Em quase todas as cidades do interior encontramos um enorme capital, representado por máquinas (tornos e aparelhos diversos) de oficinas mecânicas especializadas em fabricar e recuperar peças de veículos e maquinário em geral. Também existe pessoal especializado no manejo destas máquinas.

A definição de MÁQUINA no dicionário Aurélio é: “1. Aparelho ou instrumento próprio para comunicar movimento ou para aproveitar, pôr em ação ou transformar uma energia ou um agente natural: máquina a vapor; máquina elétrica. 2. Um conjunto orgânico das peças de um instrumento; maquinismo, mecanismo: a máquina do relógio. 3. Veículo locomotor: a máquina do trem. 4. Utensílio, instrumento: máquina de guerra; máquina de calcular. Exemplos: Máquinas fotográficas, impressoras, operatrizes, registradoras, térmicas, etc. Máquinas simples: alavanca, roldana e plano inclinado. Aparelho: conjunto de mecanismos, de finalidade específica, numa máquina, engenho, etc.; Aparelho: máquina, instrumento, objeto ou utensílio para um determinado uso.”

Ditas máquinas dos mais diversos tipos, foram acumuladas ao longo dos anos por homens dotados de grande capacidade idealizadora em resolver todos os problemas de consertos de máquinas e aparelhos que apareciam para serem reparadas. Surgiram em função das dificuldades de comunicação e de acesso aos grandes centros industriais das capitais, em tempos anteriores. E, principalmente, porque antigamente quase todas as máquinas e aparelhos existentes no Brasil eram importadas da Inglaterra, França, Alemanha, e Estados Unidos. Portanto o reparo ou substituição das peças na manutenção das máquinas dependia de importação. Era demorado, difícil e caro. Daí o imperativo da solução local, nas cidades do interior.

Estes mecânicos especializados, sabendo da existência de determinadas máquinas à venda, pela morte do proprietário, com herdeiros que não se interessavam em continuar com a profissão dos pais, comprava o lote todo, pois o interesse era da venda total, para custear o inventário, pagar dívidas, ou dividir o dinheiro. Assim, foram se acumulando grandes lotes de máquinas de fazer máquinas, pelo interior do Brasil afora, desde que o Brasil foi descoberto.

Na região do Leste de Minas, encontramos vários exemplos, como: a) Alto Jequitibá: herdeiros do professor Lino Silva e com o sr. Adílio Sanglard; b) Manhumirim: herdeiros de Elias Mussi; c) Manhuaçu: herdeiros de Cornélio Emerich de Paulo; de Lomeu; da Eletro Soares e outros.

Há cerca de 20 anos, visitando com dr. Cícero Siqueira, (engenheiro especializado em ferrovia) as oficinas de Lino Silva e Elias Mussi, ele ficou admirado da quantidade e qualidade das máquinas existentes e sugeriu a possibilidade deles trabalharem na recuperação ou fabricação de peças das máquinas ferroviárias, fazendo componentes das mesmas, que sempre tinham necessidade de reposição. A importação era cara, demorada e cheia de burocracia para serem retiradas na alfândega, fazer conversão das moedas e remessa dos pagamentos, etc.

Agora recente (outubro/2005), visitando o sr. Felipe Mussi em Manhumirim, com o nosso amigo dr. Gerson Ferreira Pinto, professor aposentado da Universidade Federal do Rio de Janeiro da área de tecnologia e posteriormente conversando com o Dr. Perrin Smith Neto, aposentado da Universidade de Uberlândia, técnico especialista em corrosão de metais, hoje na FIAT – BH, lembramos a sugestão de 20 anos anterior do Dr. Cícero. E analisamos que, principalmente agora quando Minas, Rio de Janeiro e Espírito Santo estão num estágio de grande desenvolvimento em vários setores industriais, como: projetos de prospecção, extração e refino de petróleo; indústrias siderúrgicas e de celulose, produção de polpa de frutas, assim como a ampliação dos portos e fabricação da frota de navios petroleiros em estaleiros nacionais, certamente será oportuno aproveitar o potencial destas máquinas e oficinas ociosas.

A sugestão é mobilizar os proprietários destas várias oficinas, verificando o que elas poderiam fabricar como peças de reposição ou de fabricação para estas várias empresas que estão se instalando no litoral capixaba ou do Estado do Rio ou em Minas. Saber o que eles precisam e procurar atendê-los.

Dr. Perrin contou que em Uberlândia, um mecânico especializado em máquinas agrícolas, resolveu visitar os fazendeiros da região, procurar saber seus problemas e propor a resolvê-los. Apareceu um tipo de peça que sempre quebrava e foi preciso remodelar o desenho da dita peça para funcionar a contento. A mecânica tem expandido muito seu movimento, ampliando o número de operários. Estes técnicos experientes e competentes acham a idéia viável e oportuna. Dr. Perrin sugeriu que os interessados coloquem na Internet o que podem fazer, para aparecer encomenda.

Assim, sugerimos um trabalho conjunto das Associações Comerciais e Industriais, da região, com os proprietários destas mecânicas que porventura estiverem interessados neste tipo de prestação de serviço. Visitar em comissão, as indústrias em montagem ou expansão. Ver suas necessidades. Propor negócios. Entrosar com o SEBRAE e com as Universidades Regionais.

Assim, ao invés de nossos operários terem que mudar para os grandes centros a fim de se empregarem, poderiam permanecer em suas próprias cidades do interior, onde já possuem suas residências, familiares e amigos, numa convivência mais pacífica para o trabalho. Não necessitando mudar para os grandes centros urbanos, cheio dos perigos atuais com assaltos, problemas familiares, educação dos filhos, transporte, moradia, etc.

E estas máquinas ociosas das cidades do interior, poderiam voltar a funcionar em plena carga, gerando mercado de trabalho e produzindo riqueza representada por peças e componentes que seriam transportados para os centros de montagens ou de funcionamento, onde estiverem.

Hoje, os meios de comunicação e transporte são modernos, rápidos e que permitem esta dispersão na fabricação de peças, distante das indústrias. Esta idéia precisa ser divulgada para ser posta em prática, em benefício do progresso do país. O momento é oportuno devido a grande expansão do nosso fabuloso parque industrial, que vem aumentando significativamente sua produção direcionado para o consumo interno e exportação.

Ruy Gripp – 11-11-2005.