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Manual Da Piscicultura de ELEK Woynaro Vich 

Do Manual de Piscicultura, de E.Woynaro Vich, tradução de Marcelo Jose de Melo, em 1985 pela Codevasp, Ministério do Interior que possuímos desde 1996, vamos reproduzir parte das importantes informações sobre a produção de peixes.

Apresentação:

Em decorrência do seu grande envolvimento com a piscicultura no contexto dos seus projetos de desenvolvimento rural integrado espalhados pelo vale do São Francisco, a CODEVASF vem, já de algum tempo, brindando o público interessado com edições especializadas que objetivam uma ampla disseminação de conhecimentos técnicos-científicos em torno dessa tão promissora atividade econômica.

Afirmada pela grande receptividade de tais publicações, a Companhia não tem poupado esforços para corresponder com a crescente demanda do setor, procurando preencher as lacunas que propiciam maior atração e retorno. Para esse efeito, a CODEVASF tem tirado o máximo proveito do programa de cooperação técnica contratado com a empresa húngara AGROBER/AGROINVEST, o qual está ensejado um grande impulso às atividades aqui dulcícolas em toda a região assistida por esta Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco e cujos benefícios já estão sendo igualmente repartidos com outras regiões do país.

O Manual de Piscicultura que ora se edita é parte integrante daquele grande esforço. A pedido da CODE VASF, ele foi elaborado pelo renomado cientista húngaro, Prof. ELEK WOYNAROVICH – Consultor Chefe da equipe húngara que atualmente presta serviços a esta Companhia. A vasta experiência internacional do prof. ELEK é o melhor atestado da qualidade do trabalho que a CODEVASF traz a público, em mais esta oportunidade.

Escrito em linguagem de fácil compreensão e contendo farto material ilustrativo, a simples leitura do Manual de Piscicultura permitirá, aos interessados, assimilar variada gama de conhecimentos sobre a piscicultura, desde a interação dos peixes com o seu meio ambiente natural de vida, ou seja, a água, passando pela construção de viveiros, escolha de espécies apropriadas ao cultivo, taxa de povoamento, adubação, alimentação, reprodução, entre outros, até a coleta final do pescado e sua comercialização. Conquanto originalmente preparado para treinamento dos extensionistas da CODEVASF, espera-se que o presente Manual de Piscicultura desperte o interesse tanto da comunidade já engajada na atividade piscícola e principalmente daqueles que estão prestes a aderir a essa importante alternativa de produção animal.

1- PROPRIEDADES FÍSICAS, QUÍMICAS E BIOLÓGICAS DA ÁGUA

A exemplo dos agricultores, que necessitam conhecer os solos onde plantam caso queiram produzir mais, também os piscicultores devem conhecer as propriedades físicas, químicas e biológicas dos viveiros onde cultivam seus peixes. Comparando o solo com a água, aparentemente a água é mais simples que o solo. Tal fato não é verdadeiro. A água é um substrato muito complicado sob o aspecto físico, químico e biológico. Como meio ambiente em geral e, particularmente, como meio natural de vida dos peixes.

A água no viveiro, estratifica-se segundo seu peso especifico que é determinado em função da temperatura e substâncias dissolvidas. A água fria tem peso especifico mais alto do que a água –Flutuam na superfície quente. Por este motivo, no fundo do viveiro a temperatura da água poderá ser mais agradável para os peixes do que na superfície.

A temperatura da água é um dos fatores mais importantes nos fenômenos biológicos existentes em um viveiro. Todas as atividades fisiológicas dos peixes (respiração, digestão, excreção, alimentação, movimentos) estão intimamente ligadas á temperatura da água.

Não se tem maiores problemas com temperaturas baixas em áreas tropicais e subtropicais. Aqui a temperatura alta é que merece cuidados. Os peixes de águas tropicais geralmente sentem-se bem entre as temperaturas 22-28 ºC. Seu apetite é máximo entre 24-28  ºC; entre 20-24 ºC eles comem bem, mas abaixo desta temperatura o apetite decresce rapidamente. Acima de 28 ºC o estado geral vai piorando com rapidez, perdem o apetite e numa temperatura acima de 32 ºC pode-se verificar mortalidade.

O consumo de oxigênio (oxigênio é uma necessidade básica para todos os seres vivos manterem suas vidas), dos peixes também depende da temperatura. Este cresce com o aumento da temperatura. Por outro lado a solubidade do oxigênio na água, baixa significativamente com o aumento da temperatura. A temperatura alta, os peixes logo utilizam o oxigênio dissolvido na água, podendo ocorrer asfixia. Este problema porém, será tratado com mais detalhes nos capítulos de manejo e transporte dos peixes.

A temperatura influencia também nos processos de produção biológica dos viveiros e disto depende a produção dos alimentos naturais dos peixes que, por sua vez, está intimamente ligado a produção dos pescados. Percebe-se, portanto, a importância da temperatura da água dos viveiros para a piscicultura.

O termômetro pode ser o instrumento mais importante dos piscicultores, e deve-se ter o cuidado de medir a temperatura da superfície e do fundo dos viveiros. Muito mais importante é a temperatura do fundo onde os peixes vivem. Nos viveiros muito transparentes e rasos quando o fundo pode ser visto, quase não há diferença entre temperatura de superfície e do fundo. Já viveiros com 1 metro de profundidade a diferença entre a temperatura da superfície e do fundo pode ser de 2 a 4 ºC caso a transparência seja de 20 a 25 cm.

A transparência da água dos viveiros é também uma importante propriedade. Aguá transparente, quando o fundo pose ser visto, é um deserto sem produção biológica sem produção biológica assimilável. Sem produção biológica, faltam alimentos naturais na água e os peixes não vão crescer.

A transparência ou turvação da água dos viveiros impede a penetração dos raios solares na coluna da água. O raio solar (luz) é a fonte de energia essencial para todos os seres vivos, especialmente as plantas clorofiladas (principalmente as algas), que produzem substâncias orgânicas vivas através da fotossíntese. Por isso, a transparência é um fator de enorme importância para a piscicultura. A transparência da água dos viveiros pode ser medida facilmente utilizando-se o Disco de Secchi”.

Não é necessário adquirir esse equipamento pois a transparência da água pode ser medida, ou melhor, estimada, por meio de um prato raso branco. Mergulha-se o prato na água segurando-se com uma mão, ou atado em um cordão. Quando o prato não é visível, esta distância, em centímetro, indica a transparência da água. Já que a penetração da luz e a transparência da água mantem relação estreita entre si, medindo-se a transparência tem-se informação sobre a penetração da luz no viveiro.

Quando a transparência situa-se entre 15 e 30 cm tem-se uma produção biológica ideal para um viveiro de criação de peixes.

A causa de turvação do viveiro pode ser de origem biológica quando os seres vivos planctônicos são responsáveis, ou física, quando material em suspensão e coloides causam a turvação e impedem a penetração da luz.

Muita ou pouca luz são igualmente maléficas. Caso a luz seja muita, a transparência é alta no viveiro e as plantas pequeninas planctônicas (as algas), não podem fazer fotossíntese porque são inibidas pelo excesso de luz, não produzem e o viveiro vai ser um “deserto”. Luz pouca, é evidente, não dá bastante energia para fazer fotossíntese. Entre os dois extremos há uma quantidade ótima de luz na qual as algas da água podem absorver a energia luminosa e utilizá-la em suas atividades de produção.

A água é o solvente universal encontrado na natureza.  Ela dissolve os gases como o oxigênio, nitrogênio e dióxido de carbono, os minerais e substâncias orgânicas. Todos esses gases são muito importantes para a piscicultura.

Primeiramente, vamos analisar o oxigênio dissolvido. Sem este os peixes de cultivo não podem sobreviver no viveiro. Dispõe-se de duas fonte de oxigênio: aquele que penetra anágua através do ar e a mais importante fonte que são as algas (plantas pequeninas flutuantes) que liberam oxigênio através da fotossíntese. Quando as algas realizam a fotossíntese, produzem e ao mesmo tempo enriquece o meio ambiente com o oxigênio dissolvido. Em um viveiro bem manejado durante o dia as algas produzem continuamente oxigênio. Todos os seres vivos, e entre eles os peixes, vão ter oxigênio bastante para suas vidas. Um problema por vezes catastrófico, ocorre quando este bem balanceado equilíbrio da produção e consumo de oxigênio, por qualquer causa, muda. As causas deste fenômeno serão tratadas em outros capítulos.

Não menos importante, é o dióxido de carbono nos viveiros, sobre o ponto de vista de produção fotossintética. As plantas usam, para produzir matéria orgânica, na primeira fase, dióxido de carbono e água como matéria básica, e como energia, a luz do sol. No ar, o dióxido de carbono ocorre como gás e, na água, esse pode ser transformado em hidrocarbonato e carbonato.

As algas podem usar ambas as formas de carbono para sua fotossíntese.

As fontes de dióxido de carbono são: o ar onde a concentração deste é quase constante 0,03%. Muito importante fonte de dióxido de carbono são os seres vivos os quais inspiram oxigênio e expiram dióxido de carbono continuamente. O dióxido de carbono para os seres aquáticos, fica dissolvido na água e pode ser utilizado pelas algas no esmo meio ambiente. Este é um importante fenômeno na vida aquática. Os seres que utilizam matérias orgânicas para manter suas vidas produzem como resíduo o gás carbônico (CO2) que fica no meio ambiente, disponível para novos processos de fotossíntese.

Quando o conteúdo de dióxido de carbono (ou seus compostos) não são bastantes para a produção elevada de matérias orgânicas, via fotossíntese, os piscicultores aplicam adubos orgânicos para enriquecer a água com compostos carbônicos, a fim de elevar a produção de peixes. O gás nitrogênio dissolve-se também na água. Este elemento químico é utilizado por algumas algas (essencialmente as azuis-verdes) que tem capacidade de fixar nitrogênio e utilizá-lo na estrutura das proteínas.

Os outros elementos químicos presentes na água, são o cálcio, magnésio, sódio, potássio, sulfatos, cloretos, fosfatos e nitratos. Os dois últimos têm grande importância quando as algas fazem as últimas fases da fotossíntese, quando produzem proteínas. Os fosfatos são, neste processo, a fonte de energia e os nitratos são materiais básicos indispensáveis.

Assim, os fosfatos e os nitratos também desempenham um papel importante para elevar a produção dos viveiros.

Outro fator de grande importância na produtividade de um viveiro é o potencial de ions de hidrogênio, denominado de pH. Quando o pH é 7 a água é neutra, quando menor do que 7 a água é ácida e quando maior do que 7 ela é alcalina. A produtividade de um viveiro é alta quando o pH  é neutro ou ligeiramente alcalino, ou seja, quando se situa entre 7,0 – 8,5.

Caso o solo e /ou a água do viveiro sejam ácidos, usa-se diferentes formas de cal para neutralizar a acidez deste ambiente infértil visando maior produção.

2- OS SERES VIVOS AQUÁTICOS

Quando a água é acumulada em um terreno, dentro de poucos dias fica povoada com vários seres vivos aquáticos. A água torna-se “água viva”. Nas águas paradas, como nos viveiros, desenvolve-se uma vida aquática associada, adaptada em todos os aspectos, para ter na água o se ambiente natural da vida. Estes são os seres aquáticos, ao contrário com os seres terrestres.

Há milhares de espécies de seres aquáticos. Conhecer todas é uma ciência a parte, porém é proveitoso o piscicultor familiarizar-se com os mais importantes grupos destes seres vivos. Porque estes são os que produzem para o piscicultor, os peixes. A seguir, descreve-se os mais importantes grupos dos seres aquáticos.

2.1. BACTÉRIAS – As bactérias (micróbios) são seres microscópicos que decompõem as matérias orgânicas (como os corpos dos seres mortos) e mineralizam estes materiais, propiciando assim que outros seres vivos, possam reaproveitá-los. Por sua vez as bactérias são importante alimento para muitos grupos de animais inferiores (invertebrados).

Caso ocorra intensa proliferação de bactérias em materiais orgânicos (por exemplo, quando os outros grupos de seres morrem subitamente) estes podem consumir muitas partes do oxigênio da água, e consequentemente, prejudicar a vida dos peixes devido a queda dos oxigênio dissolvido na água. Existem casos em que a queda do oxigênio dissolvido na água é muito acentuada podendo provocar mortalidade dos peixes.

