Phoma e Ascochyta no Café de Altitude: Manejo
TL;DR: Phoma e Ascochyta estão associadas a manchas foliares, seca de ponteiros, queda de folhas, morte de botões florais e mumificação de chumbinhos. O problema ganha força em áreas frias, úmidas, elevadas e expostas a ventos. No campo, Phoma costuma aparecer principalmente em brotações e folhas novas, enquanto a mancha associada a Ascochyta é mais evidente em folhas mais velhas. O manejo deve combinar monitoramento, quebra-ventos, nutrição equilibrada, boa arquitetura da lavoura e fungicidas registrados quando realmente necessários. A prevenção é especialmente importante antes e depois da florada.
Este conteúdo é educativo e não substitui diagnóstico fitopatológico, receituário agronômico ou orientação de engenheiro agrônomo. Use apenas produtos registrados para café e para o alvo correto, seguindo bula, período de carência, equipamentos de proteção e recomendações do responsável técnico.
O que são Phoma e Ascochyta no café?
Phoma e Ascochyta são nomes usados na cafeicultura para descrever doenças fúngicas que atacam principalmente a parte aérea do cafeeiro.
Os sintomas podem atingir:
- folhas;
- brotos novos;
- ramos;
- ponteiros;
- botões florais;
- flores;
- rosetas;
- chumbinhos;
- frutos em desenvolvimento.
As perdas não acontecem apenas pela área lesionada. O ataque pode provocar:
- desfolha;
- redução da fotossíntese;
- seca de extremidades dos ramos;
- morte de brotações;
- queda de flores;
- mumificação de frutos jovens;
- redução da carga;
- piora da granação;
- comprometimento da safra seguinte.
Em regiões montanhosas, a combinação de altitude, vento frio, garoa, neblina e molhamento prolongado pode criar condições muito favoráveis à doença.
Por que existe confusão entre os nomes?
A nomenclatura de Phoma e Ascochyta no cafeeiro não é simples.
Em materiais técnicos e na linguagem de campo, os nomes podem ser usados:
- como doenças distintas;
- como sintomas diferentes de um mesmo complexo;
- como nomes associados a diferentes espécies ou fases do fungo;
- como denominações históricas de patógenos próximos.
Algumas referências associam a chamada mancha de Ascochyta a Ascochyta coffeae. Outras classificações relacionam esse agente a Phoma tarda ou tratam as doenças dentro de um complexo Phoma–Ascochyta.
Para o produtor, a mensagem prática é:
não é seguro definir a espécie do fungo apenas olhando a folha.
O diagnóstico de campo ajuda a levantar a suspeita, mas a confirmação pode exigir análise laboratorial, especialmente quando:
- os sintomas estão atípicos;
- há mistura com cercosporiose ou outras manchas;
- o controle não está funcionando;
- a lavoura apresenta seca intensa de ramos;
- há grande perda de flores e frutos.
Por que a doença é mais comum em regiões de altitude?
Altitude não causa diretamente a doença. O que importa é o microclima frequentemente associado às áreas mais altas.
Entre os fatores que favorecem o complexo Phoma–Ascochyta estão:
- temperaturas amenas ou baixas;
- umidade relativa elevada;
- garoa e chuvas finas;
- neblina;
- molhamento prolongado das folhas;
- ventos frios e constantes;
- ferimentos em folhas novas;
- faces da lavoura voltadas para ventos dominantes;
- brotações tenras e tecidos jovens.
O vento tem papel duplo.
Primeiro, ele pode provocar atrito entre folhas novas, criando pequenos ferimentos que facilitam a infecção de alguns agentes associados à Phoma.
Segundo, ventos frios reduzem a temperatura dos tecidos e podem prolongar o estresse sobre brotos, folhas, flores e chumbinhos.
Por isso, duas lavouras na mesma altitude podem apresentar níveis muito diferentes de doença. A face do terreno, a proteção natural, o espaçamento, o histórico e a presença de quebra-ventos mudam o risco.
