venda a R$ 6,00/kg e perda de 25% da produção, foi de R$ 25.336,50/ano e representa cerca de 89% do valor apresentado pelo Globo Rural e 94% do apresentado no trabalho da CENIPA;

O pomar desenvolvido à partir de mudas de alporques apresenta um custo de R$ 6.802,70 nos seis primeiros anos. Entretanto, a partir do 2o ano de produção, que a nível de Projeto ocorrerá no 8o ano de plantio, mesmo considerando perdas de 25% na produção, todos os saldos são positivos.

Todas as estimativas referentes à receita e lucros baseiam-se em valores do mercado atual (vendas de 2002 e custos de 07/2003). Não dispomos de dados projetados para os próximos anos.

Não dispomos de estimativas da demanda para a fruta nos próximos anos.

Todos os dados, tanto os por nós estimados como os apresentados na literatura, mostram que a cultura de Lichia é bastante vantajosa, mesmo considerando tratar-se de uma fruteira que somente começa a produção no 7o ano, atingindo produção máxima à partir do 11o ano.

Realmente, todos os dados obtidos nos levam a acreditar que “a Lichia é um negócio da China”.

5. Produtores e fornecedores de mudas

Sr. José Carlos Pinto, Fazenda Marines, Tupã, Oeste de São Paulo: Mudas de alporque com qualidade certificada por até U$ 2,00/muda;

CENIPA (Centro Internacional de Pesquisa, Coleta e Difusão de Tecnologia Agropecuária Disponível): mudas de alporque com qualidade certificada por R$ 6,40 a R$ 7,40/muda:

Email: [email protected]; [email protected]

Viveiro Perim, Venda Nova, ES, fones: (28) 3546-2278 / (28) 9986-8695, dispõe de poucas mudas de alporque e pode oferecer outras informações de fornecedores.

Sr. Juarez Novaes, Viveirista de Carangola. Celular: 3199555237

OBS: Para outros viveiristas procurar na Internet.

6. Bibliografia

Pio Corrêa, “Dicionário das Plantas Úteis do Brasil e das exóticas cultivadas”, vol. IV, Ministério da Agricultura, Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal, reimpresso em 1984.

Gerson Ferreira Pinto, “Ervas, Arbustos, Arvoretas e Árvores Nativas e Introduzidas no Brasil – Plantas de interesse ornamental, medicinal, na fruticultura ou dendrológico”, trabalho não publicado.

Pimentel Gomes, “Fruticultura Brasileira”, Biblioteca Rural, Livraria Nobel S.A., SP, 1978.

Editora Europa, “Árvores Ornamentais”, Edição Especial da Revista Natureza, Editora Europa, São Paulo, 1997.

Eurico Teixeira da Fonseca, “Frutas do Brasil”, Ministério da Educação e Cultura, Instituto Nacional do Livro, R.J., 1954.

Martinez, M., “Lichia, a rainha das frutas”, Manchete Rural, ano 4, no 58, 4-7 (1992).

Moreira, A., “Noções Preliminares sobre o Cultivo da Lichieira”, CENIPA, sem data.

Entrevista c/ o Eng. Agr.º Gustavo L. Perim em 04/06/2003 em Venda Nova, Espírito Santo.

Carvalho, P., “Sabor de Natal”, Globo Rural, dezembro, 2002.

Paiva, R., Gomes, G.A.C., Santana, J.R.F., Paiva, P.D.O., Dombroski, J.L.D., Santos, B.R., “Espécies frutíferas com potencial econômico: avanços no processo de propagação”, Produção e Certificação de Mudas de Plantas Frutíferas, Informe Agropecuário, EPAMIG, 23, no 216 (2002).

Entrevista com Sr. Luiz Luiz Carlos Silva dono da Firma “Rancho Chedas” de Mutum, MG., em 02/07/2003.