2.2. PLANTAS UNICELULARES (ALGAS).  São também seres microscópicos, medindo frações de milímetros. As células de muitas espécies de algas não se separam, agregam-se em colônias. Estas podem ser vistas a olho nu.

Muitas algas flutuantes coram a água do viveiro. Assim há águas verdes, azul-esverdeadas e até vermelhas. Certos grupos de algas, em grande densidade, causam floração da água. Esta floração pode ser perigosa. Durante a noite, elas consomem somente o oxigênio causando deficiência deste gás indispensável. Quando as algas morrem subitamente, podem causar asfixia nos peixes.

As algas flutuantes são as mais importantes produtoras dos viveiros (e outras águas paradas). Elas utilizam como fonte de energia os raios do sol (caso as condições ambientais sejam favoráveis), e como materiais básicos os compostos de carbono, como dióxido de carbono, e sais do carbono, (carbonatos), compostos de fosfatos e nitratos. Assim sintetizam matérias orgânicas como proteínas, óleos, hidratos de carbono, vitaminas, et, as quais se armazenam em seus corpos ou em suas células filhas. Esses processos biológicos básicos são feitos via fotossíntese. Estas matérias orgânicas direta e/ou indiretamente, chegam como alimentos naturais aos peixes. Em resumo, a base da produção da carne dos peixes são criadas pelas algas microscópicas da água.

Os importantes grupos de algas são: Algas azul-verdes cuja células formam colônias filamentosas, ou nodosas, ou envolvidas (encapuçadas) em material gelatinoso. Estas algas frequentemente causam “floração da água”, porém são importantes produtores nos viveiros.

Existe um outro grupo de algas representado pelas algas verdes (clorofíceas), Bacilariofíceas, Dinoflageladas, etc …, que formam colônias filamentosas grandes e que causam frequentemente, inconvenientes para o piscicultor, cobrindo grandes áreas dos viveiros.

Os peixes de cultivo que se alimentam diretamente das algas são: a tilápia nilótica (e outras tilápias) que comem as colônias de algas flutuantes; a carpa prateada que filtra e alimenta-se, com um órgãos especial, das algas microscópicas. Este peixe se alimenta, principalmente, com algas.

2.3. PLANTAS SUPERIORES (Fig.4) Algumas plantas superiores convertem-se em aquáticas.

-Plantas Submersas ou Demersas;

2-Plants Flutuantes;

3-Plantas Emergentes.

2.3.1- Plantas Submersas ou Demersas – (Fig. 4.A) Quando água do viveiro é muito clara e transparente as plantas submersas desenvolvem-se subitamente. Estas plantas são também produtoras de matérias orgânicas que armazenam em suas células e por isso proliferam rapidamente. Na maioria dos casos, esta produção é prejudicial à piscicultura pois estas plantas retiram rapidamente os materiais nutritivos (fosfatos e nitratos) da água. A carpa capim e piau verdadeiro alimentam-se dessas plantas, porém seletivamente. Algumas espécies de tilápias também comem os brotos destas plantas. Somente a carpa capim grande (com mais de 300 g) pode exterminar e controlar estas plantas. Em viveiros onde a transparência é baixa estas plantas não podem desenvolver em grande quantidade.

2.3.2- Plantas Flutuantes – Flutuam na superfície das águas paradas. Sua presença em viveiros é sempre prejudicial porque: a) Tiram os nutrientes básicos (fosfatos e nitratos) da água. b) Cobrem a superfície, impedindo que os raios solares penetrem na coluna da água. Enfim, as algas não podem sobreviver e reproduzir nos viveiros, total ou parcialmente cobertos com estas plantas. A baronesa (Eichornia crassipes) e a alface da água (Pistia) são as mais comuns e mais prejudiciais deste grupo.

Infelizmente nenhum peixe alimenta-se destas plantas. O piscicultor não deve permitir que estas plantas proliferem no viveiro.

2.3.3- Planas Emergentes – Crescem principalmente nos taludes dos viveiros. No caso dos viveiros grandes, as plantas emergentes protegem os diques contra a erosão. Caso estas plantas ocupem grandes áreas dos viveiros, necessitam ser controladas. A carpa capim pode comer muitas destas plantas quando as folhas e ramos estão mergulhados na água.

2.4. SERES ANIMAIS. Inúmeros representantes do reino animal fazem da água seu ambiente natural de vida ou então buscam na água o seu alimento estando, portanto, intimamente ligados á piscicultura. Assim, iniciamos com animais unicelulares (importantes como primeiro alimento das póst-larvas de peixes), passando por crustáceos, insetos (adultos e na fase larvar), vertebrados (sapos e rãs), e até répteis), aves (martim pescador, garças) e mamíferos (ariranha, lontra).

2.4.1- Rotíferos – Estes pequenos animais aquáticos, medem 0,1-1,0 mm e são os mais importante alimento da póst-larvas dos peixes nas primeiras semanas de vida.

Em viveiros de engorda (onde os peixes para o mercado crescem), a carpa cabeça grande utiliza esta fonte de alimento como também as algas em colônias.

2.4.2- Crustáceos – Estes animais aquáticos, medindo cerca de um ou mais milímetros, são os mais importantes intermediários da cadeia alimentar para os peixes que não podem comer algas diretamente. Estes animais formam um importante população da coluna da água.

Todos os organismos microscópicos vegetais e animais que têm pequena capacidade de locomoção e que vivem ao sabor da corrente na coluna da água têm o nome coletivo de: plâncton. As plantas da água são denominadas de fitoplâncton, os animais de zoo plâncton

Dois grupos de crustáceos têm grande importância nos viveiros: os cladosfera (como o pulgão da água) e os copepodas. Embora o valor nutritivo cladosfera seja mais baixo do que dos copepodas são mais importantes nos viveiros, porque os peixes os capturam facilmente.

O crustáceo decapodo Macrobracum amazonicumum quando se prolifera no viveiro pode ser um importante alimento para os peixes de cultivo.

2.4.2- Outros seres Animais. Alguns outros seres animais, que vivem na água, são úteis do ponto de vista da piscicultura, porém, quando carnívoros são nocivos pois comem os peixes pequenos.

As larvas de quironomideos  e as larvas de efeneropteos que vivem no fundo dos viveiros são importante alimento da carpa que remexe o lodo.

As larvas de libélulas (lavadeiras) e a larvas de baratinha d’água (Dytiscus) e nadador de costa (Anisopss sp e Notonecta sp) são inimigos especialmente das post-larvas e alevinos (filhotes) dos peixes.

Entre os vertebrados, os girinos dos sapos e rãs, quando em grande número nos viveiros bem fertilizados, são concorrentes dos peixes jovens, por alimentos. Rãs adultas são ótimas predadoras de alevinos, chegando a devorar de 6 a 10 alevinos por dia. São inimigos dos peixes ainda os répteis (jacarés), aves (martim pescador, mergulhão, garças, etc) e mamíferos (ariranha, lontra)

3- AMBIENTES AQUÁTICOS

Uma água parada, como é o viveiro, tem três principais ambiente aquáticos que, consequentemente, são povoados com diferentes grupos e espécies de seres vivos aquáticos. Estes ambientes aquáticos se dividem em: 1-A faixa do talude (margem); 2- A coluna da água; 3- O fundo.

O talude é ocupado por plantas emergentes e algumas vezes por plantas submersas. Nestas plantas vivem uma infinidade de insetos, moluscos e algas filamentosas.

A coluna da água é o mais importante ambiente de vida nos viveiros. Ai vivem os membros do fitoplâncton e do zoo plâncton. Ai se verifica a produção biológica que resultara no crescimento e produção dos peixes. Em um produtivo viveiro, num litro de água vivem milhares de algas e rotíferos e uma centena de crustáceos. O plâncton de viveiros produtivos e férteis, renova-se continuadamente. Uma parte vai ser consumida pelos peixes, outra parte morre dando lugar aos jovens que procriam e nascem ininterruptamente até que as condições da produção tais como, luz, materiais básicos, alimentos, oxigênio, etc (mencionando somente as principais) estejam disponíveis. Os peixes de cultivo também vivem e recolhem alimentos na coluna d’água.

O fundo também é importante ambiente de vida nos viveiros. As plantas e animais mortos sedimentam-se no fundo, enriquecendo o lodo com materiais orgânicos comestíveis. Estes materiais são fonte de alimentos pra os peixes lodófagos como curimatãs e para o vermes (minhocas), larvas de quironómideos e efemeróptos. Estes últimos são alimentos procurados pelas carpas que remexem o lodo. Já as tilápicas e tambaquis, não remexem o lodo por isso não podem utilizar esta fonte de alimento. Na superfície do lodo vivem caracóis e larvas de insetos (Cheoborus) que são importantes na alimentação do pirá e tambaqui.  P.17

4- CICLOS DE PRODUÇÃO AQUÁTICA

Realmente todos os organismos que vivem em um viveiro de um modo ou de outro, direta ou indiretamente, participam da produção de carne de peixe. Isto se deve ao fato de que todos estes organismo sessão produtores de matérias orgânicas. Sem dúvida, pode-se distinguir grupos de organismos que podem ter, continuadamente, fonte de alimentos dos peixes de cultivo. Nem todas as espécies de peixes alimentam-se dos mesmos alimentos. Uns peixes preferem um tipo, outros tipos diferente de alimentos naturais. Para um alimento ser considerado fonte de alimento natural necessita ter algumas quironómideos em  condições especificas, como, por exemplo, ser quantitativamente suficiente e continuamente renovado.

Em um viveiro podemos considerar as seguintes fontes de alimentos naturais para alguns peixes de cultivo, (por ordem de importância) (Fig.10).

a.-Fitoplâncton (algas simples e em colônias); b. Zooplâncton (crustáceos e rotíferos) c. Animais que vivem no lodo como as larvas de quironómideos e efemeróptos, minhocas, etc;  d. Plantas  submersas e plantas emergentes. e- Materiais orgânicos do lodo.

Diferentes espécies dos peixes de cultivo podem utilizar somente uma desta fonte de alimentos naturais, ao mesmo tempo no viveiro. Todas asa fontes de alimentos anteriormente mencionadas que não são utilizadas, e como tal não são controladas, podem se desenvolver intensamente e isto poderia impedir a produção e o desenvolvimento das outas bem utilizadas. Isto ocorre quando as algas formam a “floração da água” ou as plantas submersas cobrem todo o viveiro. O lodo podre (putrescente) também pode causar problemas para o piscicultor. Baseado no exposto, recomendamos, sempre que possível, cultivar peixes em policultivo  (cultivo de mais de duas especes no mesmo viveiro. Por outro lado, peixes em policultivo contribuem para elevar a produtividade biológica de um viveiro, pois mantem a circulação de substancias orgânicas, liberam CO2 na água e adubam o viveiro.

5- CADEIA ALIMENTAR

Todos os animais alimentam-se com matéria orgânica, viva ou sem vida. Uns animais comem só plantas (animais herbívoros), outros comem insetos, mas os insetos comem as plantas. Deste modo aparece a cadeia de alimentação que tem tantos níveis quanto os grupos de organismos envolvidos. Por exemplo, os peixes herbívoros ou algáfagos tem dois níveis em suas cadeias de alimentação. Os peixes que se alimentam com o zooplâncton alimentam-se principalmente com algas. Os peixes carnívoros tem o mínimo três, mas geralmente têm quatro  cinco níveis em suas cadeias de alimentação.

Isto mostra que a perda de energia, ao longo da cadeias de alimentação, cresce consideravelmente a cada mudança de nível. Por exemplo, a cada 100 kg de algas flutuantes fitoplâncton) se transformam em 10 kg de peixes algáfago (fitoplantófago, cada 10  kg de crustáceos (zooplanton) se transformam num kg de peixe zoofágo (zooplanctófago), e cda 1 kg de peixe zoofágo se transforma em 0,1 kg de peixe carnívoro (.ig 12). Todas estas perdas são decorrentes o consumo de energia para processar a digestão, absorção, excreção e manutenção da vida.

Os peixes lodófagos, por outro lado são recuperadores de energia pois aproveitam as matérias orgânicas descartadas nos diversos níveis da cadeia alimentar.

6. PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DAS ESPÉCIES APROPRIADAS PARA CULTIVO.

No Brasil existem mais de duas mil espécies de peixes de água doce. Porém, poucos podem ser cultivados, devido a falta de conhecimentos profundos sobre a natureza destes peixes. A primeira condição para um peixe ser cultivado é o conhecimento das propriedades básicas (alimentação, crescimento, propagação, adaptação ao confinamento, etc). Sem estes conhecimentos, o cultivo é impraticável.

