Nomes das Árvores: Placas de Identificação (I)
Ilustração gerada por inteligência artificial.
Engº Agrº Ruy Gripp ·
Há cerca de 30 anos ouvimos do Sr. Antônio Pereira Leite que desejava colocar os nomes nas árvores situadas na beira do caminho que atingia o Parque Nacional do Caparaó. Ele era o último proprietário antes do Vale Verde, sito na entrada do Parque. Aquela idéia sempre permaneceu na minha mente como uma sugestão muito importante para se aprender e gravar bem o nome das espécies vegetais de nossa flora.
Recentemente, em 1997, após a instalação da usina de reciclagem de lixo de Manhuaçu, na arborização de seu contorno, alguém teve a feliz idéia de fixar placas (de chapa de ferro) com os nomes das diversas espécies ali em formação. Pegamos um modelo para orçamento visando a identificação nas arborizações das ruas, avenidas e praças, assim como das principais espécies nas margens das rodovias. Como ficava muito caro cada unidade, o plano ficou congelado, aguardando uma oportunidade. No início deste ano de 1999 um amigo de Alto Jequitibá, antes residindo em S. Paulo, me perguntou pelo nome de uma árvore muito usada em arborização de nossas cidades, tendo em Manhumirim várias ruas enfeitadas com sua ornamental folhagem e florada e seus belos cachos de frutos, como na rua Maria Olinda (do hospital e igreja presbiteriana). Disse-me que tinha da mesma árvore na rua de sua residência em S. Paulo e sempre procurando saber o nome daquela espécie, mas ninguém sabia informar.
Eu também não sabia. Custou-me a descobrir o nome. Esperamos florir e frutificar. Levei amostra de galhos com folhas, flor e frutos para comparar em vários livros. Quebrei a cabeça até identificá-la. A árvore chama-se Alfeneiro ou Ligustro (Ligustro japonicum). Perdi tempo na pesquisa.
Mas o fato motivou-me a executar um plano de patrocinar a confecção de “Placas de Identificação” para as árvores das praças e ruas de Manhumirim e Alto Jequitibá. Pedi autorização dos respectivos prefeitos e temos tido o apoio dos funcionários, dos técnicos e das lideranças na identificação e colocação das placas. Creio que será um bom exemplo para outros municípios. Tem um objetivo de caráter educativo e até mesmo de atrativo turístico: o povo, da região e visitantes, ficarão conhecendo nossas belas árvores pelo seus nomes comuns e científico.
Os antigos madeireiros e os velhos agricultores que sabiam de cor e salteado os nomes das várias espécies de nossa flora, hoje estão se tornando raridade como as próprias madeiras de lei já estão escassas, difíceis de serem encontradas. Pois as nossas principais espécies praticamente não existem mais no meio rural, a não ser uma aqui e outra acolá. São relíquias em algumas propriedades até que o velho proprietário morra e os filhos a derrubem para o comércio, visando recursos para pagar o inventário. Assim, dificilmente são ainda encontradas nas poucas reservas florestais existentes.
Felizmente vêm sendo plantadas em nossas praças, como ornamentais. Acreditamos que de nossas cidades poderão retornar para o campo, de onde vieram. Mas para isso precisamos saber seus nomes. Identificá-las pelos vários nomes populares e pelo nome científico, este único e universal para cada espécie.
Na pesquisa, consultando um e outro, resultou uma placa ecológica, confeccionada na madeira, (angelim-pedra, 20 x 30 cm) com as letras bordadas a fogo (caneta pirográfica, elétrica). Somente do gênero IPÊ os livros apresentam cerca de 15 a 20 espécies, fora naturalmente as inúmeras variedades dentro de cada espécie. As placas de identificação de nossas árvores e plantas ornamentais em nossas ruas, avenidas e praças, em nossas cidades, certamente será um importante fator de atrativo turístico, além da função educativa, num processo prático, didático e de baixo custo. Para aprender e gravar bem os nomes da nossa rica e bela flora vegetal, que precisa ser melhor conhecida e divulgada para ser plantada, cultivada e explorada, na defesa do nosso meio ambiente e de nossa ecologia.
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