Sintomas de Phoma no cafeeiro
Sintomas nas folhas novas
Phoma costuma atacar com maior intensidade folhas jovens, principalmente nos primeiros pares dos ramos e nas extremidades em crescimento.
Os sintomas mais comuns são:
- manchas escuras ou negras;
- lesões circulares ou irregulares;
- necrose iniciando pela borda;
- folha encurvada;
- enrugamento;
- rachaduras;
- perfurações após queda do tecido morto;
- deformação durante a expansão da folha.
Quando a lesão aparece enquanto a folha ainda está crescendo, o lado lesionado para de se expandir normalmente. Isso faz com que a folha fique torta ou encurvada.
Em algumas lesões podem aparecer pequenos pontos escuros, correspondentes às estruturas reprodutivas do fungo. A visualização costuma exigir lupa e experiência.
Sintomas nos ramos e ponteiros
Nos ramos, a doença pode provocar lesões escuras e deprimidas, seguidas por necrose dos tecidos.
O produtor pode observar:
- seca de ponteiros;
- morte de brotação nova;
- seca parcial do ramo;
- queda de folhas próximas ao ponto atacado;
- superbrotamento abaixo da região seca;
- ramos laterais desuniformes;
- redução do comprimento produtivo.
A morte do ponteiro quebra a dominância apical e estimula brotações laterais. Em ataques repetidos, a planta pode adquirir uma arquitetura desorganizada, com muitos ramos fracos e menor eficiência produtiva.
É importante lembrar que seca de ramos também pode ser causada por:
- carga excessiva;
- deficiência nutricional;
- seca;
- geada;
- antracnose;
- danos mecânicos;
- problemas radiculares;
- outras doenças.
Por isso, a seca de ponteiros não deve ser atribuída automaticamente a Phoma.
Sintomas nas flores e rosetas
A fase de florada e pós-florada é uma das mais sensíveis.
O fungo pode atingir:
- botões florais;
- flores abertas;
- pedúnculos;
- rosetas;
- tecidos próximos aos frutos recém-formados.
O resultado pode ser:
- escurecimento;
- necrose;
- morte de flores;
- queda;
- falhas nas rosetas;
- redução do pegamento.
Esse dano é especialmente grave porque elimina produção potencial antes que o fruto se desenvolva.
Para entender a importância dessa fase, leia Florada do Café: pegamento e efeito da chuva.
Sintomas nos frutos
Os frutos podem ser atacados desde o estágio de chumbinho até fases mais adiantadas.
Os sinais incluem:
- chumbinhos escuros;
- frutos negros;
- mumificação;
- queda prematura;
- lesões deprimidas;
- áreas necrosadas;
- pontuações escuras;
- falhas de enchimento.
A mumificação não deve ser confundida com simples abortamento fisiológico. Em caso de dúvida, observe se existem lesões também em folhas, ramos ou rosetas e procure diagnóstico técnico.
Sintomas associados à mancha de Ascochyta
A mancha chamada de Ascochyta costuma ser observada principalmente em folhas mais velhas.
Os sintomas típicos incluem:
- manchas castanhas ou escuras;
- formato circular ou irregular;
- anéis concêntricos;
- centro mais claro em lesões envelhecidas;
- necrose ampla;
- queda prematura das folhas.
Em ataques intensos, a desfolha reduz a área fotossintética e pode prejudicar:
- enchimento dos frutos;
- crescimento dos ramos;
- formação de reservas;
- recuperação da planta;
- produção seguinte.
Ascochyta também pode aparecer associada a Phoma, cercosporiose e outros agentes. Isso explica por que algumas lavouras apresentam manchas com formatos intermediários e diagnóstico visual difícil.