No mundo existem cerca de 20 espécies de peixes que são cultivados intensivamente. Outras 60 espécies são cultivadas extensivamente ou somente a nível experimental.

Uma espécie de peixe para ser cultivada intensivamente, necessita concentrar as seguintes características.

  1. Boa aceitação por parte do consumidor e preço economicamente viável no mercado.
  2. Crescimento rápido (precoce); em um ano ou menos necessita alcançar o peso de mercado;
  3. Aceitar e utilizar bem os alimentos artificiais
  4. Os peixes devem utilizar basicamente, na sua alimentação, os alimentos naturais produzidos, em grande quantidade, no viveiro. Eles necessitam ser ou iliófagos, ou algáfagos, ou zooplântófagos, ou alimentar-se com animais de fundo, ou herbívoros. Os peixes que se alimentam com alimentos que não existem em bastante quantidade nos viveiros não podem ser cultivados.
  5. Aceitar e utilizar bem os alimentos artificiais (alimentos artificiais são todos os materiais comestíveis que o piscicultor pode dar ao peixes).  Os alimentos artificias devem ser: grãos (milho, trigo, sorgo) etc), subprodutos de agroindústria (resíduos da limpeza de sementes e de moinhos, tortas, sementes de tomate, resíduos de fabricas de cerveja, etc), grama e ervas terrestres para alimento dos peixes herbívoros, como carpa capim.
  6. Capacidade de viver pacificamente com outras espécies de peixes.
  7. Não deve ser muito sensível. Para cultivo são melhores os peixes que são bastante rústicos e resistentes, que podem viver em água com baixo conteúdo de oxigênio, tolerar o manejo, o transporte e todas as manipulações que se tornarem necessárias para o decurso da criação.
  8. Possam ser propagadas em águas fechadas, especialmente em viveiros construídos para esta finalidade. Ou possam ser propagados artificialmente em grande escala (em escala comercial), pois os filhotes (alevinos) de peixes de cultivo necessitam ser produzidos, ano a ano, por preços economicamente viável.

Estas características são validas somente para os peixes de cultivo intensivo. Poucas espécies de peixes carnívoros tem papel importante em piscicultura intensiva. Já os peixes de cultivo extensivo e superintensivo devem encerrar características um pouco diferentes das descritas neste item.

7. QUALIDADES E PROPRIEDADES DAS PRINCIPAIS ESPÉCIES ADAPTADAS AO CULTIVO INTENSIVO

7.1- CARPA COMUM (carpa de escama e carpa espelho) É cultivada em quase todo o mundo. A carpa comum é a espécie mais utilizada no mundo, entre os peixes cultivados. É cultivada tanto nas áreas temperadas como nas áreas subtropicais e tropicais. Cresce rapidamente. Em um ano pode ter 0,8 -1 kg com população densa em viveiros.

Muitas raças de carpa comum foram domesticadas. Seu apetite cresce com temperaturas mais ou menos entre 24-28 ºC. Sua comida natural é zoo plâncton, quando juvenil, e animais do fundo (minhocas, larvas de insetos, etc), quando adulta. Consome e utiliza bem quase todos os materiais comestíveis, como alimento complementar junto da comida natural. Ela se propaga com bom êxito em águas paradas onde não há outros peixes, especialmente carnívoros. Usa-se viveiros pequenos construídos e instalados para acasalamento (desova) de matrizes de carpa. Sua propagação artificial, com hipofização, também é possível e praticada.

7.2- CARPA PRATEADA – Sua origem é dos grandes rios da China. È um peixe de Piracema. Não se propaga em água fechada (parada). Seu cultivo na China, data de mais de mil anos atrás. Cresce rapidamente. Sua mais importante propriedade é a alimentação. Esta espécie tem um aparelho especial de filtrar nos arcos branquiais. Com este aparelho filtra as algas menores do viveiro. Entre os peixes, a carpa prateada tem a mais curta cadeia de alimentação e, por isso, seu custo de produção é menor. Não come alimentos artificiais inteiros, só quando são moídos em pó. Sua alimentação pode ser incrementada nos viveiros com uso de adubos orgânicos continuamente. Assim, se converte, indiretamente, adubos orgânicos em carne de peixe. Em policultivo ela é usada como peixe principal, quando não há alimentos, só adubos orgânicos. Junto com carpa comum (peixe principal) tem um efeito sinergético. A carpa comum produz mais quando consorciada com carpa prateada do que quando em monocultivo. Na Europa, Ásia e em alguns países da África as estações de piscicultura propagam artificialmente milhões de alevinos (filhotes) deste peixe para distribuição entre as piscigranjas. Sua carne é seca, “sem gordura”

7.3-CARPA CABEÇA GRANDE- É um peixe originário da China, muito próximo da carpa prateada. Seu aparelho de filtrar não é tão fino como da carpa prateada. Seu alimento é por isso um pouco maior, algas em colônias, rotíferos e crustáceos pequenos.  Cresce melhor junto da carpa prateada. É um peixe secundário, ou terciário e só pode ser cultivado em policultivo. Sua propagação e distribuição são quase idênticas as da carpa prateada.

7.4- CARPA CAPIM. É também originária da China. É uma espécie excelente para cultivo devido seu habito alimentar. É um peixe herbívoro, que come não somente as plantas aquáticas, submersas e/ou emergentes mas, também as gramas, capins e outras plantas terrestres, principalmente capim. Pode consumir diariamente 30 a 100 % do seu peso, produzindo muito adubo orgânico que fertiliza os viveiros. Segundo um provérbio antigo na China, uma carpa capim alimenta três outros peixes, indiretamente, com seu adubo. Quando há disponibilidade de capim, a carpa capim é o peixe principal no policultivo. Ela come tão somente plantas verde e frescas (não secas).

É um peixe de piracema, sua propagação artificial é quase a mesma da carpa prateada ou cabeça grande.

7.5- TILÁPIA NILÓTICA – Esta espécie é a que cresce melhor entre as tilápias. Alimenta-se de algas grandes em colônias, zoo plâncton, folhas ramos de certas plantas aquáticas. Utiliza bem os alimentos naturais e também artificiais. Sua maturação sexual é muito rápida em viveiros bem fertilizados. Com 4-6 meses de idade começa a propagar-se e as fêmeas param de crescer (a fêmea deste peixe guarda os ovos fertilizados na boca e aí eclodem e se desenvolvem as larvas). Os machos crescem melhor do que as fêmeas e por isto, faz-se a hibridação para se obter somente alevinos machos.

7,6- TAMBAQUI – O tambaqui (Colossoma macropomum) é um peixe nativo da bacia Amazônica e Ornoco (Fig17). É um peixe de piracema, o que dificulta a obtenção de alevinos em grande escala e, consequentemente impedia o seu cultivo, muito embora o tambaqui reúna características que o indicam como uma das espécies mais apropriadas à piscicultura.

Em 1977, no DNOCS (Pentecoste-CE) e na Venezuela no Projeto da FAO se obteve a propagação artificial do tambaqui. A partir de 1983/84 a sua propagação artificial em massa, com a produção de alevinos em escala comercial, tornou-se uma realidade nas Estações de Piscicultura da CODEVASF em Itiuba-Al e Betume-SE.

Dentre as excelentes qualidades do tambaqui, como peixe apropriado para o cultivo, pode-se citar:

a. Carne Saborosa – por esta razão tem boa aceitação por parte do consumidor e alcança ótimo preço no mercado.

b. Crescimento Rápido- fazendo o povoamento de viveiros com tambaquis jovens (3 meses de idade e peso de 80-160 g) pode-se obter peixes de 1 kg em um período de 3 meses de cultivo. Alguns reservatórios da Venezuela foram povoados com tambaquis que alcançaram 20-25 kg em 6-7 anos. Em condições idênticas, o desenvolvimento do tambaqui é superior ao da carpa comum.

c. Hábito Alimentar- É onívoro. Alimenta-se de plâncton, seres animais sobre o fundo do viveiro, frutas, insetos aquáticos, caracóis, semente e grãos de cereais (milho, trigo, arroz, cevada, sorgo), subprodutos de agroindústrias, tortas oleaginosas. Pode ainda predar pequeno peixes, e até folhas e brotos de plantas aquáticas já encontradas no tubo digestivo do tambaqui.

d. Fácil Manuseio- Sua captura, transporte, seleção, etc é bastante fácil. É um peixe muito dócil e não oferece resistência quando é capturado com rede de arrastão nos viveiros. É capturado, também com facilidade, com tarrafa, anzol e rede de espera.

e. Grande Rusticidade – É pouco sensível e, neste aspecto, o tambaqui assemelha-se á carpa comum.

f. Policultivo – Sua criação pode ser feita junto com Curimatã, carpa comum, carpa prateada, carpa cabeça-grande e carpa capim.

g. Propagação Artificial- Muito embora seja um peixe de piracema, dispõe-se atualmente, de tecnologia para sua propagação artificial e produção de alevinos, em grande escala.

Apesar de não se dispor ainda de dados precisos sobre o cultivo desta espécie, pode-se afirmar, com segurança, que o Tambaqui será um marco importante no desenvolvimento da piscicultura nacional.  P. 28.

7.7- CURIMATÃ PACU – O curimatã pacu (Prochilodus marggravii) é um peixe originário da Bacia do São Francisco (Fig. 118). Esta espécie foi descrita por Johann Julius Walbaun, no ano de 1792 e constituiu também a primeira referência sobre espécie de peixes na Bacia do São Francisco. Posteriormente, e durante muitos anos esta espécie foi classificada como P. argenteus. È um peixe de piracema e, como tal, não desova em águas paradas. Este fato dificultava a obtenção de alevinos em grande escala e a sua utilização na piscicultura.

Os estudos sobre propagação artificial de curimatã pacu datam da década de trinta, quando em Campina Grande-PB, Rodolfo Von Lhering e Pedro de Azevedo, através da hipofisação, obtiveram desova, fecundação, larvas e alevinos desta espécie.

A partir de então, o curimatã pacu vem sendo propagado artificialmente em várias estações de piscicultura no Brasil, e as estações da CODEVASF dispõem de matrizes suficientes para produzir alevinos desta espécie, em escala comercial.

Seu habito alimentar o torna apropriado para a piscicultura pois é um peixe lodófago e seu alimento natural constitui-se de material orgânico vivo e morto que se localiza na superfície do fundo, em pedras, plantas ou demais organismos vegetais em decomposição. Este peixe tem “moela” na primeira parte do tubo digestivo (pré-estomago).

Quando dispõe de alimento suficiente o curimatã pacu pode alcançar 300-600 g em 6-8 meses de cultivo. Pode ser usado em rizipiscicultura e também em policultivo como peixe secundário.

8-TIPOS DE PISCICULTURA

– Devem ser diferenciados três tipos principais de piscicultura, que, entretanto, podem ainda apresentar subdivisões. Os três principais tipos são:

1- Piscicultura extensiva;

2- Piscicultura intensiva;

3- Piscicultura superintensiva.

8.1- A piscicultura extensiva pode ser praticada nas águas fechadas artificiais que não foram construídas diretamente para o cultivo de peixes, como os açudes e reservatórios. Em outras palavras foram construídas para outra finalidade, por exemplo, para armazenar água para irrigação, para bebedouro de animais, etc. A piscicultura extensiva pode ser praticada nas lagoas naturais (melhor são as pequenas e rasas) e outras áreas inundadas e fechadas como arrozais. Nesta situação a piscicultura é uma atividade secundaria, ou seja, subordinada a meta principal.

Estes tipos de coleções hídricas devem ser povoadas com peixes de cultivo qualitativa e quantitativamente adequados para utilizar as fontes de alimentos naturais, que, sem os peixes, seriam perdidos. No caso da piscicultura extensiva contamos somente com os alimentos naturais produzidos na água.

Nesta modalidade de piscicultura não se fertiliza a água com fertilizantes orgânicos ou inorgânicos. Os animais que bebem água nestes locais automaticamente deixam cair seus excrementos, que fertilizam a água favorecendo a produção dos peixes.

A produtividade dos peixes nesta modalidade depende principalmente de três fatores:

a. Capacidade de suporte alimentar da água ou, em outras palavras, da produtividade natural da água que depende da quantidade de nutrientes (fosfatos, nitratos e materiais orgânicos) da água e do solo.

b. Escolha de espécies adequadas, taxa de povoamento e sobrevivência do povoamento efetuado.

c. Bom manejo da piscicultura.

