piscicultura-extensiva-semi-intensiva-e-intensivaPiscicultura

Piscicultura – Extensiva, Semi-Intensiva e Intensiva

1) Extensiva

Sem produtividade e sem futuro. É aquela do “Deus dará”. Normalmente com as barragens ou represas nos cursos dos córregos e rios. Não possui condições técnicas de adubação e do controle e monitoramento das águas. Não apresenta bases para a produção do plâncton vegetal (fitoplâncton) e animal (zooplâncton) fonte natural dos alimentos dos peixes.

O excesso de água que entra e sai do sistema, tendo rápida renovação da água , determina uma baixa produtividade da atividade. Tende a ser abandonada e é descartada comercialmente. Apenas em alguns poucos locais privilegiados pode apresentar resultados positivos.

As barragens nos leitos dos cursos d’água estão sujeitas as enchentes periódicas, as inundações repentinas, ao rompimento, ao entupimento com detritos, a destruição. Os inimigos naturais dos peixes como as lontras, cobras, ratos d’água e o próprio homem não permitem um controle necessário que a atividade exige.

Portanto essa piscicultura extensiva “não tem presente nem futuro”. Somente atende aos pescadores de anzol ou de rede e tarrafa para se divertirem naqueles pontos mais privilegiados em pescaria ocasional, sem objetivo econômico.

piscicultura-extensivo

2) Semi-intensiva

Piscicultura praticada, usando tanques ou viveiros escavados no terreno, ou em depressões especiais do próprio terreno com pequenas barragens. Bem comum na região.

Mas, por falta de conhecimento ou aplicação das técnicas recomendadas, em geral têm baixa produtividade. Precisa ser aproveitada e melhorada com praticas corretas, como:

2.1-Regular a vazão da entrada e saída da água

O volume da água deve ser apenas o suficiente para substituir aquela que infiltra ou evapora, visando manter o nível do reservatório sem excedente. Portanto não exige muita água.

A água que sai do sistema leva e lava o adubo, o fertilizante que precisa ser colocado periodicamente para promover a produtividade do alimento na própria água. Isto para o peixe crescer e desenvolver. Portanto, na piscicultura tecnicamente conduzida, praticamente não se gasta água e também não afeta o meio ambiente.

Não produz sobra de água poluída para contaminar outras águas. È um sistema ambiental sadio, saudável, limpo. Além do mais, representa um sistema purificador das águas: aquela que infiltra no solo vai sair limpa e purificada mais abaixo, nas minas ou olhos d’água; aquela que evapora para a atmosfera, vai beneficiar o meio ambiente pelo maior umidade do ar, produzindo o sereno ou orvalho que beneficia as plantas em geral.

Mas também caí em forma de chuva alhures, em outra parte, outro local, sobre o solo, também beneficiando as plantações, os vegetais e a natureza em geral. Portanto devemos incentivar a piscicultura semi intensiva tecnicamente conduzida, pois contribui para melhorar o clima e despoluir o ambiente, além de produzir a carne do peixe, uma das mais ricas em ômega-3, a gordura da saúde que protege o coração e o cérebro e evita os AVCs (Acidentes Vasculares Cerebrais).

 2.2 . Fertilização orgânica ou química (ou ambas)

com espécies de peixe adequado ao clima e ao mercado; monitoramento correto e adequado do pH (acidez ou alcalinidade da água) e do limite da transparência com a área turva.

Pode também ter suplementação com ração própria, balanceada e especifica para cada espécie de peixe.Tem produtividade média para boa, entre 2.000, 4.000 a 8.000 quilos por hectare ou 200 a 800 kg por cada viveiro de 1.000 m2, área correspondente a 20 x 50 metros ou 30 x 35 metros.

No sistema semi-intensivo já analisamos a fertilização inorgânica com adubo químico, indicado no livro do Dr. Fernando Kubitza “Qualidade da água no cultivo de peixes e camarões” p. 152 e “A Tilápia” p. 64. Recomenda a formula com a relação de 10 : 1 de N : P (nitrogênio / fósforo ) na quantidade de 2 kg de Nitrogênio diariamente e portanto 200 g de fósforo por dia e para cada hectare (10.000 m2).

Entre as varias opções sugeridas analisamos a mistura de duas sacas de ureia (50 kg cada) para cada saca de superfosfato de cálcio ( super simples) ou seja, duas partes de ureia para cada parte de super-fosfato. Esta mistura apresenta a relação 10 : 1 de N:P. A aplicação pode ser semanal ou quinzenal.

Numa adubação semanal seria 50 kg por hectare ou 5 kg para cada 1.000 m2 de área ou 500 g para cada 100 m2 de viveiro. Caso queira aplicar quinzenalmente seria o dobro, e aplicado por exemplo nos dias 1 e 15 de cada mês, todo mês de cada ano.

Na adubação orgânica geralmente temos a piscicultura consorciado com a suinocultura, com marreco de Pequim, ou com esterco de bovinos ou a cama de frango. A quantidade será determinada pela transparência da água medida pelo disco de Secchin.

O limite da transparência / túrbidez, área clara / área escura deve ser mantida em torno de 30-50 cm. Média de 40 cm profundidade. Excesso de adubo orgânico ou inorgânico que eleva a área turva e diminui a transparência é altamente prejudicial, nocivo ao sistema .