Tabela de diferenças entre Phoma e Ascochyta
| Característica | Phoma | Ascochyta |
|---|---|---|
| Folhas mais atingidas | Folhas novas e brotações | Folhas mais velhas |
| Formato das lesões | Irregular ou circular, frequentemente nas bordas | Circular ou irregular, com anéis concêntricos |
| Deformação da folha | Comum em tecido jovem | Menos característica |
| Seca de ponteiros | Frequente em ataques severos | Pode ocorrer, mas é menos característica no diagnóstico visual |
| Ataque a flores | Importante | Menos usado como critério prático |
| Mumificação de chumbinhos | Importante em períodos favoráveis | Pode fazer parte do complexo de sintomas |
| Ambiente favorável | Frio, vento, umidade e molhamento | Condições semelhantes |
| Confirmação | Diagnóstico técnico ou laboratório | Diagnóstico técnico ou laboratório |
Essa tabela orienta a inspeção, mas não substitui análise laboratorial.
Como diferenciar de cercosporiose, ferrugem e deficiência de boro
| Problema | Sinal característico | Onde observar |
|---|---|---|
| Phoma | Lesão escura, deformação de folha nova, seca de ponteiro e mumificação | Folhas novas, ramos, flores e frutos |
| Ascochyta | Mancha escura com anéis concêntricos | Principalmente folhas mais velhas |
| Cercosporiose | Lesão circular com centro claro, borda escura e possível halo amarelo | Folhas e frutos |
| Ferrugem | Pústulas com pó alaranjado | Face inferior das folhas |
| Deficiência de boro | Brotação deformada, folhas pequenas e morte de gema, sem lesão fúngica típica | Partes novas da planta |
| Fitotoxidez | Queima ou deformação surgida após pulverização | Áreas mais expostas à aplicação |
| Dano de vento | Rasgos, atrito e bordas machucadas sem progressão típica | Face exposta do talhão |
Para comparar os sintomas, consulte:
Quando ocorre maior risco de ataque?
O risco aumenta quando coincidem:
- brotos e folhas tenras;
- florada ou pós-florada;
- frutos em estágio de chumbinho;
- temperaturas amenas;
- umidade alta;
- garoa ou chuva fina;
- vento frio;
- molhamento prolongado;
- histórico da doença no talhão.
Em várias regiões, dois períodos merecem atenção especial:
- agosto a outubro: brotação, florada e formação inicial dos frutos;
- março a maio: retorno de temperaturas mais amenas, umidade e chuvas finas em algumas áreas.
Essas janelas não são universais. O calendário deve ser ajustado conforme:
- região;
- altitude;
- data da florada;
- face do terreno;
- previsão do tempo;
- histórico do talhão.
Use o Calendário do Café Arábica apenas como referência e confirme o momento pela planta e pelo clima.
Como monitorar o cafezal
O monitoramento deve começar antes da doença se tornar visualmente intensa.
Um roteiro prático:
- Separe os talhões por altitude, face, exposição e histórico.
- Identifique áreas voltadas para sul, sudeste ou ventos dominantes.
- Caminhe em zigue-zague.
- Observe brotações e folhas dos primeiros pares.
- Examine folhas mais velhas em busca de anéis concêntricos.
- Verifique ponteiros secos.
- Observe rosetas florais e chumbinhos.
- Registre a porcentagem de plantas com sintomas.
- Tire fotos sempre do mesmo ponto.
- Compare a evolução depois de períodos frios, úmidos e ventosos.
Não misture em uma mesma avaliação:
- talhão protegido;
- talhão exposto ao vento;
- área baixa;
- área alta;
- lavoura podada;
- lavoura em produção.
O risco e o comportamento da doença podem ser muito diferentes.
Manejo integrado de Phoma e Ascochyta
1. Mapear os talhões mais expostos
A primeira ação é identificar onde o problema realmente se concentra.
Marque no mapa da propriedade:
- faces voltadas para ventos frios;
- topos de morro;
- gargantas de vento;
- áreas próximas a corredores sem vegetação;
- talhões com histórico de mumificação;
- áreas com seca repetida de ponteiros;
- lavouras acima da faixa onde a doença aparece com frequência na propriedade.