Deve-se ressaltar a importância do povoamento.  O ideal seria se a coleção hídrica não tivesse população natural de peixes, pois assim, poder-se-ia fazer povoamento com uma taxa de estocagem desejada. Caso a coleção de água já tenha população natural de pequenos peixes forrageiros (sem valor comercial) pode-se fazer o povoamento com uma espécie de peixe carnívoro mais valioso, para utilizar esta fonte de alimentos. No caso de haver muitos peixes carnívoros, o número de alevinos povoados deve ser bem alto para compensar aqueles que serão alimento dos carnívoros.

O número de alevinos povoados depende da produtividade natural da água e varia entre 500-2.000 alevinos por hectare. A produção anual varia entre 100-1.500 kg/ha. Pequenos açudes e lagoas (1-1,5 ha, ) podem produzir, em boas condições, muito mais do isto.

8.2-PISCICULTURA INTENSIVA –(Fig.19) – Esta modalidade de Piscicultura é praticada em viveiros construídos estritamente com o fim de se criar peixes. Piscicultura intensiva é a piscicultura tradicional praticada centenas de anos na Europa e mais de mil anos na China.

Os viveiros são povoados apenas com peixes de cultivo. Todo esforço é feito para impedir a penetração de peixes selvagens indesejáveis, (esses peixes selvagens, não carnívoros, competem com os peixes de cultivo por alimentos naturais e consomem valiosos alimentos artificiais.) Os peixes selvagens carnívoros colocam em risco a povoação dos peixes de cultivo.

Para aumentar a produtividade da água aplica-se fertilizantes orgânicos (adubos orgânicos) e/ou inorgânicos. Para aumentar diretamente a produção ou o crescimento dos peixes, usa-se “alimentos artificiais”, (alimentos artificiais são todos os alimentos que não produzidos nos viveiros) que o piscicultor coloca no viveiro.

Os viveiros são construídos totalmente drenáveis e são drenados uma dou duas vezes anualmente.

8.3-PISCICULTURA SUPERINTENSIVA –Anteriormente, esta modalidade foi aplicada quase tão somente para cultivar trutas. Quando as gaiolas puderas ser fabricadas de materiais não perecíveis e a fabricação de alimentos artificiais comprimidos, tornou-se possível, a piscicultura superintensi- va foi expandida para o cultivo de outras mais preciosas espécies de peixes, como enguia, bagre do canal (USA), bagre da Europa, tilápia nilótica, etc.

No caso da piscicultura superintensiva uma só espécie de peixe é cultivada em alta densidade de povoação (em cada metro cúbico de gaiolas ou tanques pequenos se coloca 20-100 peixes). Aqui se necessita o provimento de oxigênio continuamente e a remoção dos metabolitos dos peixes, principalmente os amoniacais e os restos de alimentos podres.

No caso da piscicultura superintensiva, os peixes são alimentados somente com alimento comprimido (pelets) ou semelhante, e balanceados com tipos e teores de proteínas, minerais, vitaminas e outros ingredientes indispensáveis para o crescimento dos peixes.

 Este tipo de alimento é bastante caro, por isso só cultiva-se peixes de alto valor no mercado. Na piscicultura superintensiva não se pode contar com os alimentos naturais da água.

São muitas as opções do cultivo superintensivo que é um novo ramo da piscicultura que já apresenta um alto grau de desenvolvimento em várias partes do mundo e poderá ser mais uma opção disponível ao piscicultor para o cultivo de espécies brasileiras de alto valor comercial, como também, em escala reduzida visando o consumo doméstico.

9. A PRÁTICA DA PISCICULTURA

A piscicultura é uma cadeia de atividades como outros ramos da agricultura e pecuária. A sua prática envolve:

9.1- CONSTRUÇÕES DE VIVEIROS. O viveiro é uma coleção circunscrita de água, artificialmente construído com o objetivo de cultivar peixes. Um importante requisito do viveiro é que possa ser esvaziado quando necessário. Usualmente os viveiros são esvaziados uma ou duas vezes por ano.

Os viveiros para peixes tropicais não necessitam de água corrente como os viveiros para truta. A água corrente levaria muitos alimentos e materiais úteis do viveiro. Por isso, deixa-se entrar água no viveiro somente para compensar a vaporação e a infiltração (percolação).

Para se encher e manter o nível do viveiro necessita-se de uma fonte abastecedora com vazão suficiente. Para encher um hectare com 1 m. de água se calculam 16.000-20.000 m3 de água. A perda por evaporação e infiltração é calculada entre 1-2 cm (em áreas muito secas 3 cm) diariamente. Isto demanda 10-20 litros por metro quadrado ou 100-200 m3, por hectare, por dia.

Á água necessita ser perene e sob controle do proprietário. Importante condição é o solo. Solos que deixar infiltrar a água rapidamente são inaptas para a construção de viveiros ou diques. Solo argiloso ou solo calcário argiloso são os melhores. Solos arenosos devem ser analisados em laboratórios de solo sob o ponto de vista de infiltração. Solos com pequenas peras podem ser bons para construir viveiros.

Um viveiro deve ter 1-1,5 m de profundidade máxima e 0,8 m de mínimo. Em um viveiro com profundidade inferior as plantas aquáticas podem proliferar-se e prejudicar a piscicultura. A carpa comum com seu remexer no lodo, faz a água ficar turva e as plantas aquáticas não podem desenvolver

Temos os seguintes tipos de viveiros:

a) – viveiro tipo barragem. Num vale chato ou entre colinas pequenas podem ser construídos vários diques atravessados, resultando deste modo uma cadeia de viveiros. Caso haja um riacho no vale, necessita apenas derivá-lo da área inundada. Esta é a forma mais barata de construção de   viveiros;

b). viveiro parcialmente circundados com dique, são construídos em áreas de declive acentuados; neste caso neste caso, faz-se o corte e remove-se a terra para o plano mais baixo dando origem ao aterro;

c). viveiros totalmente circundados com diques . Nas áreas totalmente planas (planícies) constroem-se este tipo de viveiros. A construção aqui é mais cara. Nas planícies constroem-se geralmente viveiros grandes (5-10 ou mais hectares) para diminuir o custo de construção.

d). viveiros semi-escavados. O solo escavado é utilizado para construir diques. Estes viveiros são usualmente pequenos (menos de um hectare);

e) viveiros escavados. São também viveiros pequenos nos quais o sistema de escoamento necessita de estrutura especial.

Em uma piscigranja, além dos viveiros, encontramos construções diferentes como canais de abastecimento da água, canais de desague, barragens, diques, monges, etc. (Fig.21) Estas estruturas devem ser dimensionadas em função das dimensões dos viveiros.

Quando um dique vai ser construído, o solo vivo (camada superior do solo, cerca de 15-20 cm) situado na área da base do dique necessita ser removido. Deve-se também arar o subsolo da base do dique para facilitar sua fixação. Para evitar a erosão dos lados (taludes) dos diques pode-se plantar grama resistente, que terá melhor desenvolvimento se o solo vivo for espalhado, também, no fundo do viveiro.

Em áreas tropicais se constroem diques com paredes perpendiculares ou quase perpendiculares, no caso de viveiros pequenos (menos de 1 hectare.). Para desague dos viveiros pequenos, um simples tubo móvel em forma de “L”. (diâmetro 7-10 polegadas) pode fazer o mesmo serviço dos monjes, em viveiros grandes (Fig. 22)

9.2-MANEJO E MANUTENÇÃO DOS VIVEIROS- Não é bastante construir os viveiros e suas estruturas, outra importante atividade é a manutenção e manjo adequado disto tudo. As estruturas devem estar sempre em bom estado, especialmente os canais de alimentação das águas, as estruturas de desague, e os diques. Qualquer dano nas estruturas deve ser reparado, se possível, prontamente. Quando os viveiros estiverem secos todos os reparos poderão serem feitos mais facilmente do que quando estiverem cheios (inundados).

9.2.1-Quatrro ou cinco dias antes dos alevinos serem colocados, os viveiros devem ser inundados. Caso os viveiros sejam inundados muito antes, os inimigos de alevinos como barata d’água, baratinha d’água, larvas de libélulas etc., podem fixar-se. Por outro lado, se o enchimento for feito imediatamente ante da chegado dos alevinos, eles não encontrarão bastante alimentos naturais.

Quatro ou cinco dias são suficientes para desenvolver uma boa povoação de crustáceos e outros alimentos naturais nos viveiros, em áreas tropicais. È aconselhável fertilizar o viveiro, quando do enchimento, com adubos orgânicos para preparar a alimentação natural dos alevinos.

É recomendável encher o viveiro rapidamente. Se a inundação é muito devagar, durante semanas, as plantas aquáticas podem radicar-se no viveiro, cuja erradicação será difícil e onerosa.

Nos viveiros recém-construídos, durante os seis primeiros meses, a água deve atingir pouco mais da metade, deixando tempo par sedimentar e gramar os diques.

Caso o solo dos viveiros seja muito ácido (pH abaixo de 6) cal hidratado ou calcário pode ser espalhado no fundo do viveiro antes do enchimento. Cal hidratado é usado também para matar os peixes indesejáveis encontrados no viveiro depois do desague, acumulando-se em poças pequenas no fundo do depois do desague, acumulando-se em poças pequenas no fundo do viveiro.

9.2.2-  Como impedir a invasão de peixes indesejáveis no viveiro. Em áreas tropicais onde os rios, riachos, canais são cheios de pequenos peixinhos (lambaris e piabas) os quais são, sob todos os aspectos, indesejáveis no vivei no viveiro (Fig.23). Eles penetram nos viveiros principalmente durante a noite quando não são observados. Na maioria das vezes um tela com malha fina não resolve o problema. O outro lado da tela, rapidamente entope e impede a passagem da água. Caso a tela seja baixa os peixes saltam-na

Segundo a experiência, os melhores são os muros feitos de pedra trituradas (brita) ou cascalhos (3-12 cm de diâmetro) colocados entre duas grades. Constroem-se este tipo de filtro no canal de abastecimento de água, quando ele na área da piscigranja, neste local (do filtro) ele deve ser de 3-4 vezes mais largo, e /ou mais profundo. Os filtros retêm a água e, alto grau por isso necessita-se aumentar a superfície de filtração (Fig. 24 A e B).

Nos viveiros utilizados para a criação de alevinos é aplicada uma caixa de tela de mosquiteiro, colocado abaixo do tubo de alimentação da água. Uma caixa deste tipo dever ser bastante resistente e grande para exercer bem sua função (Fig. 25).

9.3- POVOAMENTO DOS VIVEIROS. O povoamento do viveiro é a mais importante atividade da piscicultura como a semeadura da terra é na agricultura (Fig. 26). “Quem semeia vento colhe tempestade” diz um velho provérbio. O povoamento dos alevinos (filhotes dos peixes) precisa ser qualitativa e quantitativamente adequado.

Caso o povoamento seja muito raro (baixa densidade), embora os peixes possam crescer mais rápido, muito alimento natural vai ser inaproveítado. Por outro lado se o povoamento é muito denso (alta densidade), os peixes não podem encontrar bastante alimento natural e vão retardar e /ou parar o crescimento (Fig.27).

Caso ao alevinos usados no povoamento sejam degenerados, deformados, de raça inferior, feridos ou enfermos, eles de nenhum modo poderão ter o mesmo crescimento dos outros que estão bons, em todos os aspectos.

Outro item que requer cuidado é o da colocação dos alevinos nos viveiros (Fig. 28). Quando os alevinos chegam nos viveiros, podem estar cansados, porque o transporte é longo, pr causa da distância ou do tempo gasto. Se estes alevinos são jogados na água simplesmente, muitos não podem recuperar as energias e morrem poucas horas depois.

Seria melhor, se esses alevinos cansados, fossem colocados numa gaiola de material mosqueteiro, que é fixado com estacas de 20 a 30 cm acima do fundo. Depois de algumas horas, quando os alevinos se recuperassem, poderiam ser liberados e os mortos seriam contados. Os alevinos devem ser liberados cuidadosamente.

Se os alevinos foram transportados em sacos plásticos é conveniente colocar os sacos plásticos em contato com a água do viveiro antes de abri-los a fim de que a diferença de temperatura entre a água dos sacos e do viveiro seja mínima. Após abrir os sacos, deixar que os alevinos saiam por si só nadando livremente.