Com menos de 30 cm, a falta de transparência acarreta transtorno grave na água, impedindo a produção de algas e a geração do oxigênio. O oxigênio na água é produzido ou gerado pela fotossíntese no meio aquático da energia dos raios do sol que multiplicam o plancton.

Sem oxigênio (02) suficiente o peixe tem seu desenvolvimento retardado, para de se alimentar ou morre afogado na água. Não pode respirar normalmente. Como sinal, geralmente na parte da manha, permanece na superfície, levanta a cabeça para fora d’água, respirando o oxigênio diretamente do ar atmosférico.

Portanto, adubos de menos ou em excesso são prejudiciais.O disco de Secchin é o aparelho ou instrumento fundamental para orientar a adubação correta, necessária, ideal. Sem ele não se obtém sucesso na piscicultura por falta de controle adequado na adubação com fertilizantes químicos ou orgânicos.

2.3- Piscicultura semi-intensiva que exige muita água

No caso de uma grande suinocultura com excesso de matéria orgânica gerada pelos dejetos dos suínos, não existindo superfície de viveiro correspondente ao seu aproveitamento total. Somente poderá usar todo o esterco com muita água entrando e saindo do sistema .

A que entra fornece o oxigênio necessário a fisiologia do peixe. O peixe vai se alimentar diretamente dos resíduos dos suínos, mas pouca produção de plâncton. Existe o perigo da mortandade repentina dos peixes. Estes têm que ser de espécies adaptadas ao bento, à lama, a um sistema especial de vida sem grandes exigências de oxigênio no ambiente aquático onde vive. Não é o sistema tradicional de uma piscicultura controlada.

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3) Piscicultura Intensiva

Alta produtividade, com ração balanceada, especifica para determinadas espécies . Necessita grande vazão de água que entra e sai do sistema. Comporta grande densidade ou volume de peixe por metro cúbico (m3) de água.

Pode ter pequena superfície de água exposta aos raios solares. Grande volume de água e de peixe em pequena área. Possui varias modalidades. Sendo intensiva com muito peixe exige muita água de boa qualidade.

Não se pretende que a água produza o alimento do peixe como na piscicultura semi-intensiva. O alimento – ração balanceada – será distribuída varias vezes por dia em quantidade adequada, sem falta ou excesso. Será dosada em função da necessidade do consumo diário determinado pelo peso e desenvolvimento dos peixes.

Tem influência fatores climáticos nas estações do ano: com baixa temperatura algumas espécies não se alimentam: ficam paradas, paralisadas. Outras espécies não suportam temperaturas elevadas.

Cada espécie de peixe tem sua faixa diferente de temperatura ideal para melhor produtividade. Uns são de clima tropical, outros de clima temperado. A tilápia esta situada no meio termo, porém nas regiões frias desenvolvem mais no período do calor.

A sobra de ração tem dois inconvenientes:

a) Diminui o lucro pela perda de um produto de elevado custo, que é a ração balanceada;

b) Polui o meio ambiente aquático pela fermentação e consumo da taxa de oxigênio necessário a respiração e ao desenvolvimento dos peixes. Portanto a ração tem que ser controlada, evitando excesso prejudicial.

Normalmente se aplica um volume correspondente de 3 a 5% do peso total do estoque de peixe existente, calculado por amostragem. O peso médio da amostra multiplicado pela quantidade existente no viveiro.

Toma-se com base o que foi colocado in inicialmente no viveiro, naturalmente tendo dado baixa nos que morreram. Sabendo o volume das unidades colocadas no tanque ou viveiro, coleta-se e pesa alguns exemplares, para calcular o total existente.

A ração peletizada e extrusada (preparada em máquinas especiais para ter menor densidade) que flutua, permite a alimentação na superfície da coluna d’água,com maior aproveitamento da ração e melhor controle. Evita perda para o fundo do viveiro, onde se perde, fermentando, azedando e consumindo o OD (oxigênio dissolvido) necessário ao ambiente aquático.

No sistema intensivo exigente em águas frias, temos como exemplo o da truticultura (truta — o salmão de água doce) existente na Serra do Caparaó, no lado do E. Santo, dos córregos de água limpa, transparentes e frias que nascem no Parque Nacional da Caparaó, na localidade de Mundo Novo.

Também é intensivo o sistema de gaiolas flutuantes denominado Tanque Rede, usado nas represas hidrelétricas, ou nos lagos, lagoas e grandes rios, com ração balanceada, a sendo que a água que circula e renova através das malhas das gaiolas renovam o oxigênio e contém também alimentos, diminuindo o custo com a ração, permitindo grande produtividade pois permite muito peixe por metro cúbico de água, sem necessidade de controle da transparência, de adubação, etc.

Também é intensivo o uso de grandes tanques circulares de cimento, amianto ou fibra de vidro de 1.000 a 10.000 litros com a água de qualidade circulando e renovando varias vezes ao dia, sempre com ração balanceada para dada espécie de peixe, de acordo com o clima mais apropriado.

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Nota

Existe um ditado: O peixe vive na água mas não vive da água: vive dos alimentos existentes na água, produzidos nela ou transportados para ela. No sistema semi-intensivo podemos conjugar os dois sistemas de alimentação: o produzido na própria água acrescentando o produzido fora que é o da ração farelada com milho, farelo de soja, de trigo, de arroz, e proteínas de origem animal como farinha de sangue, e carne,etc.

Ruy Gripp – 10-11-2010

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