Esse mapa ajuda a direcionar monitoramento, quebra-ventos e proteção preventiva, evitando tratar toda a fazenda da mesma maneira.
2. Implantar quebra-ventos corretamente
Quebra-ventos reduzem velocidade do vento e atrito sobre folhas novas, flores e ramos.
Podem ser formados por:
- linhas de árvores;
- arbustos;
- espécies agrícolas conduzidas temporariamente;
- barreiras vegetais permanentes;
- combinações de espécies com diferentes alturas.
Um quebra-vento não deve formar uma parede totalmente fechada. Barreiras muito densas podem provocar turbulência e criar bolsões de umidade.
O planejamento deve considerar:
- direção dos ventos;
- distância da lavoura;
- altura adulta;
- competição por água;
- sombreamento;
- facilidade de manejo;
- risco de hospedar pragas.
3. Manter nutrição equilibrada
Plantas desequilibradas, muito tenras ou enfraquecidas tendem a apresentar menor capacidade de suportar ataques.
Evite:
- excesso de nitrogênio;
- crescimento vegetativo muito tenro;
- deficiências de cálcio;
- deficiência de micronutrientes;
- adubação igual para talhões com cargas diferentes;
- aplicações sem análise de solo e folha.
A nutrição deve sustentar vigor sem estimular crescimento excessivamente tenro em uma janela de alto risco.
Use em conjunto:
- análise de solo;
- análise foliar;
- histórico de produção;
- carga pendente;
- crescimento dos ramos;
- condição das raízes.
Leituras recomendadas:
4. Preservar folhas e vigor
Phoma e Ascochyta podem se tornar mais prejudiciais quando aparecem junto com:
- ferrugem;
- cercosporiose;
- bicho-mineiro;
- déficit hídrico;
- carga excessiva;
- raízes fracas.
Quando a planta perde folhas por mais de uma causa, o impacto sobre granação e recuperação é maior.
O manejo deve proteger a área foliar de forma integrada, e não tratar cada mancha isoladamente.
5. Melhorar arquitetura e arejamento
Lavouras excessivamente fechadas podem apresentar maior período de molhamento interno e dificuldade de cobertura durante pulverizações.
Entretanto, abrir demais a lavoura também pode aumentar a exposição ao vento.
O objetivo é encontrar equilíbrio entre:
- luz;
- ventilação;
- proteção contra vento;
- cobertura do solo;
- facilidade de pulverização;
- estrutura produtiva.
Poda só deve ser feita quando houver problema estrutural real.
Leia Poda do Café: decote, esqueletamento ou recepa?.
6. Usar mudas sadias
Mudas contaminadas podem levar o patógeno para áreas novas.
Na compra ou produção, observe:
- origem do viveiro;
- folhas com manchas;
- seca de ponteiro;
- canela ou caule lesionado;
- umidade excessiva;
- ventilação do viveiro;
- espaçamento entre mudas;
- histórico sanitário.
Não leve mudas suspeitas para o campo apenas porque apresentam bom tamanho.
7. Planejar o controle químico preventivo
Quando o talhão apresenta histórico frequente, o controle químico tende a funcionar melhor de forma preventiva, antes que grande parte dos tecidos esteja lesionada.
As decisões devem considerar:
- histórico de ataque;
- fase da planta;
- previsão de frio e umidade;
- risco na florada;
- presença de sintomas iniciais;
- produto registrado;
- cobertura da pulverização;
- intervalo e número máximo de aplicações;
- rotação de mecanismos de ação;
- período de carência.
Não existe um calendário único para todas as lavouras.