9.3.1- MONOCULTIVO/POLICULTIVO- Uma questão muito importante que o piscicultor tem de resolver é a aplicação do mono cultivo ou policultivo.

Monocultivo de carpa comum ou truta tem sido aplicado desde velhos tempos na Europa. Nestes casos, só uma espécie de peixe era povoado no viveiro, deixando fontes de alimentos sem aproveitamento. Em alguns casos os alimentos “desproveitados” causavam problemas como “floração de água” e desenvolvimento das plantas aquáticas.

O policultivo é quando mais de duas espécies de peixes com habito de alimentação diferentes são povoadas no mesmo viveiro, para utilizar as mais importantes fontes de alimentos naturais. Quando se povoam duas espécies de peixes, se chama bicultivo. O policultivo é aplicado a mais de mil anos na China. Nas últimas décadas passadas este tipo de piscicultura difundiu-se e todo o mundo.

Os chineses costumam povoar um único viveiro com carpa prateada, carpa cabeça grande, carpa capim, carpa comum e carpa lodófaga. A proporção das espécies de peixe depende da qualidade e produtividade do viveiro, porque os chineses não alimentam os peixes com sementes, somente com gramas e plantas cortadas. A carpa comum é a terceira as lista dos peixes.

O monocultivo é o menos trabalhoso pois não necessita preocupar-se com a aquisição, colheita e venda de diferentes espécies de peixes. Já o policultivo, embora seja economicamente mais rentável, implica em maior operosidade custos mais altos compensando, consequentemente, com uma produção mais elevada.

Se povoam em bicultivo carpa comum e tilápia nilótica (tilápia do Nilo). Estas duas espécies ajudam a elevar a produção de ambas, mutuamente. A isto denomina-se “sinergismo”.

No Brasil existem espécies nativas que podem ser utilizadas no sistema de policultivo como, por exemplo, o tambaqui, curimatã pacu ou xira, pirá e inclusive o mandi.

9.4- A TAXA DE POVOAMENTO NOS VIVEIROS – O piscicultor precisa estar consciente de que nem todos ao alevinos colocados no viveiro serão recolhidos no final da criação. Durante o cultivo alguns exemplares tornam-se vítimas de animais piscifagos (aves, répteis, anfíbios), de insetos piscívoros, outros morrem porque adquirem doenças ou então são atacados por parasitas, etc. A diferença entre a quantidade colocada inicialmente no viveiros e o número de alevinos recolhidos no final é chamada de perda e depende do tamanho e condições dos alevinos, da susceptibilidade da espécie, da qualidade do transporte e de outros diferentes fatores ambientais.

Uma perda normal se situa entre 10 a 30%. Em viveiros grandes e quando os alevinos colocados inicialmente são muito pequenos a perda pode chegar a 40-50%. As causas de grandes perdas devem ser investigadas minuciosamente para evitar problemas futuros.

Diante do exposto, o número de alevinos, para povoar um viveiro, depende de algumas circunstâncias, devendo-se considerar:

a) Do ponto de vista do viveiro: a produtividade (produção de alimentos naturais) do viveiro, boa qualidade do solo e da água;

b) Do ponto de vista do peixe: o tamanho e a idade dos alevinos; o estado de saúde dos alevinos; as qualidades hereditárias (padrão genético) dos alevinos;

c) Do ponto de vista do piscicultor: disponibilidade de adubo orgânico e inorgânico para melhorar o desenvolvimento dos alimentos naturais (supondo-se que a distribuição e utilização é adequada); disponibilidade de alimentos artificiais para formulação de rações para alimentar os peixes, principalmente em todo o tempo de criação; que tamanho final deseja o piscicultor  obter com seus peixes.

Estes fatores aumentariam ou diminuiriam o número de alevinos povoados. Em muitos casos, a experiência do piscicultor pode ajudar para determinar a densidade do povoamento. A densidade de povoamento dos peixes pode ser expresso com o número posto num hectare.

Apresenta-se nos quadros 1 a 4 algumas sugestões sobre a taxa de povoamento (número de alevinos por hectare) para monocultivo da carpa comum em função dos vários fatores anteriormente mencionados. O povoamento será efetuado com alevinos medindo 2,5-3,5 cm (comprimento do corpo sem a nadadeira caudal). O período de cultivo é de 6-8 meses. Se as circunstancias forem adversas esse período será de 8-2 meses.

Quadro 1 – Sem adubação e sem alimentação artificial.

Quadro 2- Com bastante adubo e sem alimentação natural.

 Quadro 3- Sem adubação e Com alimento artificial.

Quadro 4- Com adubo e Alimento  Artificial

Quando o piscicultor deseja fazer o bicultivo, utilizando por exemplo, a carpa comum e tilapia do Nilo, as taxas de povoamento (número de alevinos por hectare) serão as seguintes:

a) Se o peixe principal for a carpa comum: utiliza-se as taxas de estocagem transcritas nos quadros 1 a 4, conforme o caso, acrescidas com 3 000 a 2.000 alevinos de tilapia (2,5 -3,5 cm de comprimento).

b) Se o peixe principal for a tilapia utiliza-se 10.000-5.000 alevinos desta com 2.000-500 alevinos de carpa comum.

Apresenta-se, nos Quadros 5, 6 e 7 algumas sugestões sobre a taxa de povoamento (número de alevinos por hectare) para o policultivo:

1º Caso – A carpa comum e o tambaqui são os peixes principais no policultivo. A alimentação artificial é utilizada e dirigida para as espécies principais (carpa comum e tambaqui). Para um período de cultivo de seis meses o peso final da carpa comum será abaixo de 0,5 kg. Caso se queira que a carpa comum alcance o peso final de cera de 1 kg, deve-se prolongar o período para 8 a 12 meses. Se não houver limitação de alevinos deve-se povoar com 70% de tambaque 30% de carpa comum.

2º Caso – A carpa prateada é o peixe principal no policultivo; utiliza-se somente adubo orgânico (sem alimentação artificial). Ainda neste caso, pode-se utilizar a curimatã pacu (xira) numa taxa de povoamento de 500 até o máximo de 1000 alevinos por hectare.

3º Caso – A carpa capim é o peixe principal no policultivo. Usa-se capim á vontade, para a carpa capim e pouca adubação. No início do cultivo os alevinos de carpa capim deverão pesar cerca de 100 g e, para as demais espécies de carpa, o tamanho deverá ser padronizado entre 2,5 -3,5 cm de comprimento.

QUADRO 5 – Policulivo. Espécieis Principais – Carpa comum e Tambaqui.

QUADRO 6 – Policultivo. Espécieis Principais  — Carpa Prateada.

QUADRO 7—Policultivo . Especieis Principais – Carpa Capim.

9.5- CRESCIMENTO DOS PEIXES EM CULTIVO – Os peixes são animais vertebrados de “sangue frio” (pecilotérmicos), ou seja, sua temperatura corporal varia de acordo com as variações de temperatura da água. Desta forma, o crescimento dos peixes não é tão limitado como para os animais de sangue quente (aves, mamíferos), e isto quer dizer que o seu crescimento está entre limites mais amplos.

Eles crescem mais rapidamente quando há disponibilidade de alimentos em quantidade suficiente, entretanto, por outro lado, seu crescimento pode quase paralisar, em caso de escassez de alimentos. Se não há disponibilidade de alimentos naturais ou artificiais perdem peso rapidamente.

As espécies de peixes cultiváveis têm crescimento rápido devido a uma seleção genética para dirigida para aprimoramento desta característica. No entanto, seu crescimento depende, sobremaneira, de alimento adequado.

O alimento dos peixes necessita conter proteínas, hidratos de carbono, óleos, gorduras, além de vitaminas, minerais, etc. Entre estes ingredientes os mais importantes são: as proteínas, vitaminas e os minerais. Sem eles o peixe não pode desenvolver, quer dizer, crescer.

A proporção desses ingredientes para as diferentes espécies de peixes é muito variável. Em geral os peixes lodófagos (como curimatãs) ou herbívoros (carpa prateada e carpa capim) necessitam menos proteínas que os peixes que se alimentam de pequenos seres animais (carpa comum e outros). Os peixes não carnívoros (como as espécies anteriormente mencionadas) necessitam menos proteínas de que os peixes carnívoros (dourado, surubim, tucunaré, traíra, etc).

Em geral os peixes não carnívoros contentam-se com alimentos contendo 25-40% de proteínas Os peixes carnívoros necessitam de 60-70% de proteínas em seus alimentos. Os alimentos naturais que os peixes de cultivo consomem no viveiro, são bem “balanceados”. Em geral contém proteínas, vitaminas e outros materiais essenciais ao crescimento.

Visando uma produção elevada, os viveiros podem ser povoados densamente, embora haja o risco de não haver bastante alimento natural, para um crescimento rápido. Os viveiros podem ser também povoados com uma densidade mais baixa mas, neste caso, a produção e produtividade dos viveiros serão mais baixas.

Para se obter uma produção elevada, não é bastante povoar os viveiros densamente, é preciso aumentar os alimentos naturais nos viveiros com adubação e dar alimentos artificiais diretamente aos peixes.  Os alimentos naturais em geral, contém proteínas e vitaminas em alta concentrações. Utilizando a adubação o piscicultor está dando condições para que o viveiro produza maior quantidade de alimentos naturais muito ricos em proteínas e minerais e, assim poderá utilizar maior quantidade de alimentos artificiais com menor teor de proteína. Os alimentos artificiais com menor teor de proteínas são muito mais baratos. Deste modo, a adubação propicia um alimento rico em proteína e um alimento artificial com baixo teor de proteína, e consequentemente, mais barato, pode ser oferecido aos peixes.

O alimento que o peixe come e digere vai ser aproveitado do seguinte modo: uma parte é utilizada para manter sua vida (energia para movimento, respiração, digestão, etc), esta parte do alimento não é usado pelo peixe para crescer. A outra parte do alimento digerida é utilizada para crescimento (aumento de peso). Para manter a vida os peixes precisam principalmente de hidratos de carbono e gorduras. Para crescimento necessitam de proteínas. Por isto os piscicultores deve oferecer, diariamente, alimentos ricos em hidratos de carbono em pequena quantidade, por exemplo, 1% do peso total dos peixes no viveiro (biomassa), para manutenção da vida. Para crescimento (aumento de peso), os peixes aproveitarão os alimentos naturais ricos em proteína produzidos no viveiro.

O crescimento é bom quando os peixes aumentam 3% ou mais nos seus pesos, diariamente. Razoável quando o crescimento é menor do que 1,5-2% e ruim quando crescem somente 1%, diariamente.

10. TÉCNICAS UTILIZADAS PARA INCREMENTO DA PRODUÇÃO

– São muitas as maneiras para aumentar as colheitas nos viveiros.

10.1- Escolha de raças precoces.  O piscicultor deve povoar os viveiros, com raças de peixes que produzem mais, e crescem com maior rapidez. Entre as diferentes raças de carpa comum é possível obter-se raças de melhor crescimento, com até 25-50% de crescimento mais rápido, nas mesmas circunstâncias ambientais (no mesmo viveiro).

10.2- BI E POLICULTIVO. O piscicultor aplica bicultivo ou policultivo ao invés de monocultivo. Os peixes dom diferentes hábitos alimentares aproveitam todas as fontes de alimentos produzidos no viveiro, que seria produzidas no monocultivo.

10.3- Periocidade das despescas. Quando os peixes alcançam o peso de mercado, eles devem ser despescados e vendidos. O viveiro é utilizado novamente no menor tempo possível.

10.4- Tamanho comercial. O peso dos peixes cultivados é determinado, segundo a exigência dos consumidores e não se deve produzir peixes acima deste peso (exceto se o consumidor der melhor preço).

10.5- ADUBAÇÃO – Uma técnica para se aumentar a produção de um viveiro é a  utilização, regularmente, de adubos orgânicos e/ou inorgânicos (Fig.31). Nas áreas tropicais a fertilização (adubação) dos viveiros é particularmente importante porque os materiais inorgânicos (os compostos de carbono, fosfatos, nitratos) que são básicos para a produção de materiais orgânicos (proteínas, hidratos de carbono, gorduras, etc.), e que servirão de alimentos aos peixes, podem ser empobrecidos muito rapidamente em temperatura elevada. Quando os compostos de carbono, os fosfatos e os nitratos são esgotados, a produção (renovação) quase para no viveiro.

