Peixes em águas límpidas

Técnicas Utilizadas para Incremento da Produção na Piscicultura

A piscicultura, assim como outras atividades agrícolas, exige planejamento, técnicas adequadas e um bom manejo para alcançar altos índices de produtividade. A seguir, exploramos as principais estratégias para incrementar a produção de peixes nos viveiros, detalhando métodos que otimizam o cultivo e o aproveitamento de recursos.


1. Escolha de Raças Precoces

A seleção de raças que apresentam rápido crescimento é uma prática essencial. Por exemplo, entre as diversas raças de carpa comum, algumas podem apresentar crescimento 25% a 50% superior em condições semelhantes. Assim, optar por raças precoces pode resultar em colheitas mais rápidas e produtivas.


2. Bicultivo e Policultivo

O bicultivo e o policultivo são alternativas mais produtivas do que o monocultivo. Essas técnicas consistem em criar espécies com diferentes hábitos alimentares no mesmo viveiro, permitindo que todas as fontes de alimento natural sejam aproveitadas. Esse método reduz perdas e aumenta a produtividade.


3. Periodicidade das Despescas

Realizar a despesca imediatamente após os peixes atingirem o peso comercial é fundamental. Isso evita que o viveiro permaneça ocioso, permitindo sua reutilização no menor intervalo possível.


4. Adubação dos Viveiros

A adubação regular é crucial, especialmente em regiões tropicais, onde a temperatura elevada acelera o consumo de nutrientes essenciais, como carbono, fosfato e nitrato. Esses nutrientes são indispensáveis para a fotossíntese das algas, que servem como base alimentar para os peixes.

Tipos de Adubos Utilizados

  • Orgânicos: Esterco de aves, suínos, bovinos e compostos orgânicos.
  • Inorgânicos: Superfosfato triplo e nitrato de amônia.

Técnicas de Aplicação

  • Adubação Orgânica: Aplicar estercos frescos para maior eficiência. Quantidades menores, distribuídas com frequência, garantem melhores resultados.
  • Adubação Inorgânica: Aplicar a cada duas semanas, utilizando 15 kg/ha de superfosfato e 30 kg/ha de nitrato de amônia.

Uma distribuição uniforme do adubo é essencial para garantir que os nutrientes sejam aproveitados por todas as áreas do viveiro.


5. Alimentação Artificial

Embora os alimentos naturais sejam essenciais, a complementação com alimentação artificial é necessária para manter o crescimento dos peixes em densidades maiores.

Fontes de Alimentação Artificial

  • Sementes (trigo, milho, arroz).
  • Farelos (trigo, arroz).
  • Resíduos da agroindústria e subprodutos de moinhos.

Preparação e Distribuição

  • Preparação: Triturar sementes para peixes pequenos e molhar antes de oferecer.
  • Distribuição: Alimentar diariamente no mesmo horário e local para habituar os peixes. Em viveiros grandes, pode-se usar barcos para distribuir o alimento.

A proporção de alimentos artificiais varia de 3% a 4% do peso total dos peixes no viveiro (biomassa).


6. Verificação de Crescimento

Acompanhamento regular do crescimento dos peixes é fundamental para ajustar a densidade populacional e a alimentação. Amostragens mensais com redes ou tarrafas ajudam a medir o peso médio dos peixes e a avaliar a eficácia da alimentação.

Cálculo do Crescimento

  • Determinar o peso médio dos peixes em diferentes amostragens.
  • Calcular o crescimento diário em gramas e em porcentagem.
  • Avaliar o coeficiente relativo dos alimentos, verificando a eficiência alimentar (quantidade de alimento necessária para produzir 1 kg de peixe).

7. Controle de Densidade

Se o crescimento for baixo, a densidade no viveiro pode estar alta. Nesse caso, é necessário remover o excesso de peixes. Por outro lado, se o crescimento for muito rápido, é possível aumentar a densidade, otimizando o uso do viveiro.


8. Registros e Análises

Manter registros detalhados de cada ciclo de cultivo permite identificar padrões de crescimento e ajustar estratégias de manejo. Isso ajuda a maximizar os lucros e evitar problemas futuros.


Conclusão

A adoção dessas técnicas contribui para o aumento da produtividade e rentabilidade da piscicultura. O uso eficiente de recursos naturais, combinado com um manejo criterioso e tecnologias adequadas, transforma os viveiros em ambientes altamente produtivos, garantindo peixes de qualidade e mercado competitivo.

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