Consulte o sistema oficial do Ministério da Agricultura e use apenas produtos com registro vigente para café e para o alvo indicado:
O que considerar antes de aplicar fungicida
| Pergunta | Por que importa? |
|---|---|
| O diagnóstico está correto? | Phoma pode ser confundida com cercospora, boro, vento e fitotoxidez |
| O talhão tem histórico? | Áreas recorrentes justificam atenção preventiva maior |
| Há previsão de frio, garoa e vento? | O clima define a janela de infecção |
| A lavoura está em florada ou chumbinho? | É uma fase de grande risco econômico |
| O produto possui registro vigente? | Uso fora da bula é irregular e pode ser ineficaz |
| A pulverização alcança brotos e rosetas? | Sem cobertura, o produto não protege os tecidos-alvo |
| O mecanismo de ação foi rotacionado? | Reduz pressão de seleção de resistência |
| Há condições seguras para aplicação? | Vento forte causa deriva e cobertura irregular |
Aplicar durante vento forte é especialmente contraditório: o mesmo vento que aumenta o risco da doença pode provocar deriva e reduzir a qualidade da pulverização.
Plano de manejo por época do ano
| Período | Risco comum | Prioridade |
|---|---|---|
| Após a colheita | Ramos lesionados e seca de ponteiros | Mapear danos e avaliar arquitetura |
| Julho a agosto | Frio, vento e início de brotação em algumas áreas | Revisar quebra-ventos e histórico |
| Agosto a setembro | Tecidos jovens e pré-florada | Monitorar brotos e planejar proteção preventiva |
| Setembro a outubro | Florada e chumbinhos | Proteger botões, flores, rosetas e frutos jovens |
| Novembro a fevereiro | Desenvolvimento dos frutos e outras doenças | Manter folhas, nutrição e monitoramento |
| Março a maio | Retorno de tempo frio e úmido em algumas regiões | Reavaliar incidência e seca de ramos |
A granação pode ser prejudicada indiretamente pela desfolha e perda de frutos. Consulte também Granação do Café: peneira, peso e qualidade.
O que não fazer
- Não diagnosticar toda mancha escura como Phoma.
- Não usar fungicida sem confirmar o alvo.
- Não esperar a florada ser perdida para iniciar o manejo.
- Não aplicar em vento forte.
- Não usar produto sem registro para café.
- Não aumentar nitrogênio indiscriminadamente.
- Não instalar quebra-vento sem avaliar sombra e competição.
- Não podar toda a lavoura apenas por causa de ponteiros secos.
- Não misturar produtos sem verificar compatibilidade e bula.
- Não repetir continuamente o mesmo mecanismo de ação.
- Não ignorar sintomas em folhas mais velhas.
- Não tratar a fazenda inteira como um único talhão.
Como avaliar os prejuízos
O impacto deve ser medido por talhão.
Registre:
- porcentagem de plantas com sintomas;
- número de ponteiros secos;
- folhas novas lesionadas;
- folhas velhas com manchas concêntricas;
- rosetas afetadas;
- quantidade de chumbinhos mumificados;
- queda de frutos;
- desfolha;
- crescimento dos ramos;
- produção final;
- rendimento e granação.
Compare:
- área protegida e exposta ao vento;
- face norte e face sul;
- diferentes altitudes;
- área com e sem quebra-vento;
- talhão tratado e testemunha acompanhada tecnicamente.
Esse registro ajuda a definir onde o investimento em prevenção realmente entrega retorno.
Checklist do talhão de altitude
- Qual é a altitude do talhão?
- Qual face recebe os ventos frios?
- Há histórico de Phoma ou Ascochyta?
- Existem folhas novas deformadas?
- As lesões começam pelas bordas?
- Há manchas concêntricas em folhas velhas?
- Existem ponteiros secos?
- Os chumbinhos estão escurecendo ou mumificando?
- O problema ocorre em toda a área ou apenas na face exposta?
- A lavoura possui quebra-vento?
- O quebra-vento está bem dimensionado?
- A nutrição foi avaliada por solo e folha?