Se não há produção dos alimentos naturais no viveiro, os peixes param de crescer. Por isto, é grande a importância da adubação em áreas tropicais. Os adubos podem ser orgânicos e inorgânicos.

Os adubos orgânicos usados na piscicultura são: Esterco de frangos, esterco de patos, esterco de suínos, esterco de bovinos; esterco misto; adubo composto; e adubo verde; feixes de gramas secas.

Os adubos inorgânicos ou químicos são: Fosfatos e nitratos.

Para corrigir a acidez do solo e/ou água aplica-se calcário.

10.5.1- Adubação Orgânica – Lembremo-nos do capítulo sobre os ciclos de produções aquáticas no qual foram mencionados os importantes materiais inorgânicos básicos com que as algas da coluna da água dos viveiros produzem, por via da fotossíntese, materiais orgânicos. Na primei a fase da fotossíntese as algas produzem hidratos de carbono e para isto, necessitam de dióxido de carbono (ou outros composto de carbono), adequada quantidade de luz e pigmento das plantas (clorofila). Na segunda fase da fotossíntese as algas produzem proteína, e para isto, necessitam de compostos inorgânicos de fosfato e de nitrato. O material básico deste processo, muito complicado, são os hidratos de carbono e um composto orgânico de fosfato que produz energia para a realização das reações químicas envolvidas no referido processo. O nitrogênio é um elemento essencial neste processo pois figura na estrutura das proteínas.

Com a adubação dos viveiros, estes materiais básicos são fornecidos às algas, que são a mais importantes produtoras do viveiro. Os adubos mencionados são mais eficientes, quando distribuídos frescos nos viveiros. Com o tempo, o adubo perde muito o seu conteúdo de carbono.

Os adubos orgânicos contêm todos os materiais essenciais, quase em quantidade suficiente. A adubação orgânica associada com um pouco de fosfato fornece ao viveiro os níveis ideais dos elementos químicos á produção das algas.

Os principais adubos orgânicos são os estercos de animais domésticos que fertilizam a coluna d’água. Entre estes, o melhor é o esterco de galinhas poedeiras, seguido do esterco de frangos e patos. O esterco de suínos também tem bom efeito na fertilização dos viveiros. Já o esterco de bovinos recolhido no pasto é medíocre, um pouco melhor é o esterco de vacas leiteiras.

Os adubos usados na adubação do fundo do viveiro:

a) Adubo composto que é feito do seguinte modo: todas as plantas verdes não utilizadas (por exemplo: ervas e outras plantas capinadas) são acumuladas numa vala, deixando apodrecer (fermentar). Depois de alguns meses, as plantas e os resíduos, formam uma massa escura que pode ser distribuída no fundo o viveiro. O composto é benéfico quando o fundo do viveiro é muito pobre em materiais orgânicos.

b) Adubo Verde: quando o fundo do viveiro é muito pobre em materiais orgânicos deve-se enriquecê-lo semeando com trigo, cevada, arroz ou outras plantas cultiváveis. Quando elas crescem bastante, a área é alagada. As plantas mortas enriquecem o fundo com materiais orgânicos, tornando-se bom alimento para os quironomídeos, efemerópteros e minhocas d’água. As carpas também comem parte das plantas. Pode-se também gradear a cultura, incorporando estas plantas no fundo do viveiro. Neste caso o efeito será mais lento e mais prolongado.

Molhos de gramíneas podem ser utilizadas nos viveiros para criar post-larvas de peixes e alevinos. As gramíneas secas, exclusivamente terrestres, atadas em molhos, podem ser fixadas com estacas nas margens do viveiro. Se as gramíneas são semi-aquáticas, elas se revigorão na água, brotarão e trarão outros problemas.

As gramíneas terrestres apodrecendo na água criam ambiente para as bactérias, animais unicelulares (paramecium e outros infusórios), rotíferos, etc com os quais as larvas dos peixes passam a se alimentar. Posteriormente, crustáceos, larvas de insetos, minhocas, etc, estabelecem-se nos feixes e os materiais orgânicos enriquecem, em geral, o fundo do viveiro.

A quantidade de adubo orgânico a ser utilizado na fertilização dos viveiros vai depender do tipo de adubo. A adubação excessiva traz mais desvantagens do que vantagens pois, além dos custos excedentes, a superadubação coloca em risco a vida dos peixes.

A periodicidade de adubação orgânica também é fator importante. Para se obter melhores resultados deve-se fazer o uso mais frequente e em pequenas quantidade. A adubação diária traz excelentes resultados, porém se for realizada a cada dois dias ou semanalmente, também pode ser satisfatória. Em locais onde a mão de obra é cara ou escassa pode-se fazer a adubação a cada duas semanas. Adubando diariamente, maior quantidade de adubo pode ser distribuída nos viveiros do que em cada duas semanas.

10.5.2- ADUBAÇÃO INORGÂNICA – Os principais adubos inorgânicos utilizados na adubação dos viveiros são os fosfatos (superfosfato triplo P205) e nitratos (nitrato de amônia). Uma das maiores vantagens destes adubos é que são usados em pequena quantidade tornando-se fácil sua aplicação.

A adubação química deve ser feita a cada duas semanas com superfosfato (18%) na quantidade de 15 kg/ha, e nitrato de amônia 30 kg/ha, O nitrato de amônia só deve ser utilizado quando não se dispuser de quantidade suficiente de adubo orgânico. O superfosfato pode ser misturado ao adubo orgânico visando uma distribuição mais uniforme no viveiro.

10-5.3 – DISTRIBUIÇÃO DOS ADUBOS – Os principais produtos dos viveiros, ou sejam, as algas, que utilizamos componentes do adubo orgânico, vivem espalhadas na coluna da água. Elas necessitam absorver os componentes dos adubos. Quando os componentes uteis dos adubos, se acumulam em determinadas partes do viveiro, nas outras partes as algas paralisam a produção de substâncias orgânicas. Por isto tem grande importância a distribuição dos adubos na superfície do viveiro. Não é possível adubar todos os metros cúbicos do viveiro, mas é preciso fazer a melhor distribuição possível.

Nos viveiros pequenos, o adubo deve ser mesclado com água, em um balde e regado com uma pá na superfície do viveiro, ou lançado a mão. Nos viveiros maiores, mesclar com água e distribuir em toda superfície do viveiro. Esta atividade pode ser motorizada em grandes piscigranjas.

10.6-Alimentação Artificial. Como já foi dito anteriormente, a adubação propicia alimentação natural (rica em proteínas) para os peixes. Poucas são as espécies de peixes que comem diretamente os adubos. Entre estas são conhecidas as espécies do gênero Clarias e o Bagre da Asia (Pangasius sutchi) cultivadas no Sudeste da Ásia e que comem diretamente o adubo fresco de frango ou suínos.

Os alimentos artificiais são todos aqueles que não crescem na água e são oferecidos pelo piscicultor, para os peixes. Como alimento pode ser considerado todo material orgânico, que os peixes comem e utilizam bem.

10.6.1 – Alimentação Artificial da Carpa Comum –  A carpa comum é a espécie de peixe mais conhecida e mais cultivada em todo o mundo. Ela come: sementes (de trigo, milho, cevada, sorgo e arroz); resíduos destas sementes após o beneficiamento (farelos de trigo, arroz, etc.); resíduos da indústria agrícola (resíduos de tomate); resíduos da fabricação de cerveja (fresco), resíduos de moinhos, etc; farinhas de carne, sangue, peixes, etc.

Naturalmente ela come as rações de animais domésticos, como frangos e suínos. No entanto, este tipo de alimentação é muito caro para a carpa comum.

Os alimentos que têm poucas proteínas menos de 10%, são alimentos ricos em hidratos de carbono. Os alimentos que têm mais que 20% de proteínas são alimentos ricos em proteínas. Em geral os alimentos ricos em hidratos de carbono são mais baratos do que os alimentos ricos em proteínas. O piscicultor deve alimentar seus peixes economicamente. Para baixar o custo da produção ou o custo dos alimentos é preciso selecionar entre os alimentos disponíveis aquele que possuem menor preço.

Como a carpa comum, pode consumir no viveiro, alimentos naturais ricos em proteínas, a utilização de um alimento artificial, rico em hidratos de carbono presta bons serviços, considerando os custos de alimentação.

A quantidade de alimentos que o peixe deve consumir diariamente é de 3-4% dos peixes alimentados no viveiro. Por exemplo: se o viveiro for povoado com 2.000 carpas comuns cujo peso médio é de 120 g, no viveiro existem 240 kg de carpas (biomassa total), e a alimentação será igual a 240 x 3% = 7,2 kg ou 240 x 4% =9,6kg.

Para melhorar a utilização dos alimentos naturais (ricos em proteínas) é recomendável oferecer as carpas um mínimo de 1% de seu peso atual em alimento rico em hidrato de carbono. No caso dos preços dos alimentos artificiais serem muito altos podem colocar em risco o rendimento do cultivo. Por ouro lado, se as carpas comerem muitos alimentos ricos em hidratos de carbono, sua carne poderá ser muito gordurosa, prejudicando a aceitação no mercado.

10.6.2- Preparo dos Alimentos. Para peixes pequenos (entre 3-50 g) é preciso quebrar as sementes (moer em grosseiro) em pedaços que os peixes possam abocanhar. Quando as sementes são trituradas em farinha fina, a perda é mais alta, porque os peixes não podem pegá-los.  As farinhas finas espalhadas na superfície são alimentos bons para póst-larvas e alevinos pequenos.

Uma boa prática é molhar as sementes, algumas horas antes da distribuição. As carpas podem triturar mais facilmente as sementes molhadas com seus dentes faringeanos.

Todos os alimentos sob a forma de partículas finas, devem ser misturadas ante da distribuição, para evitar perdas (as partículas finas flutuam e espalham-se na água e as carpas não as utilizam para alimentação).

Os alimentos ricos em proteínas podem ser misturados com alimentos de hidratos de carbono, com isto a utilização das proteínas será melhor.

10.6.3- Distribuição dos Alimentos- As carpas devem ser alimentadas com regularidade, diariamente, se possível na mesma hora e no mesmo local. As carpas acostumam-se ao horário da alimentação e esperam perto do local, sua comida. O local de alimentação deve ser marcado, por exemplo, com estacas (Fig. 36 A e B).

Nos viveiros maiores (10-20 Ha.) o alimento é transportado através de barco. Aqui se calculam para 1-5 Ha.,  um local especifico para alimentação. Em viveiros pequenos (menor que um Ha) o alimento pode ser oferecido em um único local.

Exceção são os viveiros onde se criam póst-larvas ou alevinos, onde os alimentos, geralmente  em forma de farinha, são distribuídos ao redor da margem do viveiro.

Espalhar o alimento em viveiros de engorda de carpas é desnecessário e antieconômico pois pode acarretar perdas de alimento que depositam no fundo.

10.6.4 – Alimentação de outras Espécies de Peixes-  As tilapias e o tambaqui comem quase o mesmo da carpa comum.

 A carpa capim se alimenta com gramas cortadas, e as plantas aquáticas colhidas em outras coleções de água.

A carpa prateada pode comer somente as farinhas que flutuam na água.

A carpa cabeça-grande pode comer as farinhas e rações também.

Sabe-se que muitos peixes locais, não carnívoros, comem rações de frango. Mas não se sabe a utilização e rendimento destas rações no caso destes peixes.

Se o piscicultor quer experimentar um alimento novo, é recomendável oferecê-lo em cada um tabuleiro que possa ser retirado fora da água para verificação do consumo deste alimento.

Na maioria das vezes os alimentos não são baratos, e, para assegurar uma melhor utilização, é de grande importância a seleção, preparação e distribuição do alimento.

10.6.5—VERIFICAÇÃO DO CRESCIMENTO DOS PEIXES –O piscicultor deve saber, como crescem seus peixes, como se beneficiam dos alimentos oferecidos, o estado de saúde dos peixes, etc. Por isso se faz mensalmente uma captura (pescaria) para amostra. Nesta captura se usam tarrafa ou rede de arrasto. Os peixes capturados são separados por espécie, contados, pesados, examinando sob o aspecto geral e devolvidos ao viveiro.

