Meio Ambiente e Reflorestamento

Palmeiras: Palmitos Comestíveis

No início da colonização de nossa região, os primeiros colonos encontraram aqui um nutritivo e gostoso alimento natural, produzido abundantemente nas matas e florestas, produto retirado da cabeça de uma linda palmeira (Euterpe edulis) conhecida com os nomes comuns de palmito, palmito-doce, ripeira, içara, juçara, palmito-juçara, palmiteiro.

Esta palmeira possui as seguintes características: tronco simples, de até 20 metros de altura, com a base das folhas formando um palmito, caracterizando as variedades de acordo com a tonalidade de cor que apresenta. Raízes bem visíveis na base do tronco. Frutos arredondados, negros ou violáceos durante a maturação. Utilidade – O tronco é usado em construções rurais. Seu principal produto, o famoso “palmito”, é consumido in natura ou em conservas. O palmito está causando o desaparecimento da espécie em algumas áreas, pelo sacrifício da planta. É de grande uso paisagístico, principalmente no sul do país.

Palmito

Palmito é o broto terminal envolvido pela parte verde da base das folhas, no topo da palmeira. Além do palmito comum, mais tradicional na região, muitas outras palmeiras fornecem palmito comestíveis. Atualmente, se destacam cinco espécies diferentes, cada qual com características particulares, que estão sendo indicadas para plantios comerciais, visando sua industrialização em conservas:

1) Euterpe edulis ou palmito-doce, já descrito;

2) Açaí (Euterpe oleracea) conhecido como açaí-do-pará, palmito-açaí, açaizeiro, palmiteiro com as seguintes características: tronco múltiplo de até 25 metros de altura, levemente curvos e apresentando raízes visíveis na base. Frutos violáceos. Prefere terrenos alagados e várzeas úmidas, chegando a formar populações homogêneas de alta regeneração natural.

Utilidade: do mesocarpo (massa do fruto que envolve a parte fibrosa da semente) é obtido suco arroxeado, o vinho-de-açaí, parte da dieta popular do estado do Pará, de alto teor calórico. O açaí produz também palmito comestível comercializado em conservas. O tronco presta-se ainda para construções rurais, como ripas e caibros. Seus frutos são procurados por várias espécies de aves. Espécie muito ornamental muito utilizada no paisagismo na região norte do país;

3) Híbrido do Euterpe edulis x E. oleracea, cruzamento melhorando ambos, para plantios comerciais: palmito com maior rendimento, emitindo rebentos, perfilhando;

4) Pupunha (Bactris gasipaes), conhecida também como pupunheira, pupunha-marajá, pirajá-pupunha. Características: troncos múltiplos de até 20 metros de altura, com espinhos formando anéis. Folhas densamente armadas de espinhos negros. Frutos maduros de cor vermelha ou amarela, de forma e tamanho variáveis. Ocorrência: já considerada espécie domesticada, amplamente disseminada pelo homem. Prefere terrenos secos.

5) Palmeira-real-australiana ( Archontophoenix sps) conhecida também como seafórtia ou palmeira – rainha, palmeira-beatriz, palmeira -degrau, palmeira -escada. Características: tronco simples, de 10 a 20 metros de altura, 15 a 25 cm em média de diâmetro, com palmito vistoso e grosso. Folhas pinadas, grandes, recurvadas ou direitas, de folíolos longos.

Inflorescência ramificada na basse do palmito, de flores branco-creme na A.Alexandre e arroxeada na A. cunninghamii. Frutos globosos, pequenos, vermelhos. Muito utilizada em parques e jardins. A caracteristica fundamental que as distingue do palmito-doce é nos frutos, com cor vermelha quando maduros, além de serem menores. ” Descrição acima reproduzido de Palmeiras no Brasil, de Harri Lorenzi e outros.

Palmitos

Utilidade: o fruto é comestível e muito apreciado, parte da dieta da população amazônica. Variedades da espécie, sem espinhos, estão sendo desenvolvidos. Seu plantio está sendo incrementado no Rio de Janeiro, Espírito Santo e Bahia, para produção de palmito. A fauna alada, principalmente os psitacídeos (papagaios, piriquitos) também consomem o mesocarpo do fruto;

Ultimamente, tem sido grande a expansão do cultivo de palmeiras, em escala comercial, destes vários tipos de palmitos. No Espírito Santo, o grupo COIMEX possui cultura em cerca de 400 hectares no município de São Mateus, já com o produto industrializado no mercado. Em Santa Catarina é tradicional a produção e exportação de conservas de palmito, de grandes culturas.

A pupunha tem sido a palmeira preferida por fornecer bom palmito e a planta perfilhar, como a bananeira, além de ser também mais precoce para início de colheita 3 a 4 anos. Pode ser plantado em terrenos secos a pleno sol. Sendo rústica está sendo mais divulgada. A palmeira-real-autraliana, exótica, trazida para o Brasil a cerca de 150 anos, plantada com finalidade apenas ornamental, somente a uns 15 anos foi verificado ser muito explorada em outros países para a extração do palmito.

Recentemente chegou-se a seguinte comparação em relação ao tradicional palmito-doce: metade do tempo para colheita (média de quatro anos, enquanto o nosso leva 8 anos para ser colhido) com o dobro do rendimento por cabeça. Comparando, cada palmeira -real -australiana corresponde assim a quatro das nossas nativas. Felizmente, já temos bastante da palmeira-real -australiana na região de Manhumirim/Manhuaçu. Naturalmente depois destas recentes pesquisas, sendo divulgado suas vantagens e virtudes, poderá continuar a embelezar nossas praças e jardins, mas também ocupar o campo, para alimentação de nossa população. Quem sabe, daqui uns anos, teremos indústria de palmito em conserva, como em outros estados.

Clima

Temos clima apropriado e solos férteis em abundância, ociosos, que precisam ser melhor aproveitados em atividades lucrativas. Vamos plantar estas palmeiras de palmitos comestíveis em cada sitio, para consumo próprio. Havendo abundância de matéria prima, certamente surgirá a industrialização. Segundo pesquisas, existe mercado mundial em expansão para o palmito em conserva. Quem sabe está será uma das várias opções para a diversificação de nossa agricultura.

Nota

A parte comestível denominado palmito corresponde ao broto terminal, branco- leitoso e macio que é envolvido pela base ou limbo das folhas e situado no topo das palmeiras de onde surge o crescimento e as folhagens e cachos das flores e frutos.

O conjunto verde e duro da parte de cima, do cume ou topo da palmeira ou “A cabeça do palmito” é a parte verde do topo ou cume das palmeiras, parte que sustenta a folhagem. Palmito comestível é o miolo branco-cremoso, tenro, mole, macio envolvido e protegido pela base das folhas, onde se dá o crescimento.

Ruy Gripp -01/10/97

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