- Existe excesso de crescimento tenro?
- A florada está próxima?
- A previsão indica frio, garoa ou vento?
- O produto considerado está registrado no Agrofit?
- A pulverização conseguirá boa cobertura?
- O diagnóstico precisa de laboratório?
Leituras complementares no site
- Ferrugem do Cafeeiro: sintomas e manejo
- Cercosporiose no Café: sintomas e controle
- Florada do Café: pegamento e efeito da chuva
- Granação do Café: peneira, peso e qualidade
- Calendário do Café Arábica
- Análise Foliar no Café
- Guia de Adubação do Café
- Poda do Café: decote, esqueletamento ou recepa?
Fontes externas confiáveis
- EPAMIG — Mancha-de-phoma
- Incaper/Procafé — Ocorrência de Phoma e Ascochyta na cafeicultura de montanha
- Embrapa — Manejo integrado de pragas e doenças do cafeeiro
- MAPA — Agrofit
Conclusão
Phoma e Ascochyta são problemas especialmente importantes em cafezais de montanha, mas altitude sozinha não explica a doença.
O risco aumenta quando o talhão reúne:
- tecidos jovens;
- vento frio;
- alta umidade;
- garoa;
- molhamento prolongado;
- histórico de ataque;
- florada e chumbinhos expostos.
O diagnóstico começa observando onde e em quais folhas as manchas aparecem. Phoma tende a atingir folhas e brotações novas, além de ramos, flores e frutos. A mancha associada a Ascochyta aparece com maior frequência em folhas mais velhas e pode provocar forte desfolha.
O manejo eficiente combina mapa de risco, quebra-ventos, nutrição equilibrada, mudas sadias, arquitetura adequada, monitoramento e proteção química preventiva quando tecnicamente indicada.
Em resumo: em lavoura de altitude, não espere o ponteiro secar ou o chumbinho mumificar para começar a agir. O melhor controle começa antes do período frio, úmido e ventoso.
FAQ sobre Phoma e Ascochyta no café
Qual é a diferença entre Phoma e Ascochyta no café?
No diagnóstico prático, Phoma aparece com maior frequência em folhas novas, brotações, ramos, flores e frutos. Ascochyta costuma formar manchas com anéis concêntricos principalmente em folhas mais velhas. A diferenciação definitiva pode exigir laboratório.
Phoma causa seca de ponteiros?
Sim. A infecção pode necrosar tecidos jovens e provocar seca parcial ou total das extremidades dos ramos. Entretanto, seca de ponteiros também possui outras causas e deve ser diagnosticada corretamente.
Por que Phoma é mais comum em regiões altas?
Regiões elevadas costumam apresentar temperaturas amenas, ventos frios, neblina, garoa e maior período de molhamento, condições que favorecem a infecção.
Phoma pode derrubar a florada?
Sim. A doença pode atingir botões, flores, rosetas e pedúnculos, causando necrose, morte e queda, além de reduzir o pegamento.
O que são chumbinhos mumificados?
São frutos jovens que escurecem, secam e permanecem presos temporariamente à roseta. Phoma é uma das possíveis causas, mas o diagnóstico deve considerar clima e outros sintomas.
Quebra-vento ajuda no controle?
Sim. Quando bem planejado, reduz a velocidade do vento, os ferimentos em folhas jovens e a exposição direta do cafezal. Barreiras muito fechadas, porém, podem criar turbulência ou excesso de sombra.
Qual fungicida usar contra Phoma?
A escolha deve ser feita por engenheiro agrônomo com base no diagnóstico, histórico e registro vigente. Consulte o Agrofit e siga a bula, a dose, a carência e a rotação de mecanismos de ação.
Phoma e cercosporiose são a mesma doença?
Não. Phoma costuma causar lesões escuras em folhas novas, deformação e seca de ponteiros. Cercosporiose forma frequentemente manchas circulares com centro claro e borda escura, podendo também atingir frutos.
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