Os dados coletados nesta amostragem são avaliados da seguinte maneira: calcula-se o peso médio dos peixes n viveiro. Deste peso médio subtrai-se o peso médio calculado no mês anterior. A diferença é a média de crescimento. A média de crescimento dividida pelo número de dias entre as duas amostragens (usualmente isto é 30 dias) dá o crescimento diário. A base deste cálculo é a verificação antecedente, por exemplo, segundo a verificação antecedente o peso médio foi 80 g. O peso médio segundo a verificação atual é 155 g. O crescimento médio é 75 g. Entre as duas amostragem passaram-se 30 dias. O crescimento diário é 75/30 =2,5 g; 2,5 g de 80 g é 3,1%. O crescimento diário expresso em percentagem é 3,1 %

Em um viveiro povoado com 5.500 carpas o peso total da amostragem antecedente é 5.500 x 80=440.000 = 440 kg Segundo o exemplo dado, na amostragem atual o piscicultor terá 852,5 kg de carpa comum em seu viveiro. Calculam-se, agora, os alimentos oferecidos neste viveiro entre duas amostragem. Por exemplo, o piscicultor ofereceu em trinta dias um total de 500 kg de alimentos (sementes mistas). Este valor dividido pelo crescimento total (calculado do seguinte modo: 5.500 x 75 = 412,5 kg), é igual a 1,2. Por conseguinte, 1,2 kg de alimentos produziu 1 kg de peso de carpa, ou seja, 1,2 é o coeficiente relativo dos alimentos.

A verificação mensal deve ser sempre feita. Se por ventura, a alimentação das carpas não foi realizada, o crescimento, naturalmente, será mais lento.

Se for observado que os peixes não crescem, entre as duas amostragem ou então se apresentarem um crescimento muito baixo, deve-se suspeitar de densa povoação no viveiro, em relação ao aumento total (alimento natural + artificial). Quando este fato correr é preciso diminuir a densidade retirando-se o excesso de peixes.

Se for observado que o crescimento é muito alto (rápido) no viveiro, pode-se elevar o número de peixes. O piscicultor cuidadoso faz um fichário dos dados verificados nas amostragem para controlar melhor seu cultivo de peixes.

11. DESPESCA

– Quando os peixes no viveiro alcançam o peso do mercado (o peso planejado) devem ser despescados (colhidos) Fig.38 A). A colheita pode ser feita sem deságue do viveiro, capturando-se os peixes com rede de arrastro, ou o viveiro pode ser esvaziado e os peixes colhidos no final (Fig. 38 B). O esvaziamento ou drenagem do viveiro deve ser feito, lentamente, enquanto se efetua a despesca, para não colocar em risco a vida dos peixes.

Na maioria dos casos o ritmo da colheita é determinado segundo a venda dos peixes. Os peixes podem ser colhidos rapidamente e armazenados vivos em um tanque de cimento ou em um tanque menor, onde possam ser vendidos.

O viveiro seco pode ser alagado novamente e povoado com alevinos. Com isto a exploração do viveiro ser melhor. É aconselhável que todos os viveiros sejam esvaziados, anualmente, para erradicação dos peixes nocivos, reparar os diques e estruturas. Drenar os viveiros é especialmente importante em cada 6 meses, quando se povoam com tilápias, que podem propagar-se rapidamente acarretando superpopulação no viveiro.

Quando a venda dos peixes no mercado é bem organizada, e os alevinos novos são facilmente adquiridos, um viveiro pode ser utilizado uma e meia ou duas vezes, no mesmo ano, nas áreas tropicais ou subtropicais.

12. CULTIVO CONSORCIADO

– A produtividade dos viveiros nas áreas tropicais depende principalmente do continuo aproveitamento dos produtores da água, ou seja, das algas, com os elementos essenciais como já aludimos antes, o dióxido de carbono e outros compostos de carbono, os fosfatos e os nitratos. O esterco fresco dos animais domésticos são ricos, especialmente em compostos de carbono. Por isso, assume grade importância, a criação dos animais consorciados com peixes. Caso o viveiro não seja abastecido destes materiais, em breve esgotar-se-ão e a água para de produzir substâncias orgânicas tais como proteínas, hidratos de carbono e etc.

12.1- CONSORCIAÇÃO COM PATOS –A consorciação pato  x peixe traz muitas vantagens. Os patos retiram do meio ambiente alimentos valiosos, ricos em proteínas e vitaminas (caracóis, insetos, vermes e sementes). Por outro lado, o esterco dos patos fertiliza a água do viveiro, elevando e sustentando continuamente a produtividade e produção do viveiro. Por último, nem por isso menos significativo, na mesma área o piscicultor pode recolher duas produções. Desta forma, os custos de construção do viveiro serão amortizados mais depressa.

É imenso o benefício que traz o esterco dos patos no viveiro. Se o viveiro não é adubado com o esterco orgânico, regularmente, a produção dos peixes pode ser muito baixa.

Os patos necessitam de um alimento com 18-20 % de proteína. Entretanto, quando são criados em consorciamento com peixes, têm bom crescimento com alimento que possui 14-15 % de proteína, porque podem obter, no viveiro, bastante proteína e vitaminas,

Existem raças de patos especialmente adaptados para crescerem nos viveiros de criação de peixes. São raças de patos de pequeno porte do tipo carne e crescem rapidamente. Estas raças atingem 2,4-2,6 kg (que é o peso onde estão prontos para serem comercializados) em apenas 50-55 dias.

Os piscicultores usualmente não conseguem patinhos de um dia, mas podem comprá-los na idade de 10-14 dias quando são bastante resistente e podem viver sem problemas nos viveiros. Naturalmente os patos jovens necessitam ser adaptados à vida aquática. Esta adaptação deve ser feita na idade de 3-7 dias, depois a adaptação é mais difícil.

Os patos, no viveiro, podem ser colocados em ilhas pequenas, como palafitas, onde possam nadar livremente. Esta é melhor prática, porque todos os estercos e restos de alimentos podem ser utilizados pelos peixes. Oura solução é a construção de uma capoeira dos patos no dique do viveiro, onde também se situa o local de alimentação. Nesta circunstância, uma parte do esterco não chega ao viveiro. Onde existem muitos viveiros pequenos, os patos saem de suas capoeiras para visitar os viveiros em volta. Em muitas pares do mundo, estes pequenos viveiros são construídos com diques perpendiculares e os patos não podem abandonar o viveiro ficando no local onde os patos não podem abandonar o viveiro ficando no local onde os comedouros são colocados (Fig. 39 B).

Para evitar a saída dos patos constroem-se cercados de 40-50 cm altura. O cercado pode ser feito móvel para o caso dos patos serem mudados para outro viveiro.

Cerca de 300 patos podem ser criados ao mesmo tempo em um hectare de viveiro. Um número mais elevado de patos pode superadubar o viveiro e colocar em risco a vida dos peixes. Em um ano se pode criar 1.000 – 1.500 patos, de tamanho comercial, no mesmo hectare de viveiro.

Para alcançar um desenvolvimento rápido, os patos necessitam ser alimentados regularmente. Os alimentos usados para patos são quase os mesmos que se usam para frangos.

Caso o piscicultor queira fazer, ele mesmo, o alimento para os patos deve considerar que o alimento deve conter 14-15% de proteínas, assim como vitaminas e minerais. As vitaminas podem ser obtidas através de capim ou outra plantas de alto valor nutritivo cortadas em pequenos pedaços e misturadas no alimento. Caso o solo não tenha cal bastante, pequenos pedaços de carbonato de cálcio podem ser colocados num comedouro, separados dos alimentos.

Os patos tipo carne estão prontos para o mercado, com 50-60 dias de idade. Quando são preparados, usualmente, como “pato assado.” Depois desta idade os patos começam a mudar a pena e não são bem aceitos no mercado, porque a limpeza da pele do corpo é muito difícil  e constitui um árduo trabalho.

12.2 – CONSORCIAÇÃO COM SUINOS – O benefício da criação dos peixes  x suínos está no continuo fornecimento do esterco fresco, fazendo com que a produtividade dos viveiros possa ser mantida. A distribuição do esterco tem grande importância e o piscicultor precisa considerar este fator para que não haja perda deste material, nem concentração do esterco em determinados lugares, pois isto prejudica a qualidade da água que é indispensável para a vida dos peixes.

Caso a pocilga seja construída numa esquina do viveiro, onde a água não é renovada, neste local teremos excesso de esterco, enquanto que nas outras partes do viveiro este será escasso.

Por outro lado, se a pocilga ou palafita é construída ao lado do viveiro, este lado é bem abastecido com esterco, e os outros ficam sem adubação e, consequentemente com baixa produtividade.

O esterco dos suínos dever ser distribuído uniformemente no viveiro assegurando a mesma produtividade e o bom crescimento em todas as partes dos viveiro.

Um hectare de viveiro pode ser bem abastecido com esterco de 30 a 40 suínos. Em caso extremo, o esterco de 100-200 porcos pode ser utilizado em um hectare desde que a distribuição seja bem executada.

12.3- CONSORCIAMENTO COM FRANGOS – O esterco de frangos é o melhor entre os adubos orgânicos. No Extremo Oriente os produtores de frango constroem ao galinheiros sobre os viveiros e deste modo o esterco cai diretamente na água, onde os peixes o utilizam. Os frangos que vivem sobre a água têm um meio ambiente mais fresco sofrem muito o calor. As galinhas poedeiras são especialmente boas para criar consorciadas com peixes.

Outra solução é a produção ocorrer nos três andares. A pocilga é construída sobre o viveiro e cerca de 1,6 m de altura acima desta, são colocados os galinheiros. Desta forma, todos os desperdícios da produção de ovos e porcos são utilizados pelos peixes.

13. A PROPAGAÇÃO DOS PEIXES COM DESTAQUE PARA A CARPA COMUM

— Alguns peixes como tilápias e lambaris alcançam maturação sexual em poucos meses, enquanto que outros podem levar anos. A maturação sexual dos peixes depende de vários fatores e, entre estes, os mais importantes são: temperatura, idade, alimentação adequada (tanto qualitativa, quanto quantitativamente), apropriado ambiente de vida, tamanho (Fig.41 A e B) etc. Por exemplo; para a tilápia a idade é mais importante do que tamanho; para as carpas Chinesas (carpa prateada, carpa capim, carpa cabeça grande) o tamanho e a idade são os principais aspectos; para a carepa comum é a idade e, para todos os peixes o fator primordial é a temperatura. Nas áreas tropicais as carpas Chinesas alcançam maturação sexual depois de 2-3 anos de idade, a carpa comum 1 ano e o tambaqui 3-4 anos. A curimatã alcança maturidade sexual com 1 ano de idade.

Quando os peixes estão sexualmente maduros podem ser propagados. Cada espécie de peixe utiliza uma maneira diferente de propagação e esta é executada visando a sobrevivência da prole e a continuidade da espécie.

14 . LOCAIS E ESTAÇÃO DE DESOVA DOS PEIXES.

De acordo com os locais de desova, distinguem-se quatro grupos principais de peixes.

14.1 PEIXES QUE DESOVAM NAS ÁUAS E PARADAS COMO LAGOAS, VIVEIROS, ETC—Nestes ambientes a probabilidade de sobrevivência da prole é muito baixa devido a proliferação e acumulo de numerosos inimigos de ovos, larvas, póst-larvas e alevinos. Por estes motivos os pais dispensam á prole cuidados especiais tais como guardando, defendendo e arejando os ovos e larvas durante o curso do desenvolvimento. Em geral são raros os peixes tropicais que desovam em águas paradas e abandonam seus ovos deixando-os á mercê da natureza. Entre os peixes de cultivo, as tilapias propagam-se em águas paradas. Após a fertilização dos ovos, a fêmea guarda-os na boca onde eclodem. Ai as larvas desenvolvem-se e deixam este local seguro, como póst-larvas ou pequenos alevinos.

A carpa comum, que originalmente desovam nas áreas recém inundadas de rios, também desovam em águas paradas desde que disponha de condições especiais.

14.2 PEIXES QUE DESOVAM SÓ EM ÁGUA CORRENTE COMO OS RIOS, ETC. No Brasil são muitos peixes economicamente importantes que desovam só no leito do rio, em água corrente. Estes peixes tem uma denominação coletiva no Brasil, chamados de peixes de piracema. Entre estas espécies citamos as curimatãs, dourados, mandis, tambaqui, surubim, pirá e muitos outros. Seus ovos são livres (não aderentes) flutuantes e são levados rio abaixo. Os ovos e larvas têm boa proteção na massa de água e o alimento é assegurado á beira dório e nas áreas inundadas.

