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Ferrovia Transcontinental: EF 354 (do Atlântico ao Pacífico) – III.

Ilustração de uma ferrovia em curva junto a um rio, com pequena ponte e montanhas ao fundo.
Ilustração gerada por inteligência artificial; não representa traçado aprovado nem comprova a construção da EF-354.

Artigo histórico de Ruy Gripp, assinado em 22/08/2009, sobre possibilidades de traçado da EF-354 no Leste de Minas. Inclui correspondência da SMEA datada de 28/07/2009. As propostas e os dados pertencem ao contexto daquele período. Na edição pública, foi omitido o bloco de contato residencial do autor; a argumentação, os créditos e as datas foram preservados, com revisão de digitação e espaçamento. Leia a parte I e a parte II.

Engº Agrº Ruy Gripp

Continuando com o assunto do jornal Estado de Minas de 25-05-2009, sobre o projeto da Ferrovia ligando um porto no Norte do E. do Rio de Janeiro com portos no Peru, tendo uma extensão de 4,4 mil quilômetros, queremos justificar a possibilidade da ligação Ipatinga – Muriaé via Caratinga, Manhuaçu, Manhumirim, Carangola, Tombos, etc. aproveitando o antigo leito da Estrada de Ferro Leopoldina, desativada nesta região.

A reportagem focaliza o plano de aproveitar trechos da antiga ferrovia. Duas opções existem em dois roteiros distintos:

a) de Ipatinga – Ponte Nova, passando por Viçosa, Ubá, Cataguases até atingir Muriaé;

b) de Ipatinga – Caratinga passando por Manhuaçu, Carangola,… Se depende de estudos para chegar ao projeto mais viável em termos técnicos e econômicos, nossa região pode interferir apresentando sugestões com argumentos que justifiquem uma solução favorável para o roteiro de Manhuaçu.

Nós, que conhecemos nossa região, temos buscado sugestões com pessoas experientes. Já temos alguns argumentos a sugerir. Sabemos que construir uma rodovia ou ferrovia nas imediações ou contorno de uma cidade relativamente grande como Manhuaçu é um problema difícil, com elevado custo em desapropriações de imóveis muito valorizados, e principalmente a contrariedade dos proprietários em ceder seus terrenos. Demanda tempo para solução. Imaginemos o roteiro de Caratinga até Realeza onde iria demandar o antigo leito que se inicia entre Manhuaçu e Reduto.

Assim, uma solução parece viável: De Caratinga descer para Simonésia até as margens do Rio Manhuaçu, subindo por este rio até encontrar o Rio Jequitibá, em Reduto, onde inicia o antigo leito da ferrovia desativada. No km. 555 da Rio Bahia (BR-116), justamente na divisa dos municípios de Manhuaçu com Santa Bárbara do Leste inicia a estrada para Simonésia, que fica a 35 quilômetros. Do mesmo km 555 até Caratinga são 25 km. Total Caratinga a Simonésia = 60 km. De Simonésia a Reduto são 25 km. Portanto Caratinga-Reduto = 85m, quase idêntico a passagem por Realeza. Assim deixaria de existir os problemas de Realeza e Manhuaçu, que talvez pudesse inviabilizar sua passagem pelo nosso roteiro de Ipatinga- Caratinga-Manhuaçu-Muriaé.

Em nome de nossa Regional SMEA (Sociedade Mineira de Engenheiros Agrônomos) enviamos à maioria dos prefeitos e autoridades de nossa região a seguinte correspondência:

“SOCIEDADE MINEIRA DE ENGENHEIROS AGRÔNOMOS – SMEA – Núcleo Regional de Manhumirim – MG Av. Teofilo Tostes, 86 – Manhumirim (Escritório da EMATER) – Tel (033) 341.1345. Alto Jequitibá – MG, 28 de Julho de 2009. Ilmo Sr. (Prefeito) Assuntos – a) “Ferrovia no incentivo ao reflorestamento”, da Tribuna do Leste de 31-08-2003; Visa mostrar a importância da ferrovia para o desenvolvimento de nossa região e sugerir junto as lideranças políticas para que ela se torne uma realidade.

b)“Caminho Aberto para o Pacífico” do jornal Estado de Minas de 25-05-09: abre uma oportunidade se realmente ela for optar pelo antigo leito da primitiva ferrovia em nossa região do Leste Mineiro, tendo como dois pólos já definidos em Minas: Ipatinga no Vale do Aço e Muriaé, na Zona da Mata, de passar por Caratinga, Manhuaçu, Manhumirim.

Pelo mapa vemos ser quase uma reta a ligação Ipatinga- Simonésia, atingindo Reduto onde se inicia o leito da antiga ferrovia. Portanto mais perto que subindo de Ipatinga para Ponte Nova, via Viçosa, Ubá, Cataguazes até Muriaé.

Nosso objetivo e sugestão é localizar um ponto estratégico de atingir o Rio Manhuaçu nas proximidades de Ipanema, para a ferrovia acompanhar a margem deste rio até Reduto. Sabemos, como exemplo prático da própria Vitória – Minas que ela foi localizada sempre ao lado e nas margens do Rio Doce, em sua maior parte. Esperamos sua colaboração neste sentido. Atenciosamente, Engº Agrº Ruy Gripp – Vice presidente Núcleo Reg. SMEA Manhumirim – Manhuaçu – MG

Supondo opção pelo projeto Ipatinga-Muriaé, roteiro Caratinga, Manhuaçu, Manhumirim, Espera Feliz, Carangola. evitando passar por Realeza e área urbana ou periferia de Manhuaçu, região muito montanhosa com terrenos muito valorizados, apontamos as seguintes sugestões que parecem técnica e economicamente viáveis para estudo da implantação da EF-354:

Ipatinga-Caratinga-Simonésia-Rio Manhuaçu até Reduto, com as seguintes opções: 2.1- Caratinga-Simonésia por Santa Rita de Minas = 50 km; 2.2- por Santa Bárbara do Leste = 60 km; 2.3-pela BR 116, no Cór. Palmeira = ???

Ipatinga-Inhapim-Rio Manhuaçu, (entre Pocrane/Ipanema) subindo até Reduto entre os rios Manhuaçu e José Pedro que correm quase paralelos.

Ipatinga –subindo entre os rios Matipó e Sacramento até Vermelho Novo, passando para Simonésia –Rio Manhuaçu-Reduto.

O roteiro da EF-354 pelo Leste de Minas facilitará a implantação futura dos seguinte importantes ramais: a) Manhuaçu – Aimorés que fará a conexão ferroviária com Baia e todo o Nordeste do país; b) Espera Feliz – Cachoeiro do Itapermirim (ES), que fará a conexão com todos os portos do litoral capixaba.

Ruy Gripp – 22-08-2009.

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