Kavati, R., “Lichia”, Secretaria de Agricultura e Abastecimento, Coordenadoria de Assistência Técnica Integral, Departamento de Extensão Rural – CTPV, Campinas, 1996.

Vieira, F.C., Wilder, A. “Fruticultura – Lichia”, págs. 38-39, março de 2000.

Sindicato Rural de Campinas, “Lichia: a fruta que veio da China”, Boletim Rural, ano XV, no 166, dezembro de 2001.

Carvalho, C. M., Salomão, L.C.C., “Cultura da Lichieira”, Boletim de Extensão no 43, Universidade Federal de Viçosa, MG, 2000.

http://www.diabetes.org.br/Diabetes/dicionario/dic_kl.html

Ivo Manica, “Frutas Nativas, Silvestres e Exóticas 2”, Cinco Continentes Editora LTDA, págs 367-458, Porto Alegre, 2002.

William Henry Chandler, “Frutales de hoja perene”, 1a edição em espanhol, versão do inglês por Jose Luiz de la Loma, Union Tipográfica Editorial Hispano Americana, págs. 310-323, México, 1962.


Conclusão

Como projeto de diversificação, a lichia pode ser competitiva quando o produtor trata a produção e a comercialização como um único fluxo: planejamento do pomar, manejo, colheita, classificação, embalagem e entrega. Isso reduz perdas e melhora a apresentação do produto.

O texto reforça que, para Alto Jequitibá, a organização coletiva tende a ser o principal acelerador: juntar volume, padronizar qualidade e negociar melhor com atacadistas e CEASAs. Assim, a lichicultura deixa de ser apenas uma promessa e ganha escala, previsibilidade e margem.

Mini‑FAQ

A região de Alto Jequitibá é adequada para plantar lichia?
O documento descreve compatibilidade climática e ressalta a necessidade de frio/estiagem para indução floral, além de indicar presença de plantas adultas produtivas na região.
Qual é o principal gargalo para vender lichia?
A logística e o pós-colheita: a fruta perde coloração e valor visual em poucos dias, exigindo rapidez do campo ao mercado.
Qual muda é mais indicada para pomar comercial?
O texto aponta vantagem de mudas por alporquia, por anteciparem a entrada em produção e preservarem características da planta-mãe.
Em que época ocorre a colheita?
O projeto indica colheita geralmente entre a segunda quinzena de novembro e dezembro, podendo se estender até janeiro conforme cultivar e clima.
Por que cooperativa/associação pode fazer diferença?
Porque agrega volume para fechar carga, reduz custos de frete, melhora padronização e facilita negociação com grandes compradores.

Posts Similares

  • Agricultura no Brasil Colonial: açúcar, sesmarias e legado

    TL;DRA agricultura no Brasil colonial foi organizada em torno de grandes propriedades, monocultura exportadora e trabalho escravizado. Ao mesmo tempo, roças de subsistência, pecuária e cultivos como mandioca, tabaco, algodão e cacau ajudaram a abastecer a colônia e a diversificar a produção. Em resumo, entender esse modelo é essencial para compreender a formação econômica, social…

  • A História da Agricultura Brasileira no Século XIX

    A Agricultura Brasileira Século XIX passou por transformações profundas que moldaram, de forma decisiva, a economia e a sociedade do país. Esse período foi marcado, sobretudo, pela ascensão do café como principal produto de exportação, pelas mudanças na mão de obra decorrentes da abolição da escravatura e pelas primeiras iniciativas de modernização agrícola. TL;DR: Agricultura…

  • Brasil potência em frutas: liderança, mercados e oportunidades

    O Brasil se destaca mundialmente na produção de frutas, sendo um dos três maiores produtores globais, ao lado da China e da Índia. Essa riqueza agrícola é um reflexo das condições geográficas e climáticas favoráveis, além da capacidade tecnológica e produtiva do setor. Conheça mais detalhes sobre esse mercado essencial para a economia e a…