Esses peixes podem ser propagados artificialmente, utilizando a tecnologia da hipofização que foi descoberta no Brasil pelo cientista e naturalista brasileiro, Rodolfo Von Lhering, na década de trinta.

14.3—PEIXES QUE DESOVAM EM ÁREAS RECÉM-INUNDADAS. O campo recém-inundado é o local para o desenvolvimento dos ovos e crescimento dos peixes jovens. Ele é quase que totalmente livre dos inimigos de ovos e de larvas. Uma rica microfauna desenvolve-se -se com os restos em decomposição das plantas terrestres que são alimentos ideais para as post-larvas e alevinos.

Os ovos deste grupo de peixes são aglutinantes ou aderentes e se fixam nas gramas e outros objetos da água.

14.4 -PEIXES QUE VIVEM E CRESCEM NA ÁGUA DOCE E DEIXAM ESTE LOCAL PARA DESENVOLVEREM NO MAR.  Alguns peixes com este hábito são cultivados em viveiros construídos perto do mar. Os alevinos são recolhidos em massa no litoral oceânico

14.5- ESTAÇÃO DE DESOVA. Existem peixes que podem propagar-se em quase todas as estações do ano. Estes propagam-se 5-6 ou mais vezes por ano. Geralmente são peixes miúdos como tilápias e lambaris. Outros peixes só desovam na estação do ano em que os fatores ambientais são favoráveis á sobrevivência das próles. Estes peixes desovam apenas uma vez por ano.

A carpa comum nas área tropicais propaga-se naturalmente duas vezes por ano. Entretanto, quando as condições são favoráveis, especialmente dispondo de alimentação abundante, a carpa pode ser propagada três vezes ao ano.

15. A PROPAGAÇÃO SEMI-ARTIFICIAL DE CARPA COMUM EM VIVEIROS ESPECIAIS

A propagação de qualquer peixe começa com a criação de matrizes. As matrizes que são mantidas em más condições, como por exemplo, em grande densidade, não dispõem de alimentação suficiente, suas necessidades básicas não são atendidas e, consequentemente, não podem procriar proles sadias…

Por outro lado, as matrizes que são criadas de acordo com suas necessidades fisiológicas, recebendo alimentos adequados, e mantidas em ambientes propícios vão produzir facilmente originando uma prole abundante e sadia.

15.1   CRIAÇÃO DE MATRIZES DE CARPA COMUM. Em regiões tropicais a carpa comum pode ser propagada todo o ano. Por esta razão as matrizes desta espécie precisão ser criadas separadas, segundo o sexo, durante todo o ano.  Quando a criação é feita de forma não sexada, pode ocorrer uma propagação indesejada, o que acarretará uma obtenção de maus resultados.

Para um quilo de peso de fêmeas, calculamos cerca de 10 m3 de superfície do viveiro. Para um quilo de macho 5-7 m3 são suficientes. Os viveiros de matrizes precisão ser bem fertilizados com adubos orgânicos e sua profundidade mínima deve ser de 1 metro.

A alimentação deve ser a ração de galinha poedeira (ou semelhante, que tenha 20% de proteínas e suplemento vitamínicos). Caso o viveiro seja rico com animais aquáticos, a ração diária deverá ser 1,5-2% do peso atual de matrizes. No caso do viveiro ser pobre em produção natural, o arraçoamento diário deve ser de 1,5-2% do peso das matrizes. Por exemplo: temos 5 matrizes fêmeas num total de 18 quilos, então o arraçoamento diário será 180-200g, ou 270-360g respectivamente.

Não se recomenda alimentar machos com rações de alto conteúdo de proteínas. Não se deve colocar no viveiro de matrizes outros peixes, por exemplo tilápias, pois estas seriam competidoras de alimentos destinados às carpas. Já alguns alevinos de carpa poderiam ser colocados nos viveiros de matrizes para explorar certos tipos de alimentos que normalmente não seriam consumidos pelos adultos.

15.2 DESENVOLVIMENTO GONODAL- O desenvolvimento dos produtos sexuais, óvulos e espermatozoides, ocorre nos órgãos sexuais, ovário e testículo, respectivamente. O desenvolvimento dos óvulos é um processo que envolve uma série de fatores principalmente a alimentação do peixe e a temperatura da água em que vive. No ovário milhões de células desenvolvem algumas milhares de vezes, e uma bolsa (folículo) desenvolve ao redor destas células. O folículo tem uma importante função de proteção, alimentação e regulação de crescimento do óvulo durante seu desenvolvimento. Quando o folículo forma-se, o crescimento dos óvulos se acelera significativamente. Materiais proteicos e lipídios acumulam-se no vitelo (uma forma de gema) forma-se no óvulo. Quando esse processo é acabado o óvulo está pronto para desenvolvimento final. O crescimento do óvulo é influenciado principalmente pela temperatura, alimentação, adequada e outros fatores ambientais. O desenvolvimento final dos óvulos, é influenciado pelos hormônios sexuais que desenvolvem numa pequena glândula, hipófise, que é ligada ao cérebro. Quando o peixe tem óvulos prontos para o desenvolvimento final e chega no ambiente adequado para desovar, os hormônios da hipófise são liberados, e através da corrente sanguínea alcançam o ovário e iniciam os processos que resultam no desenvolvimento final dos óvulos. O desenvolvimento final é culminado com a ovulação.

O desenvolvimento dos espermatozoides ou esperma é um processo mais simples que incluí principalmente a multiplicação das células espermáticas.

Quando os óvulos no ovário chegam no fim do crescimento, alguns sinais exteriores mostram que a fêmea está pronta para a propagação. Estes sinais são os seguintes; — abdomem bem arredondado e macio; – A abertura genital fica intumescida, saliente e avermelhado ou rosada;     –o ânus (orifício anal) também fica inchado e avermelhado;

Os machos de carpa comum estão prontos para a propagação quase todo o ano. O macho libera   algumas gotas de esperma espesso se o seu abdomem é levemente pressionado (este liquido é denominado como “leite” entre os piscicultores.

Para desovar estas matrizes é preciso selecionar quais estão em condições, “prontas para desova”, isto é aquelas que apresentam bem visíveis os sinais definidos anteriormente.

15.3 VIVEIRO ESPECIAL PARA DESOVA DE CARPA COMUM – Para se obter a desova da carpa comum, em viveiro, são necessárias as seguintes condições: 1- Temperatura adequada (20-27ºC) 2- Um substrato onde os ovos possam aglutinar. O melhor substrato é uma cama de capim ou plantas aguáticas folhosas que cobrem o fundo. As raízes de baronesa ou aguapé não são adequados substratos substratos para os ovos de carpas, porque estão a superfície da água e muitos ovos caem no fundo e perdem-se. Apenas alguns consiguirão se fixar nas raízes do aguapé.  3- Presença de machos que estimulam a maturação final e ovulação. 4- Ausência de outras espécies de peixes, especialmente peixes carnívoros os quais exercem inibição da atividade de desova das carpas; e 5- O nível de água do viveiro, precisa ser permanente ou em elevação. Quando o nível da água vai abaixando, a carpa comum não desova.

Conhecida essas condições torna-se fácil assegurá-las no viveiro.

O viveiro ou tanque de acasalamento de carpas é usualmente pequeno, 100-1.000 metros quadrados. Seria conveniente se uma parte do viveiro fosse rasa onde gramas pudessem crescer ou então a talude fosse coberto com gramas que se alagam quando o viveiro é cheio. Se por acaso não for possível o crescimento de gama no viveiro pode-se usar “Kakaban”, que é uma superfície artificial de capim colonião que pode ser fixado no fundo do viveiro (Fig. 42). A carpa desova também em feixes de capim, ou molhos feito de palha de arroz que são fixados no fundo com estacas. Seguramente as carpas vão desovar sobre esses ninhos artificiais e poucos ovos serão perdidos.

Quando as carpas desovam os ovos espalham-se para baixo mas jamais para cima, por isso é desaconselhável utilizar, como ninho artificial as raízes de aguapé (baronesa) que se localizam na superfície das águas.

As matizes bem preparadas desovam em curto espaço de tempo depois de colocadas no viveiro de acasalamento.

No segundo dia depois da desova, os ninhos artificiais ou os “Kakaban”, podem ser transferidos, para outro viveiro de criação de pós –larvas, ou então as matrizes podem ser removidas do viveiro de acasalamento. Se permanecem no viveiro de acasalamento, muitos ovos, larvas, pos-larvas e alevinos vão ser devorados pelas matrizes caso elas não disponham de alimentos suficiente. Por outro lado, o perigo de contaminação por parasitas é bastante grande quando as matrizes e as proles ficam juntas no mesmo viveiro.

Os ovos eclodem depois de 2-3 dias e as pós-larvas começam a se alimentar 2-3 dias após a eclosão. As pós-larvas alimentam-se inicialmente de minúsculos animais da água, que se desenvolvem abundantemente nos viveiros bem fertilizados com adubo orgânico. Nos molhos de capim colonião também se desenvolvem esses animais pequenos.

Como alimento artificial, pode-se oferecer fubá fino de soja ou milho para as pós-larvas e alevinos. É importante que o tamanho dos alimentos seja compatível com o tamanho da boca das pós-larvas e dos alevinos para facilitar a ingestão.

16.  PROPAGAÇÃO ARTIFICIAL DOS PEIXES.

A última fase da maturação das gônadas (masculina e feminina) dos peixes é influenciada pelos hormônios sexuais. Por isso é possível conseguir ovulação e espermeação (a produção de óvulus e espermas maduros, prontos para fertilização) com injeção de extrato de hipófises (a glândula que produz os hormônios estimulantes dos órgãos sexuais), nos peixes adequadamente maduros.

Esta técnica de propagação artificial foi descoberta pelo cientista brasileiro Dr. Rodolfo Von  Lhering na década de trinta. Esta tecnologia desenvolveu-se, inicialmente, com peixes de piracema que foram capturados, injetados com extratos de hipófises e colocados em tanques pequenos com água corrente. Depois de algumas horas, os peixes desovaram no cativeiro, produzindo ovos fertilizados. Estes óvulos foram eclodidos em recipientes adequados e as larvas criadas nos viveiros.

Von Ihering descobriu também, que quase todos os peixes podem alcançar maturidade sexual, para tratamento com hipófises, nos viveiros, quando criados adequadamente e bem alimentados. Esta tecnologia de hipofização, de origem brasileira, a partir da década de cinquenta, espalhou-se no mundo inteiro e teve um desenvolvimento bastante significativo. Hoje, grandes estações são implantadas para propagar em massa os peixes de cultivo, produzindo milhões de alevinos que vão povoar viveiros, lagos, açudes, etc

De acordo com a tecnologia de propagação artificial, os peixes sexualmente maduros estão prontos para a propagação e são injetados duas vezes com extrato de hipófises. Depois de cero tempo, que vai depender da temperatura da água, os óvulos no ovário, passam por um processo complicado de maturação que culmina com a ovulação.

Os óvulos maduros podem ser extrusados e depois misturados com o esperma, também extrusados, dos machos, promovendo assim a fertilização. Após a fertilização os ovos são colocados nas incubadoras onde os embriões se desenvolvem até a eclosão. As larvas recém eclodidas são ai deixadas ou transferidas para ouras incubadeiras para desenvolver-se.

Alguns dias depois as larvas, agora com órgãos importantes desenvolvidos, estão prontas para alimentarem-se em seus ambientes.

As post-larvas são colocadas nos viveiros especialmente preparados (adubados, fertilizados, e os inimigos controlados com dipterex a 1 ppm, para criação dos alevinos. Entre um a cinco milhões de póst-larvas são povoadas em um hectare de viveiro, onde a sobrevivência pode ser bastante alta,em torno de 50-60%, caso a alimentação e tratamento deste viveiro sejam corretos.

Atualmente, muitas espécies de peixes são propagadas artificialmente, e os alevinos oriundos deste processo de reprodução são cultivados adequadamente, e produzem grande quantidade de carne de peixe para a alimentação do homem. Esta é a base da piscicultura moderna no mundo inteiro.

Nota do tradutor: maiores detalhes sobre propagação artificial de peixes são apresentadas no livro “A Propagação Artificial de Peixes de Águas Tropicais” de autoria de E. Woynaovich e L Horvath, à venda na Sede da CODEVASF SGAN- Quadra 601, lote 01 –CEP 70834 –Brasila-DF, Brasil – Telefone (061) 223.6625, ramais 247